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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

"Cifra" de Mai Jia

 

Recentemente descobri uma secção na Biblioteca Pública da Horta de livros disponíveis de autores orientais e "Cifra", do chinês Mai Jia, despertou-me curiosidade.
Na rica família Rong o contacto com o mundo exterior da China permitiu descobrir um conjunto de grandes cérebros para a matemática, entre eles surge Jinzhen, apesar de mal acolhido e educado por compaixão por um estrangeiro, com a morte deste um parente próximo apercebe-se da sua inteligência e decide trazê-lo para sua casa e inscreve-lo na Universidade que a família dinamizou. Aí, a sua precocidade e genialidade original em resolver problemas matemáticos desperta interesse em núcleos de serviços de descodificação de vários países, sendo integrado ao serviço da sua pátria, numa unidade secreta, onde quebra uma cifra considerada inquebrável. Torna-se um herói nacional, mas a vida de um decifrador passa-se numa corda bamba entre o equilíbrio e o desequilíbrio mental, entre a admiração e a solidão e sua biografia será um retrato contado de uma forma com partes maravilhosas e outras amargas.
Quando escolhi o livro estimei que a narrativa seguisse o caminho de uma aventura entre códigos e perspetivas para a sua quebra de uma forma de que o leitor se envolveria nas pistas para a sua descoberta à semelhança de um policial e onde seria desarmado pela superioridade de Jinzhen. Afinal, após um exemplo exposto na vida do protagonista ainda criança que permite ao leitor participar, a história desenrola-se através de testemunhos de familiares e conhecidos sobre o herói e reflexões do narrador, numa exposição da sua biografia de uma forma calma, muito bem escrita e com pormenorizações do que é a solidão deste tipo de trabalho e da corrida entre nações na guerra da espionagem e contraespionagem.
Interessante que o controlo do Estado ao mundo da informação e também ao trabalho dos autores surge de uma forma natural na obra que se lê bem, apesar de um ritmo lento do seu desenrolar.

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