Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Geologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Geologia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de julho de 2018

9 de Julho de 1998 - 2018 - 20 anos após o Sismo no Faial

Eram 5h19m da madrugada do dia 9 de julho de 1998 quando a Ribeirinha, onde vivo e vivia, foi atingida por um sismo de magnitude 5,9 Richter e devido a ser o local mais próximo do epicentro, uns escassos 5 km, este alcançou a intensidade VIII-IX Mercalli, o choque destruiu a povoação ao ponto que se vê nas fotos abaixo:

Uma destruição de mais de 90% do parque habitacional da Ribeirinha, ainda mais significativa nos Espalhafatos, o outro lugar da freguesia. Cinco mortos numa população de cerca de 500 habitantes, 1% dos residentes e isto pode dar a perspetiva de quantos seriam se tal destruição tivesse avassalado uma cidade de muitos milhares ou milhões de habitantes. Houve mais 3 óbitos nas localidades contíguas: Pedro Miguel e Salão, mas ligeiramente mais distantes do epicentro. Os danos estenderam-se por toda a ilha do Faial e ainda Pico e São Jorge.


Apesar de isolados por estrada, sem luz, água e em pouco minutos de outros meios de telecomunicação, a inter-ajuda no lugar da Ribeirinha das pessoas foi enorme, desde o auxílio na retirada de soterrados, ao apoio a feridos, passando pelo acalmar indivíduos em estado de choque; a verdade é que praticamente todos habitantes reunidos em torno do edifício polivalente recém-inaugurado por volta das 9 horas foi servida uma refeição ligeira com bolachas, pão, queijo, manteiga, leite e café fruto da partilha das instituições locais e dos residentes organizada por voluntários...pouco tempo depois começaram a chegar os primeiros socorros em virtude do desbloqueio das vias de acesso. Um dia difícil, mas onde a solidariedade imperou e foi a palavra de ordem.


Nos Espalhafatos, sem um local de acolhimento adequado e com vias internas também cortadas pela queda de pontes, foi mais difícil a organização das populações, mas a solidariedade foi a mesma, não faltaram exemplos de ajuda mútua e cooperação.


Uma data em que o programa de vida de todos os Ribeirinhenses, tal como também para muitos outros Faialenses, Picoenses e alguns Jorgenses, mudou para sempre, houve dor, mas houve solidariedade humana desde a primeira hora, naquele dia não houve divisões políticas... estas vieram mais tarde e não tiveram origem no Povo e geraram outros problemas; mas neste 9 de Julho de 2018, 20 anos depois daquela catástrofe, quero lembrar a coragem e a cooperação desta gente, sem esquecer os que partiram e para todos eles a minha homenagem.


Agora, 20 anos depois, ainda há cicatrizes, físicas e psíquicas, há património perdido e até subsiste algum por recuperar, mas no essencial a vida das pessoas e da comunidade reconstituiu-se e tomou um rumo. Ficou a memória da Ribeirinha e dos Espalhatos anterior ao sismo em muitos então jovens e adultos. Hoje as crianças olham a freguesia como se esta sempre tivesse sido assim e parecem-me com todas as condições para virem a ser felizes como nós antes do sismo fôramos sempre sujeitos aos percalços da natureza e da história e é esta a minha homenagem às gentes que aqui vivem.

Fotos cedidas há uma década por Conceição Quaresma desta freguesia para este blogue.

terça-feira, 19 de junho de 2018

"Meridiano 28" de Joel Neto


Excertos
"A primeira impressão que José Filemom teve da Horta foi essa: a de uma cidade que entardece à sombra, como lhe houvessem amputado metade do dia...
...
Na manhã seguinte, porém, uma luz radiosa veio dos lados do Morro da Espalamaca, projectou-se no mar, incendiou as arestas do casario e as torres das igrejas, e o Pico explodiu em frente, imperial, como restos de uma civilização que uma tragédia tivesse devolvido à superfície."

"Na sua cidade, naquela pequeníssima cidade atirada para os altos encapelados do oceano, escondia-se, afinal, uma chave para entender o seu país."

"Muitas vezes os crimes mais hediondos são cometidos a pretexto dos sentimentos mais elevados."

