Excerto
"Os mortais são facilmente tentados a atentar contra a glória do vizinho e pensam que essa maneira de matar nada tem de assassínio.""As pessoas valem sempre mais do que aquilo que pensam delas os seus vizinhos."
Considerado um dos clássicos da literatura da época vitoriana inglesa "A vida era assim em Middlemarch", da escritora George Eliot, faz um retrato da vida social numa zona central de Inglaterra na primeira metade do século XIX situada no condado fictício, moralmente conservador e carácter rural de Middlemarch.
Doroteia é uma bela jovem órfã de uma família de grandes proprietários rurais, é discreta e anseia o saber e planear o bem aos mais desfavorecidos. Apesar de alguns pretendentes prestigiados locais lhe fazerem a corte, ela opta por um homem eclesiástico, rico de meia-idade e só devotado a escritos da era clássica cujo interesse dela pela cultura lhe despertou a paixão no celibatário. Numa época dominada pelos homens e onde o saber estava reservado a estes, ela vai descobrir que o seu casamento não vai ser a fonte do conhecimento que esperava e encontra um jovem parente do marido, filho de uma deserdada por ter abraçado o que era então interdito às mulheres, mas protegido pelo esposo como obrigação de consciência, só que a inesperada a viuvez chega mas o falecido não deixa liberta a viúva. A sociedade de Middlemarch está atenta não só a esta nova viúva rica, mas precavida contra todos os que venham com ideias novas para a zona, como acontece com um jovem médico e ao deserdado, entretanto a elite local entrega-se à guerrilha política entre partidos, religiões tradicionais locais e empresários, nesta luta desacredita-se a inovação, procuram-se manchas morais nos adversários, estimulam-se atritos entre fações e retaliações e alimentam-se possíveis escândalos e paixões e a tensão atinge um clímax nesta pacata terra.
O romance é extenso, largas centenas de páginas, está escrito com grande elegância e é rico em metáforas que tecem explicações de caracteres e críticas sociais, denunciando com delicadeza as injustiças e disfunções que marcam a época e o meio. Apesar do retrato social, o papel da generalidade dos pobres é meramente secundário neste romance, à exceção de dois ou três personagens que desempenham funções de contraponto entre a honestidade de quem trabalha e de alguém que se quer aproveitar mas é atingido pelos que subiram pisando outros.
A narrativa começa pacata a lembrar ritmo de vida rural provinciana, mas depois expõe a maledicência, a hipocrisia, o ciume, a aversão à mudança, as rivalidades e os tentáculos dos poderosos que minam a sociedade e prejudicam gente honesta cheia de valores e a rede eclesiástica das religiões que coabitam em Inglaterra. Doroteia é desde o início comparada a Santa Teresa d'Ávila, uma mulher também de grandes feitos, só que a nossa protagonista não tem igual reconhecimento à doutora da Igreja, não se valorizando os seus sacrifícios e ações, o que no fim explica a lenda em torno de Doroteia e a incompreensão do seu heroísmo, assumindo a obra uma homenagem a muitos homens e mulheres que muito deram à sociedade e passaram praticamente incógnitos à história. A extensão exige algum esforço, mas é um excelente romance.
O romance é extenso, largas centenas de páginas, está escrito com grande elegância e é rico em metáforas que tecem explicações de caracteres e críticas sociais, denunciando com delicadeza as injustiças e disfunções que marcam a época e o meio. Apesar do retrato social, o papel da generalidade dos pobres é meramente secundário neste romance, à exceção de dois ou três personagens que desempenham funções de contraponto entre a honestidade de quem trabalha e de alguém que se quer aproveitar mas é atingido pelos que subiram pisando outros.
A narrativa começa pacata a lembrar ritmo de vida rural provinciana, mas depois expõe a maledicência, a hipocrisia, o ciume, a aversão à mudança, as rivalidades e os tentáculos dos poderosos que minam a sociedade e prejudicam gente honesta cheia de valores e a rede eclesiástica das religiões que coabitam em Inglaterra. Doroteia é desde o início comparada a Santa Teresa d'Ávila, uma mulher também de grandes feitos, só que a nossa protagonista não tem igual reconhecimento à doutora da Igreja, não se valorizando os seus sacrifícios e ações, o que no fim explica a lenda em torno de Doroteia e a incompreensão do seu heroísmo, assumindo a obra uma homenagem a muitos homens e mulheres que muito deram à sociedade e passaram praticamente incógnitos à história. A extensão exige algum esforço, mas é um excelente romance.



















