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domingo, 17 de março de 2019

"A importância de ser Earnest - e outras peças" de Oscar Wilde


Excertos
"Oh, dever é o que nós esperamos dos outros, não é o que nós próprios fazemos."
"Digo-te que há tentações terríveis, às quais para ceder é preciso ter força e coragem. É jogar toda a nossa vida num momento, arriscar tudo numa cartada."
"A verdade é raras vezes pura e nunca é simples."

Um livro com quatro peças de teatro com destaque para aquela que talvez seja a mais famosa do britânico Oscar Wilde: "A importância de ser Earnest", muitas vezes traduzido corretamente em português para "Ernesto", apesar de na nossa língua não carregar no senso comum um significado para além de mero nome próprio de pessoa (curiosamente o meu segundo nome) enquanto em inglês também quer dizer sério, confiança e solene, etc.
As outras peças são: "O leque de Lady Windemere",  "Uma mulher sem importância" e "Um marido ideal" e todas são pouco extensas, divertidas e com críticas implícitas à moral hipócrita, comportamento interesseiro e guerra dos sexos na aristocracia inglesa no final do século XIX em Londres. 
Apesar de os diálogos parecerem meras conversas banais, ocas e preconceituosas numa sociedade de fachada, vai-se construindo uma denúncia e crítica social mordaz cheia de bom humor que faz o retrato de uma elite que vive de bons rendimentos sem trabalho e pronta para a coscuvilhice no convívio social, havendo sempre um final com alguma lição de moral ou de cedência ao bom-senso sem contudo resultar numa mudança de estilo de vida.
Assim, temos quatro peças que são um prazer de leitura e diversão que sem ofender denunciam muito do mal que grassa nas elites sociais que se lê com muito gosto.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

"Hamlet" William Shakespeare


Excertos
"Ser ou não ser, eis a questão:"
"...pois mais facilmente torna o poder da beleza a honestidade chula do que pode a honestidade fazer da beleza algo a si parecido."
"A loucura dos grandes não se pode descurar."

Após leitura da anterior obra que assumia similitudes intencionais com esta tragédia, reli novamente aquela que é uma das peças mais importantes de William Shakespeare "Hamlet", embora antes a tivesse lido em inglês, o que me obrigou a um grande esforço e a sensação de perda de pormenores. Agora reli-a em português, mas numa edição bilingue, cuja tradução procurou preservar, dentro do possível, o estilo de sintaxe original, a forma do verso e a antiguidade da estrutura, sendo viável confirmar este intento, descrito no fim do livro, comparando linha a linha os dois textos postos em páginas lado a lado.
Esta peça passa-se no palácio Elsinore na Dinamarca, onde o jovem príncipe Hamlet se vê confrontado, logo após a morte do rei seu pai, com o casamento de sua mãe rainha com o cunhado, só que o falecido aparece a pedir justiça, pois, contrariamente ao tornado público, fora morto pelo seu irmão que lhe tomara o trono e a mulher. Então o filho irá engendrar uma representação de teatro dentro da obra para desmascarar o crime, simulando loucura, que leva a perturbações que envolvem traições e o uso de servidores e nobres enganados e novas fidelidades ao poder. Assim, meio do assunto central, existem paixões em torno do príncipe, questões de lealdade e honra e peripécias nomeadamente de soberania com conflitos com a Noruega e acordos secretos com a Inglaterra que no conjunto desembocam em tragédia para quais todos as personagens.
A peça parece uma sucessão de quadros que vão montando as histórias de vingança, traição, paixão e reflexões sobre a vida, o amor, a honra, a fragilidade humana e a morte. Assim surgem importantes frases que se tornaram citações famosas desta obra, cuja leitura nem sempre é fácil pelo estilo, densidade e mesmo subtilezas escondidas, algumas vindas de conceitos da época não evidentes hoje.
Como obra e enredo está-se perante uma das maiores obras-primas da literatura mundial que vale o esforço que exige a sua leitura. Gostei muito, mesmo que por vezes tivesse de repetir a leitura de certas partes do texto para perceber convenientemente o seu conteúdo.

terça-feira, 24 de abril de 2018

HAG-SEED de Margaret Atwood - Semente de Bruxa


Excertos
"How he has fallen. How deflated. How reduced. Cobling together this bare existence, living in a hovel, ignored in a forgotten backwater; whereas Tony, that selfpromoting..."
"The Tempest is a play about a man producing a play - one that's come out of is own head, his 'fancies' so maybe da fault for wich he needs to be pardoned is the play itself."

