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quarta-feira, 24 de junho de 2026

"Passaportes falsos" de Charles Plisnier

 
Excerto
"Há mais altos valores que a verdade, camarada.... Posso falar desta maneira a um crente.
...
O importante é que a Internacional viva e dure; que continue forte; que os seus soldados, ao baterem-se; tenham a certeza de que ela não se pode enganar. O seu esplendor carece disso."

"Pode-se dar ao partido, camarada, alguma coisa mais que a vida."

Li pela primeira vez uma obra do escritor belga Charles Plisnier: "Passaportes Falsos": esta contém várias narrativas, baseadas e em torno de pessoas reais, que são contadaos pela memória do narrador. Este livro foi vencedor do prémio Goncourt de 1937, o primeiro a um autor não francês, e foi censurada em Portugal logo nesse ano e só em 2026 voltou a ser publicada neste País.
Um livro de contos, cujo narrador será o próprio autor que altera os nomes e os locais das personagens. Nas diferentes histórias, que decorrem entre as duas grandes guerras, o narrador recorda um grupo de pessoas partidárias do comunismo de Lenine e de diferentes países europeus que se envolvem no sonho ideológico da criação da Internacional Socialista e dos esforços por levar em frente o seu projeto contra os regimes ditatoriais de direita em Espanha, Itália, Alemã e Bulgária e em simultâneo com a ascensão de Estaline na União Soviética.
Na sequência das narrativas, vamos tomando consciência do grande sonho inicial dos ideais comunistas, das dificuldades de alguns em abraçar a causa e cortar com certos estilos de vida burguesa e da desconfiança entre alguns voluntários, assistimos a baixas heroicas provocadas pela espionagem dos Estados ditatoriais e por traições dentro dos próprios membros da luta proletária e vamos acompanhado a descoberta do próprio narrador dos abusos soviéticos perante o regime de Estaline, as purgas e as mortes por acusações falsas e exigência de uma obediência cega na nova liderança de Moscovo que arrasam o próprio ideal transformando-o numa religião dogmática onde a vida de cada herói deixa de ter valor face ao novo poder, isto para escândalo nas perspetiva racional do autor que é excomungado, mas não se esquece destas vítimas silenciadas que tudo fizeram pela Revolução.

É sem dúvida um livro político, com reflexões pessoais que marcam bem o que distanciou de facto Charles Plisnier da Internacional Socialista, numa escrita fácil, mais jornalística do que literariamente rica de figuras de estilo, mas cheia de humanismo perante a irracionalidade dos excessos de uma religião dogmática sem deus. Gostei e recomendo a quem gosta do tema ou quer saber mais do que foi o estalinismo.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

"O Regresso de Sherlock Holmes" Arthur Conan Doyle


Enquanto não me chegam o segundo e o terceiro romances da trilogia "O Passado do Planeta Terra" começada com "O Problema dos três Corpos", que encomendei no início da leitura deste, mas cujos correios demoram já três semanas para me os entregar, optei pelos contos policiais do britânico Conan Doyle com "O Regresso de Sherlock Holmes" que  já lera parcialmente neste título, onde constam 7 histórias das do conjunto de 13 deste livro, sendo este está em conformidade com as primeiras edições inglesas em livro destas histórias que começaram por ser publicadas avulso na revista Strand Magazine.
Reli alguns dos contos nesta diferente tradução, que gostei muito mais, e verifiquei que pouco retivera em memória dos mesmos, apesar de na releitura e já perto do meio destas começava a recordar e a antever o desenlace, embora me lembrasse de como o escritor imaginou a sobrevivência de Sherlock que foi dado como morto no conto "O Problema final" que consta deste livro que é anterior ao da coletânea que agora li.
Tal como nos anteriores contos, Sherlock brilha pela sua sagacidade em observar e interpretar pormenores em torno dos casos que investiga, embora, por vezes, sujam aspetos que não estão acessíveis ao leitor para acompanhar o raciocínio do detetive que acompanha mistérios, quase sempre criminais, envolvendo famílias aristocráticas e com técnicas muito distantes dos métodos científicos atuais.
Como todos os livros com contos ou romances, são de leitura muito acessível, por vezes com esquemas e desenhos, e são de excelente entretenimento. 

sábado, 13 de dezembro de 2025

"O Tempo Envelhece Depressa" de Antonio Tabucchi

 

