Poucos livros do género policial e banditismo têm a genialidade de conjugar as grandes emoções deste tipo trama e ser em simultâneo uma obra de arte literária que deveria ser de culto. Rubem Fonseca consegue em "A Grande Arte" fazer uma paródia cheia de ação e referências culturais ligada ao submundo do crime, prostituição, narcotráfico e advocacia de investigação com um protagonista do tipo herói falhado, exceto na sua obsessão e sucesso com as mulheres, mas que gera simpatia no leitor, e criar um romance que é uma obra-prima.
Esta edição tem um prefácio de Francisco José Viegas e um posfácio de Vargas Llosa que fundamentam perfeitamente por que este romance violento, divertido e de puro entretimento deve ser de facto uma obra de referência no seu género.
Rubem Fonseca na sua escrita fria e do género reportagem acelerada, memórias e algumas brejeirices, intercalada de expressões irónicas e de riqueza cultural, cria uma trama única e que mostra como se transforma uma temática para muitos considerada menor num romance de nível literário superior do melhor ou o melhor que já li no género, que justifica o escritor ter o prémio Camões e valoriza a literatura escrita em Português. Um livro recomendável e acessível a qualquer leitor.














