sexta-feira, 4 de julho de 2008

NOS 175 ANOS DA CIDADE DA HORTA

A Horta foi fundada no século XV, pelo primeiros povoadores do Faial, com origem essencialmente portuguesa e flamenga, sendo o primeiro donatário da ilha Joss van Hurtere, de onde parece ter derivado o nome da povoação.


A Horta faz hoje 175 anos como cidade, um burgo de beleza estonteante, cujo o tempo apenas a tem tornado mais bela.

A Horta não tem plena consciência do seu deslumbramento, nem dos seus atributos e, por isso, a sua beleza apresenta-se singela, sem investimentos que salientem os seus dotes. Não possui qualquer maquilhagem ou subterfúgio que valorize as suas formas.

A Horta, alegre e jovial, acolhe com simpatia todos os que dela se abeiram e ficam a contemplá-la do porto, sedentos por uma bebida no Peter e por uma conversa nas esplanadas, enquanto se maravilham com a vista para o Pico.

A Horta conhece o mundo como poucas pequenas terras, com ternura ouve as gentes de todos os continentes que cruzam os oceanos: delira com as façanhas dos marinheiros, escuta os relatos dos navegadores, solidariza-se com as labutas dos pescadores, amedronta-se com os combates dos velejadores e sofre com o choro das baleias.

A Horta diverte-se no mar como ninguém, banha-se em águas mornas e calmas da mágica enseada do Porto Pim, embeleza a sua baía com as velas do Clube Naval, escapa-se com frequência nos cruzeiros ao Pico, mergulha livremente nas águas transparentes da sua costa, observa os cetáceos que a cercam, pesca as dádivas do oceano, saboreia o sal no ar e delicia-se com um marisco numa esplanada ou com a frescura do peixe.

Debruçada sobre o mar, a Horta está sempre em diálogo com o Pico, que ora se esconde atrás de neblinas húmidas, umas vezes quentes e tropicais, outras geladas e polares, ora se despe de preconceitos e expõe toda a beleza do seu corpo à cidade. Disparam então piropos bairristas como todos os pares que nem consciência têm de quanto dependem um do outro.

A verdade é que com o tempo esta paixão pela Horta se intensifica e cada vez mais me aventuro na descoberta de pormenores mais íntimos da cidade: uma água-furtada que espreita estranhamente de um telhado, o ferro-forjado de uma varanda abafado pelas flores, uma pedra esculpida numa fachada, uma rua que se abre ao Pico ou um mastro na marina que se agiganta sobre as casas.

Cercada de montes verdes e de azul do mar, cujo DOP investiga com reconhecimento ao nível mundial, a Horta ostenta umas vezes festejos populares, outras vezes investe em eventos de maior elitismo e diversidade de estilos, mas como qualquer burgo aberto ao mundo, tudo aceita, e por isso não admira que seja conhecida como a mais pequena grande cidade do mundo. PARABÉNS!


Para conhecer o programa comemorativo dos 175 anos de elevação da Horta a Cidade, a mais ocidental da Europa, consulte a página da Câmara Municipal.

Clique nas imagens se pretender ampliá-las.

12 comentários:

Pedrita disse...

muito linda as fotos. beijos, pedrita

Anónimo disse...

MUITOS PARABENS À BELA CIDADE DA HORTA, CIDADE ONDE CASEI HÁ 20 ANOS E ONDE TIREI O MEU CURSO DO MAGISTÉRIO PRIMÁRIO.
DE UMA CONTINENTAL COM O CORAÇÃO NOS AÇORES

Os Incansáveis disse...

Parabéns à Horta. Parabéns também para seu texto, que de maneira sensível e poética, transmitiu a beleza das pequenas grandes coisas.
Denise

Jose Augusto Soares disse...

A seguir a Lisboa, a Horta é a cidade portuguesa de que mais gosto.
Pequena, "aconchegada", acolhedora, bonita e histórica.

Parabéns, Horta!

Teresa disse...

Vou responder ao seu comentário na avó pirueta:

"não vou chamar poesia ao brincar com as palavras... mas conhece algum
poema que não brinca com as palavras?"
A origem da Poesia é dessa brincadeira.

"Compreendo perfeitamente o que é
ter saudades quando se tem duas
terras, apetece sempre estar ali, quando se está aqui e sem brincar com as palavras, deveria mesmo ser possível estar cá e lá
simultaneamente..." Este também é o meu problema. Que bem soube expremir o que eu sempre quero dizer sobre esta metade de mom cá e a outra metade lá.

Gostei de ler este artigo e as fotografias sao fantásticas.

Queria ainda falar de literatura, mas amanha também é dia ...

geocrusoe disse...

a todos
claro que os comentários sobre a beleza e memórias da Horta é ela que os merece.a mim, apenas me resta dizer obrigado em nome da minha cidade, por neste espaço não ter outro alguém que tal possa fazer com maior legitimidade.

à teresa
basta ver a introdução ao seu perfil no blog para eu perceber que me compreendia perfeitamente no dilema das duas terras...

Lc disse...

Bonito texto, está de parabéns a nossa cidade.
Que o futuro seja risonho...

Maria do Carmo Cruz disse...

Geocrusoe, como sabes não te tenho lido, nem a ti nem a ninguém, e foi com um nó de comovido orgulho (senti que gostaria de ser tua Mãe e, por isso, senti-me como tal) que li a tua descrição da Horta.
Fiquei com uma vontade de ir aí que nem imaginas! Vou ver o que me diz o médico em Portugal do meu pé, vou calendarizar as minhas actividades para o resto ano (entre trabalho, voluntariado e um dolce far niente) e vamos ver se arranjo um tempo (uma semana será muito?) para visitar a Horta.
Qual a melhor época do ano para o fazer? Provavelmente será agora, mas vou estar ocupada até meados de Agosto. Um abraço muito orgulhoso para o xará do meu primogénito ... da Avó Pirueta

geocrusoe disse...

Confesso que estimou mesmo o melhor período Julho/Agosto e por vezes Setembro. É verdade que na Horta e nos Açores em geral podemos ter dias invernosos, chuvosos no verão e lindíssimos dias cheios de sol e calor no inverno, é uma questão de estatística. Mas por norma novembro e fevereiro/março têm muitos dias consecutivos mais chuvosos, novamente há excepções. Junho é algo estranho, bom tempo/nevoeiro e chuva distribuídos de forma irregular.
eu já me habituei à irregularidade climática, se tiver sol dou um mergulho no verão, se chover leio ou ouço música e se está sombrio há sempre umas flores a clamar no meu jardim para eu retirar as ervas que a sufocam, Deus ensinou-me a aproveitar o bom de qualquer momento.

MJS Freelancer disse...

Adorei o texto.
As metaforas estão muito mas muito bem conseguidas, confesso que fiquei sem palavras.
PARABENS

Anónimo disse...

Excelente texto!
Parabéns.

amg

Ruben Tavares disse...

Vou ser sincero não li nenhum do texto, mas gostei muito das panorâmicas :)
Notei em algumas que se vê diferenças de cor e exposição, devias tentar o autopano giga, faz maravilhas :D