Regressei ao escritor italiano Antonio Tabucchi, agora com este livro de nove contos: "O Tempo Envelhece Depressa". Esta é a terceira obra que leio deste autor e a segunda de contos, sendo que, neste género, parece-me que entro num filme de Fellini.
Nestas nove histórias curtas, as personagens parecem deslocadas do seu tempo e projetam o passado já vivido para o seu presente. Assim, vemos um doente terminal pelos olhos de um parente que recorda a sua infância com familiares; um espião que vai à campa de Bertold Brecht que ele vigiou; um advogado da Alemanha de Leste que narra o feito de ter defendido perseguidos com filmagens de um realizador do regime sem fita; um judeu ucraniano que viveu na Roménia num asilo em Israel que confunde a paisagem com Bucareste; um militar contaminado com radioatividade que ensina uma criança a ler o futuro nas nuvens; um ciclo repetitivo que força gente a render um eremita num mosteiro em ruína em Creta; um antigo investigador que visita um jardim botânico onde se encanta com uma lavadeira que canta; e uma magrebina que vive em Paris e se perde nas memórias das areias de Marrocos.
Tabucchi tem dois dos livros que mais me marcaram "A mulher de Porto Pim" com contos sobre a baleação na ilha onde vivo e o romance "Afirma Pereira" um relatório de espiões que mostra o regime fascista em Portugal, duas obras de grande genialidade e ligação a Portugal que o tornam o escritor italiano mais português de todos. O tempo envelhece depressa é um livro diferente de uma pessoa madura, rico literariamente e olha o passado. Gostei, mas o saudosismo do passado torna-o melancólico.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

"Aventuras de Sherlock Holmes" de Arthur Conan Doyle

 

Acabei de ler o livro "Aventuras de Sherlock Holmes" da editora Leya, que possui uma seleção de sete contos com este detetive e escritos por Arthur Conan Doyle.

Neste caso, confesso, que o título induziu-me em erro, pois pretendia comprar as histórias curtas mais antigas  com este detetive, pois estas foram sendo publicadas avulso na revista "The Strand Magazine" e depois reunidas, cronologicamente, em conjuntos de livros, onde os primeiros ficaram numa coletânea com o título "The Adventures of Sherlock Holmes". Apesar da semelhança no título, este livro seleciona 7 dos 13 contos do terceiro volume que possui o título original "The Return of Sherlock Holmes" que possuo com o nome de "O retorno de Sherlock Holmes", que ainda não li, duma diferente editora e tradução distinta.

Apesar desta confusão, os sete contos são todos eles cativantes, sendo que neste se encontra "A aventura da casa vazia", onde se narra como Sherlock Holmes sobreviveu ao conto anterior "O Problema Final" no qua se deduzia da morte do detetive e fechava a coletânea com o nome "As memórias de Sherlock" Holmes" que consta do livro aqui falado no neste blogue.

Histórias fáceis de ler, bem construídas, com mistérios e crimes desvendados pela argúcia do poder de observação de Sherlock Holmes", faltam-me ler agora os restantes contos contidos em "O retorno de Sherlock Holmes".

quarta-feira, 16 de julho de 2025

"As memórias de Sherlock Holmes" de Arthur Conan Doyle

 

Pela primeira vez li contos protagonizados por este famoso detetive da literatura policial e escritos pelo profícuo autor inglês: Arthur Conan Doyle, apesar de as narrativas curtas serem independentes, existem, por vezes, referências a histórias publicadas anteriormente, pelo que, em parte a narrativa é sequencial, mas um erro meu no momento da compra, levou-me a adquirir inicialmente o segundo livro destas histórias, precisamente "As memórias de Sherlock Holmes".

Neste volume são narradas 11 aventuras pelo seu permanente companheiro de investigação, o médico Watson, dimensões semelhantes e na ordem e duas a três dezenas de páginas cada. Todas são como memórias, não do protagonista, mas do doutor que o acompanhou, algumas são charadas, outras crimes e a última um confronto épico de inteligência com o seu inimigo figadal: o Professor Moriarty por Sherlock lhe destruir a sua quadrilha de malfeitores.

São contos muito fáceis de ler e de puro entretenimento, mas muito diferentes do estilo de Agatha Christie de quem tanto tenho lido, nesta autora é, sobretudo, a análise psicológica que leva à descoberta do criminoso, em Conan Doyle, são pistas físicas que cuja análise e interpretação conduzem à descoberta, mas onde os conhecimentos do detetive vão mais longe que os dados postos na narrativa e dificilmente o leitor se sente na posse de tudo. Sendo histórias da transição do século XIX para XX, muitas das tradicionais pesquisas forenses dos policiais mais recentes estão ausentes aqui, não se fala de impressões digitais, ADN, tipos e pesquisas de sangue oculto, etc.

Gostei e penso explorar mais este personagem que de facto só mais recentemente comecei a ler e recomendo a qualquer leitor que goste do género policial.


domingo, 6 de julho de 2025

"Contos" de Eça de Queiroz

Voltei à minha coleção, que possuo há mais de 30 anos, das obras completas de Eça de Queiroz, da qual já li os romances, mas falta-me ainda vários volumes com outros tipos de obras.

