Citação
"o chefe gostava tanto das raparigas novas quanto eu dos livros velhos"
Estreei-me no escritor checo Bohumil Hrabal na sequência de um elogio de um amigo leitor feita ao escritor e tenho de reconhecer a qualidade literária e profundidade de pensamento que "Uma solidão demasiado ruidosa" contém.
Hanta trabalha como prensador de papel numa cave há 35 anos em Praga, produto que se destina à fábrica de reciclagem, durante toda a sua vida viu chegar o rejeitado pela atividade da cidade, desde papel sujo até a cópias de obras-primas da pintura e grandes livros de filosofia clássica, contemporânea, poesia e demais literatura. A sua paixão por livros fá-lo guardar os grandes clássicos do pensamento e da cultura. Na sua vida miserável, pouco higiénica, em contacto com ratos ou moscas e movida a cerveja, é um conhecedor do melhor que a escrita produziu. No final da sua carreira reflete no que foi a sua vida, as suas paixões e pensa reformar-se quando se sente ultrapassado pelo modernismo e pelo desprezo fruto desta sociedade injusta que não é para velhos, nem para gente amante das letras.
O autor faz um exame autobiográfico numa escrita que é um poema em prosa de grande profundidade e uma reflexão sobre como esta sociedade pisa os mais humildes que a servem, mesmo que sejam grandes sábios desconhecidos que nas cloacas da civilização a mantém em funcionamento.
Um grande texto num livro pouco extenso, sem diálogos que se lê com prazer pela qualidade da escrita e que emociona pelos acontecimentos narrados. Gostei muito.

1 comentário:
fiquei curiosa, gostei da capa e da sua descrição. no brasil escrevemos tcheco. e estamos em sintonia, tb falei de livro hj e a capa tb é azul. beijos, pedrita
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