Acabei de ler no original o romance "Semente de Bruxa" da famosa escritora canadiana Margaret Atwood: "Hag-seed". A leitura desta obra imediatamente a seguir à de "A Tempestade" de Shakespeare que falei aqui foi intencional pelo conteúdo da mais recente. Pois este romance integra um projeto que envolve vários importantes escritores convidados anglo-saxónicos de produzirem obras tendo como referência peças Shakespeare. A Atwood coube precisamente A Tempestade.
No romance, Felix, o diretor de um festival de teatro, vê o seu cargo usurpado por uma pessoa de confiança, Tony, e retira-se para a sombra da sociedade, algo semelhante acontecera a Próspero, o protagonista de A Tempestade, na usurpação do seu ducado. O antigo diretor concorre mais tarde para um curso de literatura numa prisão, um meio reabilitação social dos presos, no que coloca Shakespeare no centro das suas aulas, até que surge a oportunidade de se vingar dos usurpadores que no exterior brilham após o terem pisado e faz isto precisamente através da encenação da peça de que fora injustamente demitido, dá-se então uma  fantástica e dupla recriação paralela da história narrada pelo inglês com a vida das personagens do romance, onde se evidenciam os dotes dos detidos que na realidade são capazes de operar maravilhas sob a liderança de um diretor artístico como Felix.
A imaginação de Atwood no encenar e no comparar situações entre a montagem da peça e vida dos artistas é genial, criando uma trama divertidíssima, cheia de paralelismos e de mensagens subliminares ao nível do papel cultura na reabilitação das pessoas. O livro retoma os dilemas entre vingança e perdão e ainda a demonstra que Shakespeare se mantém atual, sendo que as descrições psicológicas das suas personagens já com séculos podem perfeitamente retratar pessoas de hoje.
À semelhança do livro que antes lera, também após a conclusão da narrativa de A Tempestade, há, mas aqui dentro do romance, um análise sobre as possibilidades de continuar a história após o epílogo da peça.
Um romance satírico que denuncia vícios sociais e políticos atuais, mostra o papel formativo da cultura, fácil de ler e que numa apreciação da obra resumo:  Brilhante, magnífico e adorável!


segunda-feira, 16 de abril de 2018

"A Tempestade" de William Shakespeare e "O Mar e o Espelho" de W H Auden


Excerto de A Tempestade

"Sebastião: Lembro-me que destronastes o vosso irmão Próspero.
António: É verdade.
               E reparai como as vestes me assentam bem.
               Muito melhor que antes. Os vassalos do meu irmão eram então meus companheiros, e
               agora são meus servos tributários."

