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terça-feira, 22 de maio de 2018

Mordomo das Festas do Espírito Santo

As coroas em 2012

Já várias vezes falei neste blogue da maior festa religiosa tradicional dos Açores, comum a todas as ilhas do Arquipélago que se realiza sempre no domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa): as festividades em louvor do Divino Espírito Santo, mas que duram três dias no Faial, Pico e São Jorge e que há década têm oficialmente associado, na segunda-feira, o dia da Região Autónoma dos Açores.

Foto de grupo como mordomo em 2012

Sendo uma celebração religiosa de raiz popular, esta tradição de séculos tem como cerne o culto do Espírito Santo, simbolizado por uma coroa encimada por uma pomba, sendo os festejos organizados por irmandades de leigos, cuja sede se chama império, com os seus estandartes e bandeiras. O elemento que num dado dia assume a organização do festejos chama-se Mordomo, nesta terça-feira de 2018 assumo eu esta tarefa em representação de minha mãe, as celebrações, além de atos litúrgicos como missa e procissão, envolvem distribuição de esmolas, organização de uma refeição de sopas de caldo de carne e pão (Sopas do Espírito Santo), arroz doce e outras iguarias típicas, além de atividades lúdicas organizadas pela direção da irmandade.

Refeição em 2012 na irmandade do Império Amarelo da Ribeirinha

No histórico de Geocrusoe encontrarão muitos outros posts sobre esta celebração de séculos que os Açorianos já exportaram para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina no Brasil, Nova Inglaterra e Califórnia nos EUA, Ontário e Colúmbia Britânica no Canada, entre outras partes do mundo. Se quiser saber mais consulte aqui símbolos, aqui sopa, aqui estandarte, aqui ritos religiosos, aqui impérios, aqui lendas. Pode igualmente clicar na etiqueta "Espírito Santo" onde haverá mais dissertações sobre o tema.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Festas do Espírito Santo

 As Festas em Louvor do Espírito Santo são sem dúvida as maiores festividades religiosas e populares dos Açores.
Realizadas em todas as comunidades de Açorianos, urbanas, rurais ou diáspora, são organizadas sobretudo pelas pessoas que assumem promover as festas na sua terra e com todos os trabalhos a isso associados.
Mergulhado na tradição e sendo cristão, não fujo a este contributo e 2012 cabe-me a mim ser o mordomo das festas no Domingo de Pentecostes na freguesia da Ribeirinha.

Para mais informações sobre esta tradição, consultar a etiqueta deste blogue: Espírito Santo

domingo, 12 de junho de 2011

Espírito Santo a festa dos Açores

As coroas das irmandades do lugar da Ribeirinha

Hoje, 50 dias após a Páscoa, é Domingo de Pentecostes, o dia da celebração da festa mais importante e abrangente da cultura tradicional dos Açores que se estende por todas as ilhas e diáspora Açoriana, desde Lisboa ao Canadá, descendo até ao Brasil e sem esquecer as marcas que deixou no longínquo Havai.
Ao longo dos anos Geocrusoe tem explicado esta tradição, desde a simbologia da Coroa, ao Estandarte, às sopas, aos impérios e muito mais, tudo a coberto da etiqueta Espírito Santo.
Esta é a festa Açoriana que une o temor pelas forças da natureza à fé na protecção do Divino, onde a crença, as lendas e a ciência se cruzam e talvez por isso a Geologia seja uma ciência tão respeitada nestas ilhas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Império do Faial à moda antiga

Império do Cascalho - Cedros

O presente modelo arquitectónico de império do Espírito Santo já escasseia no Faial, mas foi muito comum na ilha. Na Ribeirinha as sedes de todas as irmandades já foram deste tipo, primeiro foi o Império Amarelo que foi desviado e reconstruído para alargamento da rua na década de 30 do século XX, tornando-se então num corpo único e com a fachada principal virada para a via, depois foi o sismo de 1998 que destruiu os que ainda respeitavam esta traça: Império Vermelho e o dos Espalhafatos.
Este modelo desenvolvia-se em paralelo com a rua, possuía um edifício com um altar para a coroa e sala de refeições e era o "Império" propriamente dito, sempre virado para um pátio "arramada" onde se realizavam os arraiais e com espaço para a banda de música, no seu outro extremo um edifício "copeira" composto por uma cozinha e por vezes uma área de refeições, completava o conjunto.
O império do Cascalho é neste momento uma relíquia do passado que importa preservar.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Império do Espírito Santo - Santo Antão

