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segunda-feira, 9 de julho de 2018

9 de Julho de 1998 - 2018 - 20 anos após o Sismo no Faial

Eram 5h19m da madrugada do dia 9 de julho de 1998 quando a Ribeirinha, onde vivo e vivia, foi atingida por um sismo de magnitude 5,9 Richter e devido a ser o local mais próximo do epicentro, uns escassos 5 km, este alcançou a intensidade VIII-IX Mercalli, o choque destruiu a povoação ao ponto que se vê nas fotos abaixo:

Uma destruição de mais de 90% do parque habitacional da Ribeirinha, ainda mais significativa nos Espalhafatos, o outro lugar da freguesia. Cinco mortos numa população de cerca de 500 habitantes, 1% dos residentes e isto pode dar a perspetiva de quantos seriam se tal destruição tivesse avassalado uma cidade de muitos milhares ou milhões de habitantes. Houve mais 3 óbitos nas localidades contíguas: Pedro Miguel e Salão, mas ligeiramente mais distantes do epicentro. Os danos estenderam-se por toda a ilha do Faial e ainda Pico e São Jorge.


Apesar de isolados por estrada, sem luz, água e em pouco minutos de outros meios de telecomunicação, a inter-ajuda no lugar da Ribeirinha das pessoas foi enorme, desde o auxílio na retirada de soterrados, ao apoio a feridos, passando pelo acalmar indivíduos em estado de choque; a verdade é que praticamente todos habitantes reunidos em torno do edifício polivalente recém-inaugurado por volta das 9 horas foi servida uma refeição ligeira com bolachas, pão, queijo, manteiga, leite e café fruto da partilha das instituições locais e dos residentes organizada por voluntários...pouco tempo depois começaram a chegar os primeiros socorros em virtude do desbloqueio das vias de acesso. Um dia difícil, mas onde a solidariedade imperou e foi a palavra de ordem.


Nos Espalhafatos, sem um local de acolhimento adequado e com vias internas também cortadas pela queda de pontes, foi mais difícil a organização das populações, mas a solidariedade foi a mesma, não faltaram exemplos de ajuda mútua e cooperação.


Uma data em que o programa de vida de todos os Ribeirinhenses, tal como também para muitos outros Faialenses, Picoenses e alguns Jorgenses, mudou para sempre, houve dor, mas houve solidariedade humana desde a primeira hora, naquele dia não houve divisões políticas... estas vieram mais tarde e não tiveram origem no Povo e geraram outros problemas; mas neste 9 de Julho de 2018, 20 anos depois daquela catástrofe, quero lembrar a coragem e a cooperação desta gente, sem esquecer os que partiram e para todos eles a minha homenagem.


Agora, 20 anos depois, ainda há cicatrizes, físicas e psíquicas, há património perdido e até subsiste algum por recuperar, mas no essencial a vida das pessoas e da comunidade reconstituiu-se e tomou um rumo. Ficou a memória da Ribeirinha e dos Espalhatos anterior ao sismo em muitos então jovens e adultos. Hoje as crianças olham a freguesia como se esta sempre tivesse sido assim e parecem-me com todas as condições para virem a ser felizes como nós antes do sismo fôramos sempre sujeitos aos percalços da natureza e da história e é esta a minha homenagem às gentes que aqui vivem.

Fotos cedidas há uma década por Conceição Quaresma desta freguesia para este blogue.

domingo, 6 de novembro de 2016

Curiosidades geológicas: Efeito colateral do último sismo no centro de Itália - erupção de vulcões de lama

Voltando novamente ao tema geologia há muito arredado deste blogue que se tem dedicado sobretudo a livros, mas o principal que esteve na origem de Geocrusoe, apresento hoje uma curiosidade recente de que não ouvi falar nos noticiários nacionais, um efeito colateral dos tremores de terra no centro de Itália da passada semana: estes desencadearam a entrada em erupção de seis vulcões de lama, os quais podem ocorrer na sequência de chuvas muitos intensas, sismos com magnitude superior a 6 graus Richter e furos para a exploração de recursos geológicos, nomeadamente hidrocarbonetos.



Sobre esta tipologia de fenómeno geológico, pouco divulgado pelas populações em geral, já falei neste post, bem como aqui, aqui e aqui há quase 6 anos atrás.

Outro vídeo sobre o mesmo fenómeno ocorrido agora na Itália.


