Para saber mais e origem da imagem consulte aqui
impressões de um geólogo amante de livros e música erudita que vive numa ilha vulcânica bela e cosmopolita
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
200 ANOS DO NASCIMENTO DE CHARLES DARWIN
Parabéns ao corajoso naturalista revolucionário da ciência.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
CURIOSIDADE PAISAGÍSTICA: Igreja dos Espalhafatos
Por vezes o relevo prega-nos partidas sobre aquilo que nos deixa ver na paisagem, o que permite ilusões ou falsas interpretações da realidade e demonstra que o conhecimento, resultante directamente dos nossos sentidos, nem sempre corresponde à realidade.
A Igreja de Santo António, localidade dos Espalhafatos, na freguesia da Ribeirinha, apesar de possuir diversas casas ao seu redor e situar-se junto a uma das estradas mais movimentadas da ilha do Faial, quando observada do local da foto parece a sair da terra e estar perdida no seio de pastagens. Tal resulta do facto da sua torre ser mais elevada que as cristas dos relevos envolventes e a estrada estar encaixada num vale. Assim, ser como São Tomé - "ver p'ra crer" - nem sempre assegura a verdade e más interpretações das observações levaram mesmo a teorias falsas na história da ciência. Lembra-se de alguma?
domingo, 8 de fevereiro de 2009
TEATRO POPULAR: O grupo "Nós Outros"
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
POETAS E POEMAS ESCOLHIDOS V - Roberto de Mesquita

AR DE INVERNO
Aves do mar que em ronda lenta
Giram no ar, à ventania,
Gritam na tarde macilenta
A sua bárbara alegria.
Incha lá fora a vaga escura,
Uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
Este ar de Inverno, este ar doente?
Alma que vogas a gemer
Na tarde anémica, de vento,
Como se infiltra no meu ser
O teu esparso sofrimento!
Que viuvez desamparada
Chora no ar, no vento frio,
Por esta tarde macerada
Em que a esp'rança se esvaiu!...
In: "Almas Cativas e Poemas Dispersos", Edições Ática
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
DESAFIO - Princípios de vida
1 - Seguir o meu lema de vida "Reflecte a luz que recebes", este surgiu deveria ter eu a idade actual do Grifo, prendeu-se-se com o facto de ter aprendido que a luz mais forte da noite era o reflexo do Sol a partir da Lua que assim iluminava as trevas e na mesma época a mensagem de Cristo obrigava-me a ser a luz do mundo... com maiores ou menores variações, este tem sido sempre o meu lema. Passar aos outros aquilo que de bom recebo e a divulgação de conhecimentos geológicos neste blog enquadraram-se nesse lema.
2 - Seriedade e isenção na minha actividade profissional, todos dizem que este deve ser o caminho, mas reconheço que nem sempre é fácil e para manter este princípio eu próprio já senti na pele as suas consequências, mas ainda não abandonei a caminhada.
3 - Procurar e agarrar-me os aspectos positivos nos períodos tempestuosos da vida, quando as dificuldades surgem, o desânimo costuma apresentar-se também à mesa. Vária intempéries já passei, a mais evidente aos olhos de todos foi o sismo de 1998 e não fosse este método de olhar à volta, mais a ajuda de alguns, julgo que teria sucumbido.
4 - Dar sempre a hipótese de alguém recuperar de um erro, parece muito bonito, mas confesso que por vezes é bem difícil.
5 - Defender as minhas ideias sem desrespeitar as ideias dos outros, num mundo onde a intolerância existe, por vezes as críticas e a diferença são difíceis de suportar.
6 - Ler muitos livros e ouvir muita música, não só livros técnicos, também de arte, poesia, ficção e descobrir os valores inerentes às obras e compreender cada vez mais a arte dos sons ao longo da história.
7 - Viajar para conhecer outras culturas e línguas (inglês, francês e alemão, o castelhado já é compreensível a qualquer um de expressão lusa), visitar museus, ouvir óperas, explorar cidades, ver paisagens.
8 - Ser capaz de olhar o próximo e estender-lhe a mão quando necessita, é bonito, mas muito difícil de saber por em prática e agir de modo conveniente.
Talvez houvessem mais... mas fico-me por aqui Grifo.
