terça-feira, 1 de janeiro de 2008

PRESÉPIOS E RANCHOS DE NATAL NO FAIAL

No Faial, desde criança que os meus primeiros dias do ano eram passados a ver presépios tradicionais em casas particulares, muito deles disponíveis à população em geral, que visitava estes monumentos efémeros, percorrendo de rua em rua e, mais recentemente, de lugar em lugar, onde se retratava o nascimento do Menino Jesus e as tradições locais.
Hoje, os presépios estão cada vez mais raros. Existem concursos para a tradição se manter... mas o que não é feito por amor tende a desaparecer e estas obras de arte estão presentemente em vias de extinção e ninguém ainda aprendeu a cultivar, novamente, na população faialense a paixão pelo presépio. (clique nas fotos para as ampliar)Entre os poucos que encontrei destaco o presépio situado na Estrada Regional, no lugar dos Espalhafatos, freguesia da Ribeirinha; onde, através de figuras animadas, estão presentes todos os ingredientes indispensáveis ao presépio: a cena da gruta, os pastores e os reis magos, bem como a maioria das artes, ofícios e folclore típico das nossas comunidades rurais, como curiosidade, também um vulcão activo e em erupção.
Se os dias eram para se ver presépios, os serões eram para ouvir os ranchos de Natal. Sempre me lembro de existirem dois tipos:
- os ranchos zabumbas (sei que o termo também existe no Continente) onde nos instrumentos musicais predominam a percursão com tambores, caixas, ferrinhos e castanholas; acompanhados de flauta (pífaro) e, mais recentemente, harmónicas; e
- os ranchos tunas, onde predominam as cordas com destaque para os bandolins e violas.
Ambos formas de expressão musical tradicional em declínio e onde os concursos, nos moldes habituais, não têm sabido cultivar o orgulho e o prazer com que estes ranchos eram alimentados nas nossas comunidades antigamente. Na foto acima o rancho tuna da Feteira, o único que até ao momento tive o prazer de ouvir em 2008.

1 comentário:

José Quintela Soares disse...

Preservar as tradições é respeitar a Memória.
Sem a qual...dificilmente haverá Futuro.

Um abraço.