Um livro com duas obras relacionadas, uma de teatro: "A Tempestade" de William Shakespeare, a outra a seguir: o poema e texto "O mar e o Espelho" de W H Auden que acrescenta mais um episódio à peça anterior.
A Tempestade mais não é que um ato mágico que se abate sobre o navio onde viaja o rei de Nápoles e seu filho, bem como o usurpador do ducado de Milão e o irmão de rei, além de outros elementos da sua corte, fazendo-o encalhar precisamente na ilha onde o usurpado mágico, o Duque Próspero, está exilado com sua filha. A partir daqui, num confronto entre os planos traiçoeiros de subordinados ambiciosos e ingratos para com quem os governa e o plano organizado pelo verdadeiro duque de Milão, com a ajuda de alguns entes sobrenaturais, com o fim de os maus serem desmascarados e os bons reabilitados, desenvolve-se numa paródia moral, da luta entre o bem e o mal.
Ao contrário das tragédias mais conhecidas de Shakespeare, aqui não há mortos e a magia interfere no desenrolar da ação de uma forma direta, criando-se uma história fácil e agradável, mas onde as personagens de comportamento más e boas têm uma força dramática que as tornaram referências culturais na literatura.
A tradução desta peça foi precisamente feita por vários atores portugueses para ser representada numa das principais companhias de teatro de Portugal, criando um compromisso entre o estilo arcaico sob a técnica do verso e a arte dramática na atualidade. Gostei do texto e muito desta obra, que embora sem a popularidade de certas tragédias, mostra a grande capacidade de Shakespeare em fazer retratos psicológicos dos dramas da sociedade e denunciar o mal que as afeta.


Excerto de O Mar e o Espelho
"Se a idade, que é certamente
Tão retorcida quanto a juventude, parece mais sábia,
É porque a juventude ainda está apta a crer
Que vai levar a sua de qualquer modo, enquanto a idade
Sabe bem de mais que já levou o seu nada:"

W H Auden é um poeta inglês naturalizado americano que inclusive trabalhou texto para óperas de Stravinsky, que escreveu temas de religião e moral num modo moderno.
Esta sua obra "O Mar e o Espelho" começa com uma série de poemas, cada um recitado por uma das diferentes personagens de "A Tempestade" e desenvolvem um ato a seguir ao epílogo da peça original, a viagem de saída da ilha, com reflexões sobre a moralidade e o comportamento dos intervenientes do drama, poemas que gostei e fazem refletir sobre a anterior de Shakespeare.
A seguir existe um conjunto de textos de Ariel, o principal ser sobrenatural de A Tempestade, que confesso: pelo estilo de escrita, densidade e não sei se defeito de tradução, me levaram a desistir de ler. Saturavam-me antes de perceber o conteúdo. Valeram os poemas que enriqueceram o livro em muito.

A publicação deste livro, apesar de ser e de já estar em segunda edição, tem-se esgotado com rapidez, talvez por pessoas que tenham assistido à peça ou optem pelo conjunto, apenas o encontrei neste momento disponível neste endereço da Bibliografia Nacional Portuguesa

sábado, 25 de fevereiro de 2017

"O Rei Lear" de William Shakespeare


Acabei de ler a única das grandes tragédias de William Shakespeare que desconhecia o texto e o enredo: "O rei Lear", numa edição e tradução recentes que segundo os autores faz parte de um projeto em curso que pretende publicar todas as obras deste génio mundial da literatura dramática em português, tentando conciliar o estilo original do autor com uma linguagem contemporânea, respeitando a forma e a estrutura poética sempre que possível. Pelos excertos que li do texto original pela internet para comparar esta versão, penso que o objetivo está a ser conseguido, pois o tom, a cadência, o ritmo e o texto na língua de Camões fizeram-me sentir o mesmo de quando li as mesmas passagens da obra em inglês e as ideias base eram as mesmas, mostrando uma fidelidade muito boa. As notas finais permitem ainda pormenorizações sobre publicações antigas de referência da obra e algumas particularidades para as soluções encontradas neste livro.
O Rei Lear desenvolve o tema do engano e do aproveitamento da senilidade e do amor paterno por filhos interesseiros em prejuízo de honestos, não bajuladores e respeitadores dos princípios e deveres filiais.
Duas histórias correm em paralelo, a do rei Lear, que divide o seu reino pelas duas filhas mais velhas que o ludibriam, deserdando a mais nova que o admira sem mentiras, bem como o caso de um nobre, Gloucester, que se deixa levar pela intriga de um filho bastardo em prejuízo do legítimo honesto e ingénuo na maldade. O desenrolar do drama levará não só à descoberta dos erros de interpretação tanto no rei louco pela idade, como no conde, e as tentativas de repor a justiça, mas a guerra levada a cabo com os maquiavélicos traidores, como não poderia deixar de ser numa tragédia, termina com a morte de muitos dos que intervieram nesta luta entre a justiça ou o bem e a injustiça ou mal.
A obra talvez não tenha as frases isoladas fortes do texto de Hamlet, o desenlace é bem mais negro que o de Macbeth, não é o ciúme como em Otello que se deixa alimentar pela maldade mas somente a fragilidade da velhice que é vítima da ganância dos novos e nem há o romantismo de Romeu e Julieta, todavia é uma grande obra que levanta igualmente numerosas questões sobre a esperteza das trevas face à crendice das palavras de quem ama e é justo e onde, sem o conflito de gerações, ficamos perante a crueza da ingratidão filial face ao declínio físico e psíquico dos progenitores que os trouxeram à vida.
Pequena no tamanho, é uma tragédia grande em mensagem, estrutura e complexidade moral, uma obra-prima que gostei e vale a pena ler, enquanto este projeto Shakespeare, levado a cabo pelos tradutores da Universidade do Porto, motivou-me a descobrir mais obras deste génio.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

