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terça-feira, 9 de julho de 2013

Sismo de 9 de julho de 1998 - 15 anos

Quinze anos em que esta Ribeirinha onde resido foi atingida por um sismo, a freguesia mais devastada e mais próxima do epicentro desta catástrofe, tanto a sua localidade com o mesmo nome, como a localidade dos Espalhafatos foram destruídas praticamente em 100% das suas moradias, espaços de culto religioso, farol e edifícios de apoio agrícola.

Uma reportagem para recordar e homenagear todos os sinistrados que naquela altura deram as mãos e comigo colaboraram a enfrentar os momentos mais difíceis da Ribeirinha em toda a sua história iniciada em 1666.


Infelizmente, ainda hoje aqui na Ribeirinha há gente que desde então nunca mais teve condições dignas de habitação. Poucas, é certo, mas são seres humanos esquecidos e vítimas desta catástrofe!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dias de Reis - Presépios tradicionais no Faial

Dia 6 de janeiro era tradicionalmente o Dia de Reis, coincidente com a festa da Epifania da Igreja Católica. Os tempos modernos e laicos transferiram esta festa para o primeiro domingo após o primeiro dia do Ano Novo, mas em 2013 as duas datas sobrepuseram-se.
 Presépio nos Espalhafatos

Tradicionalmente as famílias faialenses faziam os seus presépio com recurso a pedras que cobriam com musgo, líquenes, ramagens, serradura, bagacina e areia para imitar pastagens, currais, terras de cultivo e caminhos, sobre os quais se sobrepunham figuras de pessoas e animais, miniaturas de casas e monumentos das nossas terras, num recanto ficava a lapinha com a Sagrada Família com um menino Jesus recém-nascido, pelo caminhos havia sempre a representação dos 3 reis magos.

Presépio em Pedro Miguel

Desde que se instalou o hábito dos concursos de presépios passei a dar a volta ao Faial a visitar várias destas representações abertas à população, em 2013 cumpri esta tradição e aqui vão dois dos presépios tradicionais entre outros que visitei.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Presépio tradicional de 2012


Após mostrar um presépio original no anterior artigo de Geocrusoe, situado aqui na Ribeirinha, hoje, sem mudar de freguesia, outro presépio em estilo tradicional agora exposto nos Espalhafatos.
Uma característica comum, ambos foram vencedores no concurso de presépios do Núcleo Cultural da Horta nas suas categorias: tradicional ou original.
Assim, a cultura nesta freguesia continua viva, quer recordando as nossas formas de expressão artística populares do passado, quer através da sua renovação, dando-lhe nova roupagem e a preparar-se para manter-se viva e enfrentar o futuro.
Aproveite o dia de reis e descubra estas obras de arte aqui na Ribeirinha.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Império do Faial à moda antiga

Império do Cascalho - Cedros

O presente modelo arquitectónico de império do Espírito Santo já escasseia no Faial, mas foi muito comum na ilha. Na Ribeirinha as sedes de todas as irmandades já foram deste tipo, primeiro foi o Império Amarelo que foi desviado e reconstruído para alargamento da rua na década de 30 do século XX, tornando-se então num corpo único e com a fachada principal virada para a via, depois foi o sismo de 1998 que destruiu os que ainda respeitavam esta traça: Império Vermelho e o dos Espalhafatos.
Este modelo desenvolvia-se em paralelo com a rua, possuía um edifício com um altar para a coroa e sala de refeições e era o "Império" propriamente dito, sempre virado para um pátio "arramada" onde se realizavam os arraiais e com espaço para a banda de música, no seu outro extremo um edifício "copeira" composto por uma cozinha e por vezes uma área de refeições, completava o conjunto.
O império do Cascalho é neste momento uma relíquia do passado que importa preservar.


terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval 2011 - Fantasias da pequenada

Se a noite de entrudo foi o momento forte de Carnaval para os graúdos, a tarde da terça-feira gorda foi o auge da folia para a pequenada.

Desde as fantasias compradas, até às elaboradas a rigor em casa, nada faltou ao divertimento dos mais novos para se exibirem a um júri consciente das dificuldades de escolher os melhores.

Pescadores, cabeleireiro/esteticista, bombeiro e hippie ficaram entre aqueles que melhor convenceram no seu desfile individual. Muitos outros tinham também grande valor.

Esperemos que para o ano haja mais matiné com tanta miudagem e alegria, um sinal de esperança no futuro desta pequena comunidade rural da Ribeirinha e Espalhafatos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 1 - ESPALHAFATOS

Os presépios são sem dúvida uma das formas de expressão artística e religiosa com maiores tradições nos Açores, os quais marcam presença todos os anos pela época natalícia em muitas casas e instituições destas ilhas, onde algumas das quais, como no Faial, habitualmente os colocam à disposição da visita do público.

