impressões de um geólogo amante de livros e música erudita que vive numa ilha vulcânica bela e cosmopolita
quarta-feira, 1 de julho de 2026
"O cão dos Baskervilles" de Conan Doyle
domingo, 15 de fevereiro de 2026
"O Regresso de Sherlock Holmes" Arthur Conan Doyle
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
"Aventuras de Sherlock Holmes" de Arthur Conan Doyle
Neste caso, confesso, que o título induziu-me em erro, pois pretendia comprar as histórias curtas mais antigas com este detetive, pois estas foram sendo publicadas avulso na revista "The Strand Magazine" e depois reunidas, cronologicamente, em conjuntos de livros, onde os primeiros ficaram numa coletânea com o título "The Adventures of Sherlock Holmes". Apesar da semelhança no título, este livro seleciona 7 dos 13 contos do terceiro volume que possui o título original "The Return of Sherlock Holmes" que possuo com o nome de "O retorno de Sherlock Holmes", que ainda não li, duma diferente editora e tradução distinta.
Apesar desta confusão, os sete contos são todos eles cativantes, sendo que neste se encontra "A aventura da casa vazia", onde se narra como Sherlock Holmes sobreviveu ao conto anterior "O Problema Final" no qua se deduzia da morte do detetive e fechava a coletânea com o nome "As memórias de Sherlock" Holmes" que consta do livro aqui falado no neste blogue.
Histórias fáceis de ler, bem construídas, com mistérios e crimes desvendados pela argúcia do poder de observação de Sherlock Holmes", faltam-me ler agora os restantes contos contidos em "O retorno de Sherlock Holmes".
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
"O Signo dos Quatro" por Conan Doyle
Li mais um livro policial com Sherlock Holmes, "O Signo dos Quatro", escrito pelo inglês Conan Doyle. Das muitas investigações deste detetive, só 4 têm dimensão de romance, sendo este o segundo por ordem cronológica, já que importa referir que, por vezes, nos casos relatados, tanto em obras maiores, como nos contos, existem referências a obras anteriores.
Neste Sherlock começa por dizer a Watson que está deprimido por falta de enigmas por resolver, quando uma jovem lhe vem bater à porta e contar a situação do desaparecimento do seu pai, há já vários anos, sem deixar rasto, mas que nos anos mais recentes passou a ser presenteada por uma pérola como justificação pelo facto de ter sido prejudicada no que teria direito de seu pai e, nesse mesmo dia, fora convocada para um encontro para se fazer essa justiça. Para tal deveria levar dois amigos como testemunhas, pelo que os vinha convidar para o efeito. A situação vai levá-los a deparar-se com outro assassinato e à resolução do caso pela perícia de Sherlock, numa aventura que tem um momento de grande suspense numa perseguição em barcos pelo rio Tamisa.
Este é o romance em que Watson se apaixona, precisamente pela jovem que os convidou a acompanhar e a tentar resolver o caso, decide casar pelo que nas obras cronologicamente posteriores, a dupla deixa de viver no mesmo apartamento e separam-se e só se reúnem temporariamente para resolver casos a pedido de Sherlock.
Livro fácil de ler, numa narrativa lúdica, agradável e com suspense que recomendo a quem gosta de obras policiais clássicas, pouco violentas apesar de crime, mistério e solução.
quarta-feira, 16 de julho de 2025
"As memórias de Sherlock Holmes" de Arthur Conan Doyle
Pela primeira vez li contos protagonizados por este famoso detetive da literatura policial e escritos pelo profícuo autor inglês: Arthur Conan Doyle, apesar de as narrativas curtas serem independentes, existem, por vezes, referências a histórias publicadas anteriormente, pelo que, em parte a narrativa é sequencial, mas um erro meu no momento da compra, levou-me a adquirir inicialmente o segundo livro destas histórias, precisamente "As memórias de Sherlock Holmes".