"Morte no Verão" de Yukio Mishima


Uma coletânea de 10 contos do escritor japonês Yukio Mishima sendo "Morte no Verão" o de entrada da série contida neste livro, todos mostram dramas psicológicos mais ou menos intensos da vida dos seus protagonistas sobre a luta pela sobrevivência face à perda de entes amados, à obtenção de rendimentos, aos medos pessoais ou a forma de resolver as questões de honra tradicional, do amor e da amizade, brilhantemente escritos com numa rica linguagem onde muitas vezes fluem reflexões do interior das personagens resultantes dos efeitos da observação ou dos acontecimentos do mundo exterior dentro do pensamento e consciência das pessoas. Um deles é apresentado sob a forma de uma pequena peça de teatro.
Por vezes somos chocados pelo desenlace da narrativa, outras vivemos o drama interno das personagens, havendo mesmo alguns como que um jogo de espelhos das relações entre estas, que no conjunto mostram  a cultura japonesa ou  algumas das diferenças de mentalidade face ao ocidente, como o que narra um suicídio por honra ou as memórias e orações de gueixas num fundo muito distinto do que se teria no hemisfério judaicocristão.
Pessoalmente gostei de todas as histórias, umas mais do que de outras, mas todos elas me cativaram desde o início sem deixar de transparecer uma calma do desenrolar das histórias mesmo nos casos mais dramáticos, Gostei e recomendo a quem gosta do género contos e de conhecer outras culturas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

"Não se paga! Não se paga!" de Dario Fo


Há muito tempo que aqui não falava de teatro, ontem foi dia de ver o grupo amador Faialense "Teatro de Giz" que tem encenado nesta ilha autores de grande reconhecimento internacional, desta vez o laureado com o Nobel da literatura: Dario Fo, com a sua obra "Não se paga! Não se paga!".
Uma paródia sobre uma revolta popular contra os preços, que depois contagia todos, inclusive os mais conservadores e legalistas e até agentes de autoridade. Ocorrem momentos hilariantes, outros menos realistas mas que a brincar levam ao desabafo sobre muitas verdades amargas sentidas por quem tem de sobreviver no dia-a-dia e, em paralelo, há uma crítica à politica da Igreja Católica sobre o controlo da natalidade.
A representação e encenação está muito bem conseguida, envolvendo todo o espaço e vale a pena assistir se vive no Faial e ainda não foi ver, hoje é o último dia. Diverti-me imenso.

domingo, 27 de março de 2011

DIA MUNDIAL DO TEATRO

Imagem extraída do Jornal "Tribuna das Ilhas"

