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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O TAMANHO DAS ERUPÇÕES III - Escala vulcânica de Magnitude

Após a apresentação de uma Escala de Intensidade de erupção vulcânica, apresento hoje uma Escala de Magnitude de uma erupção vulcânica, tanto aplicável a erupções efusivas, como explosivas e também raramente utilizada nos noticiários.
Nesta escala o que importa é quantificar o total de massa libertada por um vulcão ao longo de uma erupção completa, independentemente do tempo de duração desta. Logo, um dos problemas para referir a magnitude é que esta só pode ser calculada depois da erupção terminar, enquanto decorre a actividade não é viável dizer a sua magnitude final.
 
O vulcão Puu Oo numa erupção efusiva do tipo estromboliano, foto daqui

Assim, uma erupção pouco intensa que dure muito tempo pode ter a mesma magnitude que uma outra muito intensa e de curta duração, claro que a magnitude é maior se a intensidade e a duração da erupção forem ambas elevadas.

Nesta escala, a magnitude cresce um grau sempre que massa emitida aumenta 10 vezes em relação à quantidade de referência do grau anterior.
Magnitude zero - a quantidade de material emitido (lava, piroclastos e gases) é inferior a 10.000 toneladas;
Magnitude um - a quantidade de material emitido igual a 100.000 toneladas;
Magnitude dois - a quantidade de material emitido igual a 1.000.000 (1 milhão) de toneladas;
Magnitude três - a quantidade de material emitido igual a 10.000.000 (10 milhões) de toneladas;
....
Magnitude oito -  a quantidade de material emitido igual a 1.000.000.000.000 (um bilião na terminologia de Portugal* ou um trilhão no Brasil) de toneladas!

As maiores erupções conhecidas correspondem a esta magnitude, que curiosamente tem o mesmo número de zeros que a maiores intensidades conhecidas 12, mas cuidado, graus diferentes e representam aspectos distintos.

* Portugal utiliza a escala longa na terminologia de numeração, enquanto o Brasil utiliza a escala curta, consequentemente, além da ortografia, os números grandes na Europa são diferentes dos Brasileiros. Assim, 1000 milhões em Portugal é 1 bilhão no Brasil; 1 bilião em Portugal é 1 trilhão no Brasil. Confuso, não!?

sábado, 28 de junho de 2008

OS CAPELINHOS EM JUNHO/JULHO DE 1958

A partir da crise sísmica da noite de 12 para 13 de Maio de 1958, a erupção do vulcão dos Capelinhos deixou de ser afectada pela intrada de água do do mar no interior da chaminé vulcânica, pelo que a actividade eruptiva transformou-se de essencialmente submarina para subaérea.

[ foto publicada em: Machado, F. e Forjaz, V. H. (1968) "Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67" Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]

Assim, a actividade que era do tipo surtsiana, mais explosiva e grandes emissões de vapor, para estromboliana, com o aparecimento de escoadas de lava e projecção de respingos de lava ao longo de explosões de menores dimensões (não tão pequenas quanto isso, em 2001 o Etna ensinou-me quão perigosas estas podem ainda ser para os que se aventuram estar perto).
Durante a noite a actividade estromboliana pode dar origem a espectáculos de repuxos de lava de uma beleza difícil de descrever por escrito.

Em Junho e Julho, no essencial, esta actividade não sofreu alterações dignas de nota, por isso este post da série quase mensal e a relatar a história desta erupção no seu quinquagésimo anivérsário é comum aos dois meses em causa.

sábado, 21 de junho de 2008

A PEDRA-POMES E A PRESSÃO LITOSTÁTICA

Já falara aqui sobre o que acontece quando uma escoada de lava quente passa sobre uma rocha, transformando-a numa rocha metamórfica devido ao calor. No mesmo local do post de então, vê-se que outra escoada passou sobre um depósito de pedra-pomes, que não só ficou em parte cozido, como foi literalmente comprimido pelo peso dos produtos que o vulcão do complexo da Ribeirinha depositou superiormente.

Na foto em cima, o nível avermelhado superior é um paleossolo e/ou uma camada de basalto antiga parcialmente metamorfisada pelo calor da escoada que a cobriu então (cozimento puro!). Mas o nível ocre inferior já havia sofrido antes um efeito térmico do mesmo tipo e como era constituído por pedra-pomes, altamente porosa e compactável, além do calor, o peso da sobreposição das muitas camadas que se lhe sobrepuseram ao longo das várias erupções do vulcão da Ribeirinha transformaram-na ainda mais.

A camada de pedra-pomes, com o peso das rochas sobrepostas (pressão litostática) sofreu uma compactação tão intensa que as suas heterogeneidades internas ficaram fossilizadas num estreito conjunto de bandas coloridas. A moeda de 1 euro serve para ver quão estreita ficou a espessura deste nível.