Agora coube a vez ao volume dos "Contos", coletânea que está também disponível no mercado noutras edições, como esta aqui. São 23 histórias que retratam situações contemporâneas da época de Eça e históricas que vão da idade média, ao tempo de Cristo que chega a personagem, recua até Odisseu e vai ao primeiro homem e mulher que, claro, são Adão e Eva, mas que pouco têm com os do génesis bíblico.
Os contos contemporâneos têm temáticas diversas, que vão desde o "Réu Tadeu", que se descobre ter morto o irmão, se dá por culpado e tem um comportamento exótico; até paixões que levam aos atos extremos de José Matias ou ao racional  em "Singularidades de uma rapariga loura", à exaltação da natureza em "Civilização", talvez um ensaio que deu origem ao genial romance de "As cidades e as Serras" e passa por fundamentos do insucesso de Portugal em "A catástrofe", entre outros. Em muitos deles sente-se o espírito satírico e mordaz de Eça nos seus grandes romances mas aqui em obras curtas.
Os históricos vão desde o terror fantástico em "O defunto" ou selvático de "Enghelberto", prolongando-se para os deprimentes ambientes religiosos medievais com o peso da obrigação de pureza para a salvação, até um Jesus, bem mais leve, amigo dos pobres que desprezo os poderosos em três versões de "O Suave Milagre", mostra a superioridade do amor humano imperfeito humana face à "Perfeição" dos deuses e questiona o legado de "Adão e Eva no paraíso". Nestes contos, a temáticos de alguns levou a que o tom de Eça mudasse e a sua narrativa parece-me, por vezes, menos conseguida, se gostei muito de algumas destas histórias, noutras senti-as demasiado constrangedoras e deprimentes.
Todavia, a coletânea vale bem a pena de ser lida, pela qualidade, perfeição e riqueza de escrita, que é transversal a todos os contos, apesar de dois ou três deles terem ficado incompletos.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

"O Álibi Perfeito" de Patricia Highsmith

 


Acabei de ler 5 contos deliciosos sobre crimes escritos pela norte-americana: Patricia Highsmith, dos quais, o primeiro: "O Álibi Perfeito", dá título o livro.

Frequentemente, nos romances policiais e contos desta autora, a narrativa é contada do lado dos criminosos e muitas vezes apresenta-nos as razões de queixa que estes têm das suas vítimas, gerando assim uma empatia para com os culpados. Nestes contos há diversidade, em quase todos o protagonista é o criminoso.

Em álibi perfeito, o crime é perpetrado logo no início, percebe-se que bem planeado para o autor conseguir libertar para si a mulher que ama, mas cativa do seu tutor, só que de um alibi e um comportamento não previsto tudo parece que vai acabar bem... até num pormenor ser tudo desfeito. Noutro crime planeado, é tudo bem programado, cronometrado, mas a dependência de terceiros inocentes mostrou que não se pode contar com ninguém quando tal é fundamental. Há ainda uma história onde os criminosos caem na sua armadilha e outra em que são vítimas de testemunhas que não contaram. Pelo meio há o conto onde se conseguiu o crime perfeito e os autores gozam a libertação de quem os oprimia.

Maldade humana e maquinações em contos curtos, mas deliciosos e bem escritos: uma mistura que faz deste pequeno livro uma pérola de entretenimento de literatura policial. Gostei muito.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Contos de Tchékhov - Volume 4

 

Li o quarto volume da extensa coleção Contos de Tchékhov da Relógio d'Água, gosto muito deste contista russo e esporadicamente vou à biblioteca pública buscar um volume para assim ir lendo a coleção.

Este volume possui 14 contos, os dois últimos mais extensos, quase novelas com perto de 100 páginas, os anteriores, na sua maioria, na ordem de uma dezena de páginas. Temos ao longo das diferentes narrativas curtas protagonistas de várias classes e situações mais ou menos comuns, desde um guardador de um cadáver que o abandona por um serviço pago, à mulher que trai o marido com um jovem enquanto aquele trabalha, à jovem que se apaixona pelo talento de um pintor medíocre e outra por um estatístico, ao caso das memórias de uma paixão passada que abre uma exceção no presente até a um lobo que ataca um redil cujas culpas caem num humano, etc.

Já as narrativas mais longas tornaram-se me mais cansativas, para mim Tcheckhov é mesmo genial em histórias curtas, numa, um espião tem ocasião para se apaixonar e não para desenvolver o seu objetivo ao ver uma relação de uma amante apaixonada por um homem que não se quer incomodar com a esta e não tem coragem para o assumir. Na outra, assistimos ao regularizar das relações matrimoniais dentro de um casamento com um início incerto cujo comodismo se instala com o tempo.

Confesso que me delicia a escrita (ou tradução) de Tchekhov, e as histórias curtas, embora possam relatar situações tristes, banais e a vida de gente comum, de tão bem narradas que estão, dão sempre grande prazer de ler. Gostei muito

sábado, 24 de setembro de 2022

"A dança dos Ossos - Antologia do conto gótico luso-brasileiro" Vários Autores

 

Uma coletânea de 27 contos de teor gótico, 13 de autores lusos e 14 de escritores brasileiros, selecionada por Ricardo Lourenço, que cobrem este género literário desde meados do século XIX até às duas primeiras décadas do XX.

