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sábado, 31 de outubro de 2026

"A Montanha da Alma" Gao Xingjian

 

Excerto
"... só posso recorrer a mim como parceiro das minhas conversas.
Neste longo monólogo «tu» é o objecto do meu discurso, de facto, é um eu que me ouve atentamente, «tu» és apenas a sombra de mim.
Enquanto ouvia atentamente o meu próprio «tu», fiz-te criar «ela» porque tu és como eu, não consegues suportar a solidão, também tens de encontrar alguém com quem falar."

Na pesquisa de um autor na Biblioteca Pública da Horta, que não encontrei então disponível, cruzei-me com "A Montanha da Alma" do primeiro vencedor do prémio Nobel da literatura Chinês: Gao Xingjian, que também é pintor. Sendo eu um admirador da cultura chinesa, decidi, em alternativa, ler este romance.
Numa viagem de comboio um passageiro desconhecido desperta interesse ao narrador, alter ego de Gao Xingjian, para visitar a Montanha da Alma, recebendo informações de como chegar, inicia a sua caminhada.
Segue-se a narrativa da viagem solitária em busca deste lugar, aliás, grande parte da obra parece literatura de viagem, em que se descrevem as terras atravessadas, se escutam as suas gentes que contam as suas lendas e história que se cruzam com as recordações do autor que, na sua solidão, fala consigo, o seu "eu" que é o "tu"  que denuncia as suas intenções e comportamentos e juntos criam terceiras personagens, frequentemente mulheres, com quem discutem as relações humanas, os desejos e especulam sobre as necessidades físicas e psicológicas de cada um.
O texto descreve as paisagens do sudoeste interior montanhoso da China da província de Sichuan e envolvente, com a sensibilidade de um pintor poeta. Expõe a história da região desde há milhares de anos, das suas etnias, religiões, templos, filosofias e culturas, com referência a cronistas e a poetas.  Denuncia os abusos ao longo dos tempos, passando pela revolução cultural e do poder opressivo do regime contemporâneo ao livro, que, além de destruir o património desta área, também agride as pessoas, mas que evidencia um grande orgulho patriótico em toda esta herança.
O autor não esconde as influências literárias do ocidente, inclusive chega a ironizar com isso através de uma personagem que lhe diz "Mais um modernista que tenta em vão imitar o Ocidente.", havendo várias páginas em que se discute a própria estrutura da obra. Nos capítulos além dos diálogos entre o eu, o tu e o ela, fica-se, por vezes, na dúvida se algumas das outras personagens resultaram de encontros reais ou das suas reflexões e memórias.
A leitura tem capítulos fáceis, cativantes, belos e de escrita poética e plástica, outros, frequentemente alternados, mais filosóficos, alguns com relatos ora duros, ora absurdos e por vezes com saltos no tempo e lugar por onde nos perdemos e difíceis de continuar. Não é uma narrativa linear com um enredo é mais um puzzle que se vai montando com uma miríade de quadros, histórias, lendas e personagens que se entrecruzam numa obra modernista com diálogos que me recordam Beckett num romance que foi proibido no país do seu autor, mas que já antes se exilara em França. Não é uma obra fácil, mas tem páginas muito belas.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

"O Louco de Deus no Fim do Mundo" de Javier Cercas

 