Acima, um pormenor da pedra-pomes comprimida, onde os grãos quase ficaram da dimensão das areias, enquanto fragmentos de lava, mais resistentes à compactação, apresentam diâmetros médios superiores.

Assim, se as rochas à superfície, independentemente de serem vulcânicas ou não, sofrem transformações e tornam-se rochas sedimentares. No interior da terra, as rochas sofrem os efeitos da pressão, da temperatura e de outros factores fisico-químicos e transformam-se em rochas metamórficas, independentemente de terem sido ou não rochas magmáticas antes.
Tal como a água na natureza, as rochas também têm o seu ciclo de transformações, mas isso há-de ficar para outros posts mais tarde, ciclo de rochas que também acontece nos Açores.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

PEDRA-POMES: a espuma traquítica

Como disse, os magmas traquíticos, por serem muito viscosos, são expelidos dos vulcões, frequentemente, de forma explosiva, gerando-se então colunas de material ejectado, por vezes, com várias dezenas de quilómetros de altura: coluna eruptiva.
Estas explosões resultam do facto da viscosidade do magma traquítico impedir a libertação dos gases dissolvidos suavemente. Quando a pressão destes se torna muito elevada consegue romper as rochas que estão por cima e dá-se a intensa libertação do líquido misturado com gases, tal como numa garrafa de champanhe ou de gasosa quando se tira a rolha após a agitação do líquido.

Coluna eruptiva no vulcão Pinatubo (fonte: Wikipédia)

Os fragmentos de magma projectados na coluna eruptiva, piroclastos (grãos de fogo) depois, por gravidade, voltam a cair em torno do vulcão, atingindo distâncias maiores ou menores em função da dimensão dos grãos, da altura alcançada e da força dos ventos no momento. Formam-se espessos depósitos em camada destes piroclastos muito porosos, pouco densos (boiam na água), normalmente de cor clara e designados por Pedra-pomes.

Depósitos de pedra-pomes associados às explosões da Caldeira do Faial

Assim, um magma traquítico que sai de um vulcão tranquilamente forma escoada de lavas traquíticas, como as utilizadas na construção da Matriz da Horta, o mesmo material expelido explosivamente tem o aspecto (textura e estrutura) de uma rocha tão diferente que passa a ser conhecido pelo nome de pedra-pomes.

Pormenor de pedra-pomes no Faial, o círculo claro serve de escala, moeda de 1 euro.

A pedra-pomes, por norma é muito friável e esmagável, devido à sua porosidade, por isso, não era utilizada directamente na construção civil. Todavia devido à sua elevada quantidade de sílica pode tomar o nome comercial de pozolana, ser moída e misturada com calcário no fabrico de cimento. Situação que acontece na produção do cimento açoriano, que importa a componente calcária já tratada do Continente (clinquer) e é misturada com pozolanas das ilhas.

Pedra-pomes coberta de líquenes e musgos devido à humidade, o que lhe altera a cor superficial.

Também devido à baixa densidade da pedra-pomes existem experiências de utilizar esta rocha no fabrico de alguns tipos de tijolos muito leves, que reduzem o risco de danos pessoais em caso de desmoronamento provocado por sismo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A EVOLUÇÃO DOS CONES VULCÂNICOS SURTSIANOS

No Faial surgem esporadicamente preocupações pelo facto do mar, vento e chuva estarem a destruir o edifício da erupção dos Capelinhos, propondo a plantação de espécies vegetais capazes de impedir tal erosão.
Efectivamente, nas erupções basálticas em mar pouco profundo e onde este entra dentro da chaminé vulcânica, designadas de erupções do tipo surtsiano (surtseiano), dão-se grandes explosões, devido ao contacto da lava quente com a água fria. O que origina cones sobretudo de grãos da dimensão das areias e outros maiores e inicialmente soltos: devido à intensa fragmentação do material assim expelido.


O vulcão dos Capelinhos durante um período de actividade eruptiva do tipo surtsiano, os jactos negro são grãos que construíram o cone


[Foto publicada em: Machado, F. e Forjaz, V. H. - in Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67 (1968) Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]


As "areias" acumuladas durante a actividade surtsiana são conhecidas por cinzas vulcânicas - cientificamente o nome é complexo: hialopiroclastitos (sensivelmente significa: fragmentos vítreos formados pelo fogo) - e dão origem a cones fáceis de destruir pelo mar, vento e chuva. Nos Capelinhos, dos mais de 2 km quadrados iniciais, hoje resta talvez menos de 1.


Mas com o tempo, as mesmas chuvas, sais e seres vivos cimentam os grãos, transformando-os naquilo que as pessoas chamam de tufo vulcânico e a erosão passa a ser muito mais lenta. Então a superfície cobre-se de vegetação e quase nem vemos que a destruição continua.