Embora sem a regularidade de há uns anos atrás, espero voltar novamente aos temas geológicos neste blogue, nem que seja para honrar a razão inicial da sua criação e do seu nome.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Férias: Pozzuoli a cidade no vulcão que sobe e desce Campi Flegrei




Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar, anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos património da antiguidade, que se situa dentro de uma caldeira costeira, parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos, é mais um dia que junta férias e geologia.
Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que "incha" ou "encolhe", inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.
Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.
Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.
O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Férias: Pompeia - A cidade luxuosa soterrada pelo Vesúvio


Hoje é o dia que dediquei à visita da cidade de Pompeia que a erupção do Vesúvio no ano de 79 DC soterrou  completamente e está hoje a ser exposta através de escavações arquelógicas que mostram aos visitantes a dimensão, a riqueza e o estilo de vida desta povoação de luxo, onde muitos romanos ricos vinham então passar períodos de repouso tal como hoje o fazem em muitas estâncias de férias.
Desta erupção resultou um texto com uma descrição de grande pormenor feita por um observador atento: o filósofo Plínio o jovem; Plínio o Velho, seu tio, foi então uma das vítimas do Vesúvio, o que permitiu aos geólogos saberem com grande pormenor o evoluir dos acontecimentos  e caracterizar o estilo eruptivo com um nome em honra deste sábio: Atividade Eruptiva do Tipo Pliniano, uma das mais perigosas pelas explosões que tem associadas e projeção de piroclastos quer sob a forma de queda de pedra-pomes ou de cinzas, quer sob a forma de escoadas piroclásticas de grande velocidade dos mesmos materiais capazes de soterrar vastas zonas, em Pompeia muitas das vítimas vaporizaram-se pelo calor, mas deixaram os moldes na cinza vulcânica e são hoje um dos elementos observáveis na estação arqueológica que é Património da Humanidade
Recordo que no Faial a formação da Caldeira resultou de uma erupção do tipo Pliniano que descrevi neste post no tempo em que este blogue dedicava grande parte da sua temática à Geologia.
Para esta cidade em concreto, fica abaixo um filme das suas últimas 24h e dá para perceber não só a erupção que num dia destruiu Pompeia, como compreender o facto de a mesma ter ficado perdida até ao século XVIII, quando ocasionalmente foi redescoberta.



Se não visualizar o vídeo no post, observe no Youtube aqui
Espero ter possibilidade de ainda postar fotografias do que observei no terreno nestas férias em Pompeia.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Férias: Campânia e Nápoles - na rota dos vulcões

Nápoles com o Vesúvio ao fundo - imagem Wikipédia

Estou de férias e novamente a minha opção de viagens recaiu na Itália, desta vez uma visita ao sul de Itália: Nápoles, a cidade à sombra do vulcão Vesúvio, capital de reino durante séculos, com um património histórico rico e famosa pelo seu ar latino, bairros populares de aspeto decadente e baía aberta ao Mediterrâneo.
Todavia, desta vez  a escolha privilegiou o património natural dos vulcões e dos seus perigos: Vesúvio que ameaça Nápoles e sobretudo pretendo visitar Pompeia, a cidade soterrada por uma erupção no ano 79 DC e hoje um local arqueológico de excelência e Património da Humanidade da Unesco; a cidade de Pozzuoli, situada dentro de uma cratera do supervulcão ativo Campi Flegrei e o conjunto de fumarolas de Solfatara pertença deste mesmo complexo vulcânico.
Se as condições o permitirem uma viagem pela costa Amalfitana da província de Salerno, debruçada sobre o mar Tirreno e também património da humanidade.
À medida que tiver tempo e internet disponível, espero atualizar os posts agendados sobre estes locais.