Não me é fácil falar do romance "Meridiano 28" lançado este mês pelo escritor Açoriano Joel Neto. Não só porque cruza várias estórias em diferentes tempos, locais e em estilos distintos (o que dificulta qualquer sinopse sem desvirtuar a ficção e sem revelar a trama); como também estas estórias retratam a cidade Horta e mostram o seu papel fulcral no mundo ocidental nos anos que antecederam à II Grande Guerra e durante esta  (o que moldou o seu carácter cosmopolita liberal e a transformou numa urbe muito maior e mais importante que as suas dimensões físicas); e ainda porque o autor não perde a oportunidade para expor a ilha durante o vulcão dos Capelinhos já em 1957/58 e até faz várias "selfies" dele com a Horta nos tempos atuais (mostrando o que esta é agora em 2018) e com tudo isto, além da estória, faz História.
Importa desde já deixar claro que este romance escrito por um Terceirense e cuja trama se centra na Horta, não é um livro regional, é uma peça literária de categoria nacional que ombreia com obras contemporâneas de referência no País e digna de traduções fora da lusofonia. É uma obra que pela sua profundidade e riqueza literária é universal e é literatura nascida nos Açores destinada ao mundo, tal como já fizeram outros escritores de renome em relação às suas terras: Victor Hugo com Paris, Érico Verríssimo com o Rio Grande do Sul e Eduardo Mendoza com Barcelona, só para citar alguns exemplos do passado ao presente.
Ao nível da trama, a Filemom, nascido no Faial, desenraizado da sua terra natal e gestor de um site de citações literárias, é encomendado a biografia de alguém que lhe é próximo e terá desmascarado um criminoso nazi refugiado na Horta. Na sua investigação, ele tem acesso a cadernos diários do pretenso herói, desloca-se à ilha e descobre a pujança social e cultural desta terra onde escalaram as rotas dos hidroviões entre Europa e os EUA, visitada por estrelas mundiais e onde residiam os locais e famílias inglesas, americanas, alemãs, entre outras nacionalidades, por aqui estarem sediados os nós de amarração dos cabos submarinos das empresas comunicação telegráfica entre o velho e o novo mundo, gerando um intercâmbio difícil de igualar noutro ponto do planeta numa cidade tão pequena. O investigador vai assim descobrindo este passado real, com estórias de amizades, tradições, paixões, amores polémicos que mexem com preconceitos, ciúmes e até ódios, concebendo uma grande estória, enquanto o narrador toma ainda contacto com a realidade desta terra hoje e algumas das suas referências atuais. Em paralelo, a vida pessoal deste entra num turbilhão complicado de relações pessoais, problemas de consciência e obrigações. No seu trabalho abrem-se ainda portas para memórias do seu passado em Porto Alegre (RS) e investigações na Alemanha, Praga e Nova Iorque.
Pode-se dizer que além das personagens da trama, há uma personagem principal no livro: a cidade da Horta, no que foi até meados do século XX e é presentemente. Uma cidade descrita paisagística e socialmente, que foi centro dos principais acontecimentos mundiais, que recebeu influências das mais diversas nações do ocidente e assistiu de "bancada" à II Grande Guerra e viu em direto confrontos reais da batalha do Atlântico, num espaço onde pessoas de povos inimigos mantinham o convívio, o respeito e a amizade junto com os locais. Joel Neto disseca tão bem estas personagens que mostra porque a Horta foi designada a mais pequena das grandes cidades do mundo.
Ao nível da escrita, Joel Neto é igual a si próprio, não embarca na moda da escrita criativa que embrulha estórias banais numa revolução de sintaxe e figuras de estilo. Tal como no seu anterior romance: Arquipélago, ele escreve de forma escorreita, sem exageros estilísticos, embora a forma se vá adaptando ao serviço da narrativa, muda se são transcrições do diário, reflexões do narrador, descrições sociais ou geográficas ou desenrolar de ações e assim constrói uma grande estória.
Um dos aspetos interessantes do livro é a inclusão no início de alguns capítulos de paráfrases de grandes obras da literatura mundial. Chega a ser desafiante determinar a fonte, pois recorda-nos outras obras lidas, embora em certos casos o autor dê pistas claras e noutros, não tivesse o biógrafo um site de citações, estas são bem referenciadas. É nesta intertextualidade que ao mostrar a vida social na Horta no auge de brilhantismo somos brindados com entradas de Tolstoi, o que enche de orgulho qualquer Faialense.
Sendo Geocrusoe um blogue que nasceu como de divulgação geológica, não poderia deixar passar as muitas menções ao enquadramento geotectónico dos Açores, mesmo que expostas com um saber presciente da personagem na sua juventude naturalista.
História e estória, onde se cria uma magnífica trama em torno de paixões, sonhos, ciúme e ideologias, narrado de modo emocionante, com trabalho detetivesco e surpresas até ao final. Cruza-se realidade histórica e extrapolam-se factos. Um romance que é um excelente e grande livro e uma magnífica homenagem à cidade da Horta que, sendo diferente, complementa a reconhecida obra "Mau Tempo no Canal" de Vitorino Nemésio. Como Faialense, não me limito a dizer que gostei muito, tenho, sobretudo, que agradecer ao escritor por esta grande obra sobre a Horta.

