Ao fim de muito tempo de ouvir falar, mas sem nunca me ter interessado em ler; li pela primeira vez um livro da Haruki Murakami, "Sputnik, meu amor".
Não sendo um livro cor de rosa, também não é de grande profundidade literária, digamos um "crossover" entre uma obra mais comercial que junta alguma reflexão inteletual e com uma escrita escorreita.
Murakami, apesar de ser japonês, enche a obra de referências à cultura ocidental: música, literatura e seu autores, como se o escritor, sem renegar as suas origens, estivesse exageradamente interessado em mostrar-se ao ocidente.
Não desgostei do livro em termos de lazer, tem momentos com alguma profundidade, outros que roçam mundos mágicos, mas sempre com uma tristeza latente aos amores que desde o início se percebem ser impossíveis de se completarem. Para alguns, estes serão menos naturais, mas inteiramente viáveis nos sentimentos e desejos humanos e expostos de uma forma sem preconceitos e sem imposições.
impressões de um geólogo amante de livros e música erudita que vive numa ilha vulcânica bela e cosmopolita
sábado, 6 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Dia Internacional da Música um compositor açoriano
Ao longo de todo o ano ouço sobretudo música erudita não nacional... hoje, no dia internacional da música uma exceção: duas interpretações por sopranos portuguesas, numa canção composta pelo açoriano Francisco Lacerda.
A sua preferência fica ao critério de quem ouvir as duas variantes da mesma obra.
domingo, 30 de setembro de 2012
O Bom Inverno de João Tordo
O ainda jovem João Tordo ganhou um prémio Saramago e o "O bom inverno" encontra-se na lista para o prémio literário europeu do corrente ano. Motivos que estão na base de ter optado pela leitura deste romance.
Um escritor português algo hipocondríaco e deprimido vai a um evento europeu de escritores e é atraído para umas férias na casa de um produtor de cinema igualmente europeu que por norma reúne pessoas das artes durante o verão... mas este espaço transforma-se num pesadelo e um crime desencadeia um drama psicológico e de terror com estes artistas de valor variável.
Um texto bem escrito e embora o autor seja um deus sobre os seus personagens, tal como se deduz no romance, até este deus pode perder o controlo e penso que de facto tal aconteceu na obra.
Tem por vezes reflexões interessantes, tem páginas em que chega a ser emocionante e entusiasmante, mas também tem momentos que me pareceu maçador e sem norte.
Para uma obra selecionada para um prémio europeu esperava mais ou talvez os prémios é que tem uma bitola mais baixa do que eu penso. Lê-se razoavelmente bem, mas não me deslumbrou.
Assumo que a falta de deslumbramento pode efetivamente dever-se ao ter perspetivado algo de muito elevado, devido ao anúncio à candidatura de um prémio internacional, e ainda estar influenciado pela excelente obra cuja leitura lhe antecedeu imediatamente. Por isso mantenho o repto para lerem "O bom inverno" e cada um depois julgue por si... até por que as críticas literárias são todas muito elevadas...
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Por quem os sinos dobram
Livro e sinopse disponível aqui
Pode alguém sob a ameaça de uma guerra que nos cerca e na preparação de uma operação militar de elevado risco, descobrir a plenitude da vida e vivê-la no seu total em 3 dias?
Relatos da vida de um cooperante americano ao lado de partisans republicanos e comunistas em plena guerra civil de Espanha, experiência de facto vivida por Ernest Hemingway.
"Por quem os sinos dobram" é a história da descoberta do amor e do significado da vida quando tudo está a ruir à nossa volta e a morte se senta ao lado à espera da sua oportunidade de vir ter connosco precisamente quando se descobre o valor da vida.
É também uma introspeção sobre o significado da vida, um exame de consciência e uma inteligente denúncia de que mesmo aqueles que parecem estar do lado certo da humanidade são capazes de fazer as coisas mais erradas ao próprio homem.
Um excelente livro que tem tanto de elogio ao amor e à vida, como de reflexão sobre o significado desta e feito através de uma escrita não rebuscada, mas profunda.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Recordando o Concerto do Varadouro de 2012
Embora um pouco atrasado, aqui ficam duas fotos do excelente concerto no Varadouro ocorrido este ano e aqui divulgado.
Além do prazer que foi ouvir um cravo magnífico no Faial, tocado por Gustaaf van Manen, importa elogiar Rodrigo Lima, que já ouvira ao vivo em 2010, conforme então divulguei neste artigo.
Presentemente, Rodrigo Lima está cada vez mais maduro e confiante, aspetos que se refletem na sua performance, tornando-o num magnífico flautista açoriano e capaz de conduzir o concerto como aconteceu neste trio. Uma excelente noite de música.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Jesusalém de Mia Couto
Acabei de ler Jesusalém de Mia Couto, considerado uma das obras principais deste escritor, confesso que mergulhei num entusiasmo inicial que depois de meio foi esmorecendo.
