quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A HISTÓRIA GEOLÓGICA DE S. JORGE III: A COBERTURA CENTRAL

Assim, após o vulcanismo inicial entre Ribeira Seca e o Topo e depois da migração desta actividade para a zona Noroeste até ao Rosais, eis que as erupções mais recentes se passam a localizar em alinhamentos também WNW-ESE na zona central da ilha, edificando cones cuja altitude máxima se situa na Manadas - Pico da Esperança. (clique nas imagens para ampliar)

A cadeia ao fundo formada de picos do complexo vulcânico das Manadas, vistos da Serra do Topo

O conjunto de materiais emitidos por este vulcanismo na parte central da ilha, que parece ter-se desenrolado nos últimos 100.000 anos, denomina-se Complexo Vulcânico das Manadas e as últimas erupções já ocorreram em períodos pós-povoamento da ilha, 1580 e 1808 AD.

Alinhamento de estruturas vulcânicas no eixo central do Complexo Vulcânico das Manadas

O Complexo Vulcânico das Manadas cobriu grandes áreas da metade oriental das lavas pertencentes ao Complexo Vulcânico dos Rosais que assim ficaram soterradas e entrou em contacto, acima do nível do mar, com o extremo ocidental do Complexo Vulcânico do Topo (para alguns da Serra do Topo), unindo, seguramente, São Jorge desde a ponta do Topo até à ponta dos Rosais.

O aspecto juvenil de cratera no cimo de um cone vulcânico nas Manadas

A juventude deste vulcanismo faz com que este esteja ainda pouco erodido, por isso a grande altitude do eixo central da ilha nesta zona, a enorme inclinação das vertentes a norte e a sul desta cadeia de vulcões e a preservação muito nítida das formas eruptivas e dos alinhamentos das bocas por onde jorrou lava e piroclastos.

O Pico da Esperança e as suas vertentes ingremes

As escoadas de lava, saídas destes cones alinhados, desceram, quer para as vertente norte, quer para as vertentes sul e cobriram os materiais mais antigos do Complexo Vulcânico dos Rosais ou formaram novas áreas da ilha de São Jorge.

Vertentes formadas de escoadas de lava que desceram até à costa sul

As últimas escoadas que progrediram para a vertente sul, entre as Manadas e a Queimada, desceram continuamente até ao mar e formaram um nova linha de costa que, devido à sua juventude, tem ainda um desnível muito pequeno.

Campos de lavas espraiados nas vertentes norte próximas do Norte Pequeno

As escoadas entre Manadas e Calheta a sul e, sobretudo, na costa norte, encontraram arribas costeiras com grandes desníveis de altura que em muitos locais se transformaram em arribas fósseis pelas cascatas de lava que aí se formaram.


Um delta lávico na base da arriba fóssil, com a sua fajã na costa norte da ilha

Várias dessas "cascatas" de lava, depois de caírem, prosseguiram ainda pelo mar dentro, dando origem a deltas lávicos, um dos métodos (não único) de se formarem as conhecidas fajãs de São Jorge.



Os morros das Velas, o da direita mais erodido, formados por erupções submarinas surtsianas

No extremo ocidental do Complexo Vulcânico das Manadas, o vulcanismo fissural desenvolveu-se numa direcção mais WNW-ESE, ligeiramente oblíqua à ilha, o que fez com que algumas das erupções ocorressem junto à linha de costa e já debaixo do mar, com as característica de actividade submarina do tipo surtsiano, semelhantes à dos vulcões dos Capelinhos, Costado da Nau e do Monte da Guia no Faial, - os Morros das Velas - estes são anteriores às últimas erupções da Caldeira por também estarem nalguns locais cobertos por pedra-pomes vinda da ilha azul.

9 comentários:

Lc disse...

Fantástico, post, Parabéns.

Gostei muito da segunda foto, muito bem conseguida.

nanda disse...

Fotos espectaculares! Pelos vistos as férias foram de lazer e de trabalho.
Tem uma recolha de imagens fabulosa, o bom tempo colaborou...

geocrusoe disse...

lc
são jorge é uma ilha linda, que não a conhecer convenientemente deve tentar pois vale a pena.

nanda
ainda não tive féria :-( pois só agora é que é outono e eu tiro por norma férias frias para viajar fora dos açores. Mas o tempo ajudou no fim-de-semana que lá estive, mas a ilha também dá uma grande ajuda.

Pedrita disse...

belas imagens. beijos, pedrita

frosado disse...

Belas fotos. Tb gosto muito de S. Jorge.

Grifo disse...

As fotos são lindas... (o normal)

Gostava que todos tivessem tido oportunidade de ter assistido ao magnifico nascer do sol de hoje na ilha do Faial, e a beleza desse mesmo nascer do sol prolongou-se por todo o dia.

Nunca tinha visto a baía de Porto Pim tão magnifica, o mar parecia um estádio escuro onde só se vêm os flaxes das maquinas das pessoas e o monte da Guia estava com o verde magico tudo isto num fundo azul com umas nuvens pinceladas pelo vento.

Os Açores são magia...

Maria disse...

Uma pergunta (parva), porque chamam fajãs ás fajãs ? e outro nome que vi muito, acho que era Canada.

geocrusoe disse...

à pedrita
já vem sendo hábito aqui ter belas imagens tiradas de terras belas ;-)

frosado
ainda bem... e entre os visitantes que conheceram a ilha, muitos passaram a gostar dela.

ao grifo
pois eu não vi a baía de porto pim hoje, mas ontem estive lá, o tempo estava com uma luminosidade outonal típica que os bons observadores locais já conhecem e por isso compreendo-te muito bem. aliás, existem poucos sítios que são tão mágicos como a baía do porto pim no faial.

à maria
devido ao isolamento do passado, os açores preservam intensamente termos, expressões e fonéticas que caíram em desuso no território luso europeu: fajã significa pequeno território plano e baixo; paralelamente, em zonas menos baixas temos: chã, na minha freguesia existe a chã da cruz, estes termos estão muito enraizados na toponímia local criada com o vocabulário do tempo das descobertas.
Canada é algo semelhante, para o continente é um arcaismo desaparecido, mas na língua significa atalho, por isso muitos caminhos secundários aqui são canadas.
Situações dessas também ocorrem no brasil, que tal como nós utilizam intensamente o gerúndio, tão importante nas línguas latinas, incluindo mais de 90% dos lusofalantes ;-) Quanto gozo sofri pelo uso do gerúndio ao estudar em lisboa ;-)

Maria disse...

esclarecida. MT obrigado