No conjunto existe escritores de grande renome literário como Eça de Queiroz e Machado de Assis, outros conhecidos e alguns de quem nunca ouvira falar, a heterogeneidade de autores também se reflete na diversidade dos contos, alguns quase da dimensão de novela, outros curtos e muitos entre uma a duas dezenas de páginas.

Desde lendas medievais, passando por pseudociências mais atuais, bruxas, espiritismo, até narrativas onde o sobrenatural é apenas fruto da sensação extremada que conduz ao terror ou à suspeita deste, alguns com lições de moral, outros inócuos, a coletânea vale sobretudo pela informação biográfica dos seus autores, do seu papel na história da literatura, da cultura ou da política do seu país e ainda pela amostra do género pouco divulgado em Portugal.

Confesso que alguns contos gostei mesmo muito, outros divertiram-me, nenhum me tirou o sono e também houve alguns (poucos) que nada me disseram, mas valeu a leitura do conjunto "A dança dos ossos" e recomendo a quem se interessa por este tipo de literatura mais negra, que explora medos das pessoas, fenómenos menos claros para a ciência e as crenças e superstições existentes nestas duas sociedades de língua portuguesa. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

"Putas Assassinas" de Roberto Bolaño

 

Citação

"Uma pessoa nunca acaba de ler, embora os livros acabem, da mesma maneira que uma pessoa nunca acaba de viver, ainda que a morte seja um dado certo."

"Putas Assassinas" é um livro com 13 contos do escritor chileno Roberto Bolaño, de quem só tinha lido, há muitos anos, o romance que foi um sucesso de vendas quando publicado no início deste século: "2666", que deu a conhecer a todo o mundo este autor já pouco depois da sua morte.

Nestes contos sente-se a a referência frequente a aspetos autobiográficos do escritor, que parece ser o narrador de quase todos eles. Assim, temos relatos com a família na cidade México na sequência da fuga desta do Chile devido ao golpe de estado que derrubou Allende. Há textos com acontecimentos intercalados com reflexões pessoais sob a vida difícil dos poetas e escritores chilenos de esquerda devido à perseguição da ditadura. Em três contos acompanhamos a vida errante de B em vários locais da Europa, nomeadamente Barcelona, onde Bolaño viveu grande parte da sua vida. Temos narrativas que são contadas a ele de experiências passadas por outros refugiados. Os contos sobre terceiros são autênticas descidas ao inferno negro no mundo da prostituição, pornografia e até abusos, não sexuais, de crianças na Índia associados a ritos e crenças religiosas. Certos contos são de uma negritude extrema mas com uma escrita cativante que mesmo no relato do horror dá prazer ler o texto. Não sei se muitas dos nomes referidos nos contos são poetas reais ou ficcionais, mas o conjunto dá a conhecer a dificuldade deste tipo de autores, onde muitos passam incógnitos e com dificuldades pela vida literária, numa luta pessoal pela sobrevivência artística e individual.

Gostei do livro, alguns contos tocaram-me mais do que outros, por vezes existem referências a atos de depravação sexual e uso de termos grosseiros associados, mas nada de erótico, apenas um retrato duro e difícil da vida porque muita gente passa sem o autor fazer uma abordagem moral do assunto. No campo político, a obra é marcadamente de esquerda e honra as vítimas das ditaduras na América hispânica e embora o autor dê a entender que o seu poeta de eleição não seja Neruda, esse surge como um farol no Chile.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

"As mil e uma noites" Volume 2

 

Acabei de ler o segundo volume da tradução feita pela E-primatur da coletânea de contos que constituem a obra "As mil uma noites" e com a informação de se basear nos manuscritos mais antigos desta. Este conjunto é composto de 3 volume e já falara aqui do primeiro quando o lera.

O presente volume é a continuidade do anterior a partir da narrativa de Xerazade na 102.ª noite  como mulher de Xariar e vai até à 282.ª. Cada conto, por norma atravessa noites sucessivas, sendo interrompidos muitas vezes em momento de suspense com a confissão à irmã Dinarzade de que haverá muitas mais a contar se o príncipe lhe poupar a vida, uma estratégia de lhe alimentar a curiosidade e a poupar a sua morte como costumava fazer às suas mulheres após a noite de núpcias. Frequentemente, a mudança de de uma para outra história diferente faz-se também a meio da narrativa noturna para assim manter a suspenso com a nova e o interesse de Xariar.