Neste volume são narradas 11 aventuras pelo seu permanente companheiro de investigação, o médico Watson, dimensões semelhantes e na ordem e duas a três dezenas de páginas cada. Todas são como memórias, não do protagonista, mas do doutor que o acompanhou, algumas são charadas, outras crimes e a última um confronto épico de inteligência com o seu inimigo figadal: o Professor Moriarty por Sherlock lhe destruir a sua quadrilha de malfeitores.
São contos muito fáceis de ler e de puro entretenimento, mas muito diferentes do estilo de Agatha Christie de quem tanto tenho lido, nesta autora é, sobretudo, a análise psicológica que leva à descoberta do criminoso, em Conan Doyle, são pistas físicas que cuja análise e interpretação conduzem à descoberta, mas onde os conhecimentos do detetive vão mais longe que os dados postos na narrativa e dificilmente o leitor se sente na posse de tudo. Sendo histórias da transição do século XIX para XX, muitas das tradicionais pesquisas forenses dos policiais mais recentes estão ausentes aqui, não se fala de impressões digitais, ADN, tipos e pesquisas de sangue oculto, etc.
Gostei e penso explorar mais este personagem que de facto só mais recentemente comecei a ler e recomendo a qualquer leitor que goste do género policial.
sábado, 7 de junho de 2025
"O Problema Final" de Arturo Pérez-Reverte
Citação
"Tratando-se de seres humanos, nunca se deve atribuir à loucura o que se pode atribuir à perversidade"
Voltei ao versátil escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte com a leitura do seu mais recente romance, agora de género policial: "O Problema Final" mas onde, intencionalmente, revisita o estilo de tantos livros clássicos do mesmo género da primeira metade do século XX.
Em junho de 1960, numa pequeníssima ilha grega, ao largo de Corfu e com apenas um hotel, ficam retidos nove hóspedes por questões meteorológicas, quando se dá a morte de uma destes, inicialmente parece um suicídio num quarto fechado, só que entre os presentes encontra-se Hopalong Basil, um dos principais atores de filmes de Sherlock Holmes na primeira metade do século que encarnou muito do caracter da sua personagem, bem como, um escritor com algum sucesso de livros policiais, provavelmente medianos e conhecedor da obra de Conan Doyle, que são indicados pelos presentes para tentar desvendar o caso, que assim assumem o papel da dupla Sherlock e Watson. Após o aparecimento de indícios cada vez mais evidentes do crime, dá-se uma segunda morte, novamente em quarto fechado e quando o círculo aperta, a terceira surge com evidências bem diferentes. Será que o ator de Sherlock por excelência conseguirá igualar a sua personagem? Uma obra com surpresas até às últimas páginas.
Numa excelente qualidade de escrita, a obra do género policial, onde a sagacidade e minúcia de observação do investigador está acima do género negro mais recente, em que a violência da descrições, o suspense do ato seguinte se sobrepõem à frieza da análise que vai sendo exposta na narrativa e discutida entre protagonista e seu auxiliar, com abordagens à psicologia e numerosas referências e citações da obra de Conan Doyle, menções de casos de Agatha Christie, Gaston Leroux, Poe entre outros escritores policiais. Assim, resulta uma obra que permite muitos sublinhados de citações que, frequentemente, são referenciadas a outras obras
Por o protagonista ter sito um ator famoso de cinema, a obra fala de numerosas estrelas da sétima arte da primeira metade do século XX, bem como de alguns realizadores, fazendo assim memória e homenagem àquelas luzes da ribalta de há longas décadas que encheram as colunas sociais e hoje quase esquecidos fora dos historiadores desta arte. Igualmente é colocado em confronto numerosos aspetos da representação e a realidade ou a forma de narrar pela escrita, desnudando estratégias de encaminhar o leitor ou o espetador ao longo do romance mistério, tendo em vista engrandecer a capacidade do detetive ou prender o público.
