Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Sismos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sismos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de janeiro de 2017

"Lillias Fraser" de Hélia Correia


"Lillias Fraser" da escritora portuguesa Hélia Correia, cuja obra ganhou o prémio PEN clube de Portugal em 2002, enquanto a autora foi galardoada com prémio Camões de 2015, é um romance histórico que começa na Escócia em 1746, onde a protagonista, ainda criança e antes de uma derrota dos escoceses católicos interessados em conquistar o trono protestante da Inglaterra, tem a visão da morte do pai e foge antes do morticínio da suas gentes, salva-se e é depois protegida por várias pessoas de estatuto diverso destes dois povos em conflitos. Na sequência da sua odisseia vem parar a Lisboa, prossegue a sua vida entre vários protetores, sobrevive ao terramoto de 1755, novamente devido ao seu dom de ver a morte, passando depois na sua juventude por novos tormentos resultantes desta catástrofe entre gente que a acolhe e a persegue como uma pessoa diferente: loura, de olhos e pele clara; desembocando no período da guerra dos Sete Anos, onde Portugal se alia à Inglaterra e ela volta a cruzar-se com líderes militares dos povos da sua ilha. 
O romance envolve-se no realismo mágico, tem vários acontecimentos e personagens reais: desde a batalha inicial do livro, ao terramoto, clero influente do monarca português e militares do Reino Unido, tem muitos pormenores do que terão sido as dificuldades da população após a destruição de Lisboa e o caos social de então, bem como a ação da Inquisição e de Marquês de Pombal na época, tanto nas vertentes positivas como negativas deste.
A estória surge numa sequência de cenas que por vezes fornecem pistas futuras e outras vezes recusam prosseguir, originando um tratamento do tempo em forma de peças soltas descontínuas que por vezes abrem caminhos que fecham de seguida, além de em momentos ser uma narrativa de alguém do presente que investiga o passado e noutras a ação entrar dentro das personagens como se fossem estas os autores, paralelamente a imagem sobre os Portugueses e Portugal é frequentemente depreciativa da sua cultura e mentalidade, o que me criou algum desconforto, contudo é um romance onde aprendi factos sobre acontecimentos históricos e que sem me ter entusiasmado também não desgostei de ler e penso que valeu a pena conhecer esta obra.

domingo, 6 de novembro de 2016

Curiosidades geológicas: Efeito colateral do último sismo no centro de Itália - erupção de vulcões de lama

Voltando novamente ao tema geologia há muito arredado deste blogue que se tem dedicado sobretudo a livros, mas o principal que esteve na origem de Geocrusoe, apresento hoje uma curiosidade recente de que não ouvi falar nos noticiários nacionais, um efeito colateral dos tremores de terra no centro de Itália da passada semana: estes desencadearam a entrada em erupção de seis vulcões de lama, os quais podem ocorrer na sequência de chuvas muitos intensas, sismos com magnitude superior a 6 graus Richter e furos para a exploração de recursos geológicos, nomeadamente hidrocarbonetos.



Sobre esta tipologia de fenómeno geológico, pouco divulgado pelas populações em geral, já falei neste post, bem como aqui, aqui e aqui há quase 6 anos atrás.

Outro vídeo sobre o mesmo fenómeno ocorrido agora na Itália.


Embora sem a regularidade de há uns anos atrás, espero voltar novamente aos temas geológicos neste blogue, nem que seja para honrar a razão inicial da sua criação e do seu nome.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

9 de julho de 1998: situação 14 anos depois

9 de julho de 1998, cerca das 5h20 da manhã 20 segundos bastaram para destruir praticamente na totalidade a freguesia da Ribeirinha, aquilo que se pode dizer, varrer do mapa uma terra...

O socorro da proteção civil dentro das limitações de uma terra com os acessos cortados, foi rápido e eficiente, os alimentos, as tendas e os primeiros socorros chegaram cedo aos sinistrados, foi o momento em que o agir humanitariamente se sobrepôs aos interesses políticos... depois a palavra de ordem foi sensivelmente: não façam nada que nós (governantes) fazemos tudo e ainda podem perder apoios.