2 - Seriedade e isenção na minha actividade profissional, todos dizem que este deve ser o caminho, mas reconheço que nem sempre é fácil e para manter este princípio eu próprio já senti na pele as suas consequências, mas ainda não abandonei a caminhada.
3 - Procurar e agarrar-me os aspectos positivos nos períodos tempestuosos da vida, quando as dificuldades surgem, o desânimo costuma apresentar-se também à mesa. Vária intempéries já passei, a mais evidente aos olhos de todos foi o sismo de 1998 e não fosse este método de olhar à volta, mais a ajuda de alguns, julgo que teria sucumbido.
4 - Dar sempre a hipótese de alguém recuperar de um erro, parece muito bonito, mas confesso que por vezes é bem difícil.
5 - Defender as minhas ideias sem desrespeitar as ideias dos outros, num mundo onde a intolerância existe, por vezes as críticas e a diferença são difíceis de suportar.
6 - Ler muitos livros e ouvir muita música, não só livros técnicos, também de arte, poesia, ficção e descobrir os valores inerentes às obras e compreender cada vez mais a arte dos sons ao longo da história.
7 - Viajar para conhecer outras culturas e línguas (inglês, francês e alemão, o castelhado já é compreensível a qualquer um de expressão lusa), visitar museus, ouvir óperas, explorar cidades, ver paisagens.
8 - Ser capaz de olhar o próximo e estender-lhe a mão quando necessita, é bonito, mas muito difícil de saber por em prática e agir de modo conveniente.
Talvez houvessem mais... mas fico-me por aqui Grifo.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
FAYAL SPORT CLUB - 100 anos PARABÉNS
A 2 de Fevereiro de 1909, faz hoje precisamente 100 anos, ou seja um século, que 21 faialenses: Adolfo da Silva Goulart; Alberto Eduino Goulart; Carlos Ennes da Costa Ramos; Domingo Augusto de Lemos; Eduardo Guiod Dart; Eduardo Ventura de Bem; Florêncio José Terra Júnior; Franklin Dutra; Henrique Dário César da Silva; Henrique Stattmiller Saldanha e Albuquerque; Jaime Leal Páscoa; João Silva Vila Lobos Menezes; José António Laranjo; Luciano António da Silveira; Luís Carlos da Lacerda Antunes; Luís Lopes Pimentel; Luís Morisson de Oliveira; Manuel de Medeiros Tânger; Manuel Stattmiller Saldanha e Albuquerque; Thiers de Lemos; e Tomás Pereira Soares Júnior(ribeirinhense); fundaram o clube desportivo mais antigo dos Açores e um dos mais antigos de Portugal, precisamente na cidade da Horta na ilha do Fayal (grafia da época).
Desde então, o decano dos clubes desportivos açorianos e o sexto mais antigo de Portugal, ultrapassado apenas pelo Boavista, Benfica, Sporting, Porto e Leixões, nunca mais cessou a sua actividade, presentemente apenas possui equipas de basquetebol feminino e de futsal e futebol masculino, incluindo vários escalões de formação destas modalidades, aspecto em que sempre investiu. Mas este clube já formou e integrou milhares jovens, de ambos os sexos, na prática de modalidades como voleibol, hóquei-em patins, atletismo, ciclismo, remo, natação, pólo-aquático, ténis, patinagem, equitação entre outras. É uma colectividade que marcou todas as gerações desde há um século a esta parte na ilha do Faial e sem dúvida tem o seu lugar no pódium da história do desporto faialense e açoriano.
Este Fayal Sport Club é um dos frutos que resultou do intercâmbio social entre os faialenses e as comunidades estrangeiras residentes na Horta no início do século XX, nomeadamente a inglesa, que aqui viviam em virtude da necessidade de estações de apoio no seio do Atlântico Norte para as redes de cabos submarinos de telecomunicações entre o velho e o novo mundo, só que as suas sementes de clube germinaram e continuam ao fim de um século a dar novos frutos, uns dias mais viçosos, outros menos, mas sempre com força suficiente para continuar.
Recorde-se que a equipa inicial do Fayal Sport Club, praticava sobretudo futebol e com os "teams" das Companhias telegráficas Inglesa, Americana e Alemã, responsáveis por este desabrochar do desporto no Faial, além do importante legado patrimonial imobiliário que deixaram.No seu historial, este clube também teve grupos de teatro e de música, bem como uma pequena biblioteca, pois desenvolvia paralelamente uma singificativa actividade cultural na cidade da Horta.