Infelizmente e ao longo de milhares de anos, os grandes edifícios surtsianos continuam a reduzir em tamanho, o mar abre brechas e a erosão intensifica-se ligeiramente.


Então, com o passar dos anos, talvez outros milhares, os grande cones passam a pequenos ilhéus, parecem recifes... até ao dia em que desaparecem no mar como baixios e tornam-se em montes submarinos.

Todos os Faialenses gostam da estrutura construída pelos Capelinhos, interferir artificialmente com a evolução das coisas pode ser tentador, mas a longo prazo não resulta. A Natureza fez o mundo assim e para quem sabe olhar a beleza da Terra, verifica que esta constrói-se com as suas Regras Naturais.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

PALEOSSOLOS: Testemunhos do repouso do vulcão

Os vulcões poligenéticos activos podem ter várias erupções efusivas ou explosivas, separadas por curtos períodos de inactividade ou longos períodos de dormência.
Imediatamente após o termo de uma erupção, os materiais expelidos pelo vulcão começam a ser modificados pelos agentes de geodinâmica externa: factores meteorológicos (vento, variações térmicas e água sob a forma de vapor, líquida ou gelo), os seres vivos (plantas e animais) e a gravidade terrestre.

Com o tempo de repouso aumentam as transformações das rochas e instala-se um solo que abriga a vida. Para o mesmo tipo de rocha e clima, a espessura do solo cresce com o duração do período de dormência do vulcão... só que quando se iniciar outra erupção, os novos materiais expelidos soterram o solo e este fica como fossilizado sobre as novas rochas: Paleossolo. É o que testemunha a foto acima onde o paleossolo de cor acastanhada se situa entre escoadas de lava e delimitado por um traço a vermelho (clique na foto para ampliar).

Quando se estuda um vulcão, o número de paleossolos e disposições fornece informações sobre a quantidade mínima de períodos de repouso ocorridos e sobre o relevo antigo: Paleorrelevo.
Se existirem fósseis de animais, plantas ou se estas estiverem transformadas em carvão, pode ser possível datar as várias erupções e outros acontecimentos, ou seja, fazer a história geológica de uma forma datada: Geocronologia.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

OLIVINA - uma pedra semi-preciosa, o PERIDOTO

Após falar na mensagem anterior da Olivina, cujo nome provém da sua cor verde oliva, e da Faialite ou Faialita (os minerais por norma terminam em -ite em Portugal e -ita no Brasil) a componente de Ferro da mistura (Mg,Fe)2SiO4, lembrei-me de informar que este mineral é utilizado como gema ou pedra semi-preciosa na joalharia, muitas vezes conhecida também como Peridoto.

Apesar desta gema originar peças de grande beleza e o seu verde ser muito bonito, não é tão cara como outras pedras preciosas, uma vez que o preço, além de ser função da beleza, cor e brilho, é muito dependente da raridade e a olivina é frequente não só em rochas vulcânicas, como noutras. Inclusive a camada de rochas que se encontra imediatamente abaixo da crosta terrestre, o manto, é constituída, sobretudo, por uma rocha designada por Peridotito, devido à sua grande percentagem deste mineral (muitas rochas terminam com o sufixo -ito).


Nalguns locais, além de existir pequenos afloramentos de peridotito, nas regiões vulcânicas por vezes o magma, durante a sua subida, arranca das paredes fragmentos de rocha que ficam incorporados dentro da lava solidificada, os quais se designam por Xenólitos e onde o Peridotito é uma das mais comuns neste enclaves. Foi nesse tipo de relíquias da profundidade que se verificou que no Faial os xenólitos de peridotito praticamente eram de pura Faialite. Tal como já tinha falado aqui.

Como curiosidade, fica aqui uma ligação para uma página que mostram e vende peças de joalharia com Olivina, para observarem como esta gema origina obras tão bonitas (não conheço a empresa por isso não faço juízos sobre a actividade comercial ali exposta).

Já sabem, se tiverem uma peça de joalharia contendo um peridoto ou olivina, têm convosco um pouco de faialite.

terça-feira, 15 de abril de 2008

DUNAS do ISTMO do Monte da Guia

Pensam muitos faialenses e residentes noutros locais que o Faial é constituído apenas por rochas vulcânicas, é uma ideia errada. Embora a ilha tenha origem no vulcanismo, sempre que à superfície o ar (vento), a água (chuva, mar, neve, cursos de água), os seres vivos, os agentes químicos e as variações térmicas ou de pressão actuam sobre os materiais expelidos pelos vulcões, estes lentamente são transformados, destruídos, transportados e depositados noutros locais sob a forma de rochas sedimentares.
Assim, embora em menor volume, as rochas sedimentares também existem no Faial. As praias são um dos locais onde esta ocorrência é mais evidente, pois são resultado de deposição marinha ou torrencial de uma rocha sedimentar chamada areia, mas na ilha existem ainda formações areia de deposição eólica: DUNAS.