Após ter publicado sobre o presépio dos Escuteiros da Ribeirinha, hoje mostro os expostos publicamente nos Espalhafatos, em casa de António Matos Rocha e na igreja de Santo António.

Repleto de cenas de vivência tradicional das nossas ilhas e de cena bíblicas associadas ao Natal, o primeiro presépio utiliza além de imagens de cerâmica, numerosos edifícios típicos pintados e construídos manualmente que se integram num cenário paisagístico com recurso a lavas, bagacinas, musgos, líquenes trigo germinado e ramos de plantas arbustivas e arbóreas. Uma construção detalhada das nossas vivências e tipicamente tradicional.

Não menos tradicional, mas cada vez mais escasso, são os altarinhos ao Menino Jesus, Laura Rocha assumiu a tradição e construiu o seu com os degraus típicos, cobertos de tecidos com rendas e bordados e decorados com as habituais tangerinas e trigo germinado. Uma ternura cheia de memórias de como era vivido o Natal antigamente no Faial.

A simplicidade não é oposta à beleza, na igreja de Santo António, com predomínio de material arenoso e cactos, que recordam os desertos que cercam Israel, e uma gruta em basalto cerrado cercada de musgo, dão a este presépio uma estética singular e agradável.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Freguesias rurais do Faial 11 - Ribeirinha/ESPALHAFATOS

Igreja de Santo António

Ao começar a série das freguesias rurais do Faial, comecei pela casa deste blogue, a Ribeirinha, e prometi então terminar na mesma, só que agora na sua outra localidade, os Espalhafatos. Fica cumprida a promessa e atendido o pedido de emigrantes que aqui passam para matar saudades e saber novas da sua Terra.

Rua Principal dos Espalhafatos

Enquanto a povoação da Ribeirinha se localiza no extremo nordeste do Faial, numa vertente virada a Nascente, os Espalhafatos desenvolvem-se num vale virado a Poente, a cerca de 2 Km da anterior a partir do Alto dos Espalhafatos.

Canto dos Espalhafatos

Assim, ao longo do seu desenvolvimento a povoação estendeu-se linearmente do Alto dos Espalhafatos até ao limite oeste da freguesia: o Canto, onde o vale se alarga e se funde com a vertente norte da ilha do Faial. A meia distância destes locais está a Arramada/Cruz onde se instalou a igreja dedicada a Santo António.


Canto e Alto vistos da freguesia do Salão
A povoação foi parcialmente destruída durante a crise sísmica da noite de 12/13 de Maio de 1958 e depois na sua quase totalidade em 9 de Julho de 1998, onde a igreja de construção recente e sismo-resistente foi um dos raros imóveis com danos pouco significativos e com possível reabilitação. Hoje a comunidade foi reconstruída reordenada para resistir melhor aos riscos geológicos

Zona central dos Espalhafatos vista no acesso ao Mato

Uma das curiosidade desta localidade está na origem do seu nome. No século XV a zona elevada chamava-se Alto da Ribeirinha, mas após um ataque de piratas às populações, comum na época, estas conseguiram emboscá-los e atacá-los na parte estreita do vale. Os inimigos abandonaram os seus despojos e roupas e o sítio ficou famoso por ser onde foram espalhados os fatos, daí passou a Alto dos Espalhafatos.

Nova urbanização do Alto após o sismo de 1998

Envolvido por altos relevos, que permitiam pastagens de altitude, e zonas costeiras planas com terrrenos férteis, os seus residentes viveram essencialmente da agricultura e da agropecuária, que hoje ainda subsiste, mas a grande maioria dos mais jovens desenvolve a sua actividade no sector secundário e terciário na cidade da Horta, que dista cerca de uma dúzia de quilómetros.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

9 de Julho - 12 anos após o sismo na Ribeirinha

Em memória daquela madrugada em que fúrias vindas das entranhas da terra fustigaram a nossa gente e quase não deixaram pedra sobre pedra das nossas casas.

Ribeirinha e Chã da Cruz, hoje reordenadas e reconstruídas

O sismo de 9 de Julho de 1998 despojou-nos dos nossos bens, levou-nos amigos, colocou-nos à mercê da solidariedade humana, mas não nos matou a vontade de ir em frente, nem o amor pela nossa terra.