Catorze anos depois, a grande maioria dos sinistrados está realojada, houve o aproveitar para resolver determinadas questões de segurança e sociais: o reordenamento do território com abandono de zonas de maior risco, melhor qualidade construtiva, dimensionamento adequado das habitações ao tamanho do agregado familiar, mas subsistem ainda pessoas sem casa a viver em pré-fabricados, os imóveis coletivos públicos continuam todos em ruínas e a gritarem que nunca se deve numa catástrofe desmobilizar as capacidades das pessoas, pois esse desperdício não só sai caro de financiar, como dificulta a resolução dos casos não individuais.

Dedicado a todos, que arregaçaram as mangas, correram os riscos e foram em frente...

terça-feira, 20 de março de 2012

Crise sísmica na Graciosa

Mapa da sismicidade nos Açores extraído hoje do CVARG

Nos últimos tempos os Açores tem registado uma atividade sísmica acima do normal em vários locais do Arquipélago, não tem sido uma crise de eventos muito intensos, mas a crise sísmica que está a acontecer na Graciosa tem sido persistente e encontra-se muito próxima de terra, pelo que nunca é demais chamar à atenção para os cuidados normais de uma população exposta a este riscos tectónicos, os quais por norma são divulgados pela Proteção Civil.
O último evento de hoje na Graciosa atingiu o grau IV na escala de Mercalli, mas pode sempre acompanhar o evoluir da situação através do site do CVARG nomeadamente saber as intensidades, magnitudes e epicentros estimados através da sua página de sismicidade.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Convém lembrar: o risco sísmico em Lisboa


Lisboa

Porque havendo consciência da população de um lugar do risco natural a que está sujeita, esta não só se prepara melhor para o enfrentar, como também cria pressões para que os governantes tomem as medidas mais adequadas, aqui fica um artigo e respetivo estudo base sobre o elevado risco sísmico a que Lisboa está sujeita:

Magnitude 7 ameaça Lisboa, subentende-se na escala de Richter;

Já agora, um boletim da Câmara Municipal de Lisboa com informações de uma forma muito mais acessível ao qualquer pessoa relativamente ao comportamento a ter perante um sismo na capital...

Para o risco sísmico, a informação e a prevenção são as melhores formas de sobreviver a um terramoto.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Costa Leste do Faial



Costa Leste do Faial observada da Ponta da Ribeirinha, vendo-se Chã da Cruz e em primeiro plano o topo da escarpa da Falha da Ribeirinha (clique para ampliar a imagem)




Um post com dois objectivos: fazer com que os Ribeirinhenses do Faial que se encontram à distância recordem a paisagens observadas da Ponta da Ribeirinha e da Boca da Ribeira, mas também lembrar que a nossa conhecida Pontinha, onde se encontra o Farol, é o local dos Açores mais próximo dos epicentros dos sismos ocorridos esta semana abaixo noticiados e da crise que abalou esta terra em 1998.










Costa Leste do Faial observada na zona da Boca da Ribeira, ao fundo a Ponta da Espalamaca (clique para ampliar)





Observando a costa nesta foto é bem evidente que parecem existir degraus, os desníveis destes tendem a situar-se nas intercepções entre as falhas do Graben de Pedro Miguel e o litoral da ilha, ficando evidente os numerosos acidentes tectónicos que o Faial tem, pelo que devemos estar sempre preparados para novas ocorrências, embora nada indique que neste momento algo de mais preocupante possa acontecer.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Novo sismo na Ribeirinha

Nada de estranhar ou de ficar assustado, é normal a seguir a um sismo ocorrerem réplicas menores, por isso este é o cenário mais provável... e esperemos que nada de anormal venha a acontecer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sismo na Ilha do Faial a NE da Ribeirinha

Post sujeito a actualizações frequentes


Imagem do CIVISA com a implantação do epicentro, este departamento calculou a magnitude em 3.7 e intensidade V





Foi sentido às 7h23 dos Açores um sismo na ilha do Faial que segundo os primeiros dados provisórios e sujeitos a correcção terá atingido 3.9 na Escala de Richter e com epicentro a 6 quilómetros a NE da freguesia da Ribeirinha.


Sabe-se que o sismo foi sentido nas ilhas do Faial e de São Jorge, tendo algumas pessoas da Ribeirinha do Faial saído para a rua assustadas com o evento, mas não observei nesta localidade qualquer estrago, este comportamento mais o facto de algumas pessoas no exterior o terem sentido aponta para um intensidade mínima de IV/V na escala de Mercalli.