Uma estória que leva a pensar se vale rompermos com o mundo para esquecermos as nossas culpas e desilusões geradas na nossa vida em sociedade, sobretudo a feridas abertas nas relações com os que nos estão mais próximos.
Na sua escrita cheia de neologismos provavelmente inventados no momento e outros regionalismos, com um estilo algo fantástico e enraizado nos mitos, cultura e ambiente africano, tem um início cheio de criatividade e de imagens escritas e de pensamento brilhante para depois ter uma passagem mais dolente que se vai compreendendo e me levou à reflexão sobre se é possível fugir às desilusões com o que tropeçamos e causamos com o nosso modo de viver.
Gostei, até por ter a dimensão suficiente e adequada para o género e ritmo do livro, uma medida que nem todos os escritores sabem usar.
domingo, 9 de setembro de 2012
Sala de leitura estival
Agora que o verão está em fase terminal, confesso que houve menos tempo para este blogue, pois foi com vista para este pinheiro, enquadrado neste espaço ao ar livre e após banhos no Atlântico, que fui passando o resto da tarde a ler calmamente, a respirar ar puro e a ouvir os ruídos bucólicos do meio rural... algo que a redução das horas de luz solar já está praticamente a tornar impossível até ao reaparecimento dos novos longos dias de verão.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
O Jogador: Fiodor Dostoievski
Acabei de ler "O Jogador" de Dostoievski, o primeiro livro de um grande escritor russo que li. Optei por uma pequena obra tendo em conta que desconhecia o autor e a literatura daquele país.
Trata-se de um livro de fácil leitura, muitas vezes hilariante, com uma escrita muito linear típica das obras do século XIX e apesar dos numerosos francesismos estes estão devidamente traduzidos em rodapé para quem não dominar a língua de Victor Hugo.
Parece uma obra de mero divertimento, mas o livro é denso de reflexões psicológicas e sociais: a desconfiança e preconceitos entre os povos de diferentes nacionalidades europeias, os comportamentos compulsivos de muitas pessoas e o estilo de vida falso e insustentável de muita aristocracia do velho mundo.
Uma pequena obra bem construída que é um retrato de um certo tipo de classe social que na sua singeleza levanta questões ainda atuais sobre a sociedade e as relações humanas.
sábado, 1 de setembro de 2012
Submundo de Don DeLillo
Três de outubro de 1951 coincide com a primeiro rebentamento nuclear da União Soviética e com uma das jogadas mais famosas da história do basebol, ocorrências que causaram vibrações em muitos norteamericanos, incluindo na Bronx de Nova Iorque.
Cerca de 40 anos depois, acabada a guerra fria, a humanidade vive com o problema dos seus resíduos, incluindo nucleares. A personagem mais presente na obra gere a mensagem de como a empresa administra esta questão e um conjunto de pessoas relacionadas com a Bronx é o fruto do que foi o passado.
O romance relata episódios soltos, que recuam no tempo, com medos, aspirações, disfunções sociais e mistura de cidadãos e factos reais e ficcionados, unidos pela Bronx e a guerra fria.
Uma obra grandiosa que constrói um puzzle da vida nos Estados Unidos durante 40 anos, onde uma bola de basebol, a Bronx, a guerra fria e o lixo formam o cimento que une as peças e justifica a década de 90.
Um livro pós-moderno que provavelmente se tornará numa referência da história da literatura dos Estados Unidos.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Destruir livros é sempre um mau sinal
A minha relação com livros está cada vez mais forte, aliás uma das razões por que sou menos ativo neste blogue, mas tal não invalida o meu acompanhamento da blogosférico e hoje cruzei-me com este excelente artigo de Helena Damião.
Não resisti na sua divulgação.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Privilégios Açorianos
Praia do Almoxarife no Faial com o Pico ao fundo
Seria bem mais fácil atualizar este blogue não fosse este privilégio de poder mergulhar no Atlântico no regresso a casa após um dia de trabalho...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Stieg Larsson e a Trilogia Millennium
Conclui de rajada a dose fast food da trilogia Millennium de Stieg Larsson e não me arrependi.
Sabia que não seria uma obra-prima de arte literária, mas precisava de perceber o que motivara tão grande sucesso e claro percebi logo que a estratégia do thriller costuma dar bons frutos, mas este conjunto não é só isso.
Além de ter sabido encadear acontecimento, Stieg Larsson mostrou um conjunto de personagens que apesar de parecerem amorais nos bons costumes estão cheios de princípios éticos e sedentos de uma justiça não atada pelas próprias regras que sustentam a liberdade e a democracia social na Suécia.