Acabei de ler o livro, em formato de ebook, da reportagem do escritor de ficção, espanhol e ateu, Javier Cercas, da sua viagem, em agosto de 2023, como convidado para a comitiva que acompanhou o Papa Francisco na sua visita à Mongólia, e intitulado de "O Louco de Deus no Fim do Mundo".
A obra contém várias partes, no início expõe a surpresa do convite, feito por Fazzini o editor de uma livraria católica, e a estranheza pela encomenda de um livro escrito por ele sobre a viagem, tendo total liberdade sobre o conteúdo do mesmo. Aceite o convite, Cercas assume o interesse em ter uma audição com Francisco, o que não lhe é garantido, ficou o compromisso de esforços nesse sentido.
Cercas revela a sua educação católica e factos da sua caminhada para o ateísmo, sendo os intervenientes no livro, normalmente informados do seu anticlericalismo, põe em contraste a posição dos Loucos de Deus com a dele, um Louco Sem Deus, mas anseia questionar Francisco sobre a crença da sua mãe na Ressureição da Carne e do reencontro dela com o seu falecido marido.
Na parte seguinte relata os dias em Roma antes da viagem, onde tenta compreender quem é o Jose Mario Bergoglio por detrás do Papa, expõe alguma informação biográfica resultante da sua pesquisa e entrevistas a vários homens fortes da comunicação social e cultura da Santa Sé, que genericamente chama de Soldados de Bergoglio. Aqui inclui o responsável pela Cultura do Vaticano, o poeta português Tolentino Mendonça. Assim, conhecemos a ideia que o escritor vai formando de como é Francisco, as marcas do seu papado, a revolução que faz no coração do Catolicismo e as resistências que o cercam
Depois vem a reportagem dos dias da visita à Mongólia, país onde quase não há católicos. Cercas conta em pormenor a viagem de avião, onde teve uma audiência privada com o Papa que deixa para o final do livro. Descreve o comportamento dos jornalistas presentes e das pessoas da comitiva papal que vai conhecendo. Contacta com vários missionários estabelecidos em Ulan Bator, que descrevem a realidade social e religiosa desta capital e dos Mongóis e reporta os eventos da visita oficial do Papa.
O relato da visita é composto de várias frentes: a dos jornalistas que são mais repórteres políticos com interesse na relação Igreja/China e sem interesse na mensagem religiosa e com ignorância neste domínio. Outra é as entrevistas a missionários vindos de África, América Latina e Europa para um meio tão diferente e a tentativa de perceber estes loucos de Deus no fim do mundo, faz questões difíceis sobre a fé e o seu dia-a-dia. A última é a descrição dos atos oficiais: os encontros políticos, inaugurações e uma missa, onde a sua perspicácia de analista não esconde as tensões, desconfianças e as máscaras entre a religião, a política e a sombra da China.
Por fim o regresso, que contém uma entrevista com o titular do discatério da Doutrina da Fé, ou seja, ao herdeiro da Inquisição e do Santo Ofício no papado de Francisco, outro argentino que até fora alvo da desconfiança do ministério tão mal afamado que agora tutela e a quem Cercas não deixa de fazer questões difíceis e falar sobre o credo e de contrastar este homem com "O grande Inquisidor" de Dostoievski no romance dos Irmãos Karamazov. Já em Barcelona, Cercas vem jantar com a mãe e traz-lhe a resposta que Francisco lhe deu sobre a Ressurreição.
Nunca li nenhum romance de Javier Cercas, mas esta reportagem mostra que é alguém que sabe contar uma história, reportar uma viagem, capaz de entrevistar distinguindo o que são as suas opiniões, crenças e formas de pensar, respeitando as ideias do outro e faz tudo isto com reflexões e análises críticas pessoais sem menorizar tudo o que em contrário lhe é respondido.
A obra tem um epílogo com um acontecimento posterior, a morte da mãe de Cercas, onde uma surpresa veio fechar com chave de ouro o livro deste homem ateu, anticlerical que mostra Jose Maria Bergoglio e o Papa Francisco sem complexos, mas sem qualquer tentativa de o repórter se tornar num apóstolo camuflado para gente sem fé. Vale a pena ler esta obra com muitas ideias para reflexão para crentes ou descrentes. Não é um livro religioso, mas fala de um Francisco verdadeiramente cristão que dirigiu o Vaticano.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

"Baía dos Tigres" de Pedro Rosa Mendes

 

Excerto

"Capitalismo é exploração. Comunismo não traz progresso. Mas este país é miséria. Só há uma lei: manda quem pode e obedece quem tem juízo."

Acabei de ler o livro "Baía dos Tigres", prémio PEN clube de 1999, do jornalista, escritor e repórter de guerra português Pedro Rosa Mendes. Apesar da obra estar qualificada como romance, de facto é uma reportagem, provavelmente com personagens e passagens ficcionadas, mas radicadas em factos e pessoas que foram narrados ao autor ou este se cruzou.