Clique na imagem para a ampliar

A deambular por ruas da freguesia de Santo Antão, na ilha de São Jorge, em explorações de fim-de-semana e destinadas a conhecer todos os cantinhos desta bela ilha, a que estou muito ligado, eis que o final de rua desemboca defronte deste amoroso Império, com a sua coroa do Espírito Santo na fachada em alto relevo.
Uma beleza de arquitectura tradicional semirreligiosa dispersa pelo campo, tudo isto é património e cultura açoriana que importa preservar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

ESPÍRITO SANTO NA RIBEIRINHA 2010

Em atenção de todos os Ribeirinhenses dispersos pelo mundo, aqui vai a foto-reportagem do serviço do Espírito Santo hoje no Império Amarelo.

A acto de coroação dos mordomos no Centro de Culto, devido à inexistência de igreja desde o sismo de 1998 nesta localidade.


O cortejo da Coroa entre o Centro de Culto e o Império Amarelo.

Cerimónia ao império de homenagem da filarmónia aos mordomos e às insígnias, este ano a festa foi assumida novamente por um jovem casal, o que permite ter esperança na continuidade desta tradição cultural e religiosa dos Açores.

A primeira mesa de almoço com as tradicionais sopas do Espírito Santo, realizadas dentro do império e perante as coroas da irmandade.

TERÇA-FEIRA DO ESPÍRITO SANTO

As festas do Espírito Santo no Faial, Pico e São Jorge são três dias consecutivos, Domingo, Segunda e Terça-feira. Hoje, na Ribeirinha o serviço fica a cargo da Irmandade do Império Central da Ribeirinha, igualmente conhecido por Império Amarelo, embora presentemente seja branco com molduras na sua cor mais tradicional.
Amanhã regressa-se à normalidade enquanto se espera pelo Domingo da Trindade a cargo da Irmandade do Império Vermelho.

domingo, 23 de maio de 2010

ESPÍRITO SANTO NOS ESPALHAFATOS 2010

Este blogue sempre acompanha as tradicionais festas do Espírito Santo na freguesia, este ano começa por apresentar a Coroação realizada no Império dos Espalhafatos, tendo em conta que o Império Central irá levantar o dia de serviço apenas a Terça-Feira.

Cortejo completo da coroação a dirigir à igreja, vendo-se os foliões do Espírito Santo em primeiro lugar, depois o estandarte, a que se seguem as coroas e ao fundo a filarmónica.

Pormenor dos quadros das coroas no cortejo em direcção à igreja.

Os mordomos deste ano com as insígnias da irmandade do Espírito Santo dos Espalhafatos.

A Filarmónica da Ribeirinha

Pormenor dos foliões dos Espalhafatos.

A segunda mesa das sopas do Espírito Santo na coroação dos Espalhafatos de 2010.

Aproveito ainda para informar que a Irmandade dos Espalhafatos está a angariar fundos para reconstruir o seu império, destruído durante o sismo de 9 de Julho de 1998, pelo que as sopas foram servidas num imóvel pré-fabricado de apoio aos sinistrados da catástrofe de então.

Intencionalmente utilizei na descrição a gíria associada a estas festividades, pois também faz parte da cultura tradicional desta terra

sábado, 22 de maio de 2010

FESTA DOS ESPÍRITO SANTO E AÇORIANIDADE


50 dias após a Páscoa arrancam em todas as ilhas, freguesias rurais, vilas e cidades açorianas as festas em louvor do Espírito Santo, o modo que os ilhéus deste Arquipélago adoptaram para invocar a protecção divina contra os riscos naturais a que os Açores se encontram expostos.
Após um passado contencioso com a hierarquia da Igreja, a qual tentou controlar e assumir a liderança da festa do Pentecostes, hoje por norma já é aceite por esta a forma que o povo tem de expressar a sua fé neste dia do calendário religioso, embora ainda por vezes com alguma renitência.
Na verdade, a fé do Povo Açoriano no Espírito Santo foi maior que a sua capacidade de se sujeitar aos ditames do clero. Assim em cada ilha, o Povo, com algumas variáveis, adoptou a partilha da carne, do pão e do vinho como meio de agradecer a Deus e invocar a protecção Divina, sendo esta festividade expressão mais genuína e generalidade da açorianidade que, inclusive, se estende pela Diáspora Açoriana.
O modo de organizar estas festividades no Faial, com destaque para a Ribeirinha, já se encontra descrito no Geocrusoe a coberto da etiqueta Espírito Santo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO NOS ESPALHAFATOS e RIBEIRINHA 2009

Não há recanto nos Açores que no Domingo de Pentecostes não celebre a Festa em louvor ao Divino Espírito Santo e nas duas localidades da Ribeirinha a força desta tradição religiosa, de iniciativa popular, continua viva.