sábado, 20 de junho de 2015

Férias Toscânia: Pisa e a torre inclinada ou a importância da geotecnia

Torre de Pisa, imagem daqui

Este blogue nasceu com a divulgação da geologia como um dos seus temas principais e destinada a dar a conhecer neste campo o Faial e demais Açores, com o tempo este campo tem praticamente desaparecido  por já ter dado o fundamental sobre a ilha onde vivo, mas sou sempre geólogo e juntar curiosidades geológicas com lazer, sobretudo viagens e cultura é um dos meus prazeres e por isso na visita a Pisa não posso desperdiçar esta oportunidade.
A cidade de Pisa, a terra de Galileu Galilei, é conhecida sobretudo pela sua torre inclinada, onde o cientista fez a experiência sobre a queda dos graves, o desvio da vertical neste monumento resulta do facto de na época não ser regra efetuarem-se estudos geotécnicos para se compreender a reação das rochas quando sujeitas à carga vertical resultante da implantação de um edifício sobre elas, é que nem todas se comportam de igual modo e curiosamente, apesar da pequena área da torre desta basílica, sobre existem sobretudo dois tipos de espessuras de camadas de rocha e graus de saturação de água e a altura implicou  desta estrutura implicou uma peso significativo tendo as duas espessuras e quantidade de água reagido de forma diferente, uma compactando-se mais do que a outra e assim o chão que servia de suporte desta desceu de modo mais acentuado levando à inclinação da torre. Hoje não há grande construtora que não tenha antes do início do arranque de um projeto, quer seja edifícios com uma dimensão significativa como arranha-céus ou um mero pavilhão de exposições, barragens e até estradas que não faça sondagens mais ou menos complexas para conhecer as rochas subjacentes e o seu comportamento geotécnico ou reológico tendo em conta o peso a que ser sujeita e os efeitos que tal pode ter na construção de modo a se corrigir eventuais problemas atempadamente.
Tudo isto faltou em Pisa, a cedência continua e foi preciso uma intervenção geotécnica e de engenharia civil para evitar o colapso da torre cuja inclinação prosseguia de modo contínuo, mas agora chegou o momento de ir explorar a cidade e a sua atração turística.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

"O livro de Jón" de Ófeigur Sigurdsson


"O livro de Jón", do Islandês Ófeigur Sigurdsson, é um romance epistolar constituído por mais de duas dezenas de cartas escritas por Jón à sua mulher durante o período da erupção do vulcão Katla de 1755 (a maior que há memória nesta ilha desde o povoamento e que teve um impacte climático planetário) e enquanto se encontrava refugiado numa gruta a sudeste deste, por um motivo pessoal e anterior à catástrofe, no local onde não só construiu a sua habitação, como inclusive um hospital e acolheu alguns dos maiores cientistas e pensadores daquele povo naquela época.
Apesar de ser uma obra ficcional, grande número das personagens, incluindo Jón, tiveram existência real e o autor aproveita este estilo não só para descrever muitos dos problemas sociais, económicos e políticos da Islândia de então, como mostrar a mentalidade, usos e costumes deste povo insular e ainda fazer uma descrição literária da erupção do Katla e dos seus efeitos catastróficos, inclusive responsabilizando-a do terramoto de Lisboa igualmente descrito com grande força. Contudo a obra mistura realidade, sonhos e uma natureza que por vezes é mágica.
A escrita é acessível, muito poética, sentimental e o romance é pequeno, embora por vezes os parágrafos seja extensos, só não temos o eco das cartas na mulher amada, nem se vem a saber se de facto estas chegaram à destinatária. Gostei da obra e recomendo, até pela descrição da erupção, sobretudo das enxurradas glaciares resultantes do contacto do magma quente com a calote de gelo que cobre a ilha nesta zona, originando assim os "jökullhlaups", vivamente descritos no livro.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Sismo de 9 de julho de 1998 - 15 anos

Quinze anos em que esta Ribeirinha onde resido foi atingida por um sismo, a freguesia mais devastada e mais próxima do epicentro desta catástrofe, tanto a sua localidade com o mesmo nome, como a localidade dos Espalhafatos foram destruídas praticamente em 100% das suas moradias, espaços de culto religioso, farol e edifícios de apoio agrícola.

Uma reportagem para recordar e homenagear todos os sinistrados que naquela altura deram as mãos e comigo colaboraram a enfrentar os momentos mais difíceis da Ribeirinha em toda a sua história iniciada em 1666.


Infelizmente, ainda hoje aqui na Ribeirinha há gente que desde então nunca mais teve condições dignas de habitação. Poucas, é certo, mas são seres humanos esquecidos e vítimas desta catástrofe!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Montanha do Pico em risco - Notícias - RTP Açores

Montanha do Pico em risco (Som) - Notícias - RTP Açores

Porque em matéria de riscos naturais mais vale a pena prevenir que remediar, espero que comecem a efetuar uma monitorização de eventuais movimentos de massa atempadamente.
Curiosamente, já falara deste assunto aqui no Geocrusoe há já uns anos... não posso precisar se houve agravamentos nos últimos dias, mas já observei sinais que me preocuparam há uns tempos atrás.

