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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Maravilhas alentejanas: arqueologia

Se Évora é uma pérola patrimonial com uma grande riqueza histórica e cultural que se estendeu à pintura e à música; o Alentejo rural assemelha-se como um jardim onde, no lugar de flores, se encontram tesouros dos mais variados géneros. O domínio da arqueologia é sem dúvida um dos campos mais ricos desta provincia:

O cromeleque de Almendres nos arredores de Évora é sem dúvida uma das maiores surpresas destas estruturas provavelmente religiosas do período pré-histórico nos arredores de Évora, mas em torno desta cidade não faltam outros cromeleques, menires contemporâneos desta maravilha, sinais da importante ocupação humana nos mílénios IV a VI antes de Cristo.

Já no período Romano, mais afastado de Évora, mas também no Baixo Alentejo, a vila romana de São Cucufate são sem dúvida outra bela surpresa da importância desta região no império romano no contexto ibérico.

Como frequentemente acontece, aos maiores imóveis romanos, segue-se o aproveitamento cristão e em S Cucufate o fenómeno acontece com antigos frescos com um grau de conservação assombroso.


Castelos, igrejas, palácios e povoados antigos surgem com uma elevada frequência na paisagem e assinalam a história de Portugal que já se aproxima de um milénio, motivo para os numerosos imóveis dispersos, sobretudo nos pontos mais elevados da planície alentejana... mas o tema destes últimos ficará para um artigo futuro.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A conhecer Portugal: Évora

 Évora, uma cidade Portuguesa, património mundial e já importante no império romano que eu nunca visitara, mas que me está a surpreender pela positiva
Bela, não só pelos monumentos, mas também pela harmonia dos imóveis mais simples, dentro das muralhas continua calma apesar da sua riqueza, bem conservada e boa gastronomia.

 Alegre devido à juventude universitária que deambula entre imóveis milenares.
Sem esquecer os seus museus com o espólio deixado Frei Manuel do Cenáculo e as obras de Vieira Lusitano, uma magnífica surpresa da riqueza artística de Évora... uma cidade a visitar sem dúvida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Férias cá dentro

Parque das Nações em Lisboa

Como hábito outono para mim é a estação das férias e de potenciais viagens a conhecer o mundo ou os meus dois Países: Canada e Portugal.
Este ano faço férias cá no Estado onde vivo, por agora de visita à capital, depois deverá haver alguma viagem cá dentro, até porque Portugal tem terras igualmente muito bonitas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O visconde cortado ao meio - Italo Calvino

Mais informações aqui


Sabemos que o ser humano é constituído de partes boas e más, mas se o partíssemos ao meio separando estas partes como seria?
Uma alegoria que mostra a genialidade que é o escritor Italo Calvino, um dos meus escritores prediletos.
Interessante também que para alguns, mesmo que pretendam alcançar a perfeição, o bem pode mesmo ser incómodo e, por vezes, até o mal melhor tolerado.
Um excelente livro onde, além do mal e do bem em confronto para reflexão, também existe o tempero do amor, num texto que talvez não seja tão surrealista quanto o estilo. Adorei!

Um livro que integra a lista das recomendações do Plano Nacional de Leitura

sábado, 6 de outubro de 2012

Sputinik, meu amor - Haruki Murakami



Ao fim de muito tempo de ouvir falar, mas sem nunca me ter interessado em ler; li pela primeira vez um livro da Haruki Murakami, "Sputnik, meu amor". Não sendo um livro cor de rosa, também não é de grande profundidade literária, digamos um "crossover" entre uma obra mais comercial que junta alguma reflexão inteletual e com uma escrita escorreita. Murakami, apesar de ser japonês, enche a obra de referências à cultura ocidental: música, literatura e seu autores, como se o escritor, sem renegar as suas origens, estivesse exageradamente interessado em mostrar-se ao ocidente. Não desgostei do livro em termos de lazer, tem momentos com alguma profundidade, outros que roçam mundos mágicos, mas sempre com uma tristeza latente aos amores que desde o início se percebem ser impossíveis de se completarem. Para alguns, estes serão menos naturais, mas inteiramente viáveis nos sentimentos e desejos humanos e expostos de uma forma sem preconceitos e sem imposições.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia Internacional da Música um compositor açoriano

Ao longo de todo o ano ouço sobretudo música erudita não nacional... hoje, no dia internacional da música uma exceção: duas interpretações por sopranos portuguesas, numa canção composta pelo açoriano Francisco Lacerda.