Última actualização




Segundo diversas fontes, confirma-se para o Faial as intensidades de V - Ribeirinha, IV - Praia do Almoxarife, cidade da Horta, Flamengos e Salão, III/IV -vila da Madalena na ilha do Pico e II - vila de Velas ilha de São Jorge.




Questionam-me porque não é sempre igual a magnitude do CIVISA e a do IM. Embora possam existir outras razões, verifica-se que as grandezas tendem a ser próximas, tal deve-se ao facto do valor resultar de dados colhidos nos sismógrafos dispersos pelas ilhas e da adopção de determinados critérios nas fórmulas, como os aparelhos não estão exactamente nos mesmos locais, nem têm todos a mesma sensibilidade, podem ocorrer pequenas perturbações na precisão do cálculo, se guirem sempre o dado fornecido pelo mesmo Serviços as relações de magnitude de sismos diferentes devem estar correctas. Aliás se virem magnitudes para um mesmo sismo na rede mundial verão que essas discrepâncias também acontecem entre os dados emitidos por diferentes países.


Mais informações serão actualizadas ao longo do dia.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Crise Sísmica no Faial

Há muitos anos que se sabe que as zonas epicentrais não se distribuem aleatoriamente na Região, existem alinhamentos associados a falhas geológicas e áreas onde há maior actividade sísmica do que outras, existindo em torno do Faial duas zonas bem conhecidas por concentrarem preferencialmente este tipo de ocorrências, uma a nordeste do Faial, próximo da Ribeirinha, muito perto de terra pelo que já esteve associada a catástrofes nesta ilha.

Os últimos sismos nos Açores (clique na imagem para a ampliar)
fonte: CVARG

A outra, a oeste dos Capelinhos, felizmente está mais longe de terra o que permite que muita da actividade que ali acontece não seja sentida... apesar de tudo, nos últimos tempos uma agitação significativa tem sido registada nesta área e nos últimos dias o número de eventos permite dizer que se está perante uma crise sísmica.
Apesar da distância ser motivo para não gerar grandes preocupações, seguir as normas de segurança para crises sísmica é sempre uma recomendação pertinente.

sábado, 12 de março de 2011

Sismo do Japão, construção sismo-resistente e prevenção nos Açores

A generalidade das imagens do sismo de 11 de Março de 2011 no Japão mostram que os danos provocados directamente pelas ondas sísmicas foram mínimos nas edificações afectadas, os grandes estragos surgem depois com as águas do maremoto a invadirem terra.


Neste filme, apesar da violência das ondas sísmicas, os imóveis resistem

Como mesmo os grandes sismos nem sempre provocam maremotos e a tipologia de movimentos tectónicos nos Açores não ser favorável a desencadear tsunamis, mas não impossível. Este arquipélago podo reduzir significativamente os riscos geológicos com dois cuidados que estão na mão do homem:
1- construção de edifícios sismo-resistentes e introdução de soluções de engenharia civil nos imóveis já existentes.
2 - Ordenamento do território para a ocupação humana, sobretudo habitacional onde há maior probabilidade de se ser apanhado a dormir, de forma a que as casas não estejam em regiões sujeitas a movimentos de massa, rupturas de superfície, liquefacção dos solos e inundações.

Claro como estas ilhas estão sujeitas a maremotos que possam surgir sobretudo a partir da costa Europeia, um sistema de alerta internacional e de difusão da informação na região pode ser uma grande ajuda, mas tal não depende apenas do poder nos Açores.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sismo de Sendai no Japão medido em bombas atómicas

O Japão hoje foi sacudido por um dos terramotos mais energéticos registados pelo homem desde que há equipamentos adequados para tais medições há cerca de um século, 8.9 na escala de Richter, é como se tivessem rebentado cerca 3,5 milhões de bombas atómicas como a de Nagasaki na crosta oceânica, a 130 km da cidade de Sendai, na ilha de Honshu. É mesmo muita energia libertada por este movimento das placas tectónicas.



