quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O LADO OBSCURO DAS FALHAS DO GRABEN DE PEDRO MIGUEL

Reflecti muito se para o Graben de Pedro Miguel haveria de alertar para o grau conhecimento sobre o risco associado às falhas geológicas ou esconder o assunto. Optei pela primeira alternativa, considero que estar preparado para os perigos é a melhor forma de reduzir os riscos.
O Graben de Pedro Miguel e várias das sua falhas

A superfície da Terra está constantemente sobre a acção de tensões, cujos efeitos são, por norma, mais intensos junto aos limites das placas tectónicas. Estas forças dobram rochas lentamente, o que origina cordilheiras montanhosas, ou as fracturam bruscamente, o que gera as falhas e sismos.
As falhas do Faial, como muitas outras nos Açores e no Continente Português, estão sobre os efeitos destes esforços e portanto são activas e geram os sismos e o seus efeitos nefastos.

Ruína do sismo de 9 de Julho de 1998

É possível, estudando minuciosamente as características de cada falha determinar a frequência de sismos associados ou a sua magnitude.
Felizmente, numa tese de doutoramente de um meu professor da Universidade de Lisboa as falhas deste graben foram estudadas, tendo sido estimados diversos índices de actividade sísmica, função dos parâmetros analisados, onde seleccionei os dados seguintes, que possuem uma ligeira margem de erro:

Magnitude Máxima Provável Baseadas na Área de Rotura (M)
Falha da Lomba da Ribeirinha - 6,1
Falha da Lomba Grande - 6,1
Falha da Lomba dos Frades - 6,2
Falha da Lomba da Espalamaca/ Facho -6,3
Falha da Lomba Cruz do Bravo - 6,1

Fonte: MADEIRA, J. (1998) – Estudos de neotectónica nas ilhas do Faial, Pico e S. Jorge: uma contribuição para o conhecimento geodinâmico da junção tripla dos Açores. Tese de doutoramento no ramo de Geologia, especialidade de Geodinâmica Interna. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 428 p. (adaptado).

Estes dados não são motivos de medo, o risco está presente em todos os locais da Terra onde existem seres vivos que enfrentam a Natureza, só o seu conhecimento permite tomar as medidas adequadas para reduzir os seus efeitos e compete ao Homem minimizá-los.
Ribeirinha reordenada e reconstruída com imóveis de resistência sísmica reforçada

Mesmo com estes dados é possível criar condições de segurança superiores a muitos outros locais tidos como seguros, é só estarmos preparados ao nível de ordenamento, qualidade de estruturas e informados como nos comportar perante um sismo e a catástrofe pode evitar-se ou reduzir-se.

Nota: Existe uma outra análise mais recente do J. Madeira, para a ilha do Faial e publicada no boletim de 2007 do Núcleo cultural da Horta, caso algum faialense queira consultar.

4 comentários:

Lc disse...

Bem, como de costume estamos à mercê da Natureza.
Agora a pergunta que faço é a seguinte, no recente ordenamento destas freguesias, isso foi tido em conta? E as novas construções, supostamente mais seguras, vão estar à altura de novos e mais do que prováveis eventos?

Anónimo disse...

cof.. cof...
www.oma.pt e/ou www.ecotecas.blogspot.com
...se faz favor!!!! :)

rosa

geocrusoe disse...

ao lc
1. Pergunta - Muita coisa foi tida em conta, ouvistes, e muito, falar de zonas de riscos, não são apenas falhas, tem a ver com locais sujeitos a inundações (muitas vezes junto a ribeiras vê lisboa esta semana), falhas geológicas, locais muito inclinados expostos a escorregamentos. Certo que nalguns locais a pressão contra fala mais alto e noutros a intervenção na reconstrução foi pequena e deixaram a situação manter-se. Mas houve muitos melhoramento, sendo mais significativos na Ribeirinha porque tudo foi feito de raiz e a autarquia local abraçou a causa.
2.ª Construção anti-sismica não é 100% segura, mas é muitíssimo mais resistente e menos exposta ao colapso total, assim, mesmo que fique definitivamente irrecuperável, tende a não esmagar os seus ocupantes, há excepções, mas é uma tendência. Imagina quantos mortos a mais teria havido nas últimas décadas no japão e na califórnia se a construção não tivesse melhorado. Baixar o risco não é a anulação, pois o risco faz parte da vida de qualquer local.

AGomes disse...

Olá Geocrusoe,

Apenas para fazer um pequeno reparo, deve dizer-se "construção sismo-resistente" em vez de "construção anti-sísmica".

Bejinhos e continua com o bom trabalho a nível deste teu blog.