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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Freguesias rurais do Faial 10 - CAPELO

O Capelo é a freguesia rural onde ocorreu o evento mais conhecido do Faial: o Vulcão dos Capelinhos, sem dúvida a maior atracção turística e científica desta ilha, mas à sombra da catástrofe de 1957/58 esta povoação colhe hoje importantes benefícios e que é o maior pólo de atracção turística da localidade e desta parcela dos Açores.

Situada na extremidade mais ocidental do Faial, estendendo-se sobretudo numa encosta virada a sul, mas ocupando uma pequena franja exposta a norte separada por um alinhamento de pequenos cones vulcânicos, o Capelo é a maior freguesia do Faial em área (25,93 km2) e uma das menos populosas da ilha (perto de 500 habitantes), consequência da erupção ocorrida em meados do século XX, que conduziu a uma forte emigração dos seus residentes então sinistrados daquela catástrofe.

Devido a situar-se na zona de formação mais recente da ilha, afectada por duas erupções históricas, a primeira em 1672, esta freguesia não possui grandes extensões de terrenos com boa aptidão agrícola a baixa altitude, uma grande parte da sua área é ocupada por solos imaturas, mas onde se desenvolve vastas áreas florestadas, tornando-a numa das zonas mais arborizadas do Faial.

Apesar destas condicionantes, o Capelo possui zonas de grande beleza paisagística que permitem a existência de importantes trilhos pedonais e uma estância com águas termais no Varadouro, onde também se encontra uma zona balnear que permite mergulhar em águas azuis profundas, estender-se numa pequena praia ou optar por uma piscina de água do mar localizada numa depressão na frente costeira de uma escoada lávica histórica.

Por tudo isto, não admira que o Capelo seja a freguesia que concentra o maior número de segundas residências de campo ou de zona balnear dos habitantes da cidade da Horta e que atrai um grande número de famílias estrangeiras para viverem calmamente num sítio belo e longe do bulício das grandes urbes europeias.
O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos aqui situado é uma das estruturas que qualquer visitante do Faial ou os alunos das turmas de Geologia do ensino secundário em Portugal devem visitar, não só pela sua beleza, mas, sobretudo, pela grande informação que presta a quem ali se desloque.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

RESCALDO DE UMA SEMANA MUSICAL

Uma semana com dois eventos no campo da música erudita já não é algo assim tão raro no Faial. No recital do dia 2 de Setembro, integrado nas Festa do Varadouro, executaram-se obras do barroco até ao romântico, sob a direcção artística de Kurt Spanier, este ano contou com duas novas apresentações neste evento:
Ágata Biga, soprano, a qual já fora apresentada neste post, apesar de ainda estar no início destas andanças, o potencial da sua voz vai ficando cada vez mais evidente; e

Rodrigo Lima, flautista, um terceirense que eu não conhecia, foi uma bela surpresa. Mostrou um grande domínio da flauta, das obras e uma excelente interpretação artística, independente da época da composição.

Novamente parabéns a todos os que continuam em insistir e a conseguir sucessos na integração deste tipo de concerto nesta festa tradicional de cariz marcadamente rural e popular e, sobretudo, os que emprestam os seus talentos para que estes recitais sejam possíveis.

Integrado no "Açores Temporada de Música 2010" o programa do recital do dia 4 foi dedicado à canção erudita portuguesa, fortemente radicada no folclore nacional, nomeadamente açoriano.
Se Francisco Sassetti foi um bom acompanhante de piano e conhecedor da solista. Sandra Medeiros foi estrela, com uma grande segurança na voz, uma boa dicção e uma excelente interpretação e expressão das canções cantadas, a qual valorizou todas as composições que integraram este recital.

Uma coisa ficou clara, a canção erudita portuguesa pode não ser muito conhecida, mas, seguramente, os portugueses devem passar a conhecer melhor a açoriana: Sandra Medeiros.

Sandra Medeiros. Imagem daqui

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Concerto de Canto e Flauta na Festa no Varadouro

A realização de um concerto de música erudita sob a direcção artística do Tenor Kurt Spanier na festa de Nossa Senhora da Saúde, na ermida do Varadouro, freguesia do Capelo é já uma tradição nos últimos anos que se enraizou no programa cultural do Faial.

Cartaz do concerto (clique na imagem para a ampliar)

Este ano não é excepção e tal como sempre, ocorrerá novamente a participação de músicos convidados ligados a várias ilhas dos Açores.