A coroa da Irmandade do Império Central da Ribeirinha (obra em prata do sec. XIX) esteve exposta no altar durante o almoço.

A refeição é oferecida pelo(s) organizador(es) das festas, um ou vários irmãos que assume(m) essa função ou promessa de modo rotativo ao longo dos anos, designado(s) por mordomo (s) ou imperador(es).

Estandarte no cortejo da Irmandade do Divino Espírito Santo dos Espalhafatos (IDESE) ao chegar à igreja de Santo António.

Entrada e recepção da coroa da IDESE na igreja nos Espalhafatos

Músicas dos Foliões dos Espalhafatos, são escassas as participações femininas nesta forma de expressão cultural.

Aos Foliões compete entoar canções em louvor ao Espírito Santo nos cortejos entre a casa do mordomo, a igreja e o local das refeições. No início e fim do almoço entoam também outras canções de acção de graças pela comida e de agradecimento ao imperador que organiza as festividades nesse dia, é uma das expressões de cultura tradicional mais originais destas festas.

Filarmónica da freguesia continua viva e no arraial, após o almoço na Ribeirinha, abrilhantou a festa.

As filarmónicas são responsáveis por outra expressão musical intensamente associada aos festejos do Espírito Santo, nestes arraiais fazem-se leilões (arrematações) de oferendas dos irmãos a favor da sede da irmandade, os Impérios como se chamam no Faial.
Este ano, devido à acústica do espaço, o programa apresentado e, sobretudo, pela boa interpretação, a filarmónica cativou os presentes que foi presenteada com numerosos aplausos e justificando o carinho que esta entidade cultural merece.

sábado, 30 de maio de 2009

PENTECOSTES: A festa do Povo Açoriano

Neste Domingo em todos os Açores - estendendo-se para Segunda e Terça-Feira no Triângulo Faial, Pico e São Jorge - decorrem as festas em louvor do Espírito Santo, a devoção que une todos os açorianos das noves ilhas e comunidades emigrantes no Continente, Canadá, Estados Unidos, Brasil e quiçá onde mais.

As três coroas das duas irmandades da zona da Ribeirinha e respectivos estandartes à direita

No passado falei duas vezes dos símbolos e depois continuei com as festas, as tradições, os impérios e as lendas ligadas a estas manifestações religiosas tradicionais...
Hoje fica aqui apenas a memória e a ideia de que o Espírito actua onde quer, como quer e quando quer. O Povo Açoriano sempre sentiu que o Divino estava com ele nos seus momentos mais difíceis e mesmo quando alguns não vêem ou não querem, a Fé desta gente vem ao cima e percebe-se a presença e o significado do Espírito Santo no seio desta gente...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

ESPÍRITO SANTO - VS GEOLOGIA E LENDAS

Neste fim-de-semana completam-se 50 dias após a Páscoa e celebra-se no cristianismo o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, o Paráclito (o advogado dos homens enviado por Deus). A festa mais característica do Cultura Açoriana, não só por ser de cariz religioso, mas sobretudo por, expontaneamente, partir do povo de todas as ilhas e freguesias do Arquipélago e com tal intensidade que foi imposta ao clero nos moldes definidos pelos ilhéus e não o inverso.



A força das festas do Espírito Santo radica na necessidade do Açoriano ter um protector ou defensor contra os sismos, vulcões e intempéries, pelo que talvez seja esta a celebração religiosa em Portugal mais marcada pelos condicionalismos geológicos do que qualquer outra, por isso não admira que em paralelo circulem os numerosos "milagres" que justificavam o agrado do Divino perante esta oferenda do Povo.