Cruz e Canto dos Espalhafatos reerguidos do mesmo chão

Insistimos, de cabeça erguida, aqui continuar a viver, de mangas arregaçadas, neste canto arrumámos as nossas ruas e tudo ficou diferente, mas continua a ser a nossa Terra.

Nova urbanização deslocalizada no Alto dos Espalhafatos

Hoje as crianças voltaram a brincar despreocupadas nas nossas ruas e parques, sem memórias do terror de uma madrugada que hoje completa 12 anos e esperemos que as suas vidas assim continue por muitas gerações de filhos desta freguesia da Ribeirinha.

domingo, 23 de maio de 2010

ESPÍRITO SANTO NOS ESPALHAFATOS 2010

Este blogue sempre acompanha as tradicionais festas do Espírito Santo na freguesia, este ano começa por apresentar a Coroação realizada no Império dos Espalhafatos, tendo em conta que o Império Central irá levantar o dia de serviço apenas a Terça-Feira.

Cortejo completo da coroação a dirigir à igreja, vendo-se os foliões do Espírito Santo em primeiro lugar, depois o estandarte, a que se seguem as coroas e ao fundo a filarmónica.

Pormenor dos quadros das coroas no cortejo em direcção à igreja.

Os mordomos deste ano com as insígnias da irmandade do Espírito Santo dos Espalhafatos.

A Filarmónica da Ribeirinha

Pormenor dos foliões dos Espalhafatos.

A segunda mesa das sopas do Espírito Santo na coroação dos Espalhafatos de 2010.

Aproveito ainda para informar que a Irmandade dos Espalhafatos está a angariar fundos para reconstruir o seu império, destruído durante o sismo de 9 de Julho de 1998, pelo que as sopas foram servidas num imóvel pré-fabricado de apoio aos sinistrados da catástrofe de então.

Intencionalmente utilizei na descrição a gíria associada a estas festividades, pois também faz parte da cultura tradicional desta terra

domingo, 14 de março de 2010

PROJECTO LIMPAR PORTUGAL - Ribeirinha, Faial

É já no próximo sábado, dia 20 de Março que arranca a acção em todo o país do Projecto Limpar Portugal - PLP- e como não poderia deixar de ser, existe um núcleo PLPFaial e há grupos de voluntários para todas as freguesias da ilha e a Ribeirinha não fica de fora desta iniciativa.

O Blogue Geocrusoe junta-se à iniciativa, bem como o seu autor, que irá acompanhar a acção nas nossas duas localidades com o apoio da Junta de Freguesia e do Chefe do Agrupamento de Escuteiros 973 da Ribeirinha, além de instituições exteriores como a Câmara Municipal, a Direcção Regional do Ambiente e Operadores de Resíduos, entre outros.

Contamos com a colaboração de todos aqueles que gostam desta freguesia e a querem ver mais limpa.

Local de encontro:
Sábado dia 20 de Março às 8:30 h junto ao Polivalente da Ribeirinha



Já foi efectuado um primeiro levantamento dos locais onde existe lixo na Riberinha, temos uma rede de locais de acolhimento do lixo e um sistema de transporte já assegurado, apesar de não estarmos muito mal, podemos melhorar ainda com o contributo de todos os voluntários da Ribeirinha e dos Espalhafatos, para tal comuniquem as vossa disponibilidade de cooperar à Junta de Freguesia, ao Chefe do Agrupamento de Escuteiros ou a mim, podem inclusive deixar mensagem neste blogue.

Se é um Ribeirinhense responsável, dê o seu contributo e junte-se a nós.
Se tem conhecimento de algum depósito ilegal de lixo comunique connosco o mais breve possível.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL DA PEQUENADA na Ribeirinha

Hoje aconteceu a tradicional matiné para a pequenada, várias dezenas de crianças transformadas em cupidos, morangos, médicos, madeirenses, princesas, polícias, piratas, cowboys, sevilhanas, zorros, cozinheiros e outros heróis do cinema encheram de novo o salão de festas da Casa do Povo.

Não foi fácil ser júri, nem sei quem mais se divertiu, se os pais, se os filhos, mas no meio de tanta música e correrias duas coisas eram evidentes: a importância destes convívios para fortalecer os laços da comunidade e o elevado número relativo de crianças, um sinal de esperança no futuro da Ribeirinha e dos Espalhafatos.

Carnaval da Ribeirinha: Fantasias, mascarados e bailes

Tudo é caseiro, não envolve grandes verbas, mas as gentes da Ribeirinha e dos Espalhafatos gostam da folia carnavalesca e por isso fantasias, críticas sociais, mascarados e bailes pontuam estes dias nesta terra rural do Faial.

