sábado, 1 de setembro de 2018

"A Pousada da Jamaica" de Daphne Du Maurier


Excerto
"A rapariga continuou sentada no chão ao lado da cadeira acabada de desocupar. Através da janela da cozinha, viu que o Sol já desaparecera atrás da colina mais distante e em breve a malevolência do crepúsculo de Novembro envolveria a Pousada da Jamaica, mais uma vez."

"A Pousada da Jamaica" da inglesa Daphne Du Maurier, é o típico romance que junta o suspense, a tensão psicológica, o amor romântico, os bons reféns dos maus e surpresas até ao fim para se adaptar com sucesso ao cinema tal como fez o mestre do género Hitchcock com esta obra.
A estória passa-se no início do século XIX quando Mary Yellan, após a morte da sua mãe viúva para fazer a última vontade desta vende a quinta e parte para a casa da tia materna na Cornualha, onde espera encontrar a proteção de uma mulher que se lembra de ser alegre, só que agora esta está casada com o dono de uma estalagem rural, vive oprimida pelo terror da vida do seu marido com um bando de bandidos alcoólicos que se suspeita dedicarem totalmente ao mal. Mary tentará descobrir o que se passa naquela casa que já não tem hóspedes e vai descobrindo uma teia que se torna cada vez mais macabra e da qual fica refém. Infelizmente a ajuda que encontra nas proximidades parece vir de gente cujos indícios são ainda piores, situação agravada por se apaixonar por quem não se recomenda.
Maurier escreve de forma escorreita e despretensiosa, mas cuidada, agradável e literariamente boa. Constrói assim uma obra de entretenimento sem descer à vulgaridade, enriquecida com a descrição pormenorizada da paisagem da charneca da Cornualha e ainda com análises psicológicas densas das personagens que cria.
Gostei do livro que prende o leitor, é fácil, bem estruturado e bem cuidado.


6 comentários:

Pedrita disse...

eu tinha gostado muito de rebecca. esse nao li. engraçado q eu amo esse gênero no cinema e vejo bastante, mas na hora de ler leio pouco. beijos, pedrita

Bárbara Ferreira disse...

Tenho este e "Frenchmen's Creek", da autora, na estante, ainda por ler. Creio que este será o meu próximo dela... relembre-me, o Carlos já leu "My Cousin Rachel"? Até agora, é o meu favorito de Daphne du Maurier - e um livro favorito!

ematejoca disse...

Li este romance na minha adolescência, sendo o romance que menos gostei da autora de "A minha prima Raquel", "Rebeca", entre outros.

Entretanto, fiquei com curiosidade de o ler outra vez, desta vez, na tradução alemã.

Carlos Faria disse...

Pedrita
Rebecca é bem diferente deste em termos de drama, mas a tensão é semelhante, sendo que este parece que sabemos mais do início da realidade que se esconde e e depois vamos sendo surpreendidos. Sob o ponto de vista de descrição geográfica este é um incentivo para descobrirmos a Cornualha.

Bárbara
A prima Rachel está cá em casa na lista de espera entre outros, mas único de Maurier.

Ematejoca
Apesar de diferentes gostei de ambos. Tenho tido dificuldades em escrever no Ematejoca, vai-me pedindo elementos ou para não ser robot ou outras questões, não sei se o problema é do meu sistema no pc ou de segurança que impôs no seu blogue.

ematejoca disse...

Tenho sentido a falta dos seus comentários, Carlos, quando publico algo cultural.

Não impôs qualquer tipo de segurança nos meus blogues. Mas há muitos amigos que se queixam da dificuldade de lá entrar.

Continuação de boa semana e boas leituras.

Carlos Faria disse...

Não consigo publicar comentar no ematejoca, não sei porquê, já foram várias dezenas tentativas em post anteriores e hoje não tive melhor sorte. Pede para abrir a conta, depois na republicação pede códigos como não robot e assim sucessivamente.