Assim, no dia 2 de Setembro, pelas 21h00, na ermida de Nossa Senhora da Saúde, decorrerá o já habitual concerto integrado no programa destas festas.

sábado, 27 de setembro de 2008

VULCÃO DOS CAPELINHOS 1 ANO DE ACTIVIDADE

A 27 de Setembro de 1957 iniciava-se a erupção dos vulcão dos Capelinhos, através de manifestações de emanações submarinas mostradas neste post, a 27 de Setembro de 1958 a mesma erupção completava UM ANO DE ACTIVIDADE... e continuava activa.

O Cone do vulcão dos Capelinhos semelhante a um campo de fumarolas

Todavia depois de ter sido um vulcão submarino, do tipo surtsiano, com explosões hidromagmáticas muito intensas, devido à entrada do mar na chaminé vulcânica. Depois de neste tipo de actividade ter emitido grande quantidade de cinzas e blocos que criaram um grande cone vulcânico e soterrou numerosos edifícios no Capelo.
Depois da chaminé ter deixado de estar em contacto com o mar e a actividade se ter transformado de essencialmente surtsiana, para passar a ser, sobretudo, estromboliana, não sem antes ter ocorrido a crise sísmica que destruiu a quase totalidade da Praia do Norte.

Um hornito nos capelinhos, um local por onde saiu antes um repuxo de lava

Após as várias escoadas de lava, sobretudo no verão de 1958, o vulcão passou a ter um enorme edifício, mas já sem grandes explosões, embora, por vezes surgissem algumas escoadas de lava num local ou outro, com repuxos de lava nocturnos que pareciam fogo de artifício.  

O interior da cratera, cheia de fumo das suas fumarolas

Um ano depois do início da erupção, os Capelinhos era, sobretudo, um grande cone com numerosas fumarolas e ia perdendo a sua força do passado...

[fotos publicadas em: Machado, F. e Forjaz, V. H. (1968) "Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67" Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]

sexta-feira, 28 de março de 2008

COSTADO DA NAU - uma arriba fóssil diferente

Até 1957 a linha de costa mais ocidental do Faial era o Costado da Nau, só que a 13 de Setembro daquele ano iniciou-se uma erupção submarina um pouco mais a poente, o que criou um novo cone, que originou uma nova ilha que depois se uniu ao Faial. O extremo oeste da ilha passou a então ser constituído pelas novas estruturas construídas pelo vulcão dos Capelinhos e o Costado da Nau passou ao estatuto de Arriba Fóssil...


A encosta subvertical do Costado da Nau, à esquerda e cobertura os materiais do vulcão dos Capelinhos


Assim, ao contrário da maioria das outras arribas fósseis nos Açores, formadas devido a escorregamentos de terra ocorridos nestas mesmas íngremes escostas ou como resultado das escoadas de lava ou de piroclastos que caíram em cascata e vindas do interior da ilha em virtude de erupções terrestres; a arriba fóssil do Costado da Nau aconteceu porque uma nova ilha surgiu do lado do mar e se uniu a uma ilha mais antiga.
Uma génese muito diferente dos restantes casos, não sei se único na morfologia actual das ilhas deste arquipélago, no passado devem ter ocorrido outras situações semelhantes e hoje cobertas por materiais mais recentes, mas pessoal e presentemente não conheço mais nenhum caso igual nesta Região, uma génese pouco frequente para uma arriba fóssil nos Açores.

Existem no Continente arribas fósseis com uma génese ainda diferente, nomeadamente na Costa da Caparica, mas fora do enquadramento geológico dos Açores.

segunda-feira, 24 de março de 2008

FAJÃS - Génese e arribas fósseis

À fracção de terra, relativamente plana, que se forma na base de uma arriba fóssil, chamam os açorianos de FAJÃ.

Fajã da Praia do Norte

As fajãs, resultantes da queda de escoadas lávicas que atingiram as arribas costeiras, existem em quase todas as ilhas dos Açores. Por vezes, devido à sua dimensão, estas permitem o desenvolvimento de localidades importantes ou de extensas zonas de veraneio, tornam-se então conhecidas sobretudo pelo nome desse povoado, como acontece na vila de Velas em São Jorge ou no Varadouro no Faial, e o povo praticamente esquece-se que são fajãs.

Varadouro, uma importante zona balnear e de residências de veraneio do Faial, uma fajã da costa sul vista do domo de Castelo Branco.