Cativante sobre todos os ângulos, eis uma obra-prima literária no género policial clássico, sem deixar de ser de entretenimento, sendo também uma grande homenagem aos grandes autores deste mesmo estilo de obras e do cinema. Gostei muito é, sem dúvida, um livro muito bom.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
"Um punhado de centeio" de Agatha Christie
Acabei de ler mais um romance policial da escritora inglesa Agatha Christie "Um punhado de centeio" da série Miss Marple.
No escritório da sua empresa Rex Fortescue, depois de beber um chá servido pela sua voluptuosa secretária, tem um ataque súbito, é levado para o hospital e morre, descobrindo-se em seguida que fora envenenado por um tóxico que deveria ter sido ingerido ao pequeno almoço, tendo ainda sido encontrado um bolso do casaco cheio de centeio. Na investigação sobre a refeição caseira ao inspetor Neele todos em casa lhe parecem ter tido oportunidade para o ato e vários a beneficiar do caso, mas porquê aquele cereal? No chá da tarde toda a família reúne-se mais um filho que, entretanto, chega de África, mas pouco depois a atual mulher de Rex surge morta por envenenamento, eliminando a principal beneficiária e, mais tarde, uma antiga criada é encontrada morta no quintal com uma mola de roupa no nariz e o caso fica cada vez mais confuso. Entretanto, Miss Marple lê sobre as mortes nos jornais e descobre que a criada era uma sua antiga empregada e decide dar um apoio. Diz a Neele que os crimes parecem ligados pela rima de uma canção infantil antiga e, aos poucos, com a sua simpatia vai recolhendo informação dentro desta casa, onde todos parecem antipáticos e suspeitos, mas não se coíbe de dar as suas teorias ao inspetor, até à descoberta a verdade surpreendente.
Como é típico nas obras desta escritora, a narrativa dá várias reviravoltas e os suspeitos vão rodando, assistimos a cenas não ausência do inspetor e de Miss Marple que nos vão lançando pistas e falsas pistas e, como é habitual para esta série, as conclusões são sempre rebuscadas e mais fundadas na psicologia do que na dedução de factos evidentes. É sempre um prazer um policial de Agatha Christie
segunda-feira, 4 de novembro de 2024
"ABISMO" de Yrsa Sigurdardóttir
Procurei na biblioteca um livro policial nórdico para que me despertasse emoções, suspense e fosse apenas uma leitura de lazer para descansar da realidade, fui à descoberta da islandesa Yrsa Sigurdardóttir com este "Abismo" e o objetivo de me cativar e de me interessar foi conseguido.
Uma escola desenvolveu a atividade de enterrar uma garrafa em 2006 com as perspetivas das crianças sobre como seria a vida em 2016. Fim do prazo, ao desenterrar-se a cápsula do tempo, o diretor da escola depara-se com uma carta anónima com referência a uma série de mortes identificadas por iniciais e a ocorrer naquele ano. Avisa a polícia e esta, no princípio, pensou tratar-se de um devaneio, mas em pouco depara-se com vários crimes de extrema violência e o aparecimento de partes de um corpo, as vítimas parecem ligados a um caso que envolve a família do aluno identificado como o autor, só que um apagão informático do processo judicial torna tudo muito difícil e o polícia Huldar e a psicóloga Freyja de crianças vivem dias difíceis nas suas instituições que dificultam a investigação em torno de algo muito sombrio que une toda esta teia e pessoas do alto da justiça.
Escrito numa linguagem escorreita e simples, utilizando a técnica de deixar o leitor suspenso em momentos de grande tensão, a obra segue o estilo nórdico, com situações criminosas de violência física extrema sem ser necessário a sua descrição para se as imaginar, intercaladas com momentos da vida pessoal das principais personagens e suas tensões sentimentais, enquanto se suspeita de acontecimentos perturbadores que terão passado várias crianças e seus pais emaranhados num sistema de justiça disfuncional, cujas consequência desembocam vertiginosamente numa série de desgraças em série de ódio justiceiro que não olhou a meios, nem à dor de novas vítimas inocentes até ser descoberto.