Recorde-se que as ruturas e depois os nos movimentos de massa podem acontecer em períodos calmos ou serem acelerados por precipitações intensas e sismos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Crise sísmica na Graciosa

Mapa da sismicidade nos Açores extraído hoje do CVARG

Nos últimos tempos os Açores tem registado uma atividade sísmica acima do normal em vários locais do Arquipélago, não tem sido uma crise de eventos muito intensos, mas a crise sísmica que está a acontecer na Graciosa tem sido persistente e encontra-se muito próxima de terra, pelo que nunca é demais chamar à atenção para os cuidados normais de uma população exposta a este riscos tectónicos, os quais por norma são divulgados pela Proteção Civil.
O último evento de hoje na Graciosa atingiu o grau IV na escala de Mercalli, mas pode sempre acompanhar o evoluir da situação através do site do CVARG nomeadamente saber as intensidades, magnitudes e epicentros estimados através da sua página de sismicidade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bonitas Terras Açorianas 5 - Ribeira Grande


Principal povoação da costa norte da ilha de São Miguel. Ribeira Grande deve o seu nome ao curso de água que atravessa o seu centro, cujas margens presentemente são um belo jardim e um exemplo de como é possível aproveitar  as zonas sujeitas a inundação numa cidade sem ser com ocupação por edifícios habitacionais e de escritórios.


O centro histórico é uma área onde se encontram vários edifícios com cantaria de lava lindamente esculpida e que forma um contraste de cores com as alvenarias e as flores que se encontram nas vizinhanças.


Possui um teatro recuperado e ao qual foram adicionadas novas áreas com valências várias que o tornam num bom exemplo de como é possível compatibilizar o património histórico com a nova arquitetura, sem destruir nenhuma das partes e enriquecendo todo o conjunto.


Uma cidade calma, mas arquitetonicamente rica, sobretudo ao nível de património religioso, que importa visitar...


e explorar...


Ribeira Grande é uma pequena cidade que gosto, continua a ser o principal centro de energia geotérmica dos Açores, com um enquadramento tectónico algo instável, mas é uma terra onde já trabalhei que me deixou boas recordações, inclusive das suas gentes...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Convém lembrar: o risco sísmico em Lisboa


Lisboa

Porque havendo consciência da população de um lugar do risco natural a que está sujeita, esta não só se prepara melhor para o enfrentar, como também cria pressões para que os governantes tomem as medidas mais adequadas, aqui fica um artigo e respetivo estudo base sobre o elevado risco sísmico a que Lisboa está sujeita:

Magnitude 7 ameaça Lisboa, subentende-se na escala de Richter;

Já agora, um boletim da Câmara Municipal de Lisboa com informações de uma forma muito mais acessível ao qualquer pessoa relativamente ao comportamento a ter perante um sismo na capital...

Para o risco sísmico, a informação e a prevenção são as melhores formas de sobreviver a um terramoto.

sábado, 9 de julho de 2011

Memórias de 9 de Julho - 13 anos após sismo na Ribeirinha

Foto de Conceição Quaresma - clique para ampliar

Numa região sísmica, cada dia que passa é mais um após o último terramoto e menos um para o que se avizinha, que não se sabe quando e onde ocorrerá.
Consciencializado para o risco sísmico, sabendo que nesta região ocorre por norma um evento com estragos avultados em quase todas as décadas, que o último fora a 1 de Janeiro de 1980, há mais de 18 anos, perguntava-me pelo próximo, mas esperava calmamente e estudara abrigos em casa.
Na madrugada de 9 de Julho de 1998 adormecera calmamente após iniciar a leitura de um novo livro: "Caos" de James Gleick... às 5h19 uma trovoada do interior da terra acorda-me e imediatamente penso: Aí vem ele!
Num salto abrigo-me debaixo de uma escrivaninha e prossegue o ribombar acompanhado de um abanar cada vez mais forte, a minha setter procura protecção ao meu lado... ouço louças a partirem-se dentro de casa, depois um solavanco assustador e apercebo-me de paredes a desmoronar perto de mim e então vejo o guarda roupa no ar a projectar-se em minha direcção... sei que é o meu último momento... mas não foi!
Tudo abana, a mobília protegeu-me e numa eternidade com menos de vinte segundo tudo se foi acalmando. Fui um sortudo... outros não, mas nunca mais serei o mesmo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Costa Leste do Faial



Costa Leste do Faial observada da Ponta da Ribeirinha, vendo-se Chã da Cruz e em primeiro plano o topo da escarpa da Falha da Ribeirinha (clique para ampliar a imagem)




Um post com dois objectivos: fazer com que os Ribeirinhenses do Faial que se encontram à distância recordem a paisagens observadas da Ponta da Ribeirinha e da Boca da Ribeira, mas também lembrar que a nossa conhecida Pontinha, onde se encontra o Farol, é o local dos Açores mais próximo dos epicentros dos sismos ocorridos esta semana abaixo noticiados e da crise que abalou esta terra em 1998.










