quarta-feira, 13 de abril de 2016

"Nove Histórias" de J. D. Salinger




"Nove Histórias" do escritor norte americano J. D. Salinger, autor do famoso romance aqui apresentado: "A espera no centeio".
"Nove Histórias" é uma coletânea de nove contos que mostram cenas de vida e memórias de pessoas comuns, geniais ou com problemas psicossociais e apesar de escrito há mais de 50 anos, com personagens em cenários desses tempos, tem uma linguagem que se entranha de tal modo no leitor que parece ter sido escrito hoje mesmo, tal a modernidade e contemporaneidade da escrita, esta última talvez por se usar a linguagem banal dos diálogos no texto, mas sem se perder a qualidade intrínseca do aspeto literário. Aliás, é a qualidade de narração o mais surpreendente em histórias e situações igualmente surpreendentes, só isso justifica como certas conversas que parecem ocas nos prendem e despertam motivação de continuar.
Cada história fornece um prazer de leitura servido com conta, peso e ritmo certos para se tornar perfeito.Não sendo um livro que transporta uma mensagem de conteúdo concreta, embora desperte reflexões sobre a vida, cada história leva-nos a olhar cenas de vida e a descobrir os sentimentos das personagens e os seus problemas de uma forma natural, mesmo perante pessoas por vezes bem diferentes do normal. Traumas pessoais, relações familiares difíceis, crianças precoces sobredotadas, carência de relações humanas, hipocrisia ou engano, tudo se mistura nestes contos em doses certas para compor um livro como obra de arte literária.
Algumas personagens curiosamente repetem-se em contos e novelas de outros livros do autor, pelo que o conhecimento mais profundo destas figuras apenas pode ser alcançado com outras leituras, mesmo assim cada história por si está completa, um sinal da mestria deste escritor no domínio do conto
Gostei muito do livro pelo prazer que dá apreciar uma obra assim, tal como dá prazer ver retratos que não são nada mais do isso apenas intrinsecamente muito bem feitos.

1 comentário:

Pedrita disse...

ainda não li. beijos, pedrita