sábado, 25 de agosto de 2018

"O Mar" de John Banville


Excerto
"A sala estava tal como eu a recordava, ou parecia estar como eu a recordava, porque as recordações estão sempre ávidas por condizerem na perfeição com as coisas e os lugares do passado revisitado."

"Costumava dizer que se houvesse dor, pelo menos haveria como que uma certificação, uma autenticação, algo que lhe dissesse que o que lhe tinha acontecido era mais real do que qualquer realidade que conhecera até então. Mas não sentia dores, por enquanto."

Quando iniciei há uns anos uma lista de obras recomendadas que anotava para mais tarde comprar "O Mar" do irlandês John Banville e vencedor do Booker Prize em 2005 foi a obra que que abriu tal série", mas pouco tempo depois a obra esgotou em Portugal e só este ano foi reeditada. Já não me lembrava da temática, apenas sabia que considerava o primeiro parágrafo da obra avassalador, o único que lera num excerto e não corresponde a nenhum dos acima transcrito.
Max, após a morte da mulher por cancro revisita a aldeia de férias à beira mar aonde passava a sua infância e onde desenvolveu paixões fortes por duas mulheres membros de uma família em veraneio na casa onde agora se instalou. Começa então a memorizar o nascimento desses amores, as relações com as pessoas com quem conviveu, o mau ambiente na sua família de então, memórias que intercala com o desenrolar dos acontecimentos com a sua falecida mulher, a sua doença, o papel protetor da sua filha e os elementos na casa onde se encontra hospedado, quase sempre acompanhadas com a presença do mar.
A obra está muito bem escrita, predominam os parágrafo extensos e densos em adjetivos. O passado vai-se reconstituindo lentamente com uma nostalgia sombria devido às tragédias associadas, à dor do tempo perdido e ao amargor de uma velhice que se aproxima solitária. Apesar do magnífico primeiro parágrafo e talvez porque se seguiu à leitura de outro livro sobre memórias não alegres, fui sendo esmagado pela tristeza que ia atravessando o romance, sem mais me deslumbrar como o impacte d seu arranque. Contudo, é um bom pequeno romance.

3 comentários:

Pedrita disse...

ah, vc leu. e a capa é tão linda qt a do brasil. é muito contundente realmente. comentei aqui https://mataharie007.blogspot.com/2017/07/o-mar-de-john-banville.html

morgana disse...

Tentei ler mas não gostei...

Carlos Faria disse...

Pedrita
A depressão que o livro transmite com a sua nostalgia triste tornou-me dolorosa a leitura, tenho se seguir agora para uma obra que não me deprima.

Morgana
Após o primeiro parágrafo, houve momentos que a obra torturou-me pelo que compreendo-a