Ao contrário do primeiro volume, neste poucos contos são curtos e raramente têm uma lição de moral no seu cerne, sendo comum a beleza dos jovens, o luxo das elites, a atração sexual como normalidade, os atributos físicos das mulheres dependentes de ricos que evitam o acesso ao exterior e o erotismo da narrativa que entra em choque com a ideia atual de um islamismo muito conservador e casto. Aqui o enlace no casal apaixonado, nem sempre com o laço matrimonial, é visto frequentemente como um prémio e sem a censura de moral religiosa, mas sempre sujeito à bondade do deus altíssimo e as referências ao Corão são muitas. Nem todos os contos são fantásticos, mas os mais extensos são dominados pela fantasia e personagens mágicas.

O texto que intercala narrativa em prosa com passagens complementares em verso, procura verbalizar a linguagem oral ao estilo antigo. Existem muitas notas sobre a escolha de determinados termos na tradução, explicações de vocabulário, de costumes da época e referências a correções e adoção de excertos de edições antigas de diferentes regiões geográficas do médio oriente de modo a tornar coerente o discurso e consistente o conto.

Fácil de ler, embora, por vezes, me cansei do excesso de pormenores de luxo, gastronomia rica, beleza e fantasia, mas isto resulta do estilo da obra original que procura entrar num mundo que vai muito além da realidade e procura ir ao encontro da imaginação de estratos sociais ricos, belos e cheios de luxo que estariam na base da felicidade e justiça na idade média no médio oriente no seio da cultura islâmica de então.

Pelos dados transmitidos até ao final deste volume, o terceiro completa histórias já narradas que têm outros desenvolvimentos e variantes noutras edições das Mil e Uma Noites e textos com informações gastronómicas e de costumes muito referidos nestes 2 volumes mas pouco desenvolvidos. Um tomo para completar a visão do conjunto que foi esta obra e das variantes que havia no passado, sendo que não há contos para além da 282.ª noite, muito longe do total de 1001 que se poderia depreender do título. 

Gostei, vale a pena ler para compreender como no início do segundo milénio os árabes eram bem diferentes daquilo que são hoje em termos de mentalidade.

sábado, 25 de setembro de 2021

"Os treze Enigmas" de Agatha Christie

 

Acabei de ler o livro "Os Treze Enigmas" da escritora inglesa Agatha Christie. Este corresponde a 12 narrativas curtas de crimes contados em serões de duas casas pelos presentes e onde o narrador, um dos presentes e em rotação entre eles, sabe a solução do mistério, todos os restantes tentarão identificar quem foi o criminoso, mas em todos eles é Miss Marple quem descobre a verdade, tendo em conta o conhecimento que tem da psicologia das gentes de Saint Mary Mead. O 13.º caso, também curto, decorre fora dos serões e corresponde a um homicídio em que alguém está prestes a ser condenado e ela vai falar com um dos intervenientes para que este colabore com a polícia local e informa-o à priori quem é o assassino e logicamente acerta, enquanto o leitor só no fim se apercebe que seguiu uma falsa pista.

Na sua linguagem simples e típica de convívio está-se perante um livro de contos cuja união será serem narrados pelos convivas que partilham os serões e por isso surgem nas várias histórias independentes. O leitor não se apercebe de todas as pistas importantes que Miss Marple sagaz apreende que são muito mais de intuição com base no comportamento humano do que em provas e indícios deixados pelo criminoso. Contudo é um livro de leitura muito agradável que junta 13 mistérios em vez de um único mais extenso e todos ao estilo de Agatha Christie.

Gostei e recomendo. 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

"ALICE MUNRO selected stories"

 

Acabei de ler um livro em inglês de contos selecionados da escritora canadiana laureada com o prémio Nobel da literatura "Alice Munro Selected Stories". Este reúne 23 histórias curtas, na sua maioria com cerca de duas dezenas de páginas, que na generalidade são memórias de mulheres comuns sobre momentos fortes da sua vida ou do desenrolar desta no seu dia-a-dia normal e os seus problemas, mostrando assim, não só o seu modo de viver, como também montando retratos da sociedade em várias partes do Canadá, na sua maioria no sudoeste do Ontário e em meio rural.

Reflexões sobre o peso da mentalidade social e religiosa da sociedade canadiana sobre o comportamento das mulheres e no seu relacionamento com os homens na primeira metade do século XX, descrições analíticas das tensões em família ao nível de casais ou entre gerações, exposição de impulsos íntimos e da sexualidade e os problemas do despertar da adolescência para a juventude e maturidade sujeitos a uma pressão em comunidades conservadoras de pequenos aglomerados urbanos, traições e oportunismos no relacionamento entre homens e mulheres e ainda perceção e esforço de compreensão do modo de agir de pessoas próximas do narrador, vão ao longo dos contos sendo tratados de forma introspetiva por olhares no feminino e num desenvolvimento que se vai desenrolando lentamente dentro de cada história até à montagem se completar no final como quadros da realidade esbatidos sobre uma pintura entre o impressionista e o expressionista.