Gostei, uma obra detetivesca, cujo suspense vai aumentando e com crimes chocantes de arrepiar sem descrições desnecessárias, pois alimentar a imaginação basta com as pistas deixadas na narrativa.
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
"A pele do Tambor" de Arturo Pérez-Reverte
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
"A ilha dos Espíritos" de Camilla Läckberg
Neste período estival, onde tenho dado preferência a romances preferencialmente de entretimento, acabei de ler mais um romance policial da escritora sueca Camilla Läckberg: "A Ilha dos Espíritos", que onde continua a narrar casos que vão passando pelo casal da pequena cidade de Fjällbacka, constituído pela escritora de suspense Erika Falks e seu marido Patrik Hedström detetive na esquadra do Município Tanumshede.
Madeleine antiga colega de liceu de Erika refugia-se na pequenina ilha dos Espíritos com seu filho junto de Fjällbacka depois de uma ocorrência que levou à morte do seu marido, em paralelo, o seu antigo namorado Mats e colega de turma mudou-se para Fjällbacka pouco após ter sido agredido em Gotemburgo tornando-se contabilista de um grande investimento na sua nova cidade, só que quando surgem dúvidas nas contas e se encontra com a sua antiga paixão aparece morto a tiro. Outra mulher refugia-se em Copenhaga devido a ser vítima de violência doméstica. Na esquadra a equipa heterogénea investiga a morte de Mats e não encontra pistas. A irmã de Erika recupera psicologicamente de um acidente com a morte do seu filho por nascer enquanto a outra trata dos seus recém-nascidos gémeos e investiga as lendas da ilha dos Espíritos que nunca abandonam a ilha e convivem com os seus visitantes, em conversa com o marido vai acompanhando o caso e visita antiga colega. Só que as coisas ficam complicadas e precipitam-se com com o surgir de casos de droga e mais mortes e precipitações de polícias imprudentes e a intuição de Erika. Em Gotemburgo e Estocolmo investigações de casos à partida independentes vêm mostrar-se que fazem parte todos do mesmo caso e a cooperação dá os seus frutos finais.
A trama em cada romance desta escritora nunca é linear, vai-se montando um quebra-cabeças com episódios individuais associados a cada uma das personagens, ora de investigação, ora da vida familiar, ora do convívio social que no fim levam à descoberta dos crimes violentos e, frequentemente, uma segunda narrativa de memórias do passado vai sendo intercalada, uma repetição do passado com ecos no presente. Marido e esposa jogam no limite da cooperação entre o sigilo das vidas profissionais e a investigação conjunta e as tensões familiares e da esquadra. São romances policiais onde a vida familiar e a atividade detetivesca se desenvolvem em paralelo, se entrecruzam e têm pesos iguais no evoluir da narrativa, num tom marcadamente feminino que mais perto do final acelera.
Romances simpáticos, fáceis de ler que entretêm neste calor de verão e vão mantendo o interesse na leitura e no desenrolar investigação.
segunda-feira, 29 de julho de 2024
"O Álibi Perfeito" de Patricia Highsmith
Acabei de ler 5 contos deliciosos sobre crimes escritos pela norte-americana: Patricia Highsmith, dos quais, o primeiro: "O Álibi Perfeito", dá título o livro.
Frequentemente, nos romances policiais e contos desta autora, a narrativa é contada do lado dos criminosos e muitas vezes apresenta-nos as razões de queixa que estes têm das suas vítimas, gerando assim uma empatia para com os culpados. Nestes contos há diversidade, em quase todos o protagonista é o criminoso.
Em álibi perfeito, o crime é perpetrado logo no início, percebe-se que bem planeado para o autor conseguir libertar para si a mulher que ama, mas cativa do seu tutor, só que de um alibi e um comportamento não previsto tudo parece que vai acabar bem... até num pormenor ser tudo desfeito. Noutro crime planeado, é tudo bem programado, cronometrado, mas a dependência de terceiros inocentes mostrou que não se pode contar com ninguém quando tal é fundamental. Há ainda uma história onde os criminosos caem na sua armadilha e outra em que são vítimas de testemunhas que não contaram. Pelo meio há o conto onde se conseguiu o crime perfeito e os autores gozam a libertação de quem os oprimia.