Pedro Rosa Mendes em 1997, período de interregno na guerra civil angolana na sequência do acordo de Lusaka, implementou uma travessia de Angola a Moçambique que, em simultâneo, recordava várias viagens de séculos anteriores que foram então feitas na tentativa de unir estas colónias portuguesas e para o controlo luso desta faixa africana.  O livro é composto de pequenos textos com impressões da sua viagem que aqui são reunidos sob a forma de crónica, conto, ensaio ou reportagem, os quais fazem um retrato, sobretudo, do sul de Angola, um pouco de Moçambique e até da Zâmbia. Não sei se poderia chamar literatura de viagem, mas sem dúvida que é uma mistura de ficção e reportagem.

Mesmo escrito por um jornalista, todos os textos são trabalhados literariamente de um forma bastante rica e diversificada, nele estão incorporados figuras de estilo literário clássicas e formas tipicamente africanas: vocabulário, modo de pensar, falar e estar. Existem momentos a descrever o terror com humor, até hilariantes e de grande beleza imagética. Há outras passagens que são, sobretudo, narrativas descritivas e memórias ricamente trabalhadas de forma estética, que vão do alegre ao terror da guerra e passam pela amargura de um povo que não pode ter perspetivas à sua frente e onde os mais velhos têm memórias de outros tempos e os mais novos nem passado nem futuro, apenas a sobrevivência do presente. Há ainda poesia a pontuar a obra, poemas de guerra, poemas cheio de alma e tradições do sul de Angola. Há denúncias de situações, há relatos de horror e da sua destruição louca, mas nunca a escrita perde a forma de ser grande literatura, como qualificou a obra José Eduardo Agualusa.

No conjunto, o livro está cheio de vozes como as que compõe as obras da laureada com o Nobel da literatura Svetlana Alexijevich e não menor riqueza literária. No livro há sobretudo vítimas, percebe-se quem foram os senhores da guerra, percebe-se que há culpados e há oportunistas ainda piores que os maus e nem o poder oficial ou oposição são isentados nesta obra, mas o que Pedro Rosa Mendes faz é um retrato da situação no terreno naquele momento de interregno da guerra e por isso o tom alegre inicial vai-se tornando mais triste. Gostaria que houvesse uma obra equivalente atual para saber como está a situação no terreno hoje.

Uma obra que apesar de dura, a ternura e a beleza de escrita a tornam fácil de ler e gostei muito.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Por Budapeste

Nestes dias o blogue tem andado sem vistorias minhas, pois ando em férias por Budapeste. Hungria.





 Cidade muito bonita, com monumentos marcantes construídos ou redesenhados sobretudo no século XIX, com forte imponência sobre o Danúbio.

sábado, 13 de abril de 2019

"Três homens num barco" de Jerome K. Jerome

Acabei de ler o livro "Três homens num barco" do inglês Jerome K. Jerome, o romance narra os preparativos e a subida de três jovens e o cão do autor ao longo do Tamisa a partir de Londres, transformando-se assim num livro de viagem contado cheio de humor cavalheiresco britânico do final do século XIX.
Um texto muito fácil, com um teor juvenil e pleno de humor, embora muitas vezes as aventuras sejam contadas com um tom hiperbólico que talvez não pareça muito conveniente no século XXI. Pelo meio existem descrições da paisagem, das estruturas no rio, povoações e da personalidade dos protagonistas o que cria um excelente retrato desta zona da Inglaterra naquela altura.
O seu contínuo humor e a facilidade de leitura justificam porque esta obra foi um sucesso desde o início como livro de lazer e divertimento e estímulo dos jovens à leitura. Uma narrativa simpática e agradável.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Pela China

Este mês continuei a ler, mais devagar pois tenho andado a visitar a China, em breve espero voltar a falar de livros uns dias após chegar a Portugal. Por agora uma amostra desta viagem a começar pelo cruzeiro no rio Li.

