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domingo, 6 de janeiro de 2013

Dias de Reis - Presépios tradicionais no Faial

Dia 6 de janeiro era tradicionalmente o Dia de Reis, coincidente com a festa da Epifania da Igreja Católica. Os tempos modernos e laicos transferiram esta festa para o primeiro domingo após o primeiro dia do Ano Novo, mas em 2013 as duas datas sobrepuseram-se.
 Presépio nos Espalhafatos

Tradicionalmente as famílias faialenses faziam os seus presépio com recurso a pedras que cobriam com musgo, líquenes, ramagens, serradura, bagacina e areia para imitar pastagens, currais, terras de cultivo e caminhos, sobre os quais se sobrepunham figuras de pessoas e animais, miniaturas de casas e monumentos das nossas terras, num recanto ficava a lapinha com a Sagrada Família com um menino Jesus recém-nascido, pelo caminhos havia sempre a representação dos 3 reis magos.

Presépio em Pedro Miguel

Desde que se instalou o hábito dos concursos de presépios passei a dar a volta ao Faial a visitar várias destas representações abertas à população, em 2013 cumpri esta tradição e aqui vão dois dos presépios tradicionais entre outros que visitei.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Presépio de 42 Presépios

Ao nível de presépios originais no Faial, tema que habitualmente retomo no início de cada ano, em 2012 destaco um aqui na rua da Igreja da Ribeirinha, um Presépio constituído por 42 representações da cena central do Natal: a Sagrada Família na gruta de Belém.


Desde a cortiça, passando pela lapinha tradicional dos Açores até à madeira, ao papel e continuando pelo pano pintado...


... prosseguindo por vários tipos de pedra, avançando para as modernas cápsulas de café expresso e voltando aos já esquecidos sabugos das espigas ou maçarocas de milho, além de outros materiais e técnicas diversas...


que totalizam as 42 formas diferentes de ver um presépio junto à casa de venda de artesanato da Ribeirinha... uma originalidade de originalidades a não perder nesta época.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 3: Praia do Almoxarife

Na tradição, hoje 6 de Janeiro era o Dia de Reis ou Epifania que simboliza a apresentação de Jesus aos povos do mundo para além do judeu e nesta data termina a série de posts relativa à quadra natalícia que acabámos de atravessar.

Construído na igreja paroquial, desenvolve-se em forma de U por vários corredores de circulação no templo e foi crescendo ao longo de vários domingos do advento de acordo com a mensagem religiosa a transmitir nesse dia.

É assim pela sua disposição, modo de crescimento um presépio original, pelo sua estrutura interna e maioria dos materiais utilizados um presépio tradicional.

Ao visitante que não acompanhou a sua construção o que mais se destaca são as várias miniaturas de edifícios típicos da ilha feitas em blocos de basalto e com um pormenor digno de louvor.
Desde a torre do relógio, fontanários, poços de água, casas tradicionais, quintas com currais e utensílios agrícolas, o conjunto de peças distribuídas pelo presépio merecem uma atenção profunda.
Paralelamente várias mensagens encontram-se dispersas pelas várias fases do presépio em conformidade com as leituras bíblicas do advento...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 2: Salão e Pedro Miguel

As freguesias contíguas à Ribeirinha também costumam apresentar presépios mais ou menos tradicionais, este ano não foi excepção e cá está o fruto da visita para quem não conseguiu deslocar-se ao local, o que é uma apreciação sempre mais completa.

No Salão Henrique Escobar estrutura o seu presépio em anfiteatro virado para um espaço disponível ao visitante, se à primeira vista parece meramente tradicional, um olhar atento descobre que as representações de afloramentos rochosos foram substituídas por troncos e cascas de árvores, pelo que a lava quase não existe no presépio, o qual, apesar do seu aspecto recorre a um material bem menos comum neste tipo de representações.

Além da recordação da tradição, só para reparar o cuidado tido com as texturas das cascas de árvore para expressar diferentes tipos de rochas vale a pena visitar este presépio.

Na freguesia de Pedro Miguel, Carlos Bettencourt expõe um presépio tradicional, onde abundam pormenores sobre as actividades rurais mais comuns no passado.