A festa do Espírito Santo é sobretudo uma celebração da esmola e da partilha de alimentos, não só pelos mais necessitados, mas também pelos que estão mais próximos, os habitantes da mesma localidade e os amigos. São organizadas através instituições - irmandades, que entre si e num sistema diversificado seleccionam o irmão que organiza a festa em cada ano.


O Espírito da Santo é simbolizado por uma coroa imperial e um estandarte, a festa é precedida pela dádiva de esmolas (num ambiente mais privado) no dia ou na véspera, prossegue com um cortejo da casa do organizador da festa - mordomo, em direcção à igreja, onde é, frequentemente, invocado o Espírito para protecção através da imposição da coroa sobre o mordomo ou familiar.

Terminada a cerimónia religiosa segue o cortejo novamente para o local sede da irmandade - o Império, embora noutras ilhas possa possuir outros nomes como Treato (3 actos, de 3 dias de festas ou terceira pessoa da Trindade).

No império a coroa é colocado no altar e o mordomo serve uma refeição a todos os membros da irmandade e convidados em louvor do Divino, com Sopas do Espírito Santo, cujo corpo central da receita é comum às várias ilhas, massa sovada (uma espécie de pão doce rico em ovos, limão, especiarias e manteiga), arroz doce e vinho, a festa pode prosseguir com os arraiais típicos das festas rurais.
Relatos de correntes de lava que se desviaram perante a exposição da coroa do Espírito Santo, escoadas lávicas que bifurcaram de modo a manter vivo o gado destinado às esmolas e às sopas, crises sísmicas que não afectaram os locais onde se encontrava a coroa, milagres de multiplicação das sopas de mordomos perante um número inesperado de presenças e protecções asseguradas contra o galgamento do mar em tempestades devido à intervenção Divina, abundam em todas as ilhas, alguns casos facilmente explicáveis, outros nem por isso, histórias que misturam a lenda com a realidade do passado que mantém viva a fé neste culto, mas sobretudo que importa recolher e guardar por fazerem parte do Património Imaterial da Cultura Açoriana.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO VI - Contrastes além fronteiras

O meu colega da Escola Secundária da Horta, o picoense Zé Duarte, emigrado para as terras do Tio Sam, onde anima as comunidades lusoamericanas com as canções que compõe e interpreta, arte que lhe está nas veias e que já nos animava na escola, enviou o endereço do seu site onde mostra numerosas fotos das Festas do Espírito Santo em San Diego, realizadas no passado Domigo da Santíssima Trindade.
Face ao elevadíssimo interesse que os posts destas festas despertaram, sobretudo além mar, não resisto em colocar uma ligação à página do Zé Duarte, mas primeiro chamo à atenção para o contraste da sobriedade das festas cá na terra e a riqueza e diversidade destas festas realizadas pelos emigrantes em San Diego.
Ricas ou pobres, cá ou noutras partes do mundo, o certo é: onde há Açorianos, há a devoção ao Divino Espírito Santo, o símbolo que mais identifica e une a alma deste povo ilhéu.

domingo, 27 de maio de 2007

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO V - Coroação e Cortejo

Hoje, Domingo de Pentecostes, fecho o ciclo das Festas do Espírito Santo, na Ribeirinha do Faial em especial e nos Açores em geral, com a apresentação de dois dos momentos religiosos associados a estes festejos, sobretudo de iniciativa popular.

A Coroação, realizada no final da missa da Festa, onde o Mordomo, ou um mais dos seus familiares são coroados pelo Sacerdote, com a Coroa do Espírito Santo, uma forma de invocar a Protecção e a Benção divina sobre quem recebe a coroa e seus parentes.

O outro acto religioso típico são os Cortejos ou Procissões que se realizam entre a casa do mordomo que organiza a festa e a igreja para a celebração da missa da festa e depois entre a igreja e o império.


Embora com variantes no tempo e no lugar, o mordomo é escolhido através de um sistema rotativo ou, nalguns casos, por sorteio entre os irmãos da irmandade de um dado império, mais raramente também existem promessas resultantes de uma pessoa em particular que prometeu organizar um festejo em louvor do Espírito Santo num momento de dificuldade, podendo ser irmão ou não.

sábado, 26 de maio de 2007

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO IV - o Império

O imóvel onde se situa a sede de cada irmandade do Espírito Santo chama-se, no Faial, Império.