Costa Leste do Faial observada na zona da Boca da Ribeira, ao fundo a Ponta da Espalamaca (clique para ampliar)





Observando a costa nesta foto é bem evidente que parecem existir degraus, os desníveis destes tendem a situar-se nas intercepções entre as falhas do Graben de Pedro Miguel e o litoral da ilha, ficando evidente os numerosos acidentes tectónicos que o Faial tem, pelo que devemos estar sempre preparados para novas ocorrências, embora nada indique que neste momento algo de mais preocupante possa acontecer.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Novo sismo na Ribeirinha

Nada de estranhar ou de ficar assustado, é normal a seguir a um sismo ocorrerem réplicas menores, por isso este é o cenário mais provável... e esperemos que nada de anormal venha a acontecer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sismo na Ilha do Faial a NE da Ribeirinha

Post sujeito a actualizações frequentes


Imagem do CIVISA com a implantação do epicentro, este departamento calculou a magnitude em 3.7 e intensidade V





Foi sentido às 7h23 dos Açores um sismo na ilha do Faial que segundo os primeiros dados provisórios e sujeitos a correcção terá atingido 3.9 na Escala de Richter e com epicentro a 6 quilómetros a NE da freguesia da Ribeirinha.


Sabe-se que o sismo foi sentido nas ilhas do Faial e de São Jorge, tendo algumas pessoas da Ribeirinha do Faial saído para a rua assustadas com o evento, mas não observei nesta localidade qualquer estrago, este comportamento mais o facto de algumas pessoas no exterior o terem sentido aponta para um intensidade mínima de IV/V na escala de Mercalli.


Última actualização




Segundo diversas fontes, confirma-se para o Faial as intensidades de V - Ribeirinha, IV - Praia do Almoxarife, cidade da Horta, Flamengos e Salão, III/IV -vila da Madalena na ilha do Pico e II - vila de Velas ilha de São Jorge.




Questionam-me porque não é sempre igual a magnitude do CIVISA e a do IM. Embora possam existir outras razões, verifica-se que as grandezas tendem a ser próximas, tal deve-se ao facto do valor resultar de dados colhidos nos sismógrafos dispersos pelas ilhas e da adopção de determinados critérios nas fórmulas, como os aparelhos não estão exactamente nos mesmos locais, nem têm todos a mesma sensibilidade, podem ocorrer pequenas perturbações na precisão do cálculo, se guirem sempre o dado fornecido pelo mesmo Serviços as relações de magnitude de sismos diferentes devem estar correctas. Aliás se virem magnitudes para um mesmo sismo na rede mundial verão que essas discrepâncias também acontecem entre os dados emitidos por diferentes países.


Mais informações serão actualizadas ao longo do dia.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Crise Sísmica no Faial

Há muitos anos que se sabe que as zonas epicentrais não se distribuem aleatoriamente na Região, existem alinhamentos associados a falhas geológicas e áreas onde há maior actividade sísmica do que outras, existindo em torno do Faial duas zonas bem conhecidas por concentrarem preferencialmente este tipo de ocorrências, uma a nordeste do Faial, próximo da Ribeirinha, muito perto de terra pelo que já esteve associada a catástrofes nesta ilha.

Os últimos sismos nos Açores (clique na imagem para a ampliar)
fonte: CVARG

A outra, a oeste dos Capelinhos, felizmente está mais longe de terra o que permite que muita da actividade que ali acontece não seja sentida... apesar de tudo, nos últimos tempos uma agitação significativa tem sido registada nesta área e nos últimos dias o número de eventos permite dizer que se está perante uma crise sísmica.
Apesar da distância ser motivo para não gerar grandes preocupações, seguir as normas de segurança para crises sísmica é sempre uma recomendação pertinente.

domingo, 13 de março de 2011

Japão: sismo reactiva o vulcão Shinmoedake?

Num repente parece que todas os grandes riscos geológicos se abatem sobre o país do Sol Nascente, hoje na ilha Kyushu, a mais a sul das quatro maiores ilhas Japonesas, recomeçou a erupção do Shinmoedake, este vulcão já estivera em actividade no mês passado de Janeiro e estava calmo desde o final de Fevereiro.