Nesta seleção compreende-se a razão de muitos considerarem Alice Munro uma versão feminina do século XX de Tchékhov, efetivamente, cada conto, mais que uma narrativa linear, é uma história que se vai montando devagar em torno ou a partir de personagens que em nada se destacam do cidadão comum, sem lições morais, mas que no fim deixam pistas para a reflexão moral e ética e constroem o retrato da sociedade de uma época, do país e dos constrangimentos dos protagonistas de cada relato.

Gostei muito destes retratos com uma escrita magnifica que selecionam o que de melhor escrevera Alice Munro em anos bem anteriores ao prémio Nobel da Literatura e, no meu caso, por permitir compreender a mentalidade e muitos pormenores da vida diária e em família da comunidade anglo-saxónica do Canadá, sobretudo do sudoeste de Ontário, onde nasci e que visito com alguma regularidade.

sábado, 17 de julho de 2021

"Contos de Tchékhov - Volume III"

 

Acabei de ler o terceiro volume da coleção completa de Contos de Tchékhov publicados pela Relógio d'Água, este reúne 16 narrativas que oscilam entre perto de uma dezena a poucas dezenas de páginas, em todos eles o português dos tradutores é magnífico, permitindo uma qualidade de texto de elevada envergadura.

Todos contos passam-se longe das grandes cidades da Rússia, na sua quase totalidade situam-se em pleno meio rural isolado. Une-os ainda um descontentamento psicológico com a vida do protagonista ou do povo dessas aldeias vítima de injustiça, ignorância e arreigado a costumes que impedem o seu desenvolvimento. Nuns casos temos senhores burgueses ou nobres ricos que não sabem como ser solidários com os pobres e desejando ardentemente ser bons para com estes e por isso insatisfeitos consigo próprio; noutros, temos pobres que não sabem como sair desta realidade e se perdem no álcool ou noutros problemas; ainda há os infelizes acomodados com a sua situação sem arte para dela se libertarem, desperdiçando oportunidades; e também não falta gente no fim da vida desiludida com o modo como viveram, com medo da morte ou do julgamento do além. Na generalidade os retratos da sociedade e das personagens é triste, mas narrados com grande beleza de escrita e pormenores da vida quotidiana no Rússia do final do século XIX, construindo um excelente retrato de época.

Gostei muito do livro, apesar do tom melancólico e nostálgico os textos não são deprimentes e mostram porque Tchékhov é considerado um dos melhores contadores de histórias curtas da literatura mundial de todos os tempos, fico sempre com vontade de ler outro volume desta coleção.

sábado, 13 de março de 2021

"H. G. Wells FICÇÃO CURTA COMPLETA" - Volume 2

Depois de ter lido o 1.º volume desta coletânea, completei a leitura da "Ficção Curta Completa" de H. G. Wells com o volume 2, um livro com contos de géneros bem diferentes entre si e do anterior livro, mas aqui também coexistem narrativas perspetivadas no futuro e outros recuadas ao período pré-histórico, além de alguns especulativos ao nível do paranormal, da investigação científica e da invenção tecnológica contemporâneos da vida do autor do final do século XIX ao primeiro quartel do XX.

Trinta contos, dois mais extensos e quase novelas mas inferiores a uma centena de páginas, enquanto a maioria ronda as 20. Alguns gostei mesmo muito, uns pelo mero aspeto lúdico, outros pela imaginação do que seria a sociedade no século XXI perspetivada há cem anos atrás e outros pela informação antropológica à luz de então de como seria a humanidade há uma dezenas de milhares de anos atrás com as suas primeiras invenções, aventuras para dominar o território da Europa e o contacto com o homem de Neandertal, além dos das especulações mágicas e paranormais enquadradas no período vitoriano. Verdade que também alguns contos não me agradaram, mas como ficção curta passaram depressa e da maioria de tirei grande prazer na leitura.

Transversalmente aos diferentes contos, persiste uma escrita de grande elegância e literariamente rica, por vezes com tiques e humor muito britânico e nem sempre politicamente corretos à luz dos atuais julgamentos históricos descontextualizados que vão surgindo na sociedade nos nossos tempos.

Gostei mais do primeiro volume, mas valeu a pena completar este ciclo do autor da Guerra dos Mundos e renovador da ficção científica no início do século XX que cativa todos os géneros de leitor.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

"A Nuvem de Smog e a Formiga Argentina" de Italo Calvino

 

Li "A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina" do italiano Italo Calvino, um livro constituído por dois contos que precisamente formam o seu título.

Apesar de diferente, ambos os contos evidenciam um desequilíbrio incómodo com a natureza envolvente, a obra tem o subtítulo de "Uma narrativa lírico-simbólica da relação de um homem com uma realidade" e, de facto, ambas narrativas são algo absurdas e narradas por um personagem masculino.