Cruzeiro no rio Li

Exército de terracota em Xi'an

Cidade Proibida em Beijing

Yangshuo o final do cruzeiro no rio Li

 Quilin a cidade de partida do cruzeiro no Li

 Paisagem em torno do Li

cidade de Quilin

 Templo em Beijing

Visita à Muralha da China perto de Beijing

Também houve muralha da China, Macau e Hong Kong.... Mas fotos não as passei para este tablet quando puder prometo atualizar está mensagem.
 Centro histórico português em Macau - ruínas de São Paulo

  Centro histórico português em Macau -  rua antiga na área património mundial

  Centro histórico português em Macau - No largo do Senado

 Hong Kong vista de Peak

Centro financeiro de Hong Kong

Hong Kong centro financeiro

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

"A Amiga Genial" de Elena Ferrante



"A Amiga Genial" de Elena Ferrante é a primeira obra que leio desta escritora italiana contemporânea, correspondendo a um dos maiores fenómenos literários dos últimos anos por em simultâneo coincidir com um grande êxito editorial e reconhecimento de qualidade do romance, sendo este o motivo que me despertou interesse após ouvir numerosas recomendações para a respetiva leitura.
Este título corresponde ao primeiro volume de uma tetralogia que conta pelos olhos da narradora as histórias de vida e da amizade desta com outra rapariga da mesma idade iniciada nos bancos da escola primária até ao começo da velhice integradas na teia das relações sociais do seu bairro pobre e popular de origem em Nápoles até ascensão e sucessos pessoais da autora e da sua amiga nesta cidade. O presente tomo vai da infância, passa pela adolescência e chega até à entrada da vida adulta da sua colega e decorre a partir da década de 1950. A autora que deseja ser escritora vai descobrindo que a companheira possui uma genial inteligência, mas descobre-se que há uma admiração mútua, grandes sonhos de ambas em ascensão socioeconómica, uma influência nos comportamentos entre si, onde cada uma considera a outra um modelo de capacidades, vontade de estudar e exemplo para condicionar a sua atitude.
A escrita do livro é magnificamente agradável e desperta um grande prazer de leitura que se associa ao conteúdo narrativo, onde somos cativados pelas lutas de sobrevivência destas personagens, as descobertas íntimas da puberdade, do amor, os estilos de vida familiar e social num bairro pobre de operários com pequenos empresários locais, os defeitos do sistema, desde a sombra das redes do crime organizado, aos esforços dos empreendedores, às vicissitudes porque estes passam até aos preconceitos e hábitos destas gentes que os preserva num gueto de onde é muito difícil sair ou subir na vida.
É um livro de muito fácil leitura, onde a análise social é exposta por meios simples, descomplicando a narrativa e a reflexão, gostei de tal modo do volume que imediatamente encomendei os restantes três para próximas leituras, reforçado pelo facto de ainda este ano Nápoles ter sido a minha região de férias e descoberta, havendo passagens que me recordam aqueles dias tão agradáveis que ali passei. Recomendo a qualquer leitor.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Férias: Roma o regresso à cidade Eterna

Roma vista da cúpula do Vaticano

Uma revisita a Roma, esta cidade fascinante no trajeto de regresso, talvez a cidade com maior riqueza patrimonial de valor artístico do planeta, falei de Roma quando da anterior visita em 2009 aqui e aqui. Desta vez não penso passar grande tempo em museus e templos, apenas se possível saborear e observar a vida em Roma, pode ser que me surpreenda agora de um modo diferente, o que uma exploração muito programada não permitia.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Férias: Pozzuoli a cidade no vulcão que sobe e desce Campi Flegrei




Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar, anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos património da antiguidade, que se situa dentro de uma caldeira costeira, parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos, é mais um dia que junta férias e geologia.
Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que "incha" ou "encolhe", inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.
Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.
Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.
O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Férias: Pompeia - A cidade luxuosa soterrada pelo Vesúvio