A sua preferência fica ao critério de quem ouvir as duas variantes da mesma obra.

domingo, 30 de setembro de 2012

O Bom Inverno de João Tordo



O ainda jovem João Tordo ganhou um prémio Saramago e o "O bom inverno" encontra-se na lista para o prémio literário europeu do corrente ano. Motivos que estão na base de ter optado pela leitura deste romance.
Um escritor português algo hipocondríaco e deprimido vai a um evento europeu de escritores e é atraído para umas férias na casa de um produtor de cinema igualmente europeu que por norma reúne pessoas das artes durante o verão... mas este espaço transforma-se num pesadelo e um crime desencadeia um drama psicológico e de terror com estes artistas de valor variável.
Um texto bem escrito e embora o autor seja um deus sobre os seus personagens, tal como se deduz no romance, até este deus pode perder o controlo e penso que de facto tal aconteceu na obra. 
Tem por vezes reflexões interessantes, tem páginas em que chega a ser emocionante e entusiasmante, mas também tem momentos que me pareceu maçador e sem norte.
Para uma obra selecionada para um prémio europeu esperava mais ou talvez os prémios é que tem uma bitola mais baixa do que eu penso. Lê-se razoavelmente bem, mas não me deslumbrou.
Assumo que a falta de deslumbramento pode efetivamente dever-se ao ter perspetivado algo de muito elevado, devido ao anúncio à candidatura de um prémio internacional, e ainda estar influenciado pela excelente obra cuja leitura lhe antecedeu imediatamente. Por isso mantenho o repto para lerem "O bom inverno" e cada um depois julgue por si... até por que as críticas literárias são todas muito elevadas... 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Por quem os sinos dobram

Livro e sinopse disponível aqui


Pode alguém sob a ameaça de uma guerra que nos cerca e na preparação de uma operação militar de elevado risco, descobrir a plenitude da vida e vivê-la no seu total em 3 dias? 
Relatos da vida de um cooperante americano ao lado de partisans republicanos e comunistas em plena guerra civil de Espanha, experiência de facto vivida por Ernest Hemingway.
"Por quem os sinos dobram" é a história da descoberta do amor e do significado da vida quando tudo está a ruir à nossa volta e a morte se senta ao lado à espera da sua oportunidade de vir ter connosco precisamente quando se descobre o valor da vida.
É também uma introspeção sobre o significado da vida, um exame de consciência e uma inteligente denúncia de que mesmo aqueles que parecem estar do lado certo da humanidade são capazes de fazer as coisas mais erradas ao próprio homem.
Um excelente livro que tem tanto de elogio ao amor e à vida, como de reflexão sobre o significado desta e feito através de uma escrita não rebuscada, mas profunda.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Recordando o Concerto do Varadouro de 2012

Embora um pouco atrasado, aqui ficam duas fotos do excelente concerto no Varadouro ocorrido este ano e aqui divulgado.
Além do prazer que foi ouvir um cravo magnífico no Faial, tocado por Gustaaf van Manen, importa elogiar Rodrigo Lima, que já ouvira ao vivo em 2010, conforme então divulguei neste artigo.

Presentemente, Rodrigo Lima está cada vez mais maduro e confiante, aspetos que se refletem na sua performance, tornando-o num magnífico flautista açoriano e capaz de conduzir o concerto como aconteceu neste trio. Uma excelente noite de música.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Jesusalém de Mia Couto


Acabei de ler Jesusalém de Mia Couto, considerado uma das obras principais deste escritor, confesso que mergulhei num entusiasmo inicial que depois de meio foi esmorecendo.
Uma estória que leva a pensar se vale rompermos com o mundo para esquecermos as nossas culpas e desilusões geradas na nossa vida em sociedade, sobretudo a feridas abertas nas relações com os que nos estão mais próximos.
Na sua escrita cheia de neologismos provavelmente inventados no momento e outros regionalismos, com um estilo algo fantástico e enraizado nos mitos, cultura e ambiente africano, tem um início cheio de criatividade e de imagens escritas e de pensamento brilhante para depois ter uma passagem mais dolente que se vai compreendendo e me levou à reflexão sobre se é possível fugir às desilusões com o que tropeçamos e causamos com o nosso modo de viver.
Gostei, até por ter a dimensão suficiente e adequada para o género e ritmo do livro, uma medida que nem todos os escritores sabem usar.

domingo, 9 de setembro de 2012

Sala de leitura estival


Agora que o verão está em fase terminal, confesso que houve menos tempo para este blogue, pois foi com vista para este pinheiro, enquadrado neste espaço ao ar livre e após banhos no Atlântico, que fui passando o resto da tarde a ler calmamente, a respirar ar puro e a ouvir os ruídos bucólicos do meio rural... algo que a redução das horas de luz solar já está praticamente a tornar impossível até ao reaparecimento dos novos longos dias de verão.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Jogador: Fiodor Dostoievski



