segunda-feira, 17 de setembro de 2007

HISTÓRIA GEOLÓGICA DO FAIAL VII - O Vulcão da Praia do Norte

Após o povoamento do Faial no final do século XV e talvez depois de várias pequenas crises sísmicas que os cronistas não registaram, eis que em Setembro de 1671 os habitantes do Capelo e da Praia do Norte passaram a ser perturbados por tremores de terra que se prolongaram por meses até que, na noite de 24 de Abril de 1672, os faialenses assistiram ao início de uma erupção vulcânica no alinhamento do Capelo e de que resultou a construção do cone de escórias vulcânicas, bagacinas, denominado Cabeço do Fogo, no centro da foto abaixo, a zona escura das suas vertentes resultam destas não estarem ainda completamente cobertas de vegetação.
A zona à direita do cone não tem pastagens pois nos campos de lava recentes não existe ainda solo adequado (clique para ampliar)

Este foi o início de um período sombrio, pois a lava brotou do chão em pelo menos dois locais do alinhamento do Capelo. Formaram-se então duas escoadas lávicas que correram em sentido opostos. Uma para norte que cobriu grande parte da freguesia da Praia do Norte, que na época se situaria mais para oeste e possuía boas terras agrícolas. Outro derrame correu para sul e destruíu um povoado do Capelo denominado Ribeira Brava, que nunca mais teve lugar na toponímia da ilha e que deveria situar-se próximo da actual recta do Areeiro.
Esta erupção mostrou que o Complexo Vulcânico do Capelo tinha um vulcanismo ainda activo.
Vulcão de 1672 à esquerda da foto e a sua escoada para norte, na zona de transição de verdes vê-se a actual Praia do Norte (clique para ampliar)

A erupção estendeu-se até inicio de 1673, teve períodos explosivos de onde saíram cinzas que cobriram grande parte do Faial e como ambas as escoadas chegaram ao mar, isolaram o extremo ocidental do Capelo do resto da ilha, onde as pessoas só foram socorridas por barco. Esta erupção deixou mais de 300 casas destruídas, vários mortos, 1200 desalojados. Destes cerca de 200 cidadãos foram forçados a emigrar por solicitação do municipio da Horta para o Brasil.
Vulcão da Praia do Norte à direita e escoada do lado sul, ao fundo a freguesia do Capelo

Em escoadas de lava junto ao mar na Praia do Norte, atribuídas por geólogos a esta erupção, encontraram-se magníficos fragmentos de rochas do interior da terra, arrancadas pela força do magma em ascensão, chamados Xenólitos. Nestas rochas existe em grande quantidade um mineral chamado Olivina, parece-se com um vidro verde garrafa, e no qual se encontrou, pela primeira vez na natureza, uma variedade pura de olivina rica em ferro e que por isso foi baptizada de Faialite. Hoje, por todo mundo, quem estuda geologia aprende o nome deste importante mineral que regista a sua origem faialense na ciência.

Mas o vulcanismo no Faial desde então não ficou parado, mas isso há-de ficar para uns próximos posts...

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