O primeiro volume é uma obra à parte, tecnicamente mais bem estruturada e com princípio meio o fim.
Devido à minha cooperação com jornais retenho o seguinte parágrafo já perto do final " Oh sim, os media tem uma enorme responsabilidade. Durante quase vinte anos, muitos jornalistas abstiveram-se de investigar... Se tivessem feito o seu trabalho como deve ser, não estaríamos hoje na situação em que estamos."
Os outros dois volumes são demasiado interdependentes e dificilmente podem ser lidos isoladamente e o enredo por vezes parece inverosímil, repetitivo e com excesso de pormenores, mas levantam uma série de questões no meio de um suspense de cortar por vezes a respiração e de alguma violência que dói só de imaginar.
Pode o edifício da democracia criar monstros dentro de si cujo objetivo é a sustentação desse mesmo edifício? Seria o Estado bem melhor se os jornalistas em vez de meros transmissores de notas e conferências de imprensa ou daquilo que veem fossem sobretudo investigadores a sério da realidade? Estará o Estado de direito maniatado pelas suas próprias leis que não consegue assegurar uma verdadeira justiça aos cidadãos vítimas de quem não respeita a normas? Não perdoaríamos o Estado que transgredisse a Lei para fazer justiça, mas perdoaremos que alguém de fora transgrida as regras para se conseguir o mesmo fim? Julian Assange não estará em parte retratado e justificado nesta trilogia?
Um fast food que tem em simultâneo a capacidade de nos distrair e de fazer pensar, se quisermos mesmo refletir as ideias constantes nas entrelinhas da escrita deste jornalista precocemente desaparecido.
domingo, 22 de julho de 2012
O bloguer no Forte Apache
A convite dos administradores do blogue nacional Forte Apache, a partir de hoje também estarei presente com os meus escritos neste espaço de cariz muito diferente do de Geocrusoe, mas onde algumas ideias aqui abordadas não deixarão de ser levadas àquele novo destino.
Confesso que é com muita honra que me sinto como bloguer Açoriano ser convidado para ser um elemento ativo na blogosfera nacional.
Confesso que é com muita honra que me sinto como bloguer Açoriano ser convidado para ser um elemento ativo na blogosfera nacional.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
9 de julho de 1998: situação 14 anos depois
9 de julho de 1998, cerca das 5h20 da manhã 20 segundos bastaram para destruir praticamente na totalidade a freguesia da Ribeirinha, aquilo que se pode dizer, varrer do mapa uma terra...
O socorro da proteção civil dentro das limitações de uma terra com os acessos cortados, foi rápido e eficiente, os alimentos, as tendas e os primeiros socorros chegaram cedo aos sinistrados, foi o momento em que o agir humanitariamente se sobrepôs aos interesses políticos... depois a palavra de ordem foi sensivelmente: não façam nada que nós (governantes) fazemos tudo e ainda podem perder apoios.
Catorze anos depois, a grande maioria dos sinistrados está realojada, houve o aproveitar para resolver determinadas questões de segurança e sociais: o reordenamento do território com abandono de zonas de maior risco, melhor qualidade construtiva, dimensionamento adequado das habitações ao tamanho do agregado familiar, mas subsistem ainda pessoas sem casa a viver em pré-fabricados, os imóveis coletivos públicos continuam todos em ruínas e a gritarem que nunca se deve numa catástrofe desmobilizar as capacidades das pessoas, pois esse desperdício não só sai caro de financiar, como dificulta a resolução dos casos não individuais.
Dedicado a todos, que arregaçaram as mangas, correram os riscos e foram em frente...
quarta-feira, 4 de julho de 2012
179.º aniversário de elevação da Horta a cidade
Horta 2012
Um conjunto de baías que permite o abrigo à maioria dos ventos, um posicionamento favorável a ser intercetada pela navegação à vela nas grandes viagens do Atlântico desde do século XVI, um local onde era possível o abastecimento de água e alimentos, uma porta de entrada na Europa e eis as condições por que este local se tornou um porto de abrigo, inicialmente uma vila, depois uma cidade e capital de distrito e hoje sede do parlamento dos Açores.
Uma terra que apesar de parecer parada no tempo tem um beleza ímpar inesquecível que continua a ser uma zona de acolhimento de quem atravessa o Atlântico, sobretudo indo ou vindo do novo para o velho mundo, e que hoje faz anos como cidade.
Parabéns cidade da Horta!
domingo, 1 de julho de 2012
1.º de Julho - CANADA DAY
Palavras para quê... nunca o escondi, Proud to be Canadian
Bom dia do Canadá a todos
Subscrever:
Mensagens (Atom)