Existem diversos estilos, embora sempre com uma coroa do Espíriton Santo no alçado principal, sendo três as tipologias arquitectónicas mais comuns:

Tipologia 1 - Corpo único, rectangular, semelhante a uma capela e onde no seu existe pelo menos uma sala de refeições com um altar e divisão correspondente a uma cozinha, por vezes o altar fica separado numa terceira divisão junto à entrada principal - Exemplo: Império Central da Ribeirinha ou Império Amarelo. (clique para ampliar)

Tipologia 2 - Corpo único de pequenas dimensões, raramente mais de 9 m2, no seu interior existe apenas uma divisão com o altar - Exemplo, império da Lombega, freguesia de Castelo Branco, zona sul do Faial.

Tipologia 2 - Império na Estrada Regional, Freguesia de Castelo Branco


Há uma terceira tipologia de impérios, divididos em dois edifícios, normalmente separados por um pátio (arramada), sendo um dos imóveis em forma de capela, onde o alçado principal está virado para a arramada e não para a estrada, este possui uma divisão com o altar e nalguns casos a sala de refeições, no outro imóvel situa-se obrigatoriamente a copa, podendo nesta coexistir uma sala de refeições. Os impérios com esta tipologia, Império Vermelho e o Império dos Espelhafatos foram significativamente destruídos na Ribeirinha, sobrando a copa do Vermelho.
Brevemente uma foto de um império desta tipologia noutra localidade do Faial.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO III - As sopas

A manutenção da devoção ao Espírito Santo, deve-se à necessidade das famílias pedirem protecção ao Divino contra as fúrias da terra: Ventos ciclónicos, chuvas diluvianas, maresias e, sobretudo, sismos e vulcões.
Para garantirem protecção, as famílias mais abastadas implementaram um sistema de distribuição de alimentos aos menos abastados pelo Pentecostes e em louvor do Esírito Santo, pelo evolução social, esta prática generalizou-se por quase todos e hoje, praticamente, a maioria dos açorianos, de uma maneira ou outra, estão envolvidos nestes festejos.
A devoção ao Espírito Santo celebra-se sobretudo através da doação de pão, carne e vinho aos pobres, mas tem o seu auge na organização das refeição, oferecida à maioria das populações locais, com as tradicionais Sopas do Espírito Santo.
Abaixo os preparativos das sopas do Espírito Santo e o despojos da festa, que se quer sempre lembrada pela abundância da oferta de quem a organiza, o Mordomo.

Os tachos ao lume a cozinhar durante a noite as tradicionais sopas que serão servidas na manhã seguinte

Os chefes de cozinha a temperarem e a controlarem a situação ao longo da madrugada

São os membros da cozinha os últimos a comerem a sua refeição, após centenas de pessoas terem sido servidas

A abundância que faz sobrar por norma comida para muito mais

Na Ribeirinha a refeição é tradicionalmente composta por um caldo de carne de uma ou mais vacas, disponibilizada(s) pelo mordomo, que é colocado sobre pão de trigo (tipo açorda) acompanhada da carne cozida, repoulho, couves, fígado de vaca aromatizados com hortelã e endro e a sobremesa é arroz doce. Paralelamente existe ainda a acompanhar a refeição um pão doce caseiro, rico em ovos e aromatizado com erva-doce, limão, aniz e noz-moscada (vestígios da rota marítima das especiarias) cujo nome é Massa Sovada, pela forma como é preparada.
A bebida tradicional é o vinho do pico (morangueiro desde o século XIX), embora hoje também sejam servidos refrigerantes e vinho de mesa comum.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO II - Estandarte

Tal como a coroa tem muito de símbolos do poder real e não há reino que não tenha a sua bandeira para hastear nos seus espaços ou um estandarte para os desfiles, também não à colectividade em honra do Divino Espírito Santo, que se chamam irmandades como a maioria das instituições religiosas em torno de uma devoção específica, que não tenha o seu Estandarte.