domingo, 22 de abril de 2018

22 de Abril - Dia Mundial da Terra

Para que não esqueçamos: planeta Terra só há um, o nosso e mais nenhum, cuida dele como o teu tesouro mais precioso, pois não há um sobressalente se o inutilizarmos.
Imagem Wikipedia

A Terra já assistiu a várias mudanças substanciais globais provocadas por motivos vários o que levou sempre à extinção das espécies dominantes de então, assim a história da Terra deixa claro, se mudarmos o nosso planeta hoje intensamente a espécie que deverá desaparecer é a nossa, a do Homo sapiens.

sábado, 22 de abril de 2017

22 de abril - Dia Mundial da Terra

Vulcão do Pico visto da Ribeirinha, Faial

Porque a Terra é a nossa casa comum, este Planeta é único e este Astro é lindo, temos de o preservar para que a sua diversidade biológica e geológica persistam em equilíbrio entre o seu sistema ambiental e o Homem.
O blogue Geocrusoe, como tem sido tradição, comemora o Dia Mundial da Terra e, como Geólogo, desejo a todos um dia feliz e responsável para com o nosso Planeta.

domingo, 6 de novembro de 2016

Curiosidades geológicas: Efeito colateral do último sismo no centro de Itália - erupção de vulcões de lama

Voltando novamente ao tema geologia há muito arredado deste blogue que se tem dedicado sobretudo a livros, mas o principal que esteve na origem de Geocrusoe, apresento hoje uma curiosidade recente de que não ouvi falar nos noticiários nacionais, um efeito colateral dos tremores de terra no centro de Itália da passada semana: estes desencadearam a entrada em erupção de seis vulcões de lama, os quais podem ocorrer na sequência de chuvas muitos intensas, sismos com magnitude superior a 6 graus Richter e furos para a exploração de recursos geológicos, nomeadamente hidrocarbonetos.



Sobre esta tipologia de fenómeno geológico, pouco divulgado pelas populações em geral, já falei neste post, bem como aqui, aqui e aqui há quase 6 anos atrás.

Outro vídeo sobre o mesmo fenómeno ocorrido agora na Itália.


Embora sem a regularidade de há uns anos atrás, espero voltar novamente aos temas geológicos neste blogue, nem que seja para honrar a razão inicial da sua criação e do seu nome.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Férias: Pozzuoli a cidade no vulcão que sobe e desce Campi Flegrei




Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar, anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos património da antiguidade, que se situa dentro de uma caldeira costeira, parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos, é mais um dia que junta férias e geologia.
Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que "incha" ou "encolhe", inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.
Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.
Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.
O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"As confissões de Félix Krull" de Thomas Mann