Este clube possui hoje boas condições para a prática do futebol no Estádio da Alagoa , situado na Avenida Machado Serpa, inaugurado em 1954, e desde 1978 passou a ter a sua Sede e Gimnodesportivo no terreno contíguo, os quais, durante décadas, serviram de abrigo a várias modalidades desportivas, foi palco de diversos eventos culturais e recreativos e espaço de encontro de forças políticas, embora hoje necessite de intervenções de engenharia significativas ou de substituição por outro mais adaptado às exigências do século XXI, cujo o estudo prévio foi nas comemorações do centenário dado a conhecer aos sócios.Para acompanhar as cerimónias comemorativas do centenário veja o blog
PARABÉNS FAYAL SPORT CLUB, extensivo a todos os seus actuais desportistas, membros de órgãos sociais, equipas técnicas, colaboradores, sócios e adeptos
a família verde
a família verde
Post com informações junto de Pedro Rodrigues responsável do blog do Fayal Sport Club e da coluna de Fernando Faria "Retalhos da Nossa História -XLIII" publicado no semanário Tribuna das Ilhas "Nos 100 anos do Fayal Sport Club", jornal cuja página on-line apresenta esta semana uma entrevista com o seu actual presidente.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
O JOGO E O MEMORIAL DO CENTENÁRIO
Neste domingo ocorreu a inauguração do Memorial do Centenário do Fayal Sport Club e o jogo do campeonato da Associação Futebol da Horta classificado como Jogo do Centenário, ficam as imagens para recordar.
O Memorial do Centenário do Fayal Sport Club, defronte do Estádio da Alagoa: uma coluna de blocos de lava com o nome dos fundadores, uma espiral de aço a simbolizar o tempo passado e futuro do clube, um passeio de rocha a indicar a caminhada já percorrida.
A equipa de futebol sénior do Fayal Sport Club no jogo do Centenário, com os respectivos técnicos e directores.
Armando Amaral, o desportista do Fayal Sport Club vivo mais idoso, 88 anos e o actual Presidente da Direcção Horácio Goulart.Para mais pormenores das celebrações visite a página do
Centenário do Fayal Sport Club
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
QUE FAZER COM ESTE TEMPLO?
No início deste fim-de-semana os ribeirinhenses são chamados mais uma vez a se pronunciarem se pretendem uma nova igreja paroquial no novo centro da sua localidade e se estão dispostos a abraçar a causa ou se esperam que alguém lhes oferte um templo tipo "chave na mão" e claro... arriscam-se a nada ter.Entretanto e independentemente da decisão do povo desta localidade, a pergunta em título é mais abrangente, pois o imóvel na foto não é apenas uma ruína desta freguesia deixada pelo sismo de 9 de Julho de 1998, é um testemunho da reconstrução do sismo de 31 de Agosto de 1926, é agora património de todos os ribeirinhenses, faialenses ou açorianos e a pergunta repete-se...
Que fazer com este templo?
Alguém sabe a resposta adequada e como a pôr em prática?
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
CONCERTO DE SOLIDARIEDADE
Concerto de solidariedade a favor da família sinistrada do recente incêndio ocorrido na rua Serpa Pinto, na baixa da Horta e destinado à aquisição de bens mobiliários e electrodomésticos perdidos no fogo.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
INVERNO: CONTRASTES
Ao longo do Inverno tenho ouvido numerosas notícias sobre o frio na Europa e na América do Norte, no passado fim-de-semana vi imagens de neve e tempestade em Portugal Continental, enquanto na minha cidade natal estava prevista uma descida de temperatura até aos 17 graus negativos...

O Grand River gelado no Inverno, junto à Baixa de Galt em Cambridge, Ontario, Canada
Por cá, na minha ilha adoptiva do Faial, decidi ir gozar os 17 graus positivos e um pouco se sol no porto mais próximo de casa e um dos meus lugares predilectos para me deleitar nas horas livres...
As ondas de norte na Ponta da Ribeirinha, contígua à Boca da Ribeira, no passado Domigo.
Junto ao porto da Boca da Ribeira, os surfistas aproveitavam igualmente a tarde de Domingo para brincar com ondas do mar de norte que fustigavam a ponta da Ribeirinha, em águas que certamente teriam temperaturas muito próximas das do ar atmosférico.