Os 3 estandartes em uso na Ribeirinha, montados para o cortejo religioso (clique se para ampliar foto)

Os Estandartes por norma são vermelhos, para representar o fogo, um símbolo do Espírito de Deus, já bem evidente na sarça ardente no tempo de Moisés e retomado na descida do Espirito Santo sobre os apóstolos encerrados com medo do judeus, como relata o livro dos Actos dos Apóstolos no Novo Testamento, onde Ele desce sobre a forma de línguas de fogo, 50 dias após a ressurreição (Pentecostes), data em que a Igreja sai à rua e inicia a evangelização dos povos. Também podem ser branco, símbolo da pureza do Espírito Divino.
Todos os estandartes têm uma pomba a representar o Espírito Santo, de onde frequentemente divergem vários raios de luz. Depois a decoração varia, sendo frequente a flor-de-lis (outro símbolo associado a realeza, por norma francesa) e línguas de fogo, cuja explicação consta acima.


Um estandarte na Ribeirinha com a maioria dos símbolos descritos e num momento de preparação do cortejo em 2006.
(clique para ampliar a foto)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO I- Simbologia da Coroa

No próximo fim-de-semana decorrerão as festas em louvor do Espírito Santo, as celebrações mais características dos Açores, que se estendem a todas as ilhas e freguesias da Região.
Embora sejam festas de cariz religioso, desenvolveram-se ao abrigo de um braço de ferro entre a hierarquia da Igreja Católica e a fé popular, foi esta facção, devido ao seu forte enraizamento nas pessoas, quem venceu.
Por isso, nestas festas coexistem rituais tradicionais de cariz folclórico, como os foliões, e uma mistura de símbolos de raiz cristã, com outros de poder secular.
Abaixo estão as três coroas das irmandades da localidade da Ribeirinha, cheias desta mistura como passo a evidenciar.

Clique na foto para a ampliar e ver os pormenores descritos

A coroa central é a mais antiga e data do final século XIX, todavia comum a todas elas o seguinte:

Coroa com hastes, as mais antigas têm quatro, simbolo de poder imperial, uma forma de reconhecer ao Espírito Santo o poder máximo, o título de imperador.

Na junção das hastes há sempre uma Esfera encimada por uma Pomba, representando o domínio do Espírito Santo sobre a Terra e sobre o próprio poder imperial.

Junto a cada coroa há um bastão chamado Ceptro, o mesmo nome do bastão utilizado pelos monarcas, outro reconhecimento de autoridade real.

O ceptro tem na sua extremidade superior uma pomba, novamente um símbolo de realeza e hierarquia reconhecido ao Espírito Santo.

Algumas coroas sobre as hastes ostentam também uma Cruz, um sinal da ligação entre a fé no Espírito Santo e a fé em Cristo.

Uma particularidade no nordeste do Faial, onde se situa a Ribeirinha, é a existência de uma imagem de Santo António esculpida no Ceptro, uma mistura da fé em Deus e reconhecimento da intercessão do santo popular deste país. Patrono da localidade dos Espalhafatos da freguesia da Ribeirinha.

Nos próximos dias procurarei entre o apoio às festas e o tempo livre procurarei dar mais informações sobre a forma de como se expressa esta devoção pelos lados da Ribeirinha e da simbologia associada.

terça-feira, 10 de abril de 2007

VALORES EM EXTINÇÃO

Nesta ilha, épocas houve em que a falta de dinheiro não impedia a construção, preservação e recuperação de imóveis dos espaços públicos e o nosso património estava bem conservado. Estas tarefas eram então desempenhadas em regime de voluntariado e por iniciativa das próprias pessoas que residiam nas nossas comunidades... Depois as iniciativas colectivas foram sendo abafadas pelo comodismo e este alimentado por dinheiro público das entidades. Estas últimas, muitas vezes para assegurar a manutenção dos cargos dos seus titulares de uma forma relativamente fácil, passaram a assumir as tarefas que o espírito de colectividade e de cooperação antes existente desenvolvia. Criando regimes de pagamento desnecessários para os serviços ao bem-comum e à colectividade.
O regime de voluntariado para as causas entrou em crise e está em extinção, mas importa mostrar exemplos em que ainda perduram, para ver se volta a reproduzir-se e a instalar-se na nossas colectividades de forma a que o marasmo em que muitos hoje vegetam termine e os frutos do dinamismo social regressem.
A fase final de reabilitação do Império Central da Ribeirinha foi disso um exemplo.
Os irmãos, graciosamente, deitam mãos à obra de reabilitação do Império.

O exterior estava igualmente num estado lastimoso


Mas o voluntariado arregaçou as mangas e pegou nos pincéis.


A fachada ficou como nova

e a festa do Espírito Santo regressou ao seu Império