Ao contrário de várias ilhas do Açores, onde muitas fajãs se encontram exclusivamente na base de arribas fósseis, as do Faial têm ambas uma zona de acesso ocidental sem esta barreira natural. Tal acontece porque nos últimos milénios esta ilha tem crescido para oeste e as fajãs encontram-se na charneira entre a ilha mais antiga e a unidade geológica mais recente - Complexo Vulcânico do Capelo; e ao qual pertencem.
Assim não se está perante um delta lávico típico, pois parte das lavas a oeste e em continuidade com as fajãs não tiveram que descer a arriba bem desenvolvida como na parte mais antiga da ilha.

Fajã da Praia do Norte, manteve na sua toponímia a sua característica geomorfológica, em frente a fajã une-se à formação do Capelo sem qualquer ressalto de arriba fóssil.

As fajãs não se formam apenas devido à descida de escoadas de lava pela arriba, por vezes importantes escorregamentos junto aos escarpados da linha de costas dão origem a extensos depósitos na base, outra forma diferentes de se originarem fajãs.


A parte oriental da fajã da Praia do Norte tem várias géneses que se sobrepõem: depósitos de escorregamentos ocorridos na arriba, material transportado por cursos de água e queda pela arriba de escoadas detríticas das explosões da Caldeira.

quinta-feira, 13 de março de 2008

ARRIBA FÓSSIL: Capelinhos - Varadouro

Quando ocorre uma escoada lávica próximo do litoral ou muito extensan uma ilha, existe uma grande probabilidade da mesma atingir a linha de costa.
Se a costa for escarpada - arriba litoral - então a lava tende a cair em cascata e espraiar-se na base da antiga arriba- delta lávico - ou prosseguir o seu caminho criando nova terra. Esta situação leva à formação de uma nova linha de costa, enquanto a antiga fica muitas vezes marcada na paisagem como um ressalto de relevo: arriba fóssil.
Em quase todas as ilhas dos Açores existem arribas fósseis e o Faial não é excepção, na costa sul existem pelo menos duas áreas onde esta situação é evidente: no Porto do Comprido, junto aos Capelinhos e no Varadouro.

Arriba fóssil próxima a leste do Porto do Comprido próximo do vulcão dos Capelinhos

A mesma imagem com indicação do local da arriba fóssil e sentido da escoada (clique para ampliar)

Arriba fóssil de grandes dimensões na zona balnear e de veraneio do Varadouro, onde se nota que a escoada provém da esquerda da foto, enquanto a arriba fóssil prossegue em continuidade com a linha de costa aactual para a direita, uma zona onde a arriba não ficou fossilizada.

A mesma arriba fóssil do Varadouro à esquerda e extensos campos de escoadas lávica à direita que progrediram depois de ultrapassar a antiga arriba.


Outra perspectiva da arriba fóssil do Varadouro à esquerda. Ao fundo à direita o domo traquítico de Castelo Branco.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

50.º ANIVERSÁRIO DO VULCÃO DOS CAPELINHOS - O Início

Cinquenta anos distam as duas fotografia deste post.
Na primeira são visíveis, acima dos ilhéus dos Capelinhos, quatro manchas esbranquiçadas que correspondem aos locais onde tudo começou, faz hoje precisamente 50 ANOS, de onde saíram os primeiros gases vulcânicos, uma espécie de fumarolas submarinas. Nesta zona instalaram-se depois as primeiras condutas ou chaminés vulcânicas no fundo do mar, onde ocorreram as primeiras explosões devido ao contacto do magma com a água do mar e onde começou a nascer a Nova Ilha.
A faixa de cor clara resulta da dissolução de gases na água, da subida da temperatura do mar e da destruição do plancton e outros seres vivos marinhos na área, evidenciando a importância dos gases vulcânicos no desencadear de uma erupção.

O Vulcão a 27 de Setembro de 1957 (origem da imagem descrita na foto, clique para ampliar)

Os primeiros centros eruptivos situaram-se a cerca de um quilómetro do extremo ocidental do Faial, junto aos restos de um antigo vulcão, igualmente submarino, cujas relíquas eram os ilhéus dos Capelinhos e a linha de costa de então, denominada de Costado da Nau, onde se situava o farol dos Capelinhos.
[Machado, F. e Forjaz, V. H. - in Actividade Vulcânicas do Faial - 1957-67 (1968), Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta, clique para ampliar]

Durante mais de 13 meses de erupção do vulcão saíram, gases, cinzas, lavas, bombas vulcânicas, bagacina que construiram uma nova ilha que se uniu ao Faial, fazendo este crescer mais de 2 km2.
Com o termo da erupção veio a erosão, provocada pelo vento, chuva e mar, que foi "devorando" a nova terra, construindo arribas costeiras, reduzindo o volume da obra do vulcão e hoje a situação é a que se observa na foto. Já é visível um dos ilhéus então coberto de cinzas, evidenciado pela protuberância na linha de costa do outro lado da baía sul dos Capelinhos mostrada na foto e todo o resto que aqui se vê... é solo português feito desde o início da erupção.