No primeiro conto, o narrador vem para uma cidade liderar o projeto jornalístico do trabalho de uma empresa em prol da melhoria da qualidade do ar, sendo que o seu gestor integra a de outra poluidora da atmosfera. O jovem vai aprendendo a arte de comunicar em conformidade com os objetivos do empregador, sendo que em paralelo observa o smog e o pó que conspurca tudo sobre a cidade, descobre a vida no bairro onde mora. Entretanto mantém uma relação com uma apaixonada rica que o visita, mas que vive fora da realidade do mundo do cidadão comum, com o avançar ele descobre um mundo de limpeza.

No segundo, uma família vem viver para uma cidade e descobre que a sua zona é dominada pela formiga argentina, esta tende a ocupar todos os espaços livres  e na luta do marido este descobre  um conjunto de vizinhos que vivem obcecados nessa guerra, embora cada um de forma distinta e por vezes com métodos contraditórios, havendo ainda quem renegue ver o problema por orgulho, para um final encontram um local onde gozam a ausência do novo inimigo.

Gostei do livro, embora os contos nos deixem algo incomodados, a obra evidencia que já na década de 1950 o autor se questionava sobre problemas do ambiente e os interesses que permitiam alastrá-los.

sábado, 19 de setembro de 2020

"CONTOS de Tchékhov" - Volume II - Anton Tchékhov

 


Penso que nenhum escritor é tão famoso pela obra contista como Tchékhov, uma das estrelas maiores da sublime literatura russa do século XIX, sei que escreveu centenas de contos e penso que estão todos publicados nesta coleção da Relógio d'Água com mais de uma dezenas de volumes. Não costumo falar da editora, mas são tantos os livros com narrativas dele que se não os referenciarmos podemos estar a falar de coletâneas completamente diferentes. Não sei o critério de distribuição dos contos nesta série, mas não é cronológica.
No volume II "Contos de Tchékhov" temos 11 narrativas, algumas com cerca de uma dezena de páginas e outras acima de 50, talvez só numa o desfecho é uma lição de moral, na sua maioria são relatos da personagens comuns acomodadas ou vítimas da vida, por vezes vivendo com dificuldades, noutras vencendo como oportunistas e há ainda os desiludidos e os indecisos, um conjunto de protagonistas que não são heróis diferentes da população em geral, mas todos são únicos e essa particularidade é tratada com mestria pelo contista.
Não sei russo para falar da escrita original, mas a tradução origina textos magníficos, ricos em vocabulário, inclusive de uso na época, e tratados com um cuidado que faz sentir dentro do leitor o frio da Sibéria, a injustiça da estratificação social, a fome do pobre, a modorra do ocioso ou indeciso, a esperteza do oportunista ou a fé e superstição do crente. Narrativas que transmitem reflexos multifacetados de uma jóia excelentemente talhada que me deslumbra e fazem o retrato do povo Russo à época, apesar de uma realidade bem diferente da de hoje podemos ver muitos casos similares no presente.
Vale a pena ler, isto é literatura no seu estado puro sob a forma de conto, gostei muito...

terça-feira, 18 de agosto de 2020

"O Herói das mulheres" de Adolfo Bioy Casares

 

Estava com saudades de estórias curtas, pelo que optei por ler o livro de contos do argentino Bioy Casares: "O herói das Mulheres", correspondendo este título ao do último desta coletânea de 8 narrativas reunidas em cerca de 150 páginas.

Existem alguns contos muito curtos, os maiores têm cerca de uma trintena de páginas, como os que abrem e fecham a coleção. Temos sobretudo narrativas fantásticas ou surrealistas na mesma linha da do amigo do autor: Jorge Luis Borges, com quem partilha a honra de ser um dos maiores escritores da Argentina. Algumas tornam-se divertidas pelo seu final surpreendente, outras são absurdas, mas o conjunto evidencia a diversidade por onde a psique humana se perde, labirintos entre a realidade e a imaginação.

Desde de um túnel curto que une pontos longínquos por onde um estudante se desviou em fuga aos estudos e encontrou o amor que se lhe tornou inacessível; a uma descoberta útil para o aproveitamento da dor física; ao jovem que não segue os conselhos da mãe e sai protegido pela magia; ao homem que foge da mulher obsessiva mas que a encontra no fim da sua fuga; à mulher que viaja em primeira-classe justificando as desvantagens; um intrincado jardim fantástico que embaraça a fuga de um jornalista perseguido politicamente; ao rapto por fantasma que talvez seria um tigre. Tudo isto numa panóplia diversificada e interessante. 