Hoje, dia 27 de Março, é o Dia Mundial do Teatro e na noite passada comemorei a data ao ver a peça "Imundação" no Teatro Faialense, levada à cena pelo "Teatro de Giz".
Na sequência da grande qualidade e tipo de teatro a que nos tem habituado aquele grupo, agora deu-se a estreia de uma obra escrita por Marta Freitas para o próprio Teatro de Giz
Um texto que parece ter raízes em Samuel Beckett e Eugène Ionesco, reflecte sobre marcas na personalidade adulta deixadas pelas personagens e ambientes que cercaram o protagonista na infância que sem dúvida nos fazem reflectir sobre os receios da sociedade contemporânea em busca de um significado para esta vida.
Excelentes interpretações dos vários actores da personagem Gabriel cujos medos poderiam estar em qualquer um de nós. Não perca em próxima oportunidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

X FESTIVAL DE TEATRO JUVEARTE

Uma iniciativa da Associação de Juventude da Candelária (ilha de São Miguel), este ano estende-se por quatro concelhos de ilhas diferentes: Ponta Delgada, Praia da Vitória, Santa Cruz das Flores e HORTA.
Desde já os meus parabéns pela iniciativa e extensão a várias parcelas dos Açores, em segundo lugar um apelo:

APROVEITE, VÁ AO TEATRO!

Eu por mim já assegurei os meus bilhetes.
No Faial, no Teatro Faialense dias 20 e 21.

Para saber mais sobre este evento no Faial, já esta semana, ou em qualquer outra das ilhas, consulte a página oficial do JUVEARTE

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O REGRESSO DA MAGIA A PORTO PIM

Imagine-se entrar numa antiga fábrica baleeira, cercada pelo cenário paradisíaco e mágico da Baía de Porto Pim...

Momento de música e pintura no forum Multi-Artes

Depois, entre caldeiras assistir a uma demonstração de execução de escultura em tufo vulcânico ou lava, prosseguir para outra sala com uma representação teatral a meia-luz, baseada nas cartas de Franz Kafka ao Pai e terminar num espaço de exposições com um concerto intimista de Guitarra da Terra, onde se executa em simultâneo uma pintura dos sentimentos do momento, enquanto nas paredes pendem versos de Pablo Neruda em fotografia de Roberto Santadreu...
Consegue? Foi isto o que se passou no Centro do Mar no Fórum Multi-Artes numa das noites dos Encontros de Porto Pim no último fim-de-semana.

Oiça aqui Alexandra Boga, agora com viola clássica, numa das músicas mais belas da noite.

Artistas envolvidos: Escultura - Al Zei; Teatro - Companhia "O Dragoeiro"; Pintura - Margarida Madruga e Música - Alexandra Boga.

sexta-feira, 27 de março de 2009

27 de Março - DIA MUNDIAL DO TEATRO

Teatro é drama, tragédia, comédia, sátira, ópera, canção, revista, declamação, recitação, monólogo, diálogo, mudo, mímica, sombras, fantoches, dança, popular, erudito, clássico, contemporâneo, vanguardista, infantil, adulto, triste, alegre, inovador, conservador, experimental, tradicional, exuberante, minimalista, em sala ou ao ar-livre; seja o que como fôr, com tanta diversidade há seguramente uma forma que lhe agrade à sua espera.

O Monólogo do vaqueiro, como teria sido representado pelo próprio Gil Vicente, de acordo com a visão do pintor Roque Gameiro, imagem daqui.

Independentemente de ir hoje ao teatro ou não, lembre-se que este é uma arte viva e, tal como o homem, só sobrevive saudavelmente em intercâmbio com o outro: o espectador. Por isto, neste Dia Mundial do Teatro, fica a minha recomendação, não importa quando, mas vá ao teatro...

