Mostrar mensagens com a etiqueta Humor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Humor. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de abril de 2019

"As sete mulheres de Barba Azul" de Anatole France

Excerto
"A minha avó dizia que a experiência não serve, na vida, para nada e que permanecemos, no que somos, sempre os mesmos."

O pequeno livro com o conto "As sete mulheres de Barba Azul" do francês Anatole France vencedor do prémio Nobel de 1921. Razão porque despertou curiosidade passar por mais um autor com este galardão.
Neste conto Anatole France inverte o sentido da estória tradicional e em vez de um Barba Azul  mau, sanguinário e assassino em série das suas seis anteriores mulheres, mas descoberto pela curiosidade da sétima, temos aqui um bom e ingénuo nobre que não aprendeu nada com as mulheres que foi tendo e o enganaram sucessivamente e que as foi perdendo por diversas causas inocentemente até à última que lhe prepara a cilada final.
Bem escrito e a narrativa talvez pretenda dizer que a própria humanidade ininterruptamente não se corrige com os seus erros do passado, repetindo-os sem aprender com a história.
O conto pode ferir alguma sensibilidade feminista pelo facto de na trama todas as mulheres serem más, mas penso que não é essa a intenção do escritor e sim a recomendar para as pessoas não cairem sempre nos mesmos erros e não deixa de ser um pequeno e barato livro divertido.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

"Um Gentleman em Mocovo" de Amor Towles


O romance "Um Gentleman em Moscovo", do norteamericano Amor Towles, apesar de ser uma obra contemporânea, é um dos melhores exemplos do que é a delicadeza e a graciosidade colocada em ficção para transformar um livro numa joia de entretenimento com alguma informação histórica  intercalada quanto baste para não perder a sua essência de leveza literária e agradar ao leitor que não deseja aventurar-se para além de um lazer leve com charme e humor inteligente.
O Conde Aleksandr Rostov, descendente de uma das famílias da melhor nobreza da Rússia czarista, na sequência da revolução bolchevique é levado a julgamento pelo seu passado aristocrático, todavia um poema de 1913, de quem é reconhecido como autor e com um elogio à causa comunista, livra-o da pena de morte, ficando apenas limitado a prisão-perpétua domiciliária no hotel mais luxuoso de Moscovo, o Metropol, no qual era hóspede residente. Assim, é despromovido para os alojamentos dos antigos criados dos clientes e recomeça a sua vida.
Se antes fora um cavalheiro de hábitos requintados, um exemplo de aplicar a melhor etiqueta social da Europa e conviveu com a sociedade mais nobre do Velho Continente, lentamente o Conde adaptar-se-á à nova realidade, aproveitando o que de melhor pode usufruir no seu hotel descobrindo recantos antes vedado a ele como hóspede, deste modo vai cativando amizades nos empregados, estabelece contacto com hóspedes pela sua habilidade diplomática e cultura, inclusive ensina regras a personalidades do novo regime e assim sobrevive ao longo de décadas, onde se vai descobrindo certas mudanças no país, alguns pormenores absurdos do regime e inclusive desenvolve amizades, uma relação amorosa e até consegue educar uma criança.
Com uma escrita que procura conciliar a delicadeza do estrato aristocrático e típica do estilo anglo-saxónico, conciliada com uma ironia subtil que permite criticar muitos aspetos da União Soviética sem ofender ideologicamente o leitor e sem sobranceria para com a pátria e cultura russa, o Conde Rostov, como gentleman, consegue uma vida de charme e luxo numa sociedade onde os problemas eram transversais à maioria da população, mas sem deixar de ser um prisioneiro político exilado na sua pátria que ama. Uma leitura leve, cheia de bom-humor, boa-disposição e agradável mas inteligente bastante diferente da maioria da literatura contemporanea.


sábado, 11 de agosto de 2018

" As cores da Infâmia" de Albert Cossery

Excertos
"É isso mesmo que te reprovo. Não há nada de mais imoral do que roubar sem riscos. É o risco que nos diferencia dos banqueiros e dos seus émulos que praticam o roubo legalizado com cobertura do governo."

"A verdade não tem nenhum futuro, ao passo que a mentira é portadora de grandes esperanças."

"Fica sabendo que a honra é uma noção abstracta, inventada como sempre pela casta dos dominadores para que o mais pobre dos pobres possa orgulhar-se de possuí-la."