Maldade humana e maquinações em contos curtos, mas deliciosos e bem escritos: uma mistura que faz deste pequeno livro uma pérola de entretenimento de literatura policial. Gostei muito.
sexta-feira, 28 de junho de 2024
"O Intruso" de Stephen King
Citação
"O universo não conhece limites"
Ao fim de muitos anos regressei a um dos escritores de maior sucesso das últimas década, o americano Stephen King e procurei uma obra relativamente recente que juntasse dois dos ingredientes para tal popularidade: literatura de ficção policial e de terror e optei por "O Intruso".
Ralph Anderson decide prender em pleno estádio e durante um jogo de final dos escalões juvenis o seu treinador, um muito popular da cidade: Terry Maitland, pelo assassínio e violação com extrema violência de uma criança. Todas as provas se conjugam para ser ele o criminoso: testemunhos na zona próxima do crime, câmaras de vigilância, impressões digitais e evidências de sangue nas suas roupas. Só que pouco depois o advogado de defesa consegue evidenciar que Terry estava a mais de 100 km e de novo câmaras, testemunhos e impressões digitais asseguram essa realidade, mas em auxílio da polícia vêm as perícias laboratoriais como o ADN que o levam a levar ao juiz quando um atentado justiceiro termina na morte do potencial culpado. Como explicar a ubiquidade do criminoso? Anderson não fica satisfeito e um conjunto de incidentes agrava tudo, só que o trabalho detetivesco vai evidenciar uma realidade para além do normal, que ultrapassa o natural, é uma luta contra o mal enraizado em crenças e lendas e nesta guerra há que salvar a imagem da vítima acusada, tudo indica, injustamente. Poderá Anderson vencer esta força do mal e reparar a honra que ele sujou?
A narrativa, após a prisão inicial, segue a forma de um trabalho policial clássico, com um conjunto de depoimentos e contra-argumentos da defesa intercalados com choques emocionais do lado da família das vítimas e do preso, além de dúvidas do lado dos investigadores, que são descritos por um autor que domina bem a escrita literária e expostos de uma forma consistente. Perto do meio da obra, quando subtilmente começam a surgir indícios menos naturais, a forma desliza para aspetos incríveis e as suspeitas do terror vão deslizando cada vez mais com passagens para campo do terror, não psicológico, mas paranormal e com momentos repugnantes para o final e deixa-se de estar num simples policial lógico até ao desenlace final mas num misto de ciência e paranormal.
Confesso que a parte natural de investigação da luta da acusação com a defesa me cativou, mas os argumentos lendários transportados para a realidade da narrativa esbarraram com a minha mentalidade científica que nem no campo lúdico se sente atraído, exceto em histórias mitológicas que pretendam representar grandes dilemas humanos como nos clássicos antigos ou as óperas de Wagner. Todavia, é um romance muito fácil de ler, bem escrito e acessível a todos, mas não recomendo a quem o terror o transporte para o reino dos pesadelos ou suscetível a náuseas
quinta-feira, 13 de junho de 2024
"A Premonição" de Agatha Christie
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
"Águas Passadas" de João Tordo
Citações
"A única coisa necessária para que o mal prospere é que os homens bons não façam nada."
"As pessoas que gostam de ler não são felizes nas suas vidas."
Um corpo de uma jovem arroja numa praia com sinais de violência post-mortem semelhantes ao de um crime cometido 30 anos antes, um segundo cadáver violentado como outro caso na mesma época passada, uma sub-comissária atada pelas dificuldades na esquadra e problemas da vida pessoal, um eremita que testemunhou os casos arquivados e o arrojamento que decide apoiar a mulher-polícia e um grupo de luso-ingleses influentes e poderosos que surgem por detrás de tudo isto. Ficam reunidas as condições para uma investigação inicialmente a ritmo lento e com grande tensão psicológica num período de permanentes chuvas sobre a região de Lisboa, um caso que evolui para um final violento e acelerado onde se desvenda o presente e aquilo que politicamente fora abafado no passado.
