quinta-feira, 23 de abril de 2015

Dia Mundial do Livro - As minhas escolhas das leituras de um ano

No Dia Mundial do Livro já é tradição eu expor uma seleção das obras que mais me marcaram ao longo dos últimos 12 meses. Este ano correspondeu à leitura de várias dezenas de obras, desde o romance, novela e conto, passando por obras contemporâneas a clássicos anteriores ao século XX, só para falar do tipo de literatura a que tenho dedicado este blogue, contudo não é uma escolha fácil e nem eu próprio estou seguro se noutro dia não escolheria livros diferentes, mas no balanço do momento, eis as opções que tive:

Romance nacional
"A Quinta essência" de Agustina Bessa-Luís.

Não é uma obra de leitura fácil, tal é a densidade de ideias e pormenores expostos neste "A quinta essência" e onde se mostra a importância e o choque do encontro de culturas entre Portugueses e Chineses ao longo dos últimos 500 anos e tendo como base Macau, aqui se vê que a pretensa superioridade do ocidente no final é bem mais fraca face à riqueza do conhecimento e tradição oriental. Um livro que nos ensina muito e inclusive existem mulheres orientais bem fortes ao contrário do que se pensa na Europa.

Novela/conto em expressão lusófona
"O Alienista" de Machado de Assis

A categoria de novela surge pelo facto de que a obra que mais me impressionou, entre todas de ficção escritas originalmente em Português, foi um conto/novela, uma história do tipo alegoria, cheia de crítica sociopolítica com mais de um século mas que se mantém plenamente atual. "O Alienista", a brincar, dá-nos uma grande lição para compreendermos a mentalidade lusófona, com todos os seus defeitos. Brilhante, de extrema facilidade de leitura e pequena dimensão, uma pérola literária.

Romance em língua original estrangeira
"Mataram a Cotovia" de Harper Lee

No campo de literatura lida e proveniente de vários países e línguas e escritas no século XX e XXI a escolha não foi fácil, hesitei entre este pequeno e magnífico romance, onde através dos olhos de uma criança vê a luta do pai pela justiça e os riscos que tal acarreta numa sociedade racista. "Mataram a Cotovia" pequeno romance é uma escolha pessoal hesitante pois tanto poderia ter recaído em "Tudo o que sobe deve convergir" (uma coletânea de contos), "A leste do Paraíso", "O deserto dos Tártaros", ou "O coração das Trevas", mas esta seleção é de uma e não mais obras, fica por isso aqui a menção das que coloquei a igual nível.

Clássicos da literatura ocidental
"A educação sentimental" de Gustave Flaubert

Muitos leitores limitam-se a ler obras mais recentes e perdem a memória de obras escritas noutras épocas que moldaram as mentalidades contemporâneas e influenciaram grandes escritores posteriores, para que não se perca a oportunidade de conhecer os marcos da história da literatura, tento conhecer obras de séculos passados que se tornaram clássicos pela sua qualidade e referência cultural. Foram várias as obras que me marcaram do século XIX, mas pela informação histórica, pela estilo moderno da escrita e análise social que ainda se mantém atual "A educação sentimental" foi a escolhida.

Este ano estranhamente não li nenhuma obra de literatura Canadiana e como tal este tópico fica vazio, não por falta de qualidade, apenas ausência de leituras neste capítulo, mas assumo que é o Canadá tem uma riqueza literária que merecia ser melhor conhecida.

10 comentários:

Pedrita disse...

eu tb gostei muito de o alienista. os outros entraram na lista a ler. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Tirando A Quinta essência, os restantes além de bons, são de fácil leitura. Agustina tem um densidade de ideias por parágrafo que se torna difícil de assimilar tudo.

Os Incansáveis disse...

Olá, Geocrusoé!
Eu acabei de reler "Grande Sertão, veredas", do escritor brasileiro João Guimarães Rosa. É uma obra densa em forma de monólogo. São mais de 600 páginas, com linguagem do interior do Brasil!
Agora, estou lendo "A língua absolvida", do Nobel de literatura Elias Cannetti.
Concordo com você que devemos ler os clássicos da literatura universal. Aliás, sobre este assunto, é muito interessante ler "Por que ler os clássicos", de Ítalo Calvino. Recomendo!
Denise

Carlos Faria disse...

O Grande Sertão Veredas está esgotado em Portugal há pelo menos 2 ou 3 anos, pelos vistos ou terei de o mandar vir pela Livraria Cultura aí do Brasil, encontrá-lo num alfarrabista (sebo) ou ler em ebook.
Já ouvi boas indicações desse Calvino e nunca li Cannetti.

Anónimo disse...

Olá Carlos,
Talvez consiga encontrar o Grande Sertão Veredas na Loja do Público. Comprei-o em Outubro de 2014 por 5,95€.
Também gostei muito deste livro da Agustina, idem para o Machado de Assis.
A Harper Lee está em lista de espera.
Boas leituras!
:-) Antonieta

Carlos Faria disse...

Refere-se ao jornal Público? É que eu não conheço a loja que referiu, mas deverei passar por Lisboa em breve.
De qualquer modo obrigado pela informação e boas leituras também para si.

C. disse...

Creio que ainda é possível comprar online: http://loja.publico.pt/products.php?product=Colec%C3%A7%C3%A3o-800-Anos-de-Literatura-em-Portugu%C3%AAs-%252d-02.Grande-Sert%C3%A3o-Veredas

Carlos Faria disse...

Grande Sertão veredas encomendado, junto com A peregrinação de Fernão Mendes Pinto. Agora é aguardar para que cheguem e para que as possa ler.

DIARIOS IONAH disse...

"Grande Sertão, veredas", do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, não é uma linguagem do interior do Brasil e sim uma linguagem especificamente do Estado de Minas Gerais.No Brasil cada Estado tem sua língua e seus costumes e sua culinária! É como se fosse o Brasil um continente e seus Estados seus países, todos falando a língua portuguesa com milhões de variantes...

Carlos Faria disse...

Não é só no Brasil, dá para perceber que é a linguagem do Norte de Minas até zonas de fronteira com Goiás e Baía, pelas referências que são usadas no livro.
Eu percebo essa imagem por 2 motivos. Mesmo Portugal sendo um País pequeno, tem grandes variantes linguísticas e nos Açores cada ilha tem um falar diferente, sendo que alguns deles às vezes levam subtítulos ou legendas nas reportagens de TV ofendendo os respetivos ilhéus.
A ideia de federação compreendo-a perfeitamente, ou não fosse eu também Canadiano ou canadense, onde cada Província é equivale a um Estado e até há territórios para os mais despovoados sem chegarem ao estatuto de Província.