Albert Cossery, um egípcio que escrevia em francês, tornou-se num dos meus autores de eleição pelo seu humor sarcástico nos seus pequenos livros, o seu elogio manha como arte de sobrevivência dos mais desprotegidos ou pelo elogio irónico dos defeitos humanos e da sociedade.
"As cores da infâmia" não me desiludiu, faz uma crítica acérrima da diferença no modo de roubar dos fracos e dos poderosos e como frequente nas suas obras, a presente romance também decorre no Cairo, com as personagens principais a viver na pobreza.
Ossama é um jovem pobre que aprendeu que pelo trabalho honrado não sairia da miséria, teve um mestre que o ensinou a ser carteirista e como autodidacta aperfeiçoou o seu ofício, vestindo-se bem para poder selecionar ricos sem levantar suspeitas. Após a espreita e o seu último roubo na carteira da vítima há uma carta de um empreiteiro de construção onde se vê tática de ganhar muito a comercializar edifícios sociais frágeis com risco para os moradores pobres, tudo isto em conluio com um irmão de  ministro o que permite viabilizar a estratégia.
Que fazer com este achado num país onde jornais, poder e corruptos formam uma teia difícil de romper e passar a denúncia? Terá de pedir conselho ao seu mestre e este a um escritor que ex-presidiário pela denúncia de atos políticos num livro, mas que se tornou num génio de se divertir com o cinismo das pessoas em sociedades em todos os estratos.
Divertidíssima a forma como Cossery brinca com os males da sociedade tornando-os em deliciosas guloseimas virtuosas nos seus romances. Adorei.

domingo, 16 de julho de 2017

"Leaven of Malice" da Trilogia de Salterton de Robertson Davies


O segundo livro da Trilogia de Salterton, situa-se na mesma cidade universitária de Salterton, imaginada por Robertson Davies, que se deduz situar-se no sudoeste de Ontário, "Leaven of Malice", decorre cerca de dois anos após a trama do primeiro romance desta série que falei aqui, repetindo algumas das personagens, introduzindo outras novas e é despoletado por um acontecimento completamente diferente: um anúncio falso de noivado e próximo casamento entre dois jovens filhos de famílias com passados litigiosos, onde a rivalidade se manteve e até cresceu, mas de forma uma discreta e oculta à sociedade, publicado num jornal da cidade.
O falso anúncio não só abrirá uma ameaça judicial ao diretor do"Evening Bellman", como levará com grande humor e ironia ao desencadear de atitudes de investigação amadora, desajeitada e desastrada sobre quem terá estado na origem da notícia que porão a nu não só os ódios, as invejas, os ciumes e as paixões, mas também as incertezas e as ambições pessoais inerentes ao despertar da vida juvenil para adulta familiar e profissional e ainda o mundo em torno de um jornal local, a sua redação e papel social, tudo isto irá desembocar num final onde tudo se explica e fará que relações impossíveis se tornam viáveis.

Robertson Davies é de facto um genial analista e relator da realidade social explora todos os tipos de virtudes e defeitos individuais das mais variadas personalidades que compõem uma sociedade fechada e conservadora e este livro que ganhou o prémio literário canadiano de humor Leacock em 1954 é um excelente exemplo do que seria a vida no Canada, numa cidade média e académica ainda fortemente influenciada pelos costumes e subserviências típicas da Inglaterra vitoriana num grupo de pessoas que se sente defensor dessa sociedade e sua religião oficial. Um romance brilhante satírico  não acessível a quem apenas lê em Português.




domingo, 12 de fevereiro de 2012

ADEGA e DIVERSIDADE


Palavras para quê... basta ir ao Pico e saborear a variedade de aguardentes e licores... a moderação aconselha um motorista abstémio.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CURIOSIDADES: Motos na Horta

Clique na foto para ampliar

Não sou um motard, mas achei interessante observar num dia de festa do Verão passado tantas motos concentradas e estacionadas com uma disposição que me fazia lembrar o gado em torno da sua manjedoura num estábulo moderno.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MONSTROS!

Quando adolescente tremia com as enormes máquinas nos filmes de ficção científica e nos livros de super-heróis que atacavam a Terra... hoje já não tremo, mas ainda temo ao pensar no que podem fazer estes monstros ao nosso Planeta.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

BOAS PERSPECTIVAS

Nestes dias de más notícias, apenas para levantar a moral que muitos precisam, eis uma boa notícia:
O fim-de-semana está aí e promete vir com bom tempo... Aproveitem!

domingo, 29 de novembro de 2009

LISBOA DO CHIADO

Ontem encontrei-me na rua com Pessoa, precisamente quando eu ia a caminho das livrarias da rua Garret e do Carmo, ele lá continuou sentadinho, parece gostar mais de escrever calmamente na mesa de café do que andar na azáfama de compras, sobretudo num fim-de-semana em época de Natal.
Eu por mim já comecei a encher o saco de livros, cd e dvd...

domingo, 15 de novembro de 2009

HORTA CIDADE MAR...

A Horta orgulha-se de ser conhecida como cidade-mar...
Por isso não admira a originalidade desta espécie de parque de estacionamento em terra, onde os veículos são barcos de diversa cilindragem e modelos!

terça-feira, 23 de junho de 2009

SÃO JOÃO DA CALDEIRA

24 de Junho, dia de São João Baptista, Feriado Municipal da Horta e dia da festa do São João da Caldeira, que começa na noite anterior com as famosas fogueiras.

O dia de João da Caldeira coincide com a maior romaria do Faial em torno da ermida em honra deste santo no Largo Jaime Melo a meio caminho de acesso à Caldeira do Faial.


Tanto para ouvir música, como participar nas marchas populares, bailar nas tradicionais chamarritas ou dar um pezinho nos bailes...