Hoje é o dia que dediquei à visita da cidade de Pompeia que a erupção do Vesúvio no ano de 79 DC soterrou  completamente e está hoje a ser exposta através de escavações arquelógicas que mostram aos visitantes a dimensão, a riqueza e o estilo de vida desta povoação de luxo, onde muitos romanos ricos vinham então passar períodos de repouso tal como hoje o fazem em muitas estâncias de férias.
Desta erupção resultou um texto com uma descrição de grande pormenor feita por um observador atento: o filósofo Plínio o jovem; Plínio o Velho, seu tio, foi então uma das vítimas do Vesúvio, o que permitiu aos geólogos saberem com grande pormenor o evoluir dos acontecimentos  e caracterizar o estilo eruptivo com um nome em honra deste sábio: Atividade Eruptiva do Tipo Pliniano, uma das mais perigosas pelas explosões que tem associadas e projeção de piroclastos quer sob a forma de queda de pedra-pomes ou de cinzas, quer sob a forma de escoadas piroclásticas de grande velocidade dos mesmos materiais capazes de soterrar vastas zonas, em Pompeia muitas das vítimas vaporizaram-se pelo calor, mas deixaram os moldes na cinza vulcânica e são hoje um dos elementos observáveis na estação arqueológica que é Património da Humanidade
Recordo que no Faial a formação da Caldeira resultou de uma erupção do tipo Pliniano que descrevi neste post no tempo em que este blogue dedicava grande parte da sua temática à Geologia.
Para esta cidade em concreto, fica abaixo um filme das suas últimas 24h e dá para perceber não só a erupção que num dia destruiu Pompeia, como compreender o facto de a mesma ter ficado perdida até ao século XVIII, quando ocasionalmente foi redescoberta.



Se não visualizar o vídeo no post, observe no Youtube aqui
Espero ter possibilidade de ainda postar fotografias do que observei no terreno nestas férias em Pompeia.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Férias: Nápoles Campânia - Primeiras Impressões


Após um primeiro impacto de a cidade me ter recebido sujíssima ontem, durante a noite Nápoles limpou-se e hoje tem sido uma surpresa agradável.


Famosa pelo seu Bairro Espanhol, um género de Bairro Alto, mas muito mais extenso, abundam ruas estreitas, lambretas, roupa a secar, portas despudoradamente abertas para a moradias do rés-do-chão.


Espaço de venda de tudo espalham-se pelas ruelas e o trânsito é do desenrasca, sinais e peões são objetos a contornar com perícia, mesmo assim parecem evitar chocar com as pessoas, mas passeios e tudo mais são espaços a transitar e passadeiras e semáforos são decoração a ignorar.


Monumentos não abundam, Castel Nuovo, Palácio Real, Duomo com o tesouro de São Januário e o seu sanguem que liquefaz-se em dias específicos e o interior luxuoso de Jesus Novo, quase esgotam uma cidade densamente povoada, barulhenta e castiça tem um ambiente muito diferente da luxuosa Milão ou da monumental Roma e Florença, mas vale a pena a visita.


Ainda houve tempo para sair de Nápoles e visitar Herculano, soterrada por escoadas piroclásticas que preservaram muitas casas na erupção do ano 79 do Vesúvio, vendo-se ainda tetos, madeiras e até uma fornada de pão fossilizados.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Férias: Campânia e Nápoles - na rota dos vulcões

Nápoles com o Vesúvio ao fundo - imagem Wikipédia

Estou de férias e novamente a minha opção de viagens recaiu na Itália, desta vez uma visita ao sul de Itália: Nápoles, a cidade à sombra do vulcão Vesúvio, capital de reino durante séculos, com um património histórico rico e famosa pelo seu ar latino, bairros populares de aspeto decadente e baía aberta ao Mediterrâneo.
Todavia, desta vez  a escolha privilegiou o património natural dos vulcões e dos seus perigos: Vesúvio que ameaça Nápoles e sobretudo pretendo visitar Pompeia, a cidade soterrada por uma erupção no ano 79 DC e hoje um local arqueológico de excelência e Património da Humanidade da Unesco; a cidade de Pozzuoli, situada dentro de uma cratera do supervulcão ativo Campi Flegrei e o conjunto de fumarolas de Solfatara pertença deste mesmo complexo vulcânico.
Se as condições o permitirem uma viagem pela costa Amalfitana da província de Salerno, debruçada sobre o mar Tirreno e também património da humanidade.
À medida que tiver tempo e internet disponível, espero atualizar os posts agendados sobre estes locais.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Férias: Expo Milão 2015