Este é o terceiro romance de João Tordo que leio e mostrou-se-me um escritor eclético que vai de dramas com análise social a obras policiais, mas onde sempre estão presentes tensões psicológicas nos protagonistas que se articulam com a trama. Em "Águas Passadas" tal como em "Ensina-me a voar sobre os telhados" o peso dos mortos sobre os vivos existe, bem como a ajuda coletiva para ultrapassar as questões individuais.
Este policial, lembra-me o estilo dos policiais de Leonardo Padura, a violência dos policiais nórdicos e ainda mostra o frequente descontentamento dos portugueses com as suas instituições e sociedade, numa simbiose e num tom característico do escritor.
Gostei, é de fácil leitura e com pontes para obras-primas da literatura mundial, como este romance de Tolstoi,
domingo, 8 de outubro de 2023
"Quarteto de Havana II - Paisagem de Outono"
Terminei o quarto e último romance policial do "Quarteto de Havana", intitulado "Paisagem de Outono" e escrito pelo cubano Leonardo Padura.
O designado "Quarteto de Havana" corresponde a um conjunto de 4 romances independentes, todos decorridos ao longo das 4 estações do ano de 1989 e sempre protagonizados pelo polícia de investigação criminal: o tenente Mario Conde. Este vive a sua carreira profissional de forma frustrada perante a corrupção e injustiça que assiste no seu país, afogando a sua mágoa no vício do álcool, nas memória da sua grande paixão de juventude e no convívio com os seus amigos do ensino pré-universitário e sempre a sonhar no seu desejo de sempre: ser escritor.
No presente romance, que decorre no outono, Mário Conde sabe da demissão do seu superior com quem mantinha uma grande relação de confiança e sabia ser um incorrupto. Por isso, decide abandonar em definitivo a profissão, mas é chamado pelo novo chefe que só aceita a sua demissão na condição de descobrir quem assassinou, castrou a atirou ao mar Miguel Forcade: um fugitivo de Cuba que fora um antigo responsável pela gestão dos bens artísticos da burguesia expropriada pela Revolução, mas que agora visitava o país na sequência de uma autorização para ver o seu pai muito doente.
O Tenente aceita o desafio e em pouco suspeita que a vinda estaria relacionada com o objetivo de tirar de Cuba uma obra de arte valiosa que o enriqueceria no exílio, e a morte talvez uma vingança de despojados no passado ou de alguns dos envolvidos na operação de resgate de peça valiosa, incluindo a mulher dele, uma loura bem mais jovem que desperta o interesse do detetive, tudo isto decorre nas vésperas do aniversário de Mário Conde e sob a ameaça de um furacão se abater sobre Havana.
A obra de Padura costuma rechear-se de denúncias dos problemas sociais e falhanços do sistema político que instalado em Cuba com a revolução e este romance não é exceção. Entre investigações há sempre as referências à pobreza vivida no país, à corrupção que mina a economia e as dificuldades de expressão devido à falta de liberdade que se suavizam pelo álcool, imaginação gastronómica para vencer o racionamento e a sexualidade intensa das personagens cheias de memórias.
Gosto deste escritor quando envereda por relatos históricos como nos seus romances Hereges e O Homem que gostava de cães, neste livro de facto há um momento em que Padura vai às origens da peça que de facto esteve na origem da vinda de Miguel Forcade e desencadeou depois tudo o que Mário Conde, por intuição e investigação deslinda e o leva ao seu sonho. Um policial típico do autor, que é mais do que uma mera obra de investigação criminal e fácil de ler
terça-feira, 8 de agosto de 2023
As sete mortes de Evelyn Hardcastle de Stuart Turton
Acabei de ler "As sete mortes de Evelyn Hardcastle" de Stuart Turton" do escritor inglês Stuart Turton, sabia tratar-se de uma obra enigmática e de investigação criminal, mas pouco mais sabia do romance.
