Excerto
"Toda a complexa psique humana foi-se formatando para impedir o Homem de compreender aquilo que realmente vê,... ...O mundo é uma prisão cheia de sofrimento, construída de modo que, para se sobreviver, seja preciso infligir dor a outros."
Esta leitura resultou precisamente do facto de a autora polaca ter ganho este ano o prémio Nobel da literatura. "Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos" é uma espécie de romance policial, psicologicamente perturbador, não por ser um manifesto da causa animalista que considera os animais seres com estatuto igual ao dos humanos, uma espécie de religião ateia.
Num planalto isolado pouco povoado na fronteira entre a Polónia e a República Checa, na sequência da morte de um caçador furtivo uma vizinha deste - antiga engenheira de pontes mas forçada a abandonar a profissão por doença, professora de inglês mas reformada compulsivamente, tradutora de poesia, vegan e defensora dos animais - levanta a hipótese de que ele foi assassinado por corças em protesto pelo sofrimento infligido à fauna. Apesar do mau acolhimento da teoria, aos poucos outros caçadores da zona são assassinados com sinais de ação de animais. Ela pressiona a polícia a investigar os desrespeitos na caça e o ataque aos seus cães. A tensão cresce perante o desprezo das autoridades e a cooperação do padre nesta crueldade, até que tudo se descobre sobre estes crimes em série.
Olga Tokarczuk escreve bem, com a particularidade de colocar em maiúsculas substantivos a que dá importância: Animais, sentimentos como a Ira e certos Objetos. Paralelamente a narrativa faz-nos acompanhar da poesia de Blake, fala da literatura de terror e do instalar deste na sociedade caçadora, enquanto a protagonista como ativista vai acusando a sociedade de crimes ambientais, forçando a mudança de mentalidade das autoridades e convivendo com amigos desenraizados destes vícios civilizacionais.
O romance lê-se muito bem, tem suspense e incomoda com questões lançadas. Não concordo com todas as ideias da protagonista, mas estes argumentos têm-se alastrado na sociedade atual através de grupos que tentam impor este pensar a toda a comunidade. Um livro que recomendo.
Num planalto isolado pouco povoado na fronteira entre a Polónia e a República Checa, na sequência da morte de um caçador furtivo uma vizinha deste - antiga engenheira de pontes mas forçada a abandonar a profissão por doença, professora de inglês mas reformada compulsivamente, tradutora de poesia, vegan e defensora dos animais - levanta a hipótese de que ele foi assassinado por corças em protesto pelo sofrimento infligido à fauna. Apesar do mau acolhimento da teoria, aos poucos outros caçadores da zona são assassinados com sinais de ação de animais. Ela pressiona a polícia a investigar os desrespeitos na caça e o ataque aos seus cães. A tensão cresce perante o desprezo das autoridades e a cooperação do padre nesta crueldade, até que tudo se descobre sobre estes crimes em série.
Olga Tokarczuk escreve bem, com a particularidade de colocar em maiúsculas substantivos a que dá importância: Animais, sentimentos como a Ira e certos Objetos. Paralelamente a narrativa faz-nos acompanhar da poesia de Blake, fala da literatura de terror e do instalar deste na sociedade caçadora, enquanto a protagonista como ativista vai acusando a sociedade de crimes ambientais, forçando a mudança de mentalidade das autoridades e convivendo com amigos desenraizados destes vícios civilizacionais.
O romance lê-se muito bem, tem suspense e incomoda com questões lançadas. Não concordo com todas as ideias da protagonista, mas estes argumentos têm-se alastrado na sociedade atual através de grupos que tentam impor este pensar a toda a comunidade. Um livro que recomendo.



