domingo, 20 de janeiro de 2008

NEVES DO PICO

Após uns dias de verdadeiro inverno, eis que a montanha do Pico se apresentou este fim-de-semana totalmente livre de núvens e com as primeiras neves bem visíveis de 2008, embora não muito extensas.

O Pico visto da Avenida Marginal da Horta

A montanha do Pico, um vulcão poligenético que ainda não evoluiu para formar uma caldeira, como a do Faial, é um autêntico farol do Triângulo, devido à sua altitude de 2351 m, e é sempre bonita de se ver em qualquer uma das três ilhas que compõe esta sub-região. Contudo, vê-la de manto branco e completamente exposta, o que não é muito frequente, atrai sempre o olhar, mesmo para aqueles que cá vivem permanentemente.
Resta saber se com as mudanças climáticas este cenário tenderá a desaparecer..., pelo seguro, fica o registo desta realidade no início do século XXI

12 comentários:

Metamorfose disse...

Já tive o privilégio de ver este espectáculo ao vivo, não existem palavras para o descrever. Eu assisti ao degelo, quando aí cheguei estava branca alva a ponte do Pico, dois dias depois nem sombra de neve se havia.

Paulo Pereira disse...

Existe uma caldeira no topo, embora de uma dimensão mais reduzida que o Faial. Tenho dúvidas sobre a obrigatoriedade de se formar uma caldeira.

geocrusoe disse...

ao metamorfose
caso para se dizer... viu a paisagem metamorfosear-se...

ao paulo pereira
No montanha existem pelo menos 2 grandes crateras. A primeira cheia de formações mais recentes que deram origem ao crescimento do cone e evidenciada por um degrau acima de 2/3 de altura na vertente direita da foto e uma segunda cratera parcialmente preenchida por uma ou mais erupções posteriores que originaram ao Piquinho. Não existe obrigatoriedade de evoluir para caldeira, mas na maioria dos casos os grandes aparelhos poligenéticos têm essa evolução e o Pico é o único vulcão dos Açores deste tipo e não fissural que ainda não evoluiu para isso, mas também é o mais recente... logo o mais provável é ter o mesmo tipo de evolução, até porque já existem indícios nesse sentido, só espero que seja daqui a milhares de anos.

Rui Luís Lima disse...

Esta imagem do Pico é na verdade fascinante.
abraço cinéfilo

José Quintela Soares disse...

Palavras...para quê?

Obrigado pela magia!

Paulo Pereira disse...

O Pico é o único vulcão dos Açores do tipo central, que não evoluiu para uma grande caldeira: somos únicos.
A idade geológica do Faial não difere assim tanto da do Pico. Não será um caso geológico de paternidade, muito menos de paternalismo. Será mais o caso de irmãos, de fraternidade, portanto. Até sabemos que a última erupção destas ilhas foi a dos Capelinhos, da ilha relativamente e mesmo muito relativamente mais velha.
Talvez, a caldeira do Faial fique primeiro parcialmente preenchida, como a do Pico, para depois se formar a tal grande caldeira do Pico. Quem sabe?

Paulo Pereira disse...

Parabéns pela imagem.

geocrusoe disse...

ao paulo pereira
ou há muita confusão nesse saber geológico ou anda a brincar comigo. Os vulcões centrais evoluem de basalto (negro) para traquito ou mais raramento riólito (ambos cinza claro). Pode haver preenchimento de uma câmara magmática com material novo e menos evoluído do que o traquito, pelo que se houvesse a retoma da caldeira com basalto e em tais quantidades, tal não deveria resultar da evolução magmática e da sua fonte regular de magma. Não é o mesmo caso no pico, onde o preenchimento das crateras mencionado vem da evolução regular daquele vulcão poligenético. O vulcão dos Capelinhos não pertence ao vulcão central da caldeira.
Quanto à idade não ser assim tão diferente, ao nível planetário não é, mas na evolução vulcanica é mais que suficiente para permitir essa diferença; lembre-se que a fase ácida da caldeira no faial tem escassas dezenas de milhares de anos e que a última erupção no Pico já teve lavas mais evoluídas, como seria de esperar mais cedo ou tarde. Já agora, quando disse único, estava a pensar vulcões centrais emersos... porque nos imersos existem outros que ainda nem chegaram ao que o pico já chegou.

Paulo Pereira disse...