Milão surge nesta rota por ter sido a porta de entrada e saída na minha viagem para Florença e Toscânia e a estadia foi para tentar ver a Última Ceia de Da Vinci, objetivo novamente não conseguido, mas deu-se a coincidência de estar a decorrer a Expo Milão 2015 e esta feira internacional recordar-me os tempos que Portugal se achava cheio de esperança e se aventurou com a Expo Lisboa 98 e por isso serviu a visita para termos de comparação, se na capital das descobertas o tema foi os oceanos, aqui no coração industrial da Lombardia o tema é a Alimentação, sob o lema "Nutrir o Planeta, Energia para a Vida".
Espero depois refletir neste blogue as impressões de um dia nesta expo 17 anos depois de Lisboa e ver os seus reflexos na Milão de hoje.

sábado, 20 de junho de 2015

Férias Toscânia: Pisa e a torre inclinada ou a importância da geotecnia

Torre de Pisa, imagem daqui

Este blogue nasceu com a divulgação da geologia como um dos seus temas principais e destinada a dar a conhecer neste campo o Faial e demais Açores, com o tempo este campo tem praticamente desaparecido  por já ter dado o fundamental sobre a ilha onde vivo, mas sou sempre geólogo e juntar curiosidades geológicas com lazer, sobretudo viagens e cultura é um dos meus prazeres e por isso na visita a Pisa não posso desperdiçar esta oportunidade.
A cidade de Pisa, a terra de Galileu Galilei, é conhecida sobretudo pela sua torre inclinada, onde o cientista fez a experiência sobre a queda dos graves, o desvio da vertical neste monumento resulta do facto de na época não ser regra efetuarem-se estudos geotécnicos para se compreender a reação das rochas quando sujeitas à carga vertical resultante da implantação de um edifício sobre elas, é que nem todas se comportam de igual modo e curiosamente, apesar da pequena área da torre desta basílica, sobre existem sobretudo dois tipos de espessuras de camadas de rocha e graus de saturação de água e a altura implicou  desta estrutura implicou uma peso significativo tendo as duas espessuras e quantidade de água reagido de forma diferente, uma compactando-se mais do que a outra e assim o chão que servia de suporte desta desceu de modo mais acentuado levando à inclinação da torre. Hoje não há grande construtora que não tenha antes do início do arranque de um projeto, quer seja edifícios com uma dimensão significativa como arranha-céus ou um mero pavilhão de exposições, barragens e até estradas que não faça sondagens mais ou menos complexas para conhecer as rochas subjacentes e o seu comportamento geotécnico ou reológico tendo em conta o peso a que ser sujeita e os efeitos que tal pode ter na construção de modo a se corrigir eventuais problemas atempadamente.
Tudo isto faltou em Pisa, a cedência continua e foi preciso uma intervenção geotécnica e de engenharia civil para evitar o colapso da torre cuja inclinação prosseguia de modo contínuo, mas agora chegou o momento de ir explorar a cidade e a sua atração turística.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Férias Toscânia: Siena, em busca da cidade medieval italiana

Siena e os seus princípais símbolos- imagem daqui

Siena é outra cidade património mundial por o seu centro preservar a arquitetura e o planeamento de uma grande cidade medieval. Infelizmente tal resultou do facto desta então importante terra ter sido muito afetada pela peste negra o que fez perder a sua grande dinâmica política e económica na Toscânia, ao contrário de Florença, estagnando assim no tempo o que permitiu preservar todo o seu centro histórico tornando-o num autêntico museu vivo.
Agora falta-me explorar este património, a sua praça e o seu belíssimo duomo. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Férias Toscânia - Florença: o berço do Renascimento