Uma sala de teatro é bela, mas cheia transforma-se num espaço vivo e maravilhoso. Numa pequena ilha como o Faial, com vários grupos de teatro: Nós Outros, Carrocel, Sortes à Ventura, Teatro de Giz, Universidade Sénior, entre outros, com estilos muito diferentes, seguramente a oferta é vasta para poder aproveitar.
A todos os que apesar das dificuldades ainda teimam em manter viva esta arte, desejo um Feliz Dia Mundial do Teatro e votos de um futuro cheio de sucessos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

TEATRO POPULAR: O grupo "Nós Outros"

Recordo-me de quando criança que uma das actividades culturais que mais envolvia as pessoas no Inverno era o teatro de cariz popular. Cada peça era pretexto para representações na freguesia e nas localidades vizinhas, os casos de maior sucessos percorriam toda a ilha e às vezes lá davam um saltinho ao Pico. Depois, à semelhança de outras tradições, o teatro foi-se tornando cada vez mais raro, com menos público e quase desapareceu na totalidade.

Há quatro anos nasceu na Ribeirinha o Grupo de Teatro "Nós Outros", com a participação de jovens e idosos. O qual todos anos leva à cena uma peça original, escrita por uma pessoa do grupo, que em tom de comédia popular envolve alguma crítica social, envolvências locais, muita ficção e alguma liberdade de texto aos actores que interpretam as personagens da obra.

Este ano não foi excepção e lá surgiu a peça "Mulheres Enganadas" que pelo interesse despertado nos anos anteriores, conseguiu que a sede da sociedade filarmónica tivesse mais uma vez a sua lotação esgotada, perante um público que se deixou contagiar pelo humor das peripécias de um jardineiro galanteador de mulheres que relaxavam no seu local de trabalho pelo que as gargalhadas não faltaram ao longo da representação.

Este grupo, com a sua forma original de trabalhar, consegue assim reanimar uma tradição tão importante das nossas terras, estabelecer relações entre gerações de idades distantes que raramente interagem, cativar público há muito considerado escravo da televisão e terminar com uma letargia cultural que parecia conduzir ao fim do teatro típico dos meios rurais. Por tudo isto, o "Nós Outros" está de Parabéns!

quinta-feira, 27 de março de 2008

DIA MUNDIAL DO TEATRO - 27 de Março

Hoje, 27 de Março, comemora-se
o Dia Mundial do Teatro


Teatro, uma forma milenar de expressão artística que se cruza com a literatura, a música, a representação, as artes plásticas que atravessa todos os estratos sociais ou gerações.
Dia Mundial do Teatro coincidente com o início do II Festival de Teatro do Faial, uma organização da Câmara Municipal da Horta.

Para ver o programa do Festival de Teatro consulte este post.


Teatro Faialense um dos principais palcos do II Festival de Teatro do Faial

Festival Theatre, em Stratford, Ontario, Canada.
Palco do maior festival de teatro de Shakespeare na America do Norte, na cidade de Stratford nas margens do rio Avon, todos os anos entre Abril e Novembro

Aqui fica a minha homenagem a todos os que se esforçam por dar o seu melhor na manutenção desta forma de expressão artística e muitas vezes um modo de formação e informação.

sexta-feira, 14 de março de 2008

II FESTIVAL DE TEATRO DO FAIAL

Entre 27 de Março e 17 de Abril, decorrerá no Faial um extenso festival de teatro, com representações de vários tipos, grupos locais, regionais e nacionais, amadores e profissionais, que se estenderá por quase todas as freguesias da ilha e ainda incluirá formação. Uma oportunidade para ver o que cá e lá se faz e saborear diferentes estilos e qualidade na arte de representar.
A pedido da vereação da cultura, fica aqui colocado e disponível o programa do festival para proveito de todos.

Para ver com maior resolução o programa, clique nas imagens para as ampliar.


Crianças e jovens até aos 18 anos tem entrada gratuita. Adultos 5 euros cada.