... ou conversar com os amigos, levar o farnel para comer debaixo das árvores com toda a família e ainda provar os petiscos das tasquinhos montadas para o efeito.


Praticamente todos os faialenses conhecem o historial da ida ao São João da Caldeira com muita folia e alegria...

Só o santo fica praticamente sozinho no meio de tanta gente convidada para a sua festa...
Viva o São João da Caldeira!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CURIOSIDADE PAISAGÍSTICA: Igreja dos Espalhafatos

Por vezes o relevo prega-nos partidas sobre aquilo que nos deixa ver na paisagem, o que permite ilusões ou falsas interpretações da realidade e demonstra que o conhecimento, resultante directamente dos nossos sentidos, nem sempre corresponde à realidade.

Clique para aumentar a foto

A Igreja de Santo António, localidade dos Espalhafatos, na freguesia da Ribeirinha, apesar de possuir diversas casas ao seu redor e situar-se junto a uma das estradas mais movimentadas da ilha do Faial, quando observada do local da foto parece a sair da terra e estar perdida no seio de pastagens. Tal resulta do facto da sua torre ser mais elevada que as cristas dos relevos envolventes e a estrada estar encaixada num vale. Assim, ser como São Tomé - "ver p'ra crer" - nem sempre assegura a verdade e más interpretações das observações levaram mesmo a teorias falsas na história da ciência. Lembra-se de alguma?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

INVERNO: CONTRASTES

Ao longo do Inverno tenho ouvido numerosas notícias sobre o frio na Europa e na América do Norte, no passado fim-de-semana vi imagens de neve e tempestade em Portugal Continental, enquanto na minha cidade natal estava prevista uma descida de temperatura até aos 17 graus negativos...
O Grand River gelado no Inverno, junto à Baixa de Galt em Cambridge, Ontario, Canada

Por cá, na minha ilha adoptiva do Faial, decidi ir gozar os 17 graus positivos e um pouco se sol no porto mais próximo de casa e um dos meus lugares predilectos para me deleitar nas horas livres...
As ondas de norte na Ponta da Ribeirinha, contígua à Boca da Ribeira, no passado Domigo.

Junto ao porto da Boca da Ribeira, os surfistas  aproveitavam igualmente a tarde de Domingo para brincar com ondas do mar de norte que fustigavam a ponta da Ribeirinha, em águas que certamente teriam temperaturas muito próximas das do ar atmosférico.
Surfistas, uma presença frequente no Porto da Boca da Ribeira.

O calor da tarde deste dia de Janeiro e o cenário do Pico ao fundo são motivos suficientes para se perceber que muitas vezes o paraíso está aqui...
O Pico, visto da Boca da Ribeira no passado fim-de-semana.

Efectivamente, no Faial e nos Açores em geral, há dias normais de Inverno assim...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

VOCABULÁRIO TÉCNICO: o Biscoito contra o clinquer

Estabelecer acordos entre países de expressão oficial portuguesa sobre o modo de escrita da língua de Camões, com a desculpa da necessidade de uniformizar o português para vencer os desafios da modernidade, independentemente se tal acontece ou não na realidade com as novas regras, enquanto se ignora como criar as novas palavras de português técnico é sempre uma forma coxa de modernizar a língua.

O clinker ou clinquer dos geólogos, o BISCOITO para a muitos açorianos

Basta ler qualquer artigo científico de um investigador lusófono, quando ainda se atrevem a escrever na língua de Camões, para compreender a babel que é o português científico. Desde duplas grafias no criação de novas palavras, passando pela utilização de termos diferentes para descrever um mesmo fenómeno natural e terminando na grande carência de neologismos técnicos, que faz inundar os textos em português de palavras inglesas, cuja tradução literal muitas vezes faria envergonhar o autor do seu uso e desesperar qualquer purista sedento da oportunidade para um novo vocábulo fundado em raízes greco-latinas.
Todavia, irrita-me que a comunidade lusa sinta a necessidade de termos estrangeiros, enquanto ignora que, ao longo de centenas de anos, o povo, incluindo o ilhéu, já tinha palavras de uso diário exactamente para descrever as mesmas coisas... o clinker ou clinquer dos geólogos, diz-se em puro açoriano: BISCOITO, tendo em conta a semelhança morfológica com alguns tipos de massa de cozinha.
Digam-me lá se não é mais bonito e descritivo dizer que uma escoada basáltica tem uma cobertura de biscoitos, no lugar de uma camada de clinker?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

AUDIÊNCIA SINGULAR

Visitas de trabalho ao campo, nos Açores, têm as suas particularidades. Recentemente, num trabalho em equipa, para avaliação da implantação de um projecto, decidimos subir a um local mais alto para observar a envolvente e apreciarmos o contexto de inserção do empreendimento na paisagem, a troca de opiniões não foi muito intensa, mas rapidamente tínhamos uma audiência inesperada e interessada em se informar e participar na discussão.


Numa época em que se fala do défice de discussão pública nas decisões, talvez, à semelhança do sermão de Santo António aos peixes, a solução seja mesmo encontrar um público interessado em participar.