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segunda-feira, 7 de abril de 2008

A CALDEIRA DO FAIAL vista do interior

Há dias que me apetece recordar e fui ver as fotos de um dia de trabalho-de-campo ao fundo da Caldeira, no Verão de 2004, para prospecção de dióxido de carbono destinada à tese de um mestrando amigo meu. Ficou a reportagem desta estrutura vulcânica a partir do seu interior, que raramente se conhece.

O domo traquítico do Altar junto ao bordo sul da Caldeira. (clique na foto para a ampliar)


A zona de lagunas, altamente afectada durante a erupção do vulcão dos Capelinhos, onde fissuras e explosões reduziram drasticamente o volume de água armazenado. Este espaço forma ainda o ecossistema de um coberto vegetal muito próprio e com um colorido que se destaca da envolvente. (clique na foto para a ampliar)


As peredes nordeste da Caldeira, com cicatrizes resultantes de escorregamentos ocorridos durante o sismo de 9 de Julho de 1998, em primeiro plano o depósito de enxurradas dos materiais movimentados na mesma data em torno do Altar.


Um cone basáltico no interior da Caldeira, mostrando a eventual ligação da falha do Complexo Vulcânico do Capelo a esta estrutura geológica do Complexo Vulcânico dos Cedros. (clique na foto para a ampliar)


O bordo sudeste da Caldeira, onde se encontra o Cabeço Gordo, a elevação mais alta do Faial (1043 m) encimada por várias antenas de telecomunicações.

NOTA: O interior da Caldeira é uma zona de acesso um pouco difícil, com alguns riscos associados, além de ser uma área de reserva natural, pelo que uma visita ao seu interior, caso se justifique, deve ser previamente solicitada aos Serviços de Ambiente da Ilha do Faial.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Vídeo de formação de uma caldeira vulcânica

Apesar de existirem algumas diferenças no modo de formação de Crater Lake, o vídeo, provavelmente traduzido para ou por uma escola portuguesa, ilustra um dos mecanismos mais comuns de formação de caldeiras: o abatimento do cone devido ao esvaziamento da câmara magmática.
No vulcão dos Cedros o diâmetro da câmara magmática deveria ser pouco extenso e um dos mecanismos significativos na formação da caldeira terá sido a própria cicatriz deixada pela energia associada à grandeza das explosões... mas é normal que os abatimentos tenham tido também alguma importância.
Quanto ao facto da caldeira do Faial não ter uma lagoa, tal deve resultar, sobretudo, da jovialidade do seu fundo. Ainda não se formou uma camada impermeável de argila suficientemente espessa para reter a água e, sobretudo, porque as fissuras que lá existem nas rochas ainda não foram colmatadas com o tempo... lembre-se que a última pequena explosão no seu interior foi em Maio de 1958.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

HISTÓRIA GEOLÓGICA DO FAIAL V - Formação da Caldeira

Eis como nasceu uma das estruturas mais belas do Faial!
Provavelmente ainda com erupções vulcânicas pertencentes à Formação de Almoxarife, eis que há cerca de 16.000 anos o Vulcão Poligenético dos Cedros reentrou em erupção, de uma forma altamente explosiva e durante os últimos milhares de anos parece ter repetido estas de fúrias pelo menos 14 vezes.
Algumas destas explosões foram tão intensas que expulsavam da cratera fragmentos de magma a grande temperatura que ao cairem cobriram grandes extensões do Faial com pedra-pomes. Uma rocha granular, normalmente clara, cujos grãos são muito porosos e flutuam na água (foto imediatamente acima e abaixo).
Outras vezes as explosões tiveram tanta energia que pulverizavam o próprio magma expelido da cratera e que se depositou em muitos lugares da ilha como um pó a que os geólogos chamam de cinza vulcânica.
Há cerca de mil anos as explosões fizeram escoar núvens de gotícolas de magma sobre muitos vales da ilha, com destaque para os Cedros - Ribeira Funda, Pedro Miguel - Praia do Almoxarife e Flamengos.As gotículas e lava nos vales denominadas de núvens ardente cobriram a floresta de então com dezenas de metros de cinza, pedra-pomes e areia, deixando no sei interior troncos de árvores queimados, uma espécie de carvão natural e que ainda hoje parece actual. À rocha assim formada os geólogos chamam ignimbrito e a sua origem podem destruir cidades inteiras em segundos, como São Pedro da Martinica e Plymouth respectivamente no início e final do século passado.
Como resultado destas explosões o centro do vulcão foi desmantelado e a cratera alargou-se e transformou-se numa estrutura de beleza impar, cujo nome técnico e popular se estendeu para além dos Açores - CALDEIRA - assim nasceu a Caldeira do Faial! (clique para ampliar)
Desde então, talvez pouco antes dos portugueses pisarem o Faial pela primeiroa vez, uma pequena erupção ocorreu no seu interior e formou-se um cone vulcânico na base da Caldeira, provavelmente sinal de um outro vulcanismo que já estava igualmente a nascer no Faial.
Na noite de 12 para 13 de Maio de 1958 uma pequena explosão no fundo da Caldeira cobriu o seu interior de uma fina camada de cinza... talvez para nos lembrar que o Vulcão dos Cedros e que nós faialenses chamamos de Vulcão da Caldeira pode estar a dormir, mas não morto.

Curiosamente a pedra-pomes destas explosões por vezes chegaram à ilha de São Jorge, transportadas pelo vento, mas parece que a nossa ilha irmã do Pico nunca foi tocada por estas fúrias, talvez sinal da fraternidade destas duas ilhas que geologicamente parecem siamesas.
Apesar de tudo os faialenses devem saber que o início de uma erupção é sempre vigiado pelo Centro de Vulcanologia e por isso podem dormir descansados que alguém vigia o vulcão 24 horas por dia...
A tese de doutoramento de PACHECO, J. (2001) – "Processos associados ao desenvolvimento de erupções vulcânicas hidromagmáticas explosivas na ilha do Faial e sua interpretação numa perspectiva de avaliação do hazard e minimização do risco"... é uma das fontes deste e de outros posts deste blog.