Para verificação de eventuais alterações do programa ou outras informações de pormenor, consultar a página da Câmara Municipal da Horta, entidade organizadora do Festival.

domingo, 27 de janeiro de 2008

TEATRO NA RIBEIRINHA

No passado, apesar da escassez de bens económicos, a Ribeirinha do Faial era rica em actividades culturais e o teatro era uma das formas mais queridas da população. No passado, muitos jovens ensaiavam ao longo de várias noites comédias cheias de crítica social e denúncia dos principais problemas que a comunidade sentia. Por vezes o suscesso alcançado era motivo para digressões do grupo pelas várias localidade da ilha e fonte de um intercâmbio saudável de pessoas.
Hoje, esta forma de expressão é cada vez mais rara, mas não morreu... integrado na "Semana Desportiva e Cultural da Ribeirinha 2008" (um projecto conjunto da iniciativa do Município com o INATEL e que percorre todas as freguesias do Faial), neste fim de semana, elementos de Centro de Convívio de Idosos, com alguns colaboradores mais jovens, levaram à cena uma obra original - "Um Funeral Anulado" - cujo guião foi escrito propositadamente para o momento e a versão final do texto fruto do trabalho desenvolvido pelos actores ao longo dos ensaios.

As confusões, uma caricatura dos muitos vícios no seio das comunidades actuais

As confusões avolumam-se e as críticas também.

Intercâmbio de gerações na realidade...

... e os conflitos entre elas em teatro.

Formas distintas de encarar a vida e os problemas.

Nestes serões há sempre um final feliz e uma lição moral a tirar.

Outro grupo, constituído por pessoas que lutam por manter vivas as tradições desta comunidade, apresentaram outro retrato crítico da sociedade actual, com a pequena peça "A Consulta", onde mostraram que o próprio povo reconhece muitos dos aspectos criticáveis desta sociedade que integra.
Os serviços de saúde e o sistema de segurança social

e as suas ligações perigosas....

Pelo esforço, pelos momentos hilariantes e pela capacidade de denúncia, ficam aqui os parabéns e votos para que as tradições culturais desta freguesia se mantenham vivas.

sábado, 14 de abril de 2007

Semana Cultural Ribeirinha - Teatro

O teatro, mesmo o de cariz popular, é sempre uma manifestação artística, cujo talento dos actores dá vida a personagens que nos cativam...
No meio rural, o teatro sempre teve um papel importante, não só por permitir desenvolver a arte de representar, mas também pelo efeito social que tinha.... servia de meio de encontro e de convívio de jovens ( situados num meio relativamente fechado), como permitia desenvolver a crítica social e ainda o encontro de gerações.
As vária peças representadas na Ribeirinha, todas elas originais e com sátira local, foram um momento de divulgação de talentos na arte de representação, bem como da capacide de escrita.
Ficam abaixo imagens de alguns momentos vividos na Sede da Sociedade Filarmónica, obtidas com a dificuldade e sem nenhum apoio técnico especial a partir do público.

"Desabafos de uma mãe"

Um quase monólogo interpretado com um expressividade cativante e de grande nível.


"O marido engatatão"
Uma peça perigosa nos tempos que correm, mas com uma brasileira divertida que apagou a malícia dos eventuais preconceitos contra alguns imigrantes.



"O pecado de Marcolina"



Vários pecados frequentes de uma aldeia pequena... mas cometidos em todas as cidades


"A velhas"

Mexericos antigos, mas representados por novo grupo de actrizes

terça-feira, 3 de abril de 2007

CULTURA na HORTA

Hoje o grupo de Lisboa "A Barraca" com a peça " A herança Maldita" e a interpretação da sempre magnífica de Maria do Céu Guerra, pelas 21:30 no Teatro Faialense.

Sexta-Feira, pelas 21 hora na Igreja Matriz da Horta, concerto da Páscoa.... com um programa efectivamente de Sexta-Feira Santa:
- Sinfonia al Santo Sepulcro de Vivaldi e,
um dos mais bonitos poemas e hino de sempre à mãe de Cristo, o eternamente belo Stabat Mater de Pegolesi.

Uma semana, que além de Santa, é cheia de Cultura... dois eventos a não perder.

Desde já os meus parabéns ao meu amigo Kurt Spanier e votos de sucesso, sem dúvida um dos agentes culturais mais importantes no Faial, nos Açores e um artista de renome internacional.