A força das águas a penetrarem no Japão, ao fundo vêem-se pessoas a fugirem às águas

Seguiu-se um maremoto ou tsunami (são dois nomes para o mesmo fenómeno), sinal de que houve importantes movimentações no fundo do oceano, escorregamentos e/ou rotura sísmicas que atingiram o mar com movimentações de um lado em relação ao outro dessas fracturas que empurraram a água gerando grandes ondas, mas diferentes das que se formam nas tempestades.
Até ao momento o número de baixas é pequeno (6 pessoas), mas, tendo em conta a proximidade do epicentro à linha de costa, é provável que entre o maremoto e o terramoto o tempo tenha sido pequeno para que os alertas permitissem atempadamente a fuga das pessoas das regiões mais afectadas por estas ondas marinhas de grande comprimento, amplitude e energia, cujas soluções de engenharia civil para os imóveis resistirem ao seu impacte são difíceis de conseguir e diferentes das destinadas a enfrentar as vibrações e acelerações sísmicas. Temo que com o rescaldo da catástrofe o número de agrave significativamente.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Lições do sismo de CHRISTCHURCH

Comportamento diferencial dos edifícios ao nível de resistência sísmica (foto daqui)


O destruidor sismo de ontem com 6,3 na escala de Richter em Christchurch foi significativamente menor que o ocorrido em 4 de Setembro de 2010 com uma magnitude de 7.1, que praticamente não fez estragos na zona nem mortos.

Todavia, o sismo de ontem, pelo contrário, além de deixar pelo menos largas dezenas de mortos, provocou danos muito avultados em numerosos edifícios da cidade e nem tudo é explicado pelo facto do seu epicentro ter sido mais próximo da Christchurch e o seu hipocentro mais superficial.

Um conjunto extenso de razões para este facto está magnificamente justificado neste texto do "The Landslide blog" uma página mais frequentemente relacionada com movimentos de massa do que com sismos.

Para os que dispensam a leitura do documento ou não sabem inglês, onde são referidas outras razões, chamo apenas à atenção para a importância da introdução de técnicas de resistência sísmica nos edifícios mais antigos, em vez de limitar a respectiva recuperação a meras operações de cosmética como tenho assistido nalgumas ilhas e, inclusive, em Lisboa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sismo Forte no Triângulo - Ilha do Pico

Apresentação dos eventos na base cartográfica do CVARG da Universidade dos Açores
(clique nas imagens para as ampliar)
Hoje pelas 2h32 foi sentido um sismo nas ilhas do Pico, Faial e São Jorge, o qual na Escala de Mercalli Modificada (EMM) atingiu intensidade máxima de VI nas Bandeiras (Pico), V na Madalena e Candelária (Pico), IV entre Horta e Ribeirinha (Faial) e IV nas Velas (S. Jorge). Segundo o CIVISA o epicentro situou-se a 5 Km a NNW da povoação de Bandeiras.
Encontrando-se o sismo numa zona epicentral diferente da crise que se tem feito sentir no Faial, este evento não se relaciona directamente com aquela, embora se possam enquadrar em estruturas tectónicas conhecidas para esta zona do Arquipélago.
Ao mesmo evento esteve associado uma répica que foi sentida com grau III EMM nas Bandeiras e Santa Luzia.

Apresentação do sismo pelo Instituto de Meteorologia

Associado a este tremor de terra, não é de excluir a ocorrência de novos sismos, dada a proximidade da zona epicentral das ilhas, mesmo eventos de pequena magnitude poderão ser sentidos pelas populações mais próximas, sobretudo do Pico e do Faial, pelo que se recomenda calma e acompanhamento das recomendações e dos comunicados da Protecção Civil e do CIVISA que eventualmente venham a ser emitidos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

9 de Julho - 12 anos após o sismo na Ribeirinha

Em memória daquela madrugada em que fúrias vindas das entranhas da terra fustigaram a nossa gente e quase não deixaram pedra sobre pedra das nossas casas.

Ribeirinha e Chã da Cruz, hoje reordenadas e reconstruídas

O sismo de 9 de Julho de 1998 despojou-nos dos nossos bens, levou-nos amigos, colocou-nos à mercê da solidariedade humana, mas não nos matou a vontade de ir em frente, nem o amor pela nossa terra.

