sábado, 2 de abril de 2016

"O Deus das Pequenas Coisas" Arundhati Roy



O romance "O deus das pequenas coisas" é o único livro de ficção da escritora indiana Arundhati Roy, com uma vasta obra ambientalista, e ganhou logo o Booker Prize de 1997 e foi um grande sucesso editorial ao nível planetário.
A história que envolve o declínio em três gerações de uma família indiana de nível socioeconómico e cultural acima da média, com intervenção científica e industrial, de religião cristã síria e anglófila, no sudeste da Índia, que se vê enredada na sua teia de vícios individuais misturados com preconceitos locais e a tradição de castas, que assim se autodestrói por invejas, paixões, ódios entre si agravada por fatalidades acidentais enquanto procura assimilar a cultura inglesa como forma da identidade e de afirmação numa época de aceso confronto ideológico da guerra fria.
É uma obra intercultural, onde as influências inglesas e indianas se misturam constantemente na história num período de instabilidade no país devido ao confronto ideológico que marca a guerra fria. Na escrita a autora efetua ainda uma integração na linguagem do misticismo hindu, com o racionalismo ocidental, a força do ambiente meteorológico e da biodiversidade do sudoeste da Índia, sobretudo vistos e interpretados pelos olhos de duas crianças gémeas filhas desta aculturação num período onde uma paixão contra as regras estabelecidas faz soltar todos os demónios que estavam atados nesta teia complexa de encontro de civilizações, credos, mentalidades numa Índia pós independência e politicamente a balançar entre uma democracia de mercado livre e a perspetiva marxista. Todos estes mundos e interesses conflituam nesta obra ferindo e destruindo pessoas de uma forma dura, capazes de não perdoar um amor e aproveitar-se de um acidente perante os olhos de duas crianças gémeas alvo de todas estas tensões.
Por ser uma obra que integra várias culturas inclusive no estilo do texto, nomeadamente a indiana bem distante da europeia, no princípio pode-se estranhar, mas depois de se compreender a forma cheia de metáforas e simbolismos, torna-se num belíssimo romance multicultural e cheio de referências à ecologia da Índia que justifica o sucesso do livro.

7 comentários:

Marta disse...

Li-o há 2 anos e gostei.
Quanto ao Sol dos mortos, comprei-o e li-o mal saiu.
Bastante bom e muito duro. Pior ainda por ser verdadeiro e não ficção.

Carlos Faria disse...

Em relação a O sol dos mortos, é ainda muito cedo, só li o primeiro capítulo, mas foi para conhecer uma realidade que o comprei, agora é ver como o estômago vai reagir tendo em conta a qualidade que se diz que mesmo assim a obra tem.

Pedrita disse...

li faz tempo e gostei muito. ótima resenha. beijos, pedrita

Andrea Morais disse...

Não sabia da existência desse livro até agora e, simplesmente, fiquei muito curiosa a respeito dela! Confesso que adoro romances familiares e este com certeza deve ser muito bom! Obrigada pela sugestão!

Leitora Compulsiva
http://olhoscastanhostambemtemoseufascinio.blogspot.com.br

Carlos Faria disse...

É um romance de uma família, embora num estilo muito original, muito diferente das sagas familiares.

Denise disse...

Olá Carlos :)

Tenho esse livro na estante para ler.
Gostei da análise e fiquei ainda mais curiosa sobre ele.

Boas leituras!

Carlos Faria disse...

Penso que vale a pena Denise e já que o tem na estante... mais uma razão, para não lermos apenas o que se produz no ocidente.