(clique nas imagens para as ampliar)

Nos Açores as dunas são raras, pois precisam de uma alimentação significativa de areia, um regime de ventos persistente e intenso proveniente da fonte, bem como uma zona aplanada para onde as areias possam prosseguir e depositar-se.
O vulcão submarino do Monte da Guia, próximo da Horta, formou uma zona pouco profunda entre a ilha e o cone submarino, o que permitiu a formação de um corredor estreito de areias que uniu as duas partes - istmo - situação que originou a mítica baía de Porto Pim, talvez a mais abrigada dos Açores, onde a areia se acumula na praia do mesmo nome, tudo isto enquanto o vale entre o monte Queimado do Faial e o da Guia funciona como um corredor de vento, situação ideal para que este istmo permita a instalação do sistema de dunas da foto acima.

As dunas tendem a deslocar-se pela acção do vento, mas a vegetação reduz este movimento. Parte desta foi plantada neste local com esse objectivo, embora o local seja o habitat natural de uma espécie rara nos Açores.

Os locais onde a vegetação está bem desenvolvida coincidem com as zonas onde as dunas estão melhor fixadas e por isso são mais altas...

mas a força do vento e o pisoteio das pessoas que passam fazem com que haja locais onde a vegetação não consegue estabelecer-se, o que origina corredores preferenciais para o transporte de areias e depressões.

sábado, 5 de abril de 2008

O VULCÃO DOS CAPELINHOS HÁ 50 ANOS

Após o início das manifestações estrombolianas em 16 de Dezembro de 1957 e de terem ocorrido momentos de acalmia intercalados com momentos de elevada explosividade com projecção de grandes blocos que atingiam o Faial na zona do Costado da Nau, o vulcão dos Capelinhos, ao longo dos primeiros meses de 1958, apresentou uma actividade vulcânica sobretudo do tipo surtsiano ou surteyano como se pode ver na foto abaixo, tirada há 50 anos, precisamente .


[Foto publicada em: Machado, F. e Forjaz, V. H. (1968) "Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67" Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]

Apesar desta aparente inofensiva actividade, os seus efeitos no Faial iam semeando uma catástrofe económica com efeitos cada vez mais evidentes, mas isso fica para outro post sobre a história do que foram os 13 meses de actividade do vulcão dos Capelinhos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

FAJÃS - Génese e arribas fósseis

À fracção de terra, relativamente plana, que se forma na base de uma arriba fóssil, chamam os açorianos de FAJÃ.

Fajã da Praia do Norte

As fajãs, resultantes da queda de escoadas lávicas que atingiram as arribas costeiras, existem em quase todas as ilhas dos Açores. Por vezes, devido à sua dimensão, estas permitem o desenvolvimento de localidades importantes ou de extensas zonas de veraneio, tornam-se então conhecidas sobretudo pelo nome desse povoado, como acontece na vila de Velas em São Jorge ou no Varadouro no Faial, e o povo praticamente esquece-se que são fajãs.

Varadouro, uma importante zona balnear e de residências de veraneio do Faial, uma fajã da costa sul vista do domo de Castelo Branco.

Ao contrário de várias ilhas do Açores, onde muitas fajãs se encontram exclusivamente na base de arribas fósseis, as do Faial têm ambas uma zona de acesso ocidental sem esta barreira natural. Tal acontece porque nos últimos milénios esta ilha tem crescido para oeste e as fajãs encontram-se na charneira entre a ilha mais antiga e a unidade geológica mais recente - Complexo Vulcânico do Capelo; e ao qual pertencem.
Assim não se está perante um delta lávico típico, pois parte das lavas a oeste e em continuidade com as fajãs não tiveram que descer a arriba bem desenvolvida como na parte mais antiga da ilha.

Fajã da Praia do Norte, manteve na sua toponímia a sua característica geomorfológica, em frente a fajã une-se à formação do Capelo sem qualquer ressalto de arriba fóssil.

As fajãs não se formam apenas devido à descida de escoadas de lava pela arriba, por vezes importantes escorregamentos junto aos escarpados da linha de costas dão origem a extensos depósitos na base, outra forma diferentes de se originarem fajãs.


A parte oriental da fajã da Praia do Norte tem várias géneses que se sobrepõem: depósitos de escorregamentos ocorridos na arriba, material transportado por cursos de água e queda pela arriba de escoadas detríticas das explosões da Caldeira.

quinta-feira, 13 de março de 2008

ARRIBA FÓSSIL: Capelinhos - Varadouro

Quando ocorre uma escoada lávica próximo do litoral ou muito extensan uma ilha, existe uma grande probabilidade da mesma atingir a linha de costa.
Se a costa for escarpada - arriba litoral - então a lava tende a cair em cascata e espraiar-se na base da antiga arriba- delta lávico - ou prosseguir o seu caminho criando nova terra. Esta situação leva à formação de uma nova linha de costa, enquanto a antiga fica muitas vezes marcada na paisagem como um ressalto de relevo: arriba fóssil.
Em quase todas as ilhas dos Açores existem arribas fósseis e o Faial não é excepção, na costa sul existem pelo menos duas áreas onde esta situação é evidente: no Porto do Comprido, junto aos Capelinhos e no Varadouro.