Cruz e Canto dos Espalhafatos reerguidos do mesmo chão

Insistimos, de cabeça erguida, aqui continuar a viver, de mangas arregaçadas, neste canto arrumámos as nossas ruas e tudo ficou diferente, mas continua a ser a nossa Terra.

Nova urbanização deslocalizada no Alto dos Espalhafatos

Hoje as crianças voltaram a brincar despreocupadas nas nossas ruas e parques, sem memórias do terror de uma madrugada que hoje completa 12 anos e esperemos que as suas vidas assim continue por muitas gerações de filhos desta freguesia da Ribeirinha.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Crise sísmica no Faial continua

O centro do círculo maior indica a zona epicentral (clique na imagem para a ampliar)

Já há vários meses que se desenrola uma crise sísmica de origem tectónica a NW dos Capelinhos na ilha do Faial.
Na crises já ali anteriormente ocorridas é normal estas estenderem-se por vários meses, com momentos de maior libertação de energia que provocam sismos sentidos no Faial, com maior intensidade na Oeste. Tal como aconteceu hoje às 9h26 com um evento de magnitude 3.8 Richter que atingiu uma intensidade IV/V no Capelo e Praia do Norte.
Apesar de não serem conhecidos eventos catastróficos a partir desta zona, os faialenses têm sempre de ter em conta o facto de se estar numa região de elevada sismicidade e para o que isso significa em termos de protecção pessoal.
Por isso, recomenda-se calma e a acompanhar a situação na página do CVARG e a ter em conta os comunicados e recomendações da Protecção Civil.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E SISMOS

Por norma não se devem relacionar as alterações climáticas com os terramotos que acontecem no planeta.
Todavia, os degelos das calotes glaciares e provavelmente das glaciações, provocam alterações da carga sobre a supefície terrestre.
Estas variações do peso do gelo conduzem localmente a afundamentos e levantamentos da crosta (movimentos isostáticos) que podem conduzir à reactivação de falhas antigas ou ao aparecimento de novas falhas para se darem os necessários reajustamentos da superfície terrestre, as quais são capazes de gerar sismos com alguma intensidade.
A vermelho a zona epicentral do sismo a norte de Ottawa
(imagem adaptada do Googlemaps clique para aumentar)


Hoje, a minha região natal, o Sudeste de Ontario, bem como o sul Quebec e parte da Nova Inglaterra nos Estados Unidos foram abalados por um sismo de magnitude 5, cuja causa é precisamente interpretada por reajustamentos da superfície associados aos degelos do fim da última glaciação, onde a calote polar se estendia até esta área do continente Norte Americano.
A magnitude máxima histórica para esta região pouco ultrapassou o 6, mas é improvável a ocorrência nesta área de sismos que atinjam dimensões catastróficas. Pode neste blogue obter acessos a mais informações de caracter técnico.

Notícia inicial extraída daqui.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Análises de Riscos Geológicos e Protecção Civil

Um cientista da área de Riscos Geológicos, ao assessorar a Protecção Civil em situação de crise, debate-se frequentemente com um dilema: dizer o suficiente para alertar Pessoas e Instituições dos perigos que enfrentam, mas não dizer aquilo que levará a pânicos inúteis ou prejudiciais à salvaguarda dos Cidadãos, dos seus Bens e da Economia.

O equilíbrio entre a duas premissas muitas vezes não é fácil de se saber até ao fim da crise.
Isto vem a propósito de, neste momento, sismólogos da Comissão Nacional de Riscos Elevados na Itália estarem a ser processados judicialmente pelas mortes do sismo de Magnitude 6.3, a 6 de Abril de 2009, em Aquila, ao não terem alertado ou alarmado suficientemente as pessoas para aquele evento iminente (recorde-se que neste momento é impossível prever com segurança a ocorrência de um grande sismo num dado momento ou período curto de tempo).

Ribeirinha 9 de Julho de 1998 (foto Conceição Quaresma)

Este post é uma manifestação de solidariedade para com aqueles conselheiros que tiveram de enfrentar o dilema acima exposto e que enfrentam a incompreensão de quem desconhece a margem de insegurança que assiste a este tipo de alertas de Protecção Civil.