Florença: imagem daqui

Florença foi uma das cidades que mais cedo desejei visitar, contudo, talvez tenha levado mais de uma década entre a decisão e a programação da visita, mas depois de ter passado rapidamente por Veneza, reconheci que não poderia passar mais tempo para comparar aquelas que artisticamente e arquitetonicamente devem ser as duas cidades mais marcantes da Itália.
Espero neste berço do renascimento e património mundial, não só conhecer a arquitetura como arte, como os grandes Giotto, Boticelli, da Vinci, Michelangelo Buonarroti e Caravaggio e outros artistas que viram projetada a sua luz genial através da família Medici na terra do grande Dante cuja obra-prima, "A divina comédia" já li e também de Maquiavel.
Sendo esta a capital da Toscânia, à qual cheguei de comboio para conhecer a paisagem entre a Lombardia e esta cidade, e estando numa das províncias mais cosmopolitas deste país, penso ainda visitar, pelo menos duas das cidades com património conhecido mundialmente e ainda na minha rota operática ter mais um grande momento musical, agora com um obra suis generis e como vai sendo curiosamente hábito, na Itália não ouço óperas italianas.
Espero assim ao longo desta semana colher impressões suficientes sobre a vida atual, a gastronomia e o estado da arte da cidade de Florença e da província da Toscânia.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Holanda, impressões finais



Primeiro importa deixar claro que neste campo Holanda, são mesmo as províncias da Holanda do Sul, com Roterdão, Haia, Delft e Leiden, e da Holanda do Norte com Amesterdão e um passeio por Volendam e ilha de Marken, não se confundindo com o Estado dos Países Baixos.

Na Holanda do Norte, Amesterdão é de facto lindíssima e rica, milhares de pontes, centenas de canais e casas de empensas apertadas ricamente decoradas confere-lhe uma beleza singular, mas a sua bandeira de tolerância, que a leva aos coffeeshops e ao Bairro da Luz Vermelha emprestam-lhe também uma aspeto decadente e demonstra o carácter do holandês, mais do que tolerante, está aberto a todo o tipo de comércio, inclusive amoral. O centro da cidade é do mais ruidoso que conheço na Europa e o lixo deixado pelos numerosos turistas, com muitos jovens atraídos pelo exótico da legalidade das drogas leves e prostitutas na montra como qualquer artefacto comercial, dão um aspeto sempre sujo da zona mais movimentada da urbe que nem as frequentes limpezas conseguem dar vazão.
Se gostei de Amesterdão, confirmo que é bonita e vale a penas conhecer, mas o ar de moral decadente e os ciclistas que concorrem com os automóveis e não são de todo simpáticos para com os peões também fragilizam o meu gosto e não me sentiria bem a viver dentro desta cidade.



Volendam e Marken (na foto) têm a característica de a primeira ser católica e de ambas terem sido terras de pescadores, mas onde hoje o mar salgado deixou de lhes tocar devido à engenharia dos diques, só que as famílias daí dependentes vivem sobretudo depois de apoios do Estado, preservando-se para fins turísticos os seus bairros agora com um ar muito artificial para visitante ver. Os lacticínios em contrapartida estão pujantes, mas também abertos para o turista. Na visita foi pelo guia que se tornou evidente o desprezo protestante pelos cristãos ligados ao Vaticano, evidenciando que uma coisa é ser-se tolerante oficialmente e para fins de comércio, outra é tal resultar de uma atitude assimilada pelo caracter do cidadão e infelizmente as impressões com que fiquei dos holandeses não foram das mais positivas neste ponto.
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Na Holanda do Sul, Roterdão é uma cidade moderna cujo centro faz lembrar uma cidade média da América do Norte pelos numerosos arranha-céus, só que aqui abundam ciclistas em vez do automóvel e reina um comportamento delicado para com o peão e a simpatia dos habitantes está conforme com a ideia de civismo que se tem do norte da Europa. Não tem a beleza da capital da Holanda do Norte, mas a diversidade de arquitetura contemporânea, as numerosas esplandas em ruas largas de pouco trânsito, a arte de rua, o asseio e o ar moderno são trunfos que admirei, até no seu principal museu a arte do século XX é rainha e encontram-se magníficas peças. Confesso que o peso económico do porto e a força das empresas mostram a pujança do país e da urbe, isto misturado com gente de grande educação no trato que me cativaram de facto.