Arriba fóssil próxima a leste do Porto do Comprido próximo do vulcão dos Capelinhos

A mesma imagem com indicação do local da arriba fóssil e sentido da escoada (clique para ampliar)

Arriba fóssil de grandes dimensões na zona balnear e de veraneio do Varadouro, onde se nota que a escoada provém da esquerda da foto, enquanto a arriba fóssil prossegue em continuidade com a linha de costa aactual para a direita, uma zona onde a arriba não ficou fossilizada.

A mesma arriba fóssil do Varadouro à esquerda e extensos campos de escoadas lávica à direita que progrediram depois de ultrapassar a antiga arriba.


Outra perspectiva da arriba fóssil do Varadouro à esquerda. Ao fundo à direita o domo traquítico de Castelo Branco.

sexta-feira, 7 de março de 2008

SISMÓGRAFOS E SISMOGRAMAS

Quando ocorre um sismo, mesmo não sentido pelo homem - microssismo (grau I Mercalli e EMS-98) existem aparelhos que são capazes de o registar e chamados Sismógrafos.
Não há muito tempo tal era conseguido com aparelhos com "agulhas" suspensas que riscavam uma folha de papel defumado ou pontas com tinta, em ambos os casos deixavam uma linha tremida como registo.
Por norma, os pequenos sismos apenas são captados por sismógrafos próximos do epicentro, mas os grandes terramotos ficam registados praticamente nos aparelhos distribuidos por todos o mundo, embora a evidência do registo tenda a diminuir com a distância ao epicentro.

Um sismógrafo moderno e portátil, embora com sismogramas ainda em suporte de papel (imagem da Wikipédia)

O registo do sismo, em papel ou em suporte digital, chama-se Sismograma.
Normalmente, numa dada estação sísmica, cada tremor-de-terra deve ser registado em três sismogramas em simultâneo, onde em cada um ficam gravadas as vibrações ao longo de uma das seguintes direcções: Norte-Sul, Este-Oeste ou Vertical.
Antigamente tal era conseguido com três sismógrafos em conjunto, mas hoje existem alguns aparelhos digitais que conseguem, de um único registo, produzir os três sismogramas de uma só vez.

Sismograma digital de um tremor-de-terra (fonte Wikipédia)

A partir do estudo destes sismogramas, dois geofísicos: Charles Richter e Beno Gutenberg, elaboraram um modelo matemático que conduziu ao cálculo da quantidade de energia libertada durante o sismo e criaram um sistema gradual de expressar a respectiva dimensão, ou seja, uma escala quantitativa ou de magnitude, conhecida mundialmente como Escala de Richter.

No próximo post, embora sem entrar em pormenores matemáticos, mas com curiosidades sobre esta escala, espero dar uma ideia simples do que qualquer cidadão pode apreender sobre a Escala de Richter.

quinta-feira, 6 de março de 2008

TIPOS DE ESCALAS SÍSMICAS 2

Como foi referido no post anterior, as escalas sísmicas de intensidade, como a de Mercalli, procuram descrever os efeitos e o modo como um dado sismo foi sentido num dado local. Por isso o tremor-de-terra é descrito com graus diferentes de área para área, embora a intensidade máxima por norma coincida com o epicentro. As linhas que unem pontos que representam igual intensidade sísmica num mapa chamam-se Isossistas.

Imgem: Silveira, D. (2007) Caracterização da Sismicidade Histórica da Ilha de S. Miguel. Boletim do Núcleo Cultural da Horta 16: 81-102.

As escalas de intensidade permitem desenhar cartas como a da figura acima, que embora semelhante para um evento único, neste caso em concreto não se limita a descrever a intensidade de um só sismo, pois procura compatibilizar as intensidades máximas que devem ter ocorrido nas várias áreas da ilha de São Miguel desde o povoamento, tendo em conta os relatos históricos dos muitos sismos ali sentidos, é portanto uma forma de apresentar uma carta de risco sísmico para uma área da superfície terrestre, tendo como base o passado conhecido sobre essa mesma zona e uma escala de intensidade.