Alguém desmemoriado perdido numa floresta segue uma ordem de ir para leste com uma bússola, recorda que assistiu ao assassinato de Ana, nada mais, na sua rota chega a uma casa senhorial, isolada, mal conservava e é reconhecido e acolhido como um dos convidados de uma festa privada. Nesta, ao final da noite ocorre numa encenação de suicídio o assassinato da filha dos anfitriões e dá-se a situação de o protagonista estar obrigado a deslindar o caso para poder sair da mansão, mas a realidade está muito além de uma simples investigação e Aiden Bishop não é um simples indivíduo único, pois o dia volta a repetir-se com o mesmo desfecho e festa até ser desvendado o criminoso, havendo quem faça tudo para impedir o seu sucesso, incluindo a matando os eus de Bishop e procurar matar Ana.
Aquilo que inicialmente parecia uma simples trama linear de crime e investigação, veio a revelar-se num romance gótico com crime, castigo num mundo surrealista. Sobre o ponto de vista de escrita, o texto está cheio de frases e ideias para recordar e fazem pensar... mas as repetições dos acontecimentos com mudanças subtis à semelhança de uma obra uma musical com tema e variações, tecem uma malha que embora mantenha o suspense, vai-nos surpreendendo. Gosto de obras góticas no domínio do terror, já de investigação criminal com surrealismo ou fantástico deixou-me incomodado... mas para quem gosta do estilo de narrativa é um excelente puzzle eo texto é riquíssimo para muitos sublinhados.
domingo, 26 de março de 2023
"Testemunha muda" de Agatha Christie
Voltei aos romances policiais da mestre inglesa Agatha Christie, agora com um investigação de Hercule Poirot com "Testemunha Muda".
Durante a estadia em sua casa dos sobrinhos, a idosa Emily Arundell sofre um acidente que é atribuído a um descuido com um brinquedo do seu cão, mas memória desta permite desconfiar de um caso premeditado vindo dos seus hóspedes ávidos da sua herança. Semanas depois ela morre naturalmente, mas deixou todos os seus bens à sua dama de companhia, só que, entretanto, alguém expeliu para Hercule Poirot uma carta esquecida da falecida para investigar o acidente. Este entra em ação e está convencido que, apesar das aparências, Emily foi assassinada. Por qual sobrinhos e familiares ou a empregada que de repente se tornou numa rica herdeira. O nosso detetive, com as suas células cinzentas, estuda a psicologia dos envolvidos e dos seus testemunhos para chegar à verdade.
Numa escrita simples, sem grandes rasgos artísticos, eis mais um caso típico ao estilo desta autora, narrado pelo ajudante Hasting que nos mantém entretidos com a sua imaginação ao tentar perceber o que de facto aconteceu ao acompanhar o seu mestre, mas onde só Poirot consegue ligar todas as pontas. Gostei, fácil de ler e muito acessível.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
"Tomás Nevinson" de Javier Marías
Regressei ao escritor que descobri e me cativou intensamente no ano passado: o espanhol Javier Marías. Agora li o seu último romance escrito antes do seu recente falecimento: "Tomás Nevinson". O título é o nome de uma personagem importante da anterior: Berta Isla, e este o da principal narradora desta obra, de quem Tomás era o marido, embora houvesse partes significativas também contadas por este e apesar da maioria da sua vida ao longo da duração do romance nos ser intencionalmente escondida. Confesso, que foi a curiosidade do ocultado que me levou adquirir este último para descobrir o que não fora relatado, só que a obra é uma sequela, continuando omissos os casos em que este narrador antes se envolvera.