(clique para ampliar)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

HISTÓRIA GEOLÓGICA DO FAIAL VI - Complexo Vulcânico do Capelo

Ninguém sabe bem quando, mas o vulcão dos Cedros já andava nos seus arrufos altamente intempestivos e a Caldeira em grande parte formada, quando nos últimos milhares de anos, 2000, 3000 anos, talvez um pouco mais, não se sabe bem, mas eis que a partir de uma grande falha situada a Oeste da Caldeira começou a sair lava, e assim surgiu um vulcão monogenético, provavelmente com uma chaminé alongada numa fissura, alguns anos depois outro vulcão e a seguir muitos mais e todos alinhadinhos como numa parada.


Vários cones alinhados visto de Leste para Oeste na região da Caldeira.


Uns localizaram-se no mar, outros em terra, uns no extremo ocidental da ilha e fizeram-na crescer um pouco para o lado das Flores, outros mais para leste e alargaram aquela ponta comprida de ilha que vai do Capelo até à Caldeira. Todos monogenéticos, todos situados sobre a mesma falha de direcção quase Este-Oeste, embora ligeiramente desviada para Noroeste, deles sairam escoadas lávicas de composição basáltica. Uns em terra produziram bagacina, outros no mar geraram muita cinza vulcânica e em conjunto formaram a Península do Capelo, onde assentam as freguesias do Capelo e da Praia do Norte, à soma das rochas por eles formadas chamam os geólogos o Complexo Vulcânico do Capelo, o capítulo mais jovem da construção do ilha do Faial.

Vários cones alinhados vistos de Oeste para Leste, ao fundo o bordo da Caldeira
Foto proveniente do blog amigo Na Rota das Hortências, com quem Geocrusoe se orgulha de cooperar


Depois do homem chegar à ilha e povoar o Faial, esta falha e este alinhamento mostrou mais de que uma vez que ainda estava vivo, mas isso fica para outros posts.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

RECITAL BRILHANTE EM NOITE MEMORÁVEL

Não é comum o casamento das festas tradicionais com a música erudita, mas claro, onde o tenor Kurt Spanier põe a sua dinâmica... tudo muda.
As festas de Nossa Senhora da Saúde, organização da Junta de Freguesia do Capelo, no Varadouro, são há muito famosas pelo baile e romaria a esta bela zona balnear e termal.
Só que o Capelo foi escolhido por Kurt Spanier para os seus períodos de descanso da vida artística em Viena e assim, nos últimos anos, estas festas começam com o concerto da ermida, onde se mostra produto de qualidade dentro e fora do país.
Este ano o Kurt apresentou aos faialenses o barítono, natural da ilha das Flores, José Corvelo e todos têm razões de orgulho.
José Corvelo cantou e encantou a plateia, que encheu a ermida e o seu adro coberto por um toldo. Desde Francisco Lacerda, Claúdio Carneyro a Bach e Verdi, entre outros, e incluindo napolitanas, a voz e a expressão de José Corvelo cativou e mostrou que a qualidade deste cantor pode orgulhar o país.
Mas Kurt Spanier, ao contrário dos portugueses que nunca apostam no que é seu, mostra e apoia a prata de casa que tem valor, como um antigo aluno do conservatório da Horta que anda já noutros vôos por escolas de maior nível por esse país fora e ainda expôs uma soprano em formação na mesma escola e que empresta a sua voz a outros grupos da ilha.
Ao barítono José Corvelo resta desejar-lhe altos vôos por esse país e quiçá Europa, não por ser açoriano, o que é um orgulho para nós, mas sobretudo, pelo seu valor intrínseco...
Parabéns à Junta de Freguesia do Capelo, por integrar este tipo de eventos no programa das festas do Varadouro e ao Kurt Spanier pelo magnífica dinâmica que dá à actividade musical no Faial, uma aposta que tem acumulado vitória atrás de vitória.
Uma nota final que só um açoriano entende, a mística que pode resultar de um trio formado por um clarinete, um piano e um coro de cagarros ao luar, numa simbiose perfeita em termos harmónicos e melódicos... aconteceu no Varadouro.