quinta-feira, 1 de novembro de 2018

"O Adolescente" de Fiódor Dostoiévski


Citação
"A juventude, já por ser juventude, é pura"

Acabei de ler o romance "O Adolescente", mais uma obra do escritor que mais me tem marcado ao longo dos anos, o russo do século XIX Fiódor Dostoiévski.
Arkádi narra a sua vida após os seus estudos pré-universitários em Moscovo, onde fora educado como interno, sendo então um revoltado pela sua condição de filho ilegítimo de um viúvo e de uma empregada casada com quem o pai mantinha uma relação pública inaceitável, mas onde o marido, bem mais velho, aceitou assumir a sua paternidade, inclusive de uma irmã mais nova. O adolescente era então um idealista com um projeto de vida para superar o preconceito social: "a ideia", e com esta se vingar do seu sucesso pessoal. Partiu para Petersburgo e encontrou-se com a família de sangue, mas todo o seu comportamento na capital foi desastrado por não saber lidar com os vícios e hábitos da sociedade aristocrática e seus oportunistas que abusaram da sua inépcia. A evolução dos acontecimentos, com paixões, traições, questões filosóficas, tradição, idealismos e mudanças sociais, leva ao desastre e com este Arkádi amadurece e olha para trás e conta este passado de crescimento humano em sociedade.
Integrado nos grandes romances de Dostoiévski, todas as suas temáticas queridas estão presentes: sentimentos extremos, nacionalismo russo, fé e ateísmo, a prática do bem e do mal e o seu reflexo nas consciências com ou sem valores morais arreigados. Talvez pelo estilo de relato pessoal e onde se pretende evidenciar a imaturidade do protagonista, o evoluir dos acontecimentos surge aqui mais caótico e por isso o narrador ora dá pistas incompletas para eventos futuros ora justifica ações ilógicas, conferindo deste modo a esta obra uma estrutura menos linear que noutras por ele escritas, contudo não deixa de ser um grande e magnífico romance sobre o desenvolvimento da consciência moral e ética da pessoa humana em sociedade.

4 comentários:

Pedrita disse...

esse eu não li. amo dostoiévski. não li em detalhes pq uma hora quero beber essa fonte. beijos, pedrita

Kelly Oliveira Barbosa disse...

Olá Carlos, gostei dos comentários! Pretendo ler toda a obra do Dosto.. um dia. Abs.

Carlos Faria disse...

Pedrita
Também Dosto está no Olimpo dos meus escritores, este talvez seja o mais difícil de ler dos grandes romances dele, pelo aspeto menos linear da narrativa, mas é também muito bom.

Kelly
Não sei se lerei toda a obra dele, há pelo menos uma que li que é muito difícil Cadernos do Subterrâneo (noutras traduções Cadernos Submundo), pode mesmo ser cansativo e penso que Recordações da Casa dos Mortos será do mesmo calibre, mas ainda não li. Depois de Crime e Castigo pode avançar por muitos outros e aqueles mais difíceis penso que podem ficar para o fim. O que gostei menos, mais novelesco foi Noites Brancas, mesmo não sendo nem mau nem difícil.

Blog Livre Lendo disse...

Até hoje só tive oportunidade de ler um livro desse autor, do qual gostei muito!
Adorei conhecer a premissa de O Adolescente. Parece ser o tipo de história que eu gosto de ler, lembrou-me bastante Machado de Assis e Eça de Queirós.
Dica anotada =)