Após tomar a decisão de abandonar a carreira nos serviços secretos ingleses sob as ordens de Tupra no fim do livro anterior, Tomás regressou ao trabalho oficial na embaixada e aproximou-se da mulher, sente agora os prazeres da vida comum, mas ficou-lhe o saudosismo dos tempos de ação à margem da lei e do conhecimento público e reflete sobre os males maiores que evitou com os seus atos ilegais. Mas Tupra volta a aliciá-lo para descobrir uma terrorista corresponsável de um atentando sanguinário (evento real) que se suspeita ser uma de três mulheres de passado desconhecido que vivem numa cidade nordeste de Espanha. Cede e, disfarçado de professor de inglês, aproxima-se destas, mas as dúvidas são muitas sobre qual delas é responsável de tantas mortes e as questões morais sobre a oportunidade de eliminar ou não alguém errado antes que esta possa matar de novo levantam-se. Houve quem teve a hipótese de disparar contra Hitler antes do mal que fez, será ético agir erradamente por precaução?
Este romance continua a misturar factos reais e ficcionais, bem como a levantar questões morais e éticas dos atos à margem da lei para evitar males maiores, e ainda a manter uma exposição de particularidades linguísticas que distinguem o inglês do espanhol para qualificar situações, pensamentos e comportamentos numa escrita sem pressa e cheia de sinónimos e adjetivos que criam extensos parágrafos onde se comparam expressões para referir os aspetos em discussão e, nisto, é um Javier Marías típico. Embora haja referências e menções a momentos retrospetivos relatados noutros romances do autor e repetição de personagens que já haviam surgido em O teu rosto Amanhã publicado décadas antes, esta obra pareceu-me menos perturbadora e com um desenrolar temporal mais linear e fácil de seguir. Gostei muito, mas tirando a surpresa de não descobrir as partes que buscava, não me provocou nenhum murro no estômago como outros que li dele, mas continuo fã e interessado em descobrir mais da sua obra.
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
"Arsène Lupin - A Agulha Oca" de Maurice Leblanc
Acabei de ler o romance policial, escrito no início do século XX, "Arsène Lupen - A Agulha Oca" do francês Maurice Leblanc.
Um assalto ao Castelo de Ambrumésy e intercetado pelos seus moradores, onde tudo aponta que tenham morto um dos assaltantes sem hipótese de fuga, só não conseguem encontrar o corpo, também à partida levaram várias peças volumosas, só não dão pela falta de nada, entretanto foi perdida uma mensagem encriptada e deixada uma ameaça. Isidore Beautrelet, um jovem estudante de mente brilhante, penetra na equipa de investigação e deduz que pelas características inverosímeis da situação que se está perante uma operação do grande ladrão e cavalheiro Arsène Lupin, um mestre em disfarce e especialista em contaminar a investigação com delicadeza e simpatia ao participar no desenrolar do processo. Esta é uma personagem de vários livros do género que deram origem a séries de televisão e a filmes. Neste, a inteligência do jovem, ao ser a aproveitada pelas autoridades, é um desafio maior para Arsène Lupin que ora o atrai ora lhe prega armadilhas. O jovem apercebe-se que a genialidade do roubo está integrada num esquema mais vasto que envolve segredos e tesouros nacionais históricos que vão desde imperadores romanos até aos grandes reis absolutistas de França descoberto pelo ladrão, o que lhe dá um grande poder, entrando-se numa investigação surpreendente onde Isidore e Arsène ora cooperam ora organizam embustes de modo a se descobrir uma realidade surpreendente.
Uma curiosidade das obras do escritor prende-se deste gostar de confrontar o seu personagem gaulês com o inglês Sherlock Holmes, este entra nos seus livros com o anagrama Herlock Sholmès a tentar vencer a inteligência superior de Arsène Lupin.
Um livro de suspense e lazer cheio de momentos emocionantes ao estilo das grandes obras populares do género aventuras, com surpresas, tensões e pistas que cativam até um final grandioso e também inesperado.
Uma obra muito fácil de ler, bem escrita, mas sem preocupação de arte literária, feito para entretenimento, entusiasmar o leitor e desafiá-lo com as pistas lançadas na narrativa. Muito bom neste género.



