Surfistas, uma presença frequente no Porto da Boca da Ribeira.
O calor da tarde deste dia de Janeiro e o cenário do Pico ao fundo são motivos suficientes para se perceber que muitas vezes o paraíso está aqui...
O Pico, visto da Boca da Ribeira no passado fim-de-semana.
Efectivamente, no Faial e nos Açores em geral, há dias normais de Inverno assim...
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
VOCABULÁRIO TÉCNICO: o Biscoito contra o clinquer
Estabelecer acordos entre países de expressão oficial portuguesa sobre o modo de escrita da língua de Camões, com a desculpa da necessidade de uniformizar o português para vencer os desafios da modernidade, independentemente se tal acontece ou não na realidade com as novas regras, enquanto se ignora como criar as novas palavras de português técnico é sempre uma forma coxa de modernizar a língua.
O clinker ou clinquer dos geólogos, o BISCOITO para a muitos açorianos
Basta ler qualquer artigo científico de um investigador lusófono, quando ainda se atrevem a escrever na língua de Camões, para compreender a babel que é o português científico. Desde duplas grafias no criação de novas palavras, passando pela utilização de termos diferentes para descrever um mesmo fenómeno natural e terminando na grande carência de neologismos técnicos, que faz inundar os textos em português de palavras inglesas, cuja tradução literal muitas vezes faria envergonhar o autor do seu uso e desesperar qualquer purista sedento da oportunidade para um novo vocábulo fundado em raízes greco-latinas.
Todavia, irrita-me que a comunidade lusa sinta a necessidade de termos estrangeiros, enquanto ignora que, ao longo de centenas de anos, o povo, incluindo o ilhéu, já tinha palavras de uso diário exactamente para descrever as mesmas coisas... o clinker ou clinquer dos geólogos, diz-se em puro açoriano: BISCOITO, tendo em conta a semelhança morfológica com alguns tipos de massa de cozinha.
Digam-me lá se não é mais bonito e descritivo dizer que uma escoada basáltica tem uma cobertura de biscoitos, no lugar de uma camada de clinker?
Todavia, irrita-me que a comunidade lusa sinta a necessidade de termos estrangeiros, enquanto ignora que, ao longo de centenas de anos, o povo, incluindo o ilhéu, já tinha palavras de uso diário exactamente para descrever as mesmas coisas... o clinker ou clinquer dos geólogos, diz-se em puro açoriano: BISCOITO, tendo em conta a semelhança morfológica com alguns tipos de massa de cozinha.
Digam-me lá se não é mais bonito e descritivo dizer que uma escoada basáltica tem uma cobertura de biscoitos, no lugar de uma camada de clinker?
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
DISCUTIR CINEMA - blog do Cineclube da Horta
O Cineclube da Horta continua a sua actividade de mostrar o cinema de qualidade, a divulgar o que se produz na Europa e em muitos outros países além dos Estados Unidos, sem exclusão da produção norte americana, reactivou agora o seu blog sobre cinema.
O blog do cineclube da Horta, é assim uma sala de discussão para aqueles que observaram nalgum local o filme exibido pelo Cineclube da Horta e gostam de tornar pública a sua opinião. É também uma oportunidade para aqueles que discretamente gostam de ouvir as impressões de outros espectadores sobre uma dada obra que lhes foi dada a observar e é ainda um forma de fazer chegar ao Cineclube as suas impressões, gostos e preferências, um modo desta instituição conhecer melhor o público alvo da sua actividade.Este espaço não deixa de ser mais uma fonte de informação, feita por cidadãos comuns que gostam de cinema, independentemente de residirem no Faial ou não, inclusivé para quem ainda tenha a possibilidade de observar noutro local o filme discutido.
Esta semana já se sabe o filme exibido e em apreciação é a Turma (entre les murs) de Laurent Cantet...
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
FÓRUM: "Equidade, Justiça Social e Paz"
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
JOÃO AGUARDELA - 1969 - 2009
Vocalista e líder dos Sitiados, mentor do projecto Megafone de pesquisa de música tradicional portuguesa e fusão com sonoridades electroacústicas, Linha da Frente e d'A Naifa. Faleceu ontem, dia 18 de Janeiro, em Lisboa com 39 anos.
