sábado, 4 de abril de 2015

"Os peixes também sabem cantar" de Halldór Laxness


Halldór Laxness corresponde ao escritor de ficção que nos últimos 3 anos descobri e mais me marcou neste espaço de tempo. "Os peixes também sabem cantar" talvez seja dos 3 romances que li o de mais fácil leitura ao grande público, mas continua a retratar e a tratar a sociedade e a cultura islandesa com o mesmo estilo poético que em "Gente Independente" ou no "O sino da Islândia", apesar da análise política ser agora mais suave e superficial.
Uma romance que se desenvolve como as memórias de infância até ao início da vida adulta do seu protagonista: Álfgrímur, abandonado pela mãe, filho de pai desconhecido e acolhido à nascença pelos seus avós adotivos, os donos de uma pensão que recebe os islandeses mais pobres das várias partes da ilha em Reiquiavique no início do século XX, quando a cidade se começa a potenciar como futura capital do País ainda sob o domínio dinamarquês.
O livro tem dois mundos: o da pensão dominado pelo sino de prata do relógio, com a fronteira no torniquete da cancela e onde se hospeda uma série de personagens ímpares que mostram a vida miserável do povo, as suas superstições, o orgulho das tradições, músicas, poesias em convívio com os valores éticos e morais dos avós, também pescadores e incapazes de se renderem às regras do mercado em benefício próprio para explorarem as pessoas.
O outro mundo que Álfgrímur vai descobrir situa-se além do portão, dominado pelo sino do relógio da igreja, possui homens de negócio sujeitos às regras da Dinamarca, sofre a transição socioeconómica associada ao desenvolvimento industrial e comercial, onde a hipocrisia convive com um conjunto de pessoas que deambulam sem se enraizarem neste meio, também orgulhosas das suas tradições e interessadas na notoriedade da Islândia mundial, onde se destaca uma vítima deste sistema: um cantor lírico de fama mundial que ninguém na cidade o ouviu cantar, nem sua mãe, que dizem ser parente próximo do protagonista, que o vai conhecer, estabelecer amizade e desvendar o seu segredo, que o marcará para o futuro na mudança da da seu destino de pescador de peixe-lapa para a vocação de encontrar e cantar a nota pura e mostrá-la ao Mundo. Gostei muito, embora seja um romance menos profundo que os outros dois acima referenciados.

5 comentários:

Pedrita disse...

não conhecia. esse que está lendo, o do flaubert eu não li. beijos, pedrita

Denise disse...

Olá Carlos,

Tenho esse livro na estante para ler. Gosto muito do autor. «Gente Independente» é um dos melhores livros que já li.

Boas leituras!

Carlos Faria disse...

O Sino da Islândia tem uma tónica diferente, mas não é inferior ao magnífico Gente Independente. Este é mais popular, talvez o melhor para entrar neste escritor e depois mergulhar nas obras mais fortes.

Para mim é estreia absoluta em Flaubert.

olhodopombo disse...

Nunca li nada sobre a Islandia....

Carlos Faria disse...

Mas recomendo este autor que inclusive ganhou um Nobel da literatura, dos que li deste autor é o romance mais facil, mesmo assim um bom livro.