domingo, 7 de agosto de 2016

"Salambô" de Gustave Flaubert



"Salambô" do grande escritor francês do século XIX: Flaubert, é um romance histórico sobre a guerra dos mercenários que ocorreu entre os anos 241 e 238 antes de Cristo na cidade do norte de África de Cartago, então a grande rival de Roma para dominar o Mediterrâneo ocidental e por esta destruída após as três guerras púnicas que estabeleceu a hegemonia do Império Romano.
Durante a primeira destas guerras, Cartago contratou mercenários para criar exércitos contra os romanos com promessas de pagamento elevadas e lideradas pelo general cartaginês Amílcar, mas chegada a paz deixou estes militares junto às suas muralhas sem lhes pagar o acordado, enquanto rivalidades internas mantiveram o general distante. Esta situação, após uma farra soldadesca, conduziu a uma revolta e à tentativa dos mercenários de conquistarem Cartago e de se aliarem às outras cidades rivais das vizinhanças, todas na atual Tunísia. Flaubert introduz um cunho romântico, aproveitando-se do facto de um dos comandantes inimigos se ter casado com uma filha de Amílcar e este aliar-se a Cartago, elementos para imaginar uma história de paixão, ódio, vingança nesta guerra que acabou no massacre dos estrangeiros.
Salambô é uma personagem real, mas de nome desconhecido, os restantes protagonistas do romance são os famosos líderes históricos deste conflito, há batalhas e acontecimentos documentados, mas Flaubert fugiu à história para os adaptar ao seu romance. O escritor foi muito pormenorizado ao nível das descrições do armamento antigo e dos costumes dos povos de origem dos mercenários, bem como da barbárie que foi este conflito, usando uma terminologia técnica por vezes de difícil perceção que intercalou com relatos de ritos pagãos, superstições e luxo exuberante dos atos litúrgicos e das famílias dominantes, alternando assim partes de grande violência sanguinária de uma ferocidade sádica chocante, com momentos fantásticos que descrevem edifícios. roupagens e ritos pagãos onde domina o luxo de metais e pedras preciosas  e animais míticos típicos e objetos sagrados dos contos de mágicos.
Gostei da estória e aprendi história com o romance, mas confesso, para mim Flaubert foi hiperbólico ao falar da riqueza e não se conteve na descrição da violência atroz dos povos antigos que são tratados como selvagens cheios de sede de vingança geradora de um sofrimento sem limite ao seu inimigo.

7 comentários:

Pedrita disse...

não conhecia esse do flaubert. achei a capa estranha. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Este livro é uma edição com mais de 40 anos, comprei-o numa feira e em saldo. Estéticas de outras eras.

Manuel Cardoso disse...

Reconheço que há ali, de facto, um certo exagero, mas o livro é magnífico porque aplica da melhor forma a "doutrina" realista, oferecendo-nos uma visão histórica e fantástica ao mesmo tempo, com todos os detalhes: os reais e os que a sua mente fértil inventou :)

olhodopombo disse...

Eu gosto desse tipo de livro! Não vejo tanta diferença dos homens que os europeus categorizaram de pagãos com os que não são pagãos. Todos são cruéis quando querem impor as suas vontades!

Carlos Faria disse...

Sim, existiu um defeito no passado considerar selvagens povos não europeus e civilizados os do velho continente, mas na realidade, à sua maneira a crueldade era semelhante em todos eles.
Hoje há um tendência de fazer o inverso em relação à cultura ocidental, a de cá está conspurcada e é mal intencionada enquanto a islâmica,a oriental e africana seriam apenas vítimas, o que também não é verdade.

nuno martins disse...

Desconhecia completamente que o Flaubert tinha escrito um romance histórico.
Vou ver se o descubro por aí...

Carlos Faria disse...

Mesmo assim prefiro o Flaubert da Educação Sentimental