Independentemente do sucesso da Vida de Marinheiro, foi n'A Naifa que mais de perto acompanhei e me encantei com este músico, fica aqui a ligação para o último dos vários post sobre este grupo no Geocrusoe, como a minha homenagem a este músico que com a sua obra deixou a música portuguesa mais rica, sabendo que mais rica ficaria se o João Aguardela continuasse connosco a trabalhar.
sábado, 17 de janeiro de 2009
O FIM DA LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DAS ILHAS VULCÂNICAS IV: A Teoria do Ponto Quente - Hot Spot
As ilhas vulcânicas desde o seu início estão condenadas a desaparecerem, porque a erosão tende continuamente a desmantelar o cone vulcânico a partir do seu topo, enquanto o recuo das arribas reduz a área da ilha, mas existem mais razões para isso.
Corvo, a menor ilha dos Açores corresponde a um cone de um vulcão muito erodido, embora não deva ter atingido grandes dimensões, a ilha já foi bem maior do que hoje (foto de angrense retirada daqui)
As ilhas, apesar de terem o seu exterior à temperatura ambiente, em profundidadeas rochas estão aquecidas pelo calor do vulcão, que as dilata. Com a extinção deste, aquelas arrefecem ao longo de milhares de anos, contraiem-se e tornam-se mais densas, reduzindo assim o volume global da ilha...
Caldeirão do Corvo, as paredes oeste desta caldeira (à direita na foto) contactam hoje directamente com a arriba costeira, demonstrando que todo o flanco ocidental do vulcão já foi erodido (foto de angrense retirada daqui)
O próprio fundo do mar, feito de rochas vulcânicas, desloca-se como uma passadeira rolante a partir das cristas oceânicas, onde se forma, e arrasta consigo as ilhas. Ao longo da viagem, estes fundos também arrefecem, contraiem-se e vão-se afundando, submergindo ainda mais a ilhas inicialmente tão imponentes.
Os ilhéus das Formigas, com idade próxima das ilhas mais antigas dos Açores, são os restos de um vulcão e do que terá sido uma ilha no passado (foto de F. Tempera, proveniente e nas condições mencionadas aqui)
Assim, ao longo de milhões de anos, com o "envelhecimento" das ilhas e o arraste dos fundos aceânicos, os vulcões deslocam-se do local inicial da sua formação, onde se situava a fonte do magma que os alimentava e extinguem-se, progressivamente os edifícios vão sendo erodidos e submergem com a descida dos fundos marinhos. Transformam-se novamente em Montes Submarinos, enquanto ilhas mais jovens voltam a surgir na zona inicial. Este fenómeno gera os arquipélagos e alinhamentos de montes submarinos, estes ficam menores com o aumento da distância ao local onde se formaram.
Formação de um alinhamento de ilhas e montes submarinos com a deslocação dos fundos oceânicos sobre uma fonte de magma em profundidade e sensivelmente fixa (esquema daqui).
Os Açores situam-se hoje junto à crista oceânica do Atlântico, numa área de fundos marinhos pouco profundos e onde existe uma fonte de magma em profundidade, mas há indícios que outras ilhas muito mais antigas e irmãs deste arquipélago já existiram, encontrando-se montes submarinos presentemente a milhares de quilómétros daqui, junto ao mar da Terra Nova (Newfoundland), no Canada.
Montes submarinos próximos da Terra Nova, que segundo alguns correspondem às ilhas mais antigas formadas na região dos Açores ( imagem daqui).
A confirmar-se esta teoria para os Açores, as nossas ilhas, tal como as do Havai, correspondem aos vulcões mais jovens de um vasto alinhamento de muitos outros vulcões extintos e já submersos, que se extendem por longas distâncias nos fundos oceânicos, reflexo de uma actividade vulcânica que já perdura por centenas de milhões de anos e, provavelmente, por cá novas ilhas surgirão num futuro mais ou menos distante.
Batimetria do Atlântico com os Montes Submarinos dentro do traço a vermelho e os Açores dentro do amarelo (imagem daqui e adaptada).
Os locais sensivelmente fixos à superficie do planeta que alimentam um vulcanismo por muitos milhões de anos e originam este tipos de alinhamentos de cones, são frequentemente designados por Pontos Quentes, tradução do inglês, Hot Spot.
Existem Pontos Quentes nos Oceanos e nos Continentes e muito provavelmente os Açores devem a sua existência à presença de um deles nesta área do Planeta Terra e a confirmar-se a teoria, umas ilhas poderão desaparecer, mas novas deverão surgir e os Açores continuarão a existir por muito tempo.