O Vulcão Shinmoedake em Janeiro passado

Embora distante de Sendai, o epicentro do terramoto do dia 11, a verdade é que um grande sismo pode desencadear a reactivação de um vulcão activo, isto por várias razões:
1 - A vibração sísmica pode agregar (coalescência) as bolhas dos gases dissolvidos na câmara magmática, o que aumenta a pressão para uma explosão vulcânica (é o agitar duma garrafa de bebida com gás, favorece a saída de espuma se não estiver bem rolhada);
2 - A vibração pode provocar correntes convectivas dentro da câmara magmática (fornece energia, tal como o calor na sopa dentro de um tacho);
3 - O sismo pode abrir fissuras no aparelho vulcânico, originando uma conduta por onde o magma pode sair (é o destapar a garrafa sobre pressão, o líquido gaseificado jorra);
4 - O sismo pode provocar escorregamentos das paredes de um cone vulcânico, tal reduz a espessura de rochas e a pressão que continha o magma em profundidade (é o adelgaçar as paredes da garrafa cheia de um líquido com gás, esta pode explodir pela zona fragilizada).

Assim, não se pode dizer que o Shimoedake entrou em erupção devido ao terramoto, mas não se pode dizer que não haja uma relação causa - efeito, até porque o vulcão tinha estado instável há muito tempo e pode ter sofrido mais uma perturbação na sequência da actividade sísmica no arquipélago.

sábado, 12 de março de 2011

Sismo do Japão, construção sismo-resistente e prevenção nos Açores

A generalidade das imagens do sismo de 11 de Março de 2011 no Japão mostram que os danos provocados directamente pelas ondas sísmicas foram mínimos nas edificações afectadas, os grandes estragos surgem depois com as águas do maremoto a invadirem terra.


Neste filme, apesar da violência das ondas sísmicas, os imóveis resistem

Como mesmo os grandes sismos nem sempre provocam maremotos e a tipologia de movimentos tectónicos nos Açores não ser favorável a desencadear tsunamis, mas não impossível. Este arquipélago podo reduzir significativamente os riscos geológicos com dois cuidados que estão na mão do homem:
1- construção de edifícios sismo-resistentes e introdução de soluções de engenharia civil nos imóveis já existentes.
2 - Ordenamento do território para a ocupação humana, sobretudo habitacional onde há maior probabilidade de se ser apanhado a dormir, de forma a que as casas não estejam em regiões sujeitas a movimentos de massa, rupturas de superfície, liquefacção dos solos e inundações.

Claro como estas ilhas estão sujeitas a maremotos que possam surgir sobretudo a partir da costa Europeia, um sistema de alerta internacional e de difusão da informação na região pode ser uma grande ajuda, mas tal não depende apenas do poder nos Açores.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sismo de Sendai no Japão medido em bombas atómicas

O Japão hoje foi sacudido por um dos terramotos mais energéticos registados pelo homem desde que há equipamentos adequados para tais medições há cerca de um século, 8.9 na escala de Richter, é como se tivessem rebentado cerca 3,5 milhões de bombas atómicas como a de Nagasaki na crosta oceânica, a 130 km da cidade de Sendai, na ilha de Honshu. É mesmo muita energia libertada por este movimento das placas tectónicas.



A força das águas a penetrarem no Japão, ao fundo vêem-se pessoas a fugirem às águas

Seguiu-se um maremoto ou tsunami (são dois nomes para o mesmo fenómeno), sinal de que houve importantes movimentações no fundo do oceano, escorregamentos e/ou rotura sísmicas que atingiram o mar com movimentações de um lado em relação ao outro dessas fracturas que empurraram a água gerando grandes ondas, mas diferentes das que se formam nas tempestades.
Até ao momento o número de baixas é pequeno (6 pessoas), mas, tendo em conta a proximidade do epicentro à linha de costa, é provável que entre o maremoto e o terramoto o tempo tenha sido pequeno para que os alertas permitissem atempadamente a fuga das pessoas das regiões mais afectadas por estas ondas marinhas de grande comprimento, amplitude e energia, cujas soluções de engenharia civil para os imóveis resistirem ao seu impacte são difíceis de conseguir e diferentes das destinadas a enfrentar as vibrações e acelerações sísmicas. Temo que com o rescaldo da catástrofe o número de agrave significativamente.