quarta-feira, 19 de setembro de 2007

DIVERSIDADE VULCÂNICA DO FAIAL

Após a apresentação de todas as unidades vulcanoestratigráficas do Faial e da quase conclusão da história geológica da ilha, evidencio agora que nesta parcela de 172 km2, o vulcanismo se apresenta de uma forma tão diversificada que mais parece uma exposição natural sobre a variedade do vulcanismo.
Assim, quanto à possibilidade de repetição de uma actividade eruptiva a partir de uma chaminé, o Faial possui os dois tipos de vulcões:
Monogenéticos, como são os casos do Monte da Guia e Queimado, entre outros na formação do Almoxarife e do Capelo, onde o magma foi expelido num único período eruptivo.
Poligenéticos, onde poderão ocorrer diversos períodos eruptivos intercalados por outros de acalmia, enquadram-se neste caso os dois grandes aparelhos vulcânicos do Faial, que são responsáveis pela construção de grande parte da ilha, os estratovulcões da Ribeirinha e dos Cedros ou Caldeira.


(Monogenético vs Poligenético)

Quanto ao modo de instalação da conduta, ao longo de uma fissura ou no cruzamento de falhas, o que permite o desenvolvimento de uma chaminé principal e em torno da qual tudo se desenvolve, a ilha continua a apresentar os dois tipos:
Vulcanismo Fissural - uma grande fissura ou fenda inicial permitiu o crescimento da Península do Capelo, este tipo de vulcanismo tende a evoluir para cones monogenéticos alinhados, são os casos do alinhamento do Capelo e de outros menores na região da Horta.
Vulcanismo Central - Origina, por norma, grandes aparelhos, com muitos estratos, por isso também chamados de estratovulcões, onde se sobrepõem níveis de lava, escória vulcânica, cinza e solos antigos (paleossolos, que são testemunho dos períodos de acalmia) e representados pelo vulcões da Ribeirinha e da Caldeira.




(uma conduta central vs um alinhamento)

Quanto ao posicionamento das chaminés monogenéticas em relação à água, novamente temos as duas possibilidades:
Submarinas - Com chaminés onde a água entra com intensidade na chaminé, formando cones de tufo vulcânico, casos do Monte da Guia e do Costado da Nau.
Subaéreas - Onde a chaminé, embora possa estar perto do mar ou longe, não está em contacto directo e importante com a água, são exemplos o Monte Queimado e Cabeço do Fogo, por norma, formam os denominados cabeços de bagacina.
Também com o tempo se pode passar de submarinos a subaéreos, raramente ao contrário, mas isso fica para a erupção em falta.


(Cabeço subaéreo vs submarino, este acompanhado de um costeiro subaéreo)

Importa esclarecer que nos Açores os grandes Vulcões Centrais frequentemente começaram por ser submarinos, só que como são poligenéticos e se desenvolvem por muitos milhares de anos, praticamente estamos limitados a ver a sua actividade subaérea, embora nalguns locais da costa sejam visíveis escoadas que fluíram debaixo de água.

Ainda no que se refere à variedade de lavas, tipo de explosividade e materiais formados neste tipo de situações, o Faial continua a parecer uma sala de exposições de rochas vulcânicas: das lavas pretas dos Basaltos, às quase brancas dos domos Traquitos, passado pelos fragmentos fruto de explosões como Pedra-pomes, Bagacina, Bombas vulcânicas e Cinzas, além dos depósitos das núvens ardentes - Ignimbritos, esta ilha é de uma geodiversidade vulcânica estrondosa e quem quiser apreciar ou estudar o Faial encontra um autêntico museu, pouco falta!

Mas como ao passado longínquo os homens dão pouca importância, Vulcano com a sua forja visitaram o Faial no século XX, numa erupção que foi um marco na vulcanologia moderna, mas isso fica para a semana.

2 comentários:

jose quintela soares disse...

Grato por mais uma lição.

lapa disse...

Felicito-o pela qualidade temática e estética deste blogue.