Leiden (na imagem abaixo) e Delft são cidades ricas em património histórico e cultural, também devido à universidade na primeira e têm uma enorme beleza e simpatia. Novamente os canais e as casas de tijolo típicas em torno de igrejas de majestosas externamente são pontos fortes e as esplanadas dão ar cosmopolitas só que aqui não decadentes e merecem uma visita.



Haia é uma cidade algo incaracterística, o seu centro histórico está altamente marcado por imóveis modernos, mas muitas vezes sem o equilíbrio entre o novo e o antigo, só que o largo onde se encontra o parlamento e o governo merecem um visita, tal como o museu Mauritshuis.


sábado, 5 de julho de 2014

Férias - Holanda: A explorar as cidades de Haia e Delft

Depois de Amesterdão, mas agora sem sair da minha base em Roterdão, prossigo com as explorações pela Holanda, desta vez através de visitas a cidades próximas: Haia e Delft

 Haia - fonte wikipedia


Haia, a sede do real governo dos Países Baixos, que sei ter importantes museus e onde a água continua a ser uma presença marcante.


Delft - fonte wikipedia

Delft terra do pintor Vermeer, agora já deverá ser bem diferente do tempo do seu famoso quadro do Porto de Delft, mas que sei ser um importante centro universitário e me dizem continuar a ser uma cidade fascinante, aspeto que agora estou decidido a confirmar.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Férias - Holanda: Roterdão

Roterdão casas cúbicas - imagem Wikipedia

Depois de descobrir Amesterdão, da qual oportunamente espero apresentar aqui as minhas impressões, chegou o momento de conhecer mais cidades holandesas, para já outra igualmente ligada à água, mas sobretudo do ponto de vista económico: Roterdão, sede de um dos portos mais movimentados da Europa e do mundo e terra natal de Erasmo e do seu elogio da loucura para através das letras criticar a sociedade para a transformar e gerar um mundo melhor.
Roterdão, uma cidade praticamente destruída pelos bombardeamentos da Segunda Grande Guerra, que para além dos seus museus e do seu porto, alvo de visitas guiadas, tem na sua arquitetura contemporânea arrojada do pós-guerra um dos focos de maior interesse, sem dúvida que o contraste com Amesterdão deverá ser grande, mas essas diferenças fazem parte dos aliciantes para tentar compreender a Holanda, um dos países economicamente mais ricos do planeta.

domingo, 29 de junho de 2014

Férias - Holanda: Amesterdão

Imagem wikipedia

Em 2014 volto a uma cidade de canais, isto cerca de um ano depois de visitar Veneza que me fascinou no ano passado, desta vez viajo pelo norte da Europa: Amesterdão na Holanda, a terra que Rembrandt escolheu viver e onde fez grande parte das suas pinturas, a sede do Concertgebouw para dignificar a interpretação da música e onde muitos judeus portugueses se refugiaram dos "pogromes" lusitanos e daí ter nascido Espinosa, isto devido à tolerância cultural e religiosa dos seus habitantes.

Por agora é demasiado cedo para me pronunciar sobre a cidade, primeiro há que explorar os cheiros, as cores, a comida, a arquitetura, os museus, a música e as vivências, mais tarde por aqui penso expor as minhas impressões sobre Amesterdão e ainda circular por outras terras do reino da Holanda: um Estado que ao contrário de Portugal, ao perder o seu império de ultramar e ao ter uma escassa área de terra para os seus habitantes, soube encontrar soluções para manter um elevado nível económico e de bem-estar socioeconómico aos seu povo e até conquistar terras ao mar para alargar o seu território.