A obra "As confissões de Félix Krull" corresponde ao livro que Thomas Mann, vencedor de um Nobel da literatura, estava ainda a escrever aos 80 anos quando morreu, embora tenha trabalhado o seu conteúdo desde novo, é contudo um romance incompleto, mesmo assim, já com três centenas de páginas, deixou potencial para vir a ser outra obra deste escritor da dimensão de "A montanha mágica", embora num estilo totalmente diferente.
O romance corresponde às memórias da vida do protagonista, que sempre se sentiu predestinado a alcançar um lugar importante na sociedade, embora nascido de uma família burguesa e pouco exemplar que caiu na ruína quando ainda ele era adolescente. Deste modo, movido pelo seu fascínio e convencimento, dotado de poucos escrúpulos, lá conseguiu passo a passo e sem se desviar dos seus objetivos ocupar o lugar de alguém da nobreza e conhecer o mundo, infelizmente esta viagem global teve apenas uma etapa na obra pela não conclusão desta, mas que curiosamente se passa em Lisboa e ocupa quase um terço do livro.
Mann descreve o povo português e a capital de Portugal de uma forma bem original e diferente do habitual servindo-se de uma personagem sábia residente nesta cidade e que faz lembrar outras figura de grande saber que o escritor criou para dar a conhecer ao leitor mundos da evolução da história e da filosofia noutros grandes romances dele, neste caso Kuckuck é paleontólogo e será por esta via que debitará fascinantes e empoladas informações de antropologia e da biologia, misturada com algum fantasia.
Escrito numa linguagem por vezes irónica, noutras divertida ou sarcástica, o romance está cheio de humor e é com interesse que se lê a geografia e a antropologia de Lisboa e dos portugueses, que se contacta com o rei D Carlos e uma certa crítica social desde a Alemanha, passando por Paris e terminando em Lisboa, infelizmente sem as restantes etapas anunciadas na obra por esse mundo fora e quando Félix ainda era um jovem de 20 anos que se percebe teria chegado à velhice por algumas pistas que vão sendo deixadas no relato feito. Um romance acessível, interessante e que vale a pena ler.

sábado, 20 de junho de 2015

Férias Toscânia: Pisa e a torre inclinada ou a importância da geotecnia

Torre de Pisa, imagem daqui

Este blogue nasceu com a divulgação da geologia como um dos seus temas principais e destinada a dar a conhecer neste campo o Faial e demais Açores, com o tempo este campo tem praticamente desaparecido  por já ter dado o fundamental sobre a ilha onde vivo, mas sou sempre geólogo e juntar curiosidades geológicas com lazer, sobretudo viagens e cultura é um dos meus prazeres e por isso na visita a Pisa não posso desperdiçar esta oportunidade.
A cidade de Pisa, a terra de Galileu Galilei, é conhecida sobretudo pela sua torre inclinada, onde o cientista fez a experiência sobre a queda dos graves, o desvio da vertical neste monumento resulta do facto de na época não ser regra efetuarem-se estudos geotécnicos para se compreender a reação das rochas quando sujeitas à carga vertical resultante da implantação de um edifício sobre elas, é que nem todas se comportam de igual modo e curiosamente, apesar da pequena área da torre desta basílica, sobre existem sobretudo dois tipos de espessuras de camadas de rocha e graus de saturação de água e a altura implicou  desta estrutura implicou uma peso significativo tendo as duas espessuras e quantidade de água reagido de forma diferente, uma compactando-se mais do que a outra e assim o chão que servia de suporte desta desceu de modo mais acentuado levando à inclinação da torre. Hoje não há grande construtora que não tenha antes do início do arranque de um projeto, quer seja edifícios com uma dimensão significativa como arranha-céus ou um mero pavilhão de exposições, barragens e até estradas que não faça sondagens mais ou menos complexas para conhecer as rochas subjacentes e o seu comportamento geotécnico ou reológico tendo em conta o peso a que ser sujeita e os efeitos que tal pode ter na construção de modo a se corrigir eventuais problemas atempadamente.
Tudo isto faltou em Pisa, a cedência continua e foi preciso uma intervenção geotécnica e de engenharia civil para evitar o colapso da torre cuja inclinação prosseguia de modo contínuo, mas agora chegou o momento de ir explorar a cidade e a sua atração turística.

terça-feira, 22 de abril de 2014

22 de Abril - Dia da Terra

Porque hoje é o dia da Terra e eu nunca deixei de ser geólogo e Geocrusoe já foi sobretudo um blogue de Geologia, mesmo que hoje esta anda menos presente por aqui, fica neste espaço a lembrança da comemoração deste planeta que necessita da proteção do um dos seus filhos: o Homo sapiens


Recomendo-vos ainda uma visita hoje ao excelente Doodle animado da página da Google que celebra igualmente o dia da Terra estaticamente mostrado neste artigo.

