Excertos
"Que julgas tu que os espiões são? Sacerdotes, santos e mártires? São um deplorável cortejo de tolos vaidosos, e também traidores, sim;""Não podemos construir o comunismo sem acabar com o individualismo."
Uma obra com mais de 50 anos, e considerada um clássico no seu género e talvez o romance de espionagem mais famoso da história, "O Espião que saiu do frio", do inglês John le Carré, o grande mestre no estilo e ele próprio um ex-expião, narra um conflito sangrento no jogo da obtenção de informações secretas entre os dois lados do muro de Berlim nas décadas de 1950-60.
Leamas dirige a célula de espionagem da Inglaterra em Berlim Ocidental, onde possui uma rede de agentes do outro lado, só que uma mudança de liderança a leste leva à morte em série dos seus informadores e à destruição da sua célula. No regresso a casa é desafiado a abandonar os serviços, a se humilhar publicamente para ficar desacreditado e ser assediado pelos seus adversários, para deste modo poder deslocar-se à Alemanha Oriental e proceder à sua vingança. Só que pelo meio surge uma relação amorosa e do outro lado o desenrolar do processo está cheio de surpresas, é que no jogo de traições e no uso dos seus agentes de forma enganosa nenhuma das partes se pode deixar atada por princípios e os logros vêm de quem está do nosso lado.
Um romance que além do suspense, junta reflexões sobre a ética no confronto entre o modelo de liberdade individual no ocidente e o da sobreposição dos interesses coletivos à pessoa então no oriente europeu, levados ao extremo no mundo secreto da espionagem no auge da guerra fria que discretamente foi sangrenta e cheia de traições.
Fácil leitura, escrita escorreita e um retrato de uma realidade discreta que ainda sobrevive no conflito diplomático e de interesses entre os Estados que raramente vem ao de cima. Gostei.