O Geocrusoe está cheio de razão quando afirma: “Os vulcões centrais evoluem de basalto (negro) para traquito ou mais raramento riólito (ambos cinza claro)” Bem, mas não está a falar de vulcões alimentados por plumas mantélicas no meio dos oceanos, pois não? Está-se a referir diferenciação numa câmara magmática, como por exemplo, em zonas de subducção da América ou do Mediterrâneo, não?
Referi, de forma bem clara, a recente erupção vulcão dos Capelinhos para dizer que a probabilidade de uma nova erupção vulcânica no Faial é idêntica à do Pico: não há diferença significativa de idade geológica. Ainda há pouco mostrou uma desgaseificação na Espalamaca.
Essa da confusão tipo fissura e central, não sei onde a foi buscar.
Quanto à idade do Faial permitir afirmar que o Pico terá uma erupção ácida e que a caldeira do Faial nunca mais terá outra, ou então que terá depois do Pico, por favor, anda a consultar a Maya?

geocrusoe disse...

ao paulo pereira
há mesmo muita confusão geológica por aí.
1.º Sou defensor da existência de uma pluma mantélica na região dos açores, o que aliás não é reconhecido por muitos geólogos, julgo que a maioria mesmo.
2.ºos vulcões centrais dos açores têm uma câmara magmática do mesmo tipo que a dos andes e do mediterrâneo, onde começam básicos (como o etna, etc) tendem a evoluir para ácido (santa helena e vesúvio, etc), o que difere é a forma como o magma se origina a maiores profundidades e chega à câmara magmática, existem variações ao nível petroquímico de elementos menores e isótopos mas que não afectam esta generalidade.
3.º A sua confusão ao nível de fissural e central é que eu desconhecia, esse é 1 elemento tão básico no campo da vulcanologia, a minha principal área de conhecimento geológico, o fissural é monogenético, associado a uma falha distensiva com fuga e praticamente não tem uma câmara magmática subsuperficial. O central ocorre numa zona de concentração de acidentes que permite a formação de uma câmara,como as que existem debaixo da caldeira do faial e da montanha do pico, nos dois casos evidenciado pela perturbação nas ondas S e reforçado no faial pela minha tese e a de marcus m.
4.º O que eu disse na resposta foi que a evolução mais provável para o pico era a de formação de uma caldeira e que a diferença de idade do vulcão da caldeira era suficiente para permitir estados diferentes de evolução, não confunda as coisas.
Quanto a pôr como minhas palavras que o vulcão activo da caldeira não terá outra erupção ou que o pico terá uma ácida, continua a não interpretar bem o que digo, falar de probabilidade não é 1 certeza, até porque um vulcão central pode perder a sua alimentação e abortar a sua evolução, mas no pico e no faial as câmaras com magma lá estão, pelo que é provável que estejam em evolução. No faial a fissura leaky transform afecta a caldeira e pode haver misturas de magma, mas isso até dá muitas vezes incrementos de explosividade e não ao contrário.
5.º Quanto isso de Maya, suspeito que seja alguém que se arrogue capacidades de ver o futuro, mas não faço a mínima ideia quem seja, aki a única adivinha que conheci era a do café volga que grandes perturbações causou na gestão de pânicos durante a crise de 1998, se aí existe uma Maya, desconheço.

Paulo Pereira disse...

Ao geocrusoe:
Ficámos a saber que o Faial já teve uma erupção violenta, mesmo catastrófica que resultou na destruição da parte central do vulcão e originou a caldeira. E nós sabemos que a história é ciclíca, ou seja repete-se. Desejamos que só daqui a muitos anos.
Relativamente ao Pico, sabemos que poderá evoluir para uma caldeira ou poderá mesmo não seguir este caminho. A câmara magmática poderá arrefecer, solidificar e a história acabar por aí. Aliás, não faltam rochas plutónicas por aí, prova que as câmaras magmáticas arrefeceram ao longo de milhões de anos.
Sobre a “confusão” entre o fissural e central que insiste em me atribuir, o meu agradecimento pelas suas explicações tão elucidativas. Pois fiquei a saber que elaborou uma tese. E que, na sua tese, sugere a existência de uma concentração de acidentes reforçados pela perturbação nas ondas S.
Confesso que não percebia nada de vulcanismo fissural e central, mas agora, após a sua explicação virei um Tazieff.

geocrusoe disse...

a minha tese e a de m marcos são sobre desgaseificação difusa e não sobre ondas S...mas ja vi que não gosta mesmo da fria geologia... peço desculpa por o ter interpretado mal e que gostava do tema, por isso, assunto encerrado.