Recorreu aos materiais tradicionais, nomeadamente numerosas figuras de porcelana com trajes típicos do país, sementes e verduras.

Em próximo post um presépio que mistura o tradicional e inovação situado noutra freguesia da zona leste do Faial.

sábado, 1 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 1 - ESPALHAFATOS

Os presépios são sem dúvida uma das formas de expressão artística e religiosa com maiores tradições nos Açores, os quais marcam presença todos os anos pela época natalícia em muitas casas e instituições destas ilhas, onde algumas das quais, como no Faial, habitualmente os colocam à disposição da visita do público.

Após ter publicado sobre o presépio dos Escuteiros da Ribeirinha, hoje mostro os expostos publicamente nos Espalhafatos, em casa de António Matos Rocha e na igreja de Santo António.

Repleto de cenas de vivência tradicional das nossas ilhas e de cena bíblicas associadas ao Natal, o primeiro presépio utiliza além de imagens de cerâmica, numerosos edifícios típicos pintados e construídos manualmente que se integram num cenário paisagístico com recurso a lavas, bagacinas, musgos, líquenes trigo germinado e ramos de plantas arbustivas e arbóreas. Uma construção detalhada das nossas vivências e tipicamente tradicional.

Não menos tradicional, mas cada vez mais escasso, são os altarinhos ao Menino Jesus, Laura Rocha assumiu a tradição e construiu o seu com os degraus típicos, cobertos de tecidos com rendas e bordados e decorados com as habituais tangerinas e trigo germinado. Uma ternura cheia de memórias de como era vivido o Natal antigamente no Faial.

A simplicidade não é oposta à beleza, na igreja de Santo António, com predomínio de material arenoso e cactos, que recordam os desertos que cercam Israel, e uma gruta em basalto cerrado cercada de musgo, dão a este presépio uma estética singular e agradável.

sábado, 25 de dezembro de 2010

PRESÉPIO DE ESCUTEIROS DA RIBEIRINHA

Talvez a maior tradição de índole popular do Natal nos Açores seja o Presépio, todos anos,de forma original ou tradicional, na Ribeirinha são expostas publicamente uma ou mais destas representações do nascimento do Menino Jesus e 2010 não foi excepção.


O primeiro presépio por aqui visitado este ano foi projectado pelo Agrupamento 973 da Ribeirinha do CNE, além da lapa, estão expostas várias actividades desenvolvidas pelo escuteiros com recurso a materiais tradicionais, cordas e a boneca mais famosa dos últimos tempos.

Assim, lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros, convenientemente fardados estão presentes em cenas de acampamentos, caminhadas, lazer e repouso neste Presépio.

Uma iniciativa a visitar nos dias festivos desta quadra natalícia no edifício pré-fabricado da rua da Igreja.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL 2010

Presépio - Barcelona

A todos os que por aqui têm passado, silenciosamente ou deixando as suas marteladas, incógnitos ou identificados, conhecidos ou desconhecidos, descrentes, agnósticos ou crentes, votos de Feliz Natal.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PRESÉPIO ORIGINAL - RIBEIRINHA

A tradição do Natal em Portugal leva à construção do Presépio e embora hoje surjam cada vez novas formas de dar a este um aspecto contemporâneo, o princípio tende a manter-se: representar a cena do nascimento de Jesus em Belém associada a alguns pormenores típicos das nossas terras.
Na Ribeirinha esta tradição mantém-se viva, por norma todos os anos há Presépios particulares ou colectivos, vivos ou com imagens, grandes ou pequenos, tradicionais ou originais e disponíveis a quem nos visita.
Aqui está um Presépio, perto de minha casa, feito sobretudo com rolhas de cortiça que, além da tradicional gruta, adiciona dois dos imóveis mais marcantes na paisagem desta freguesia ao longo do século XX e fortemente danificados pelo sismo de 1998: o Farol e a Igreja. Por coincidência, dos poucos que não foram ainda reconstruídos, apesar dos anseios nesse sentido das gentes que por aqui vivem...
Para saber mais pormenores deste Presépio, ver o blogue: O Cantinho da Conceição.