UM BOM DIA PLANETA TERRA!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Montanha do Pico em risco - Notícias - RTP Açores

Montanha do Pico em risco (Som) - Notícias - RTP Açores

Porque em matéria de riscos naturais mais vale a pena prevenir que remediar, espero que comecem a efetuar uma monitorização de eventuais movimentos de massa atempadamente.
Curiosamente, já falara deste assunto aqui no Geocrusoe há já uns anos... não posso precisar se houve agravamentos nos últimos dias, mas já observei sinais que me preocuparam há uns tempos atrás.

Recorde-se que as ruturas e depois os nos movimentos de massa podem acontecer em períodos calmos ou serem acelerados por precipitações intensas e sismos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Crise sísmica na Graciosa

Mapa da sismicidade nos Açores extraído hoje do CVARG

Nos últimos tempos os Açores tem registado uma atividade sísmica acima do normal em vários locais do Arquipélago, não tem sido uma crise de eventos muito intensos, mas a crise sísmica que está a acontecer na Graciosa tem sido persistente e encontra-se muito próxima de terra, pelo que nunca é demais chamar à atenção para os cuidados normais de uma população exposta a este riscos tectónicos, os quais por norma são divulgados pela Proteção Civil.
O último evento de hoje na Graciosa atingiu o grau IV na escala de Mercalli, mas pode sempre acompanhar o evoluir da situação através do site do CVARG nomeadamente saber as intensidades, magnitudes e epicentros estimados através da sua página de sismicidade.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Corte geológico e princípios estratigráficos

Pelo princípio da sobreposição em estratigrafia os sedimentos mais recentes formam leitos que se depositam por cima dos estratos mais antigos e embora as rochas vulcânicas não tenham uma origem igual à das sedimentares, frequentemente, por gerarem camadas, respeitam muitas vezes este princípio.
Junto ao porto de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, é possível observar numa parede, resultante provavelmente de escavação humana, um antigo cone de escória vulcânica (avermelhado) que esteve exposto ao ar e se cobriu por um solo (ocre) e onde todo o conjunto foi posteriormente soterrado por escoadas mais recentes (cinzentas).
O princípio da interseção refere que é mais recente uma estrutura que corte de que a que é cortada e na imagem é possível também observar que tanto o cone, como o paleossolo e ainda as escoadas lávicas são todos cortados por filões verticais, sendo por isso este últimos: as formações mais jovens de todas.

Pormenor do filão situado no centro da foto acima

Aplicar os vários princípios estratigráficos é fundamental para a interpretação e compreensão da história geológica de muitos locais onde se encontram formações rochosas que se apresentam sob a forma de camadas.

Para conhecer os vários princípios estratigráficos, muitos deles enunciados há mais de 300 anos por Nicolas Steno, consulte esta lista.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cavidades Vulcânicas dos Açores - Vídeo

Magnífico vídeo sobre as grutas vulcânicas dos Açores, a sua diversidade tipológica e morfológica, génese e biodiversidade cavernícola.


Um vídeo que não só promove os Açores em termos turísticos, mas que é também um instrumento de divulgação científica da geodiversidade e biodiversidade destas ilhas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Convém lembrar: o risco sísmico em Lisboa


Lisboa

Porque havendo consciência da população de um lugar do risco natural a que está sujeita, esta não só se prepara melhor para o enfrentar, como também cria pressões para que os governantes tomem as medidas mais adequadas, aqui fica um artigo e respetivo estudo base sobre o elevado risco sísmico a que Lisboa está sujeita:

Magnitude 7 ameaça Lisboa, subentende-se na escala de Richter;

Já agora, um boletim da Câmara Municipal de Lisboa com informações de uma forma muito mais acessível ao qualquer pessoa relativamente ao comportamento a ter perante um sismo na capital...

Para o risco sísmico, a informação e a prevenção são as melhores formas de sobreviver a um terramoto.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Centro de Vulcanologia dos Açores entre os melhores

É sempre com orgulho que ouço falar bem deste Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos, com o qual tenho a honra de colaborar, com quem já desenvolvi trabalhos e conheço investigadores que além de grandes homens das ciências da Terra são meus colegas, amigos e formadores na área dos Riscos Geológicos.