Como referi, em Portugal e noutros países da Europa, está a começar a surgir, com alguma frequência, a descrição de sismos com base na Escala Macrossísmica Europeia de 1998, abreviadamente EMS-98, de European Macroseismic Scale, esta é muito semelhante à Mercalli Modificada de 1956, como se pode ver nesta página.
Contudo, uma das principais diferenças entre as duas escalas está no modo de efectuar o levantamento dos efeitos do sismo, com inquéritos que passam a considerar já as evoluções resultantes de engenharia civil ao nível de resistência sísmica dos edifícios, como se pode comprovar aqui em formato pdf no trabalho de um colega meu de faculdade, para quem tiver mais interessado em aprofundar o tema.

terça-feira, 4 de março de 2008

TIPOS DE ESCALAS SÍSMICAS 1

Ao nível dos riscos geológicos, uma das perguntas mais frequente que me fazem prende-se com as diferentes escalas com que os meios de comunicação social descrevem a dimensão dos sismos.
Em primeiro lugar importa saber que os sismos tectónicos correspondem aos efeitos de movimentos bruscos que por norma ocorrem ao longo das falhas geológicas, próximo da superfície da Terra, mais frequentemente junto dos limites das Placas Tectónicas, tal como acontece nos Açores, Portugal Continental e também em parte na Madeira.
No momento da ocorrência do sismo liberta-se muita energia e a descrição das dimensão dos sismos tende a seguir dois tipos de escalas:

Escalas de intensidade, que procuram descrever os efeitos e o modo como o homem sentiu sismo nos vários locais em torno do fenómeno. São qualitativas, ou seja, cada grau é representado por um número romano e corresponde a um conjunto de efeitos. Assim o grau do sismo varia de local para local, em função da distância superficial ao fenómeno ocorrido - epicentro -, onde por norma se verifica a intensidade máxima. Neste tipo a escala, a mais conhecida é a de Mercalli.

Escalas de Magnitude - Procuram quantificar a energia que se libertou durante o sismo no local onde ocorreu em movimento no planeta Terra, a maior ou menor profundidade - hipocentro - embora existam variações de pormenor, o grau é descrito por um algarismo árabe, com pelo menos uma casa decimal e é único para um dado sismo e não varia com o local da medição, pois resulta de uma fórmula matemática que é independente do modo como as pessoas sentiram o sismo, a escala mais conhecida deste tipo é a de Richter.

Por ser a mais fácil vou começar por apresentar a escala de Mercalli que tem XII graus:

GrauDescrição
I. Muito fraco Nenhum movimento é percebido.
II. FracoAlgumas pessoas podem sentir o movimento se estiverem em repouso e/ou em andares elevados de edifícios.
III. LeveDiversas pessoas sentem um movimento leve no interior de prédios. Os objectos suspensos mexem-se. No exterior, no entanto, nada se sente.
IV. ModeradoNo interior de prédios, a maior parte das pessoas sentem o movimento. Os objectos suspensos mexem-se, e também as janelas, pratos, armação de portas.
V. Bastante moderadoA maior parte das pessoas sente o movimento. As pessoas adormecidas acordam. As portas fazem barulho, os pratos partem-se, os quadros mexem-se, os objectos pequenos deslocam-se, as árvores oscilam, os líquidos podem transbordar de recipientes abertos.
VI. ForteO terramoto é sentido por todas as pessoas. As pessoas caminham com dificuldade, os objectos e quadros caem, o revestimento dos muros pode rachar, as árvores e os arbustos são sacudidos. Danos leves podem acontecer em imóveis mal construídos, mas nenhum dano estrutural.
VII. Muito forteAs pessoas têm dificuldade de se manter em pé, os condutores sentem os seus carros sacudirem, alguns prédios podem desmoronar. Tijolos podem desprender-se dos imóveis. Os danos são moderados em prédios bem construídos, mas podem ser importantes no resto.
VIII. DestrutivoOs condutores têm dificuldade em conduzir, casas com fundações fracas tremem, grandes estruturas como chaminés e prédios podem torcer e quebrar. Prédios bem construídos sofrem danos leves, contrariamente aos outros, que sofrem danos severos. Os ramos das árvores partem-se, as colinas podem abrir fendas se a terra estiver úmida e o nível de água nos poços artesianos pode modificar-se.
IX. RuinosoTodos os edifícios sofrem grandes danos. As casas sem alicerces deslocam-se. Algumas canalizações subterrâneas quebram-se, a terra abre fendas.
X. DesastrosoA maior parte dos prédios e suas fundações são destruídos, assim como algumas pontes. As barragens são significativamente danificadas. A água é desviada de seu leito, largas fendas aparecem no solo, as linhas de comboio entortam.
XI. Muito desastrosoGrande parte das construções desabam, as pontes e as canalizações subterrâneas são destruídas.
XII. CatastróficoQuase tudo é destruído. O solo ondula. Rochas podem deslocar-se.
(Fonte do quadro: Wikipédia)

Por norma chama-se terramoto aos sismos que num dado local atinjam o Grau VII ou mais da escala de Mercalli.
Também como é qualitativa e muitas vezes as pessoas descrevem o sismo cheias de emoção, por vezes se diz que um sismo num dado local se situou entre dois graus diferentes, como por exemplo, de V a VI.