Para quem gosta do género é um livro muito bom entre o estilo de Kafka e de Borges, e também excelentemente escrito e narrado.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

"Contos de São Petersburgo" de Nokolai Gogo

Acabei de ler o livro "Contos de São Petersburgo" do russo de origem ucraniana: Nikolai Gogol, um conjunto de 6 contos não muito curtos. A minha iniciativa de comprar este livro foi impulsionada pelo "O Retrato" que faz parte deste conjunto mas que já lera, gostara muito e é o mais extenso, por isso surge muitas vezes em separado. Todos situam-se na antiga capital da Rússia, deduz-se que no século XIX, época em que o escritor viveu e decorrem sempre fora do estrato social da eleite palaciana do czar, dos nobres ou dos burgueses.
Gogol escreve muito bem e ao estilo típico da literatura russa daquele século, um género de que eu gosto particularmente, mas se adorara "O Retrato", não posso dizer que me agradaram de igual modo todos os restantes contos deste conjunto. Dois deles, "A Caleche", o mais curto, e "O Nariz" são muito divertidos. O primeiro conto do livro cruza duas estórias independentes de dois cidadãos que surgem inicialmente juntos na "Avenida Névski", pelo que quase se pode dizer que são sete contos em um. Na grande maioria os protagonistas não saem bem da estória e talvez seja isso o que me deprimiu nesta coleção. "Diário de um Louco" tive pena pela saída da realidade do narrador que não entende a razão do maltrato de que é vítima e o último da série "O Capote" torturou-me mesmo ver a desgraça escalpelizada ao extremo daquele funcionário pobre, desprezado e vítima da sociedade que o abandona e o explorou.
Três contos, O Retrato, O Nariz e O Capote têm componentes surrealistas, curiosamente são nessas passagem que Gogol conseguiu divertir-me ou dar lições de moral de uma forma que me cativou e gostei, noutros momentos aprofundou descrições da cidade ou de personagens de uma forma para mim exagerada que me cansou e nalguns casos cortou o fio da narrativa. Assim, o conjunto tem momentos excelentes e um conto magnífico, mas ao longo dele não foi homogéneo o prazer da leitura.

domingo, 29 de março de 2020

"As Mil e Uma Noites" Volume 1


Excerto
"nada detém uma mulher quando ela quer alguma coisa."

Acabei de ler o primeiro volume da edição dos contos da obra "As mil e uma noites", um dos clássicos da literatura universal, com origem na idade média saído do mundo islâmico, sendo esta edição uma tradução da versão mais antiga conhecida em língua árabe editada por crowdfunding.
Este volume começa com um historial sobre as origens geográficas, linguísticas e divulgação desta obra até chegar ao ocidente e depois alguma evolução que esta sofreu já na Europa por adições para satisfazer o público não constantes no início, onde fica evidente porque se está perante uma das obras mais conhecidas das pessoas que simultaneamente o real conteúdo é desconhecido. Apesar da sua importância para o contexto da obra, confesso que apenas folheei e li excertos.
Depois segue-se a obra propriamente dita, onde se descobrem as razões porque o rei Xariar decidiu todos os dias casar com uma súbdita diferente, matá-la a seguir à noite de núpcias e a estratégia de Xerazade para pôr termo a esta carnificina através de se oferecer em casamento a ele e iniciar um série de contos narrados a sua irmã, Dinazarde, que alimentassem a curiosidade do marido e a mantivesse viva.
Os contos, na sua grande maioria, são do estilo fantástico ou do género fábula, não com bruxas e fadas do estilo ocidental, mas com os seus equivalentes no imaginário do médio oriente: génios e ifrites, cuja narrativa pode atravessar várias noites, sendo interrompida em momentos de suspense para manter o interesse e quando terminam deixam com frequência pistas por esclarecer que permitem o encadear de estórias e preservar a curiosidade.
Os contos encerram muitas vezes lições de moral e bons costumes, intercalados com aprendizagens da vida sobre as injustiças na vida terrena, havendo partes em prosa e outras em verso que sintetizam provérbios ou são cantos de amor ou do elogio à beleza física e intelectual. Pelo meio há algumas passagens quase eróticas e mesmo momentos brejeiros. Contudo o papel superior da vontade do Deus único, como agente do triunfo da Justiça e do Bem sobre a perfídia e  malvadez, é frequentemente invocado e atravessa todo livro, mas não se está perante o deus ex-machina da literatura clássica ocidental que intervém diretamente para castigar ou corrigir o mal.
O tradutor disponibiliza numerosas notas em rodapé que esclarecem pormenores do texto relativos à cultura da época, à mentalidade do médio oriente ou do mundo muçulmano e, inclusive, dificuldades de tradução e enquadramentos históricos que muito enriquecem o saber do leitor e ajudam a compreender e a referenciar aspetos que passariam despercebidos.
Não sou um habitual fã de contos fantásticos, mas reconheço a riqueza destas histórias, a influência cultural das mesmas e confesso que além de se estar perante uma obra de fácil leitura, o suspense que é mantido assegura o interesse e o prazer da leitura e em breve espero entrar no volume seguinte deste clássico da literatura mundial que vale a pena conhecer.