Bibliografia consultada para os hot spot e teoria dos montes submarinos associados aos Açores: Hamblin, W. K. & Christiansen E. H.; "Earth's Dynamics Systems" Prentice Hall Ed.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DAS ILHAS VULCÂNICAS III: o Recuo da Linha de Costa 3
Raramente uma arriba é constituída apenas por um único tipo de material, consolidado rígido ou brando, normalmente estas intercalam rochas com características diferentes, inclusive, as escoadas basálticas apresentam, frequentemente, um topo e uma base desagregada, denominada clinker, assim quando estas se sobrepõem, na arriba alternam camadas coesas com soltas.
Escoada típica de lava escoriácia, pouco espessa com uma zona central consolidada mas com o topo e a base constituidos de material desagregado (clinker)
Esta variabilidade faz com que o mar comece a erodir os materiais desigualmente, em função do grau de resistência destes, erosão diferencial, originando, por vezes, grutas litorais - algumas de grande beleza -, mas responsáveis por recuos bruscos da arriba, devido à possibilidade de colapso dos respectivos tectos. Esta situação pode colocar casas litorais sob ameaça de destruição e aconselha a que se planeie convenientemente as zonas de construção urbana junto à costa, de modo a se evitarem zonas de risco.
Aspectos da erosão diferencial por resistência diversificada das camadas sobrepostas, à direita uma plataforma de abrasão de material resistente ao nível do mar e ao centro grutas de material mais brando à mesma cota.Esta diversidade de materiais é responsável, além das grutas, pela criação de arcos, enseadas (onde saltamos para o mar), poças (que transformamos em piscinas naturais) e uma grande geodiversidade de aspectos que dão grande beleza do nosso litoral.
A evolução natural duma arriba com sobreposição de materiais diferentes, grandes desnível e inclinações...
Mas, mais lenta ou rapidamente, em função das proporções de materiais brandos ou consolidados e da intensidade dos agentes erosivos externos, o mar vence sempre a longo-prazo, o recuo progressivo do litoral é um facto. Assim, as ilhas vulcânicas com o tempo, além de ficarem mais baixas, também se tornam mais pequenas e todos os post desta série se encaminham para a desfecho final desta luta, que para o caso dos Açores mostrará uma hipótese que corresponde a uma surpresa para alguns.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DAS ILHAS VULCÂNICAS III: o Recuo da Linha de Costa 2
Quando os materiais vulcânicos que formam a linha de costa são brandos ou desagregados, como cinzas e bagacinas, então a erosão marinha é muito intensa, o recuo do litoral faz-se rapidamente e em muito pouco tempo surge uma arriba costeira com um perfil altamente instável.
Materiais brandos de escoadas piroclásticas desagregadas (ignimbrito) expostos à erosão intensa do mar.
Os homens lá procuram descobrir técnicas de engenharia para reduzir a velocidade do recuo da arriba, muitas vezes porque se esqueceram do contínuo avançar do mar sobre a ilha e construíram em zonas onde o risco de desabamentos é muito elevado a curto-prazo. Infelizmente, as intervenções de protecção, mesmo quando bem sucedidas, apenas atrasam o processo, mas nunca eliminam o avanço do mar sobre a ilha a longo-prazo.
Quebra-mar artificial para reduzir a grande velocidade de recuo da arriba de ignimbritos provocada pela erosão marinha.
Bastaram 50 anos para que o mar sobre os materiais brandos do vulcão do Capelinhos escavasse arribas costeiras elevadas e os mais de 2 quilómetros quadrados de terra emersa criados por esta erupção estão hoje reduzidos a menos de metade e o recuo desta arriba de materiais brandos e desagregados continua....
Arriba em material brando nos Capelinhos, todavia à direita da foto está um ilhéu anterior a 1957 e relíquia de uma antiga erupção, o qual protegeu e reduziu a intensidade da erosão.
Raramente o mar encontra numa zona de costa apenas um tipo de material -consolidado rígido, desagregado ou brando - a mistura destes é o mais comum. Nos Açores, tais situações dão origem a formas que retratam a luta pela sobrevivência das ilhas vulcânicas na redução da sua área emersa devido à acção marinha, diversidade a tratar em parte em próximo post.
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