O polícia de Carnaval conseguiu mesmo fazer-se obedecer a alguns condutores menos atentos e vindos do exterior para ver o Corso entre os Espalhafatos e a Ribeirinha...

Claro que em terra de agricultores os cavalos nunca faltam ao Carnaval, inclusive montados por egípcios de outras épocas...

Polícias modernos e ladrões fardados à moda antiga convivem alegremente nestes dias em plena liberdade.

A crítica de acontecimentos e a pessoas locais também se habituou à vir à folia e ninguém leva a mal nestes dias.

Há já algum tempo que os mascarados locais optaram por encarnar objectos e outras situações, assim desde uma sanita...

...a um anão, entre outros muitos tiveram lugar nos bailes da Ribeirinha...

Apesar da crise, alegria não faltou, apenas escasseou espaço para tantos foliões, fantasias, mascarados ou simplesmente aqueles que vieram nos trajes do dia-a-dia, mas despidos das preocupações quotidianas.

Esta foi uma amostra, nunca é possível mostrar tudo, hoje o Carnaval da Ribeirinha prossegue com a festa para a pequenada...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

DOCE E CALÓRICO CARNAVAL RIBEIRINHENSE

Simples, alegre, divertido, familiar, satírico e calórico são alguns atributos do Carnaval da freguesia da Ribeirinha na ilha do Faial.

Tanto em casa com os doces típicos do Carnaval Faialense: Fofas, Coscorões (estaladiços ou de massa mais tenra) e Filhoses...

Como nas festas mais ou menos públicos dos Assaltos, Corso Carnavalesco com desfile de Carros Alegóricos, Cavalos e Burros.

A comida está presente e enquanto se participa ou se observam as manifestações carnavalescas, em pouco tempo... todos juntam o prazer do riso ao prazer de comer!

É literalmente doce o Carnaval na Ribeirinha e nos Espalhafatos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

21 DE SETEMBRO DIA DA FREGUESIA DA RIBEIRINHA


Vista geral da localidade da Ribeirinha que deu o nome à freguesia

À época das descobertas e do povoamento dos Açores, em virtude da forte ligação Igreja - Estado, a formação de freguesias estava intimamente ligada à criação de paróquias, por isso não admira que entre os registos mais antigos da Ribeirinha esteja também os da elevação desta comunidade à categoria de Paróquia de São Mateus e que, recentemente, os seus autarcas tenha instituído a data de 21 de Setembro, dia em que os cristãos celebram este apóstolo cristão, como o DIA DA FREGUESIA DA RIBEIRINHA.

Espalhafatos, uma das localidades da freguesia e a sua igreja de Santo António

Assim e pela primeira vez, esta comunidade irá celebrar institucionalmente o Dia da Freguesia, com cerimónias oficiais que envolvem actividades religiosas e civis evocativa da data. Estas últimas concentradas junto ao edifício Polivalente da Ribeirinha, sede da Junta de Freguesia, Casa do Povo e serviços médico-sociais desta comunidade.

Edifício Polivalente, sede da Junta de Freguesia

Após anos de análises de propostas para símbolos heráldicos e apreciação por várias entidades competentes na área, finalmente chegou-se a uma versão final destes, os quais: brasão, bandeira e selo; serão apresentados oficialmente nestas cerimónias, cujos pormenores técnicos e representativos serão divulgados igualmente hoje.

Brasão da Ribeirinha

Aqui fica o brasão sobre as cores de fundo da bandeira, cuja simbologia, para os Ribeirinheses é fácil de entender: as estrelas são as suas duas localidades: Ribeirinha e Espalhafatos; o farol representa a memória do principal marco da freguesia criado no século XX; a ribeira está na origem do nome e é marginada pelo verde dos seus terrenos, a fertilidade destes é o ouro da zona que e fica expressa pela cor amarela, tudo isto envolto por um mar azul onde os navegadores são orientados pela luz que sai de junto do ainda ex-libris desta comunidade.

(Clique nas imagens para as ampliar)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

POETAS E POEMAS ESCOLHIDOS VIII - Paulo Freitas

O bobo de Coria (Velasquez), imagem daqui

Eu serei breve:
brevemente demorado.
Não sei...
Eu serei leve e pesado.
Amor, eu serei...
serei eu talvez perdidamente.
Perdidamente alucinado!
Eu não serei mais que alucinado, vês?!
Não sei!
Deixa-me ser louco.
Serei teu pouco a pouco;
de uma só vez!
Amor... Completamente.

in "Amores de Raiva"
Ed. do Autor 1999