quinta-feira, 2 de abril de 2015

Em memória de quem era o cineasta ativo mais idoso do mundo: MANOEL OLIVEIRA


Manoel Oliveira com 106 anos, não só era um marco pela sua extensa obra de realizador de filmes, iniciada em 1931 com uma curta-metragem documental "Douro, faina fluvial", para passar a longas-metragens de ficção com o referência histórica que foi "Aniki-Bobó" em  1942, prosseguindo a sua atividade praticamente ininterrupta até 2014 com a mais recente obra "O velho do Restelo". Nem sempre amado pelo grande público português, devido ao ritmo lento do desenrolar da ação nas suas películas, onde muitos nem se apercebiam que tinham a oportunidade para apreciar a poesia da fotografia, este realizador era um caso de sucesso em França pela pela forma artística com que fazia passar a história na sala de cinema.
Em Portugal Manoel Oliveira era contudo uma referência cultural conhecida de todos, mesmo os que não viam os seus filmes ou se limitavam a ver o seu papel de ator na Canção de Lisboa de 1933 ou na obra de Wim Wenders "Lisbon Story" de 1994, mas poucos se lembram que antes da sua carreira na 7.ª arte foi atleta e campeão nacional de salta à vara e um piloto de desporto automóvel na década de 1920/30.
Vi várias obras deste realizador, menos do que desejava por as mesmas em Portugal passarem menos fora de Lisboa por razões comerciais, mas admirava a sua fotografia e sem dúvida foi quem melhor colocou em filme os romances da sua conterrânea do Porto: Agustina Bessa-Luís.
Manoel Oliveira morreu hoje de paragem cardíaca, mas ainda trabalhava para mais filmes... Portugal ficou mais pobre e fica a aqui a minha homenagem a este génio da cultura nacional de referência internacional.

3 comentários:

ematejoca disse...

"O cinema não morreu com Manoel de Oliveira, mas Manoel de Oliveira era único e o cinema não será o mesmo sem ele", afirmou John Malkovitch no final do funeral do cineasta no cemitério de Agramonte, no Porto.

ADORO os filmes do Manoel de Oliveira, sendo o meu preferido "Aniki-Bobó", que até tenho o DVD.

Como não podia deixar de ser também tenho o DVD de "Douro, faina fluvial".

O cinema mundial ficou mais pobre.

DIARIOS IONAH disse...

É sempre bonito a gente homenagens a quem de fato merece!
Eu vi alguns filmes dele e amo esse do Wim Wenders.
Respondi sobre o Nagib Mahfouz no abrkdbra.....

Carlos Faria disse...

Concordo plenamente consigo Ematejoca, embora não tenha DVD dos filmes dele, mas também não tenho por norma possuir DVD de filmes de outros realizadores.