 

 Parabéns!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Geólogo e Beato: Nicolau Steno

Nicolau Steno, imagem daqui

Dinamarquês, nascido luterano a 11 de janeiro de 1638, convertido ao catolicismo com base nos seus estudos individuais, observador da natureza, desenvolveu numerosos trabalhos na área da medicina, mas foi nas Ciências da Terra que as suas descobertas se destacaram.
Ainda hoje as suas deduções são ensinadas logo nos primeiros anos da geologia: Lei de Steno na cristalografia sobre a constância dos ângulos entre faces equivalentes de um dois cristais do mesmo mineral,e os Princípios da sobreposição dos estratos, da horizontalidade de formação das camadas sedimentares e da continuidade lateral, bem como a idade relativa das descontinuidades dentro de uma rocha, estão ainda hoje na base da estratigrafia moderna, sem esquecer a sua afirmação de que os fósseis eram os restos dos seres vivos à data da formação das rochas, antecipando em muito a raízes da teoria de Darwin.
A sua carreia de conversão e trabalhos teológicos levaram à sua beatificação por João Paulo II em 1987, mostrando que é possível ser-se um grande cientista e homem de fé.
Se à humanidade não faltarem homens de Saber como Steno e bons o futuro será bem melhor.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ilusão de dobras geológicas 2


Um olhar desatento diria que se estava perante uma zona de camadas rochosas dobradas. Pura ilusão!
Tal como no artigo anterior, os estratos correspondem à sobreposição de camadas de piroclastos caídos durante a fase explosiva de um vulcão que se depositaram numa topografia inclinada. Uma escavação recente em cunha e oblíqua à direcção da inclinação das superfície fez um recorte nas camadas com a forma de um V invertido, parecendo uma dobra, quando simplesmente é um plano inclinado cortado.
A medição geométrica e interpretação das formas resultantes das intercepção do relevo com as camadas rochosas é um dos modos de compreender e modelar a disposição das litologias em profundidade e está na base da elaboração de cortes geológicos e detecção de estruturas ocultas dentro da terra.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ilusão de dobras geológicas 1

Na Natureza nem tudo o que parece é:

As rochas, devido às forças no interior da crosta partem-se (deformação rígida ou frágil) ou dobram-se (deformação plástica). Depois a erosão trás à superfície essas rochas e coloca à vista de todos essas deformações. Todavia, nem sempre aquilo que parece dobrado está de facto deformado.
As cinzas, a bagacina (lapilli) e os blocos projectados da chaminé em altura pelas erupções vulcânicas caem por acção gravítica e formam camadas modeladas pelo relevo, os materiais mais recentes cobrem os mais antigos e fossilizam o relevo dessas camadas inferiores. Depois se algum dia forem expostos esses antigos estratos, os mesmos podem parecer como que dobrados, quando apenas é a fossilização do paleorrelevo na época da respectiva deposição.
Os Açores são ilhas muito recentes e os esforços a que as rochas estão sujeitas são sobretudo de distensão, o que não favorece o aparecimento de dobras. Assim, na foto acima as camadas de piroclastos não estão dobradas como parecem, apenas retratam o relevo antigo à data da sua queda, inclusive um vale mais recente quase se sobrepôs ao "paleovale".
Afinal a natureza também é ilusionista e só uma apurada análise da situação permite descobrir a realidade.

domingo, 2 de outubro de 2011

Arquitectura tradicional e integração paisagística

São já uma raridade os imóveis ainda construídos, mesmo que parcialmente, com recurso às rochas da terra onde se inserem desde que a expansão do cimento/concreto na construção civil se generalizou.
No passado nos, Açores, desde a pequena atafona para apoio à agricultura, passando pelos moinhos de água e moradias, até aos solares e igrejas, a lava era o material rei da estrutura da construção.
A construção com o aproveitamento dos recursos geológicos da terra nos alçados do imóveis é sem dúvida uma das melhores formas de integração paisagística, vejam-se os edifícios de xisto nas regiões xistosas, os calcários em Lisboa e na Estremadura, os granitos no Porto e Minho ou o basalto nos Açores como nesta foto em São Jorge.