quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

House of Cards de Michael Dobbs


Excertos
"Quando as árvores são todas derrubadas, até um arbusto parece grande"
"É próprio da ambição exigir algumas baixas entre as tropas."
"Aqueles que desejam trepar ao cimo das árvores mais altas têm de aceitar as consequências que é verem expostas as suas partes mais vulneráveis."

Não vejo séries de televisão há vários anos, mas ouvi falar que House of Cards como uma forma de expor os bastidores negros da política, pelo que ao me cruzar com o livro que lhe serviu de base, ao descobrir que o seu autor era ele mesmo um político de carreira, vivendo precisamente na sombra  do poder, além de que o romance era do género de suspense político e estava em promoção, comprei de imediato este "House of Cards" do inglês e lord Michael Dobbs.
Ao contrário da série de TV, o livro original decorre em Londres e pouco tempo após Margaret Tatcher. Numas eleições o Primeiro-ministro (criado pelo autor) vence com uma maioria escassa e não segue o conselho de renovação do homem forte dos bastidores do seu partido: Francis Urquhart. Começa então um conjunto de fugas de informações que debilitam o executivo, há escândalos que envolvem a família do líder do governo, os mídia fazem o cerco manipulados por vários interesses. O leitor conhece os passos do autor das maldades e uma jornalista procura compreender o que se está a passar, no clímax da tensão surge demissão do Primeiro-ministro e a convocação de eleições internas, mas as chantagens e pressões levam a demissões dos candidatos e o o caminho vai-se abrindo a Francis, que tudo manipula sem escrúpulos.
Os estilo de escrita, embora não seja inovador, é bem trabalhado, cuidado, elegante e adequa-se ao género de suspense, tem a particularidade de quase todos os capítulos terem uma frase ou uma citação que torna concisa as manobras nele feitas a sangue-frio e alertas para os riscos que estão associados à carreira política, respetiva ambição e exposição pública. (os excertos são na maioria desses introitos)
Gostei do livro e da estória, que chama a atenção para o mundo escondido da política e mostra que numa época ainda sem as redes sociais da internet, hoje acusadas de fake-news criadas deliberadamente segundo interesses já era uma técnica praticada a coberto da eventual independência e ética dos meios de comunicação social levada a cabo pelos grupos editoriais das TV e jornais.
Um livro lúdico, sem pretensiosismos que se desenrola a um ritmo alucinante e mantém o leitor agarrado à estória, bem feito e com conhecimento de causa.

3 comentários:

ematejoca disse...

Nunca vi a série, nem nunca li o livro.

Aproveito para lhe desejar um feliz ano 2019, Carlos, e que continue a ler bons livros e a partilhar connosco as suas análises literárias.

Abraço de Düsseldorf:-*

Pedrita disse...

eu vejo séries agora com uma certa regularidade. nos pacotes de televisão que tenho posso parar e ver quando quero, antes tinha-se que assistir em um horário e data específica e dificilmente dava. então agora q posso ver quando quero e no tempo que quero passei a ver com mais regularidade. mas esse não vi. como vc li os elogios. não sei se leria a obra. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Ematejoca
Obrigado.

Pedrita
Desabituei-me de ver TV precisamente quando estavamos reféns do horário rígido e virei-me para os livros e ainda não compatilizei desde esta nova liberdade de horários leituras com visualizações. O livro mesmo sendo do género suspense sem ambições literárias é bom, alguns escritores não eram de cultona sua época devido à sua popularidade e depois tornaram-se referência do seu género, veja-se Wells na ficção cientifica, Doyle no policial e Poe no gótico. Hoje são clássicos com o seu lugar na literatura.