Porque a tipologia e qualidade das construções vão evoluindo com os conhecimentos, houve a necessidade de fazer correcções descritivas em função desses dados, por isso, muitas vezes se diz escala de Mercalli Modificada, tendo uma das adaptações mais significativas sido feita em 1956, e por isso abreviadamente aparece escrito como MM56.

Na Europa procedeu-se a uma adaptação muito mais recente, que envolveu a colaboração de muitos cientistas deste continente e resultou numa escala de intensidades que cada vez é mais citada nos Açores, Portugal e outros países da União Europeia que apresentarei proximamente.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

CICATRIZES NA MONTANHA DO PICO

O cone vulcânico do Pico, a maior elevação de Portugal, 2351 m de altitude, é constituído por um empilhamento de escoadas lávicas, onde a parte central de cada uma é frequentemente maciça, mas sujeita a fissuras, enquanto as partes mais externas são muitas vezes formadas por grãos soltos (clinker) semelhante a bagacina. Como na parte superior da Montanha existem vertentes muito inclinadas, ficam reunidas as condições para ocorrerem importantes movimentos de massa por acção conjunta da gravidade, da erosão das rochas, das chuvas, dos sismos e mesmo das explosões vulcânicas próximas.
Estes movimentos de massa, muitas vezes bruscos e catastróficos, ocorrem em muitos locais inclinados e deixar marcas nas vertentes em forma de superfícies escarpadas de perfíl côncavo, por vezes angulosas, conhecidas como cicatrizes de movimentos de massa.
Quando são recentes, a parte abaixo destas encontra-se desprovida de vegetação e na generalidade é evidente na base o depósito acumulado do material que escorregou.
Muitas vezes estes escorregamentos são precedidos de sinais no terreno como fissuras ou deformações da superfície do solo.
A vermelho estão indicadas rebordos de cicatrizes dos movimentos de massa, na parte abaixo destas a coloração diferente é devido à menor ocupação de vegetação em virtude do fenómeno descrito. A amarelo indicam-se duas fissuras que indiciam futuros movimentos de massa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

SOLIFLUXÃO - SLUMPING MARKS

Na actividade vulcânica do tipo surtsiano, as cinzas emitidas durante estas erupções submarinas de chaminés pouco profundas (casos do vulcãos dos Capelinhos e do Monte da Guia) são na sua maioria depositadas em torno do vulcão, dando origem a depósitos de um material desagregado, permeável e frequentemente saturado de água.
Estes materiais nas superfícies inclinadas do cone, com o tempo, por acção da gravidade e da água existente entre os grãos, tende a movimentar-se de uma forma relativamente lenta, tal como às vezes acontece à cobertura das superfícies inclinada de um bolo, a este tipo de deslizamento chama-se solifluxão.
À semelhança do creme no bolo, também a ocorrência deste tipo de deslizamente fica registada sob a forma de ondulações ou dobras nas camadas de tufo vulcânico e que se chamam slumping marks.
Nos cortes efectuados nos tufos vulcânicos do Monte da Guia, ilha do Faial, para a abertura da estrada e extracção desta rocha, são bem visíveis estas ondulações provavelmente contemporâneas da época da formação da própria rocha, quando se encontrava desagregada e saturada de água.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O GRABEN DE PEDRO MIGUEL

Tal como já referi, as falhas normais estão associadas a movimentos de distensão, ou seja, a locais onde a superfície da Terra está estender-se ou, como alguns dizem, a ser esticada.
Quando falhas normais, aproximadamente paralelas, inclinam em sentidos opostos para o espaço entre elas formado, cria-se uma espécie de vale, de fundo mais ou menos largo, e gera-se um bloco abatido entre as falhas. A esta estrutura chama-se em geologia Graben, uma palavra de origem alemã que significa fosso ou trincheira.
Todos os post com a designação de "O Faial cortado à faca" e com a etiqueta "graben" mostram partes de uma das mais importantes estruturas geomorfológicas ou tectónicas do Faial, muito evidente na metade oriental da ilha, cujo eixo central se situa na freguesia de Pedro Miguel e designada por: Graben de Pedro Miguel.
(clique nas fotos para as ampliar e ler as anotações)
A zona central do Graben de Pedro Miguel e a freguesia que lhe deu o nome. Foto tirada da Lomba dos Frades, que inclina para norte, vendo-se ao fundo, com menor evidência, a falha da Ribeira do Rato (mais à direita) e a escarpa da falha da Lomba Grande, que inclinam ambas para sul.
Quando se faz uma modelação do relevo do Faial, o Graben de Pedro Miguel destaca-se imediatamente como uma grande depressão ou vale a leste da Caldeira localizada no centro da ilha (imagem proveniente do Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores).