Por fim, esclarece-se que as medidas de redução dos efeitos de catástrofes naturais são estudos profundos para se conhecer generalidade dos riscos, políticas de ordenamento do território para se evitarem zonas de elevado risco, introdução de soluções de engenharia nos imóveis antigos e a construir para resistirem aos perigos e informação básica sobre os riscos a que as pessoas estão sujeitas e comportamentos a ter perante crises.

São praticamente inúteis os alertas em cima da hora, onde as medidas anteriores não foram a tempo implementadas e destes culpados a justiça parece não se preocupar convenientemente.

domingo, 30 de maio de 2010

SISMO A OESTE DO FAIAL

Localização epicentral da crise - imagem adaptada e obtida da página do IM (clique para ampliar)

Na sequência da crise sísmica que se tem desenrolado na Oeste do Faial e a 14 de Maio aqui relatada, ocorreu hoje um evento com maior libertação de energia que terá atingido a Magnitude de 4,5 Richter, segundo as informação da página do IM, e nalguns locais desta ilha, nomeadamente no Capelo, poderá ter sido sentido com uma intensidade máxima próxima de V e na Ribeirinha próximo de IV na Escala de Mercalli Modificada.

O mesmo evento parece ter sido também sentido em grande parte da ilha do Pico, mas com menor intensidade.

CVARG, IM e Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores estão a acompanhar esta situação de instabilidade tectónica, as pessoas devem manter a calma e seguir as regras normais de precaução para este tipo de situações e ter em atenção os comunicados emitidos por aqueles Serviços oficiais.

segunda-feira, 29 de março de 2010

PRAIA DA VITÓRIA e o GRABEN das LAJES

A existência de um par de falhas normais paralelas na região nordeste da ilha Terceira, uma a norte da Praia da Vitória que inclina para sul e outra a sul das Fontinhas, mas que inclina para norte, levou ao abatimento da zona situada entre estas duas escarpas. Gerou-se assim uma depressão tipo vale mas de fundo plano com origem tectónica, designada em geologia por Graben, cujo centro está ocupado pela Vila das Lajes, por isso baptizado de Graben das Lajes.

O graben visto da região portuária (clique na foto para ampliar)

Assim, tal como a geologia e o relevo da parte oriental do Faial é controlado pelo Graben de Pedro Miguel, a paisagem da Praia da Vitória é marcada pelo Graben das Lajes.
Tal como as falhas do Faial tem o seu lado obscuro e escondem a ameaça sísmica, também as Falhas das Lajes e das Fontinhas atrás da sua beleza está a sua capacidade de gerarem sismos.

Foto com as escarpas de falha inclinadas e a base do graben com contornos a vermelho

Mais do que temermos sismos, temos é de nos preparar para minimizar os seus efeitos. Viver é sempre um perigo, mas importa agir para evitar riscos desnecessários, que tanto podem ser minimizados previamente ou através de acções correctas durante as suas ocorrências.
Este catálogo do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores fornece um conjunto de informações que todo o Açoriano, da Praia da Vitória ou não, deve conhecer, e inclui o risco sísmico.
A experiência ensinou-me que nas medidas prévias se devem preferir os reforços estruturais das moradias às obras decorativas; e a colocação das camas, sobretudo das crianças, em locais mais seguros e difíceis de serem atingidos pelas paredes mais pesadas. Quem pretende contruir nova casa deve optar por implantações em áreas mais seguras face aos vários riscos naturais. Aspectos frequentemente esquecidos por muitos nesta terra exposta às forças da natureza.

sexta-feira, 26 de março de 2010

SISMO NO FAIAL

O sismo ocorrido hoje às 00h53m, de muito pequena Magnitude (MD 2.3), foi sentido com uma intensidade III da Escala Mercalli Modificada nas freguesias de Ribeirinha, Pedro Miguel, Praia do Almoxarife e Flamengos.
Apesar de só ter havido agora um evento sentido, já foram registados outros microssismos de menor Magnitude na mesma área epicentral indicada na figura num passado mais ou menos recente.
Os vários sismos próximos desta zona não originaram eventos graves. Assim deve-se seguir com calma as regras normais de segurança para estas situações, acompanhar eventuais Comunicados dos Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, tendo em conta a monitorização que o Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos faz continuamente nestes casos.
Em caso de necessidade, Geocrusoe fará novas actualizações consideradas convenientes ou que receba para divulgação.