Acabei de ler "O Jogador" de Dostoievski, o primeiro livro de um grande escritor russo que li. Optei por uma pequena obra tendo em conta que desconhecia o autor e a literatura daquele país.
Trata-se de um livro de fácil leitura, muitas vezes hilariante, com uma escrita muito linear típica das obras do século XIX e apesar dos numerosos francesismos estes estão devidamente traduzidos em rodapé para quem não dominar a língua de Victor Hugo.
Parece uma obra de mero divertimento, mas o livro é denso de reflexões psicológicas e sociais: a desconfiança e preconceitos entre os povos de diferentes nacionalidades europeias, os comportamentos compulsivos de muitas pessoas e o estilo de vida falso e insustentável de muita aristocracia do velho mundo.
Uma pequena obra bem construída que é um retrato de um certo tipo de classe social que na sua singeleza  levanta questões ainda atuais sobre a sociedade e as relações humanas.

sábado, 1 de setembro de 2012

Submundo de Don DeLillo


Três de outubro de 1951 coincide com a primeiro rebentamento nuclear da União Soviética e com uma das jogadas mais famosas da história do basebol, ocorrências que causaram vibrações em muitos norteamericanos, incluindo na Bronx de Nova Iorque.
Cerca de 40 anos depois, acabada a guerra fria, a humanidade vive com o problema dos seus resíduos, incluindo nucleares. A personagem mais presente na obra gere a mensagem de como a empresa administra esta questão e um conjunto de pessoas relacionadas com a Bronx é o fruto do que foi o passado.
O romance relata episódios soltos, que recuam no tempo, com medos, aspirações, disfunções sociais e mistura de cidadãos e factos reais e ficcionados, unidos pela Bronx e a guerra fria.
Uma obra grandiosa que constrói um puzzle da vida nos Estados Unidos durante 40 anos, onde uma bola de basebol, a Bronx, a guerra fria e o lixo formam o cimento que une as peças e justifica a década de 90.
Um livro pós-moderno que provavelmente se tornará numa referência da história da literatura dos Estados Unidos.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Destruir livros é sempre um mau sinal



A minha relação com livros está cada vez mais forte, aliás uma das razões por que sou menos ativo neste blogue, mas tal não invalida o meu acompanhamento da blogosférico e hoje cruzei-me com este excelente artigo de Helena Damião.

Não resisti na sua divulgação.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Privilégios Açorianos

Praia do Almoxarife no Faial com o Pico ao fundo

Seria bem mais fácil atualizar este blogue não fosse este privilégio de poder mergulhar no Atlântico no regresso a casa após um dia de trabalho...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Stieg Larsson e a Trilogia Millennium



Conclui de rajada a dose fast food da trilogia Millennium de Stieg Larsson e não me arrependi.
Sabia que não seria uma obra-prima de arte literária, mas precisava de perceber o que motivara tão grande sucesso e claro percebi logo que a estratégia do thriller costuma dar bons frutos, mas este conjunto não é só isso. 
Além de ter sabido encadear acontecimento, Stieg Larsson mostrou um conjunto de personagens que apesar de parecerem amorais nos bons costumes estão cheios de princípios éticos e sedentos de uma justiça não atada pelas próprias regras que sustentam a liberdade e a democracia social na Suécia.
O primeiro volume é uma obra à parte, tecnicamente mais bem estruturada e com princípio meio o fim.
Apresentação dos protagonistas com uma heroína estilo punk vítima dum mundo preconceituoso que não a compreende e é sujo, a qual acompanha uma investigação jornalística, onde se descobre do pior que pode haver no ser humano e se desmascara esta sociedade corrupta em que vivemos. Uma escrita despretensiosa pouco interessante... mas que é uma denúncia cheia de emoções.
Devido à minha cooperação com jornais retenho o seguinte parágrafo já perto do final " Oh sim, os media tem uma enorme responsabilidade. Durante quase vinte anos, muitos jornalistas abstiveram-se de investigar... Se tivessem feito o seu trabalho como deve ser, não estaríamos hoje na situação em que estamos."


Os outros dois volumes são demasiado interdependentes e dificilmente podem ser lidos isoladamente e o enredo por vezes parece inverosímil, repetitivo e com excesso de pormenores, mas levantam uma série de questões no meio de um suspense de cortar por vezes a respiração e de alguma violência que dói só de imaginar.
Pode o edifício da democracia criar monstros dentro de si cujo objetivo é a sustentação desse mesmo edifício? Seria o Estado bem melhor se os jornalistas em vez de meros transmissores de notas e conferências de imprensa ou daquilo que veem fossem sobretudo investigadores a sério da realidade? Estará o Estado de direito maniatado pelas suas próprias leis que não consegue assegurar uma verdadeira justiça aos cidadãos vítimas de quem não respeita a normas? Não perdoaríamos o Estado que transgredisse a Lei para fazer justiça, mas perdoaremos que alguém de fora transgrida as regras para se conseguir o mesmo fim? Julian Assange não estará em parte retratado e justificado nesta trilogia?


Um fast food que tem em simultâneo a capacidade de nos distrair e de fazer pensar, se quisermos mesmo refletir as ideias constantes nas entrelinhas da escrita deste jornalista precocemente desaparecido.