

impressões de um geólogo amante de livros e música erudita que vive numa ilha vulcânica bela e cosmopolita


No Salão Henrique Escobar estrutura o seu presépio em anfiteatro virado para um espaço disponível ao visitante, se à primeira vista parece meramente tradicional, um olhar atento descobre que as representações de afloramentos rochosos foram substituídas por troncos e cascas de árvores, pelo que a lava quase não existe no presépio, o qual, apesar do seu aspecto recorre a um material bem menos comum neste tipo de representações.
Além da recordação da tradição, só para reparar o cuidado tido com as texturas das cascas de árvore para expressar diferentes tipos de rochas vale a pena visitar este presépio.
Na freguesia de Pedro Miguel, Carlos Bettencourt expõe um presépio tradicional, onde abundam pormenores sobre as actividades rurais mais comuns no passado.
Recorreu aos materiais tradicionais, nomeadamente numerosas figuras de porcelana com trajes típicos do país, sementes e verduras.
Em próximo post um presépio que mistura o tradicional e inovação situado noutra freguesia da zona leste do Faial.


Zona central dos Espalhafatos vista no acesso ao Mato
Uma das curiosidade desta localidade está na origem do seu nome. No século XV a zona elevada chamava-se Alto da Ribeirinha, mas após um ataque de piratas às populações, comum na época, estas conseguiram emboscá-los e atacá-los na parte estreita do vale. Os inimigos abandonaram os seus despojos e roupas e o sítio ficou famoso por ser onde foram espalhados os fatos, daí passou a Alto dos Espalhafatos.
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.