Visto do canal Faial-Pico é muito evidente o Graben de Pedro Miguel, embora possa parecer que a zona central seja mais larga, devido às lombas da Espalamaca e Grande se destacarem mais na paisagem do que as falhas da Lomba dos Frades e da Ribeira do Rato, que são as mais interiores do graben e definem o eixo desta importante estrutura geológica.

Existem algumas pequenas falhas geológicas além das que mencionei nesta imagem e visíveis na foto, mas seleccionei apenas as mais evidentes, com melhor expressão no relevo e já referidas anteriomente neste blog.

Todas estas falhas geológicas são sinais evidentes de que a superfície do Faial está sempre a ser alterada, tal como a da Terra através as tectónica de placas, mas esses são assuntos para outros post.

domingo, 20 de janeiro de 2008

NEVES DO PICO

Após uns dias de verdadeiro inverno, eis que a montanha do Pico se apresentou este fim-de-semana totalmente livre de núvens e com as primeiras neves bem visíveis de 2008, embora não muito extensas.

O Pico visto da Avenida Marginal da Horta

A montanha do Pico, um vulcão poligenético que ainda não evoluiu para formar uma caldeira, como a do Faial, é um autêntico farol do Triângulo, devido à sua altitude de 2351 m, e é sempre bonita de se ver em qualquer uma das três ilhas que compõe esta sub-região. Contudo, vê-la de manto branco e completamente exposta, o que não é muito frequente, atrai sempre o olhar, mesmo para aqueles que cá vivem permanentemente.
Resta saber se com as mudanças climáticas este cenário tenderá a desaparecer..., pelo seguro, fica o registo desta realidade no início do século XXI

sábado, 19 de janeiro de 2008

VULCÃO DOS CAPELINHOS - a Cratera há 50 anos

Tal descrito neste blog, desde o início da erupção dos Capelinhos, em Setembro de 1957, este vulcão apresentou períodos de elevada explosividade devido à entrada da água do mar no interior da chaminé vulcânica, que não só formou uma ilha, como a destruiu, a reconstruiu, emitiu escoadas de lava e, já no início de Janeiro de 1958, projectava grandes blocos de rocha que atingiam a ilha do Faial na zona do Farol.
Mesmo assim, havia quem se aventurasse a subir às encostas íngremes de cinza vulcânica da nova terra, espreitar para o interior da cratera e tirar a foto abaixo exposta!
[Foto publicada em: Machado, F. e Forjaz, V. H. (1968) "Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67" Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]

Graças a estes corajosos, ou talvez inconscientes do risco, pode-se ver o vapor a sair da cratera inundada de água, esta ao entrar na chaminé e ao encontrar magma, com elevadas temperaturas, gerava as importantes explosões típicas dos vulcões submarinos de pequena profundidade, actividade eruptiva descrita como do tipo Surstseyano = Surtsiano.
Esclarece-se que um vulcão em período eruptivo pode parecer calmo num dado momento e quase de repente iniciar uma explosão, embora mecanismos de vigilância permitam prever uma ocorrência deste tipo com alguma antecedência, o que dificilmente dará tempo para uma fuga atempada para uma distância segura. Dificuldade que eu próprio já senti e onde a sorte nos protegeu, o que sempre recordo com grande emoção, mas, noutros casos, o azar bateu mesmo à porta!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA III - Falha da Cruz do Bravo ou dos Flamengos

Se na arriba costeira muitas das principais falhas do Faial não são muito evidentes, no interior da ilha, sobretudo na sua metade oriental, quer em mapa, quer na morfologia da paisagem, observa-se um conjunto de falhas paralelas, que vão desde a zona sul até à costa norte da ilha.
A mais meridional é na Feteira e não é muito evidente em fotografia...
Nos Flamengos surge a primeira grande cicatriz de uma falha, conhecida por uns como "Falha dos Flamengos", outros dão-lhe o nome da lomba por ela formada "Falha da Cruz do Bravo".
A falha da Cruz do Bravo é uma falha normal e inclinada para norte (ver tipo de movimentos de falha). Na foto é visível que a zona mais escarpada fica para a direita (norte na foto). O pormenor da inclinação é importante por reflectir a estrutura tectónica do Faial mais importante (tectónica em geologia está relacionado com estudo dos movimentos das falhas e das rochas).
Para quem não vê a falha desenha-se abaixo a sua escarpa com um conjunto de linhas paralelas vermelhas.
À esquerda da foto é a zona plana onde se instalou a freguesia, que ficou preenchida pelos materiais das últimas explosões da Caldeira, por ser uma bacia defronte deste vulcão, os quais soterraram grande parte da escarpa. A existência de um degrau no terreno até ao limite da foto aponta que esta falha geológica já esteve activa após ter sido coberta, um sinal de alerta para se observar e analisar a sua perigosidade sísmica.