sábado, 3 de janeiro de 2009

PRESÉPIO DE NATAL

Quando cheguei ao Faial em criança, o Natal nas casas rurais era dominado pelas Prendas do Menino Jesus, sempre dentro dos limites dos escassos rendimentos que a agricultura então permitia;
- as Árvores de Natal, enfeitadas com garrafinhas de cápsulas de injecções embrulhadas em papel de estanho das guloseimas consumidas ao longo do ano, correntes de papel de seda compradas nas mercearias cá da terra e postais vindos das américas;
- os Altarinhos, em pirâmide, forrados de colchas de seda e rendas, iluminados com velinhas e decorados com junquilos, laranjas, tangerinas e pratos de trigo recém-germinado e...

- o Presépio Tradicional, com pequenas imagens de cerâmica ou outros materiais, não faltava a cena da natividade, os reis magos, os pastores e uma representação variada do quotidiano das nossas freguesias rurais. Eram autênticas aldeias, com casas de madeira ou cartão, pastos de líquenes, florestas de musgo, árvores de plantas diversas, caminhos de areia, muros de bagacina, rios de alumínio, lagos dentro de louça... e uma infindável lista de outros objectos que a imaginação do autor utilizava nas suas representações, para que os amigos e a pequenada de toda a comunidade o visitasse durante a quadra.

Hoje o Presépio de Natal é uma raridade, alguns são peças originais de arte contemporânea, mas os tradicionais ainda subsistem por amor de alguns e incentivados por um concurso municipal... António Matos Rocha, um luso canadiano residente no Alto dos Espalhafatos, localidade pertencente à Ribeirinha, todos os anos insiste em fazer o seu presépio e a abrir as portas aos visitantes, este ano manteve a tradição e venceu o primeiro lugar dos presépios tradicionais... Objectos animados, ribeiras de águas correntes, matança de porco, folclore, festa do Espírito Santo, folclore e muito mais a visitar até ao final desta semana nas comemorações do Dia de Reis. Parabéns!

Ah... existiam também os Ranchos de Natal... mas esses não cantavam nas casas, corriam os salões das colectividades, apinhados de gente para os ouvir, bailar e dançar e já foram alvo de atenção no início do ano passado, tal como o presépio de então do mesmo autor.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

PRESÉPIOS E RANCHOS DE NATAL NO FAIAL

No Faial, desde criança que os meus primeiros dias do ano eram passados a ver presépios tradicionais em casas particulares, muito deles disponíveis à população em geral, que visitava estes monumentos efémeros, percorrendo de rua em rua e, mais recentemente, de lugar em lugar, onde se retratava o nascimento do Menino Jesus e as tradições locais.
Hoje, os presépios estão cada vez mais raros. Existem concursos para a tradição se manter... mas o que não é feito por amor tende a desaparecer e estas obras de arte estão presentemente em vias de extinção e ninguém ainda aprendeu a cultivar, novamente, na população faialense a paixão pelo presépio. (clique nas fotos para as ampliar)Entre os poucos que encontrei destaco o presépio situado na Estrada Regional, no lugar dos Espalhafatos, freguesia da Ribeirinha; onde, através de figuras animadas, estão presentes todos os ingredientes indispensáveis ao presépio: a cena da gruta, os pastores e os reis magos, bem como a maioria das artes, ofícios e folclore típico das nossas comunidades rurais, como curiosidade, também um vulcão activo e em erupção.
Se os dias eram para se ver presépios, os serões eram para ouvir os ranchos de Natal. Sempre me lembro de existirem dois tipos:
- os ranchos zabumbas (sei que o termo também existe no Continente) onde nos instrumentos musicais predominam a percursão com tambores, caixas, ferrinhos e castanholas; acompanhados de flauta (pífaro) e, mais recentemente, harmónicas; e
- os ranchos tunas, onde predominam as cordas com destaque para os bandolins e violas.
Ambos formas de expressão musical tradicional em declínio e onde os concursos, nos moldes habituais, não têm sabido cultivar o orgulho e o prazer com que estes ranchos eram alimentados nas nossas comunidades antigamente. Na foto acima o rancho tuna da Feteira, o único que até ao momento tive o prazer de ouvir em 2008.