quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Tipos de actividade vulcânica submarina I - SERRETIANO

As erupções vulcânicas tanto podem ocorrer com o topo da sua chaminé em terra (subaéreas) ou no mar (submarinas), estas últimas são menos bem observadas, porque muita da sua actividade se situa abaixo do nível das águas, logo impossível de ser vista directamente pelos vulcanólogos.

Nos Açores duas importantes erupções vulcânicas do século XX situaram-se no mar e a profundidades diferentes, a última, situada a noroeste da ponta da Serreta da ilha Terceira, com evidências de actividade desde do final de 1998 até ao início de 2000: o Vulcão Submarino da Serreta.

Manifestações vulcânicas da Serreta à superfície do mar, foto de (Forjaz, et al., 2000, ver nota 1)

O vulcão da Serreta tinha o topo da sua chaminé a uma profundidade entre 400 e os 600 m abaixo do nível do mar, deste modo a pressão da coluna de água (o peso da própria água) impedia o desenvolvimento de vários fenómenos eruptivos típicos das erupções submarinas pouco profundas, como os jactos de piroclastos e lava, colunas de vapor e algumas explosões típicas .
Esquema de formação dos Balões de Lava, desenho de (Forjaz, et al., 2000, ver nota 1)

Todavia, detectou-se a ocorrência de um fenómeno nunca descrito antes pelos cientistas: a projecção, a partir de certa profundidade, de blocos de lava quente, cujo exterior solidificava, enquanto o interior permanecia parcialmente fundido, estes insuflavam ao subir, surgindo internamente espaços ocos e com gases vulcânicos. Estas características reduziam a densidade global dos blocos e tornava-os temporariamente flutuantes. Depois à superfície, estes esfriavam, perdiam os seus gases sob a forma de fumos brancos, por vezes explodiam e, por fim, afundavam-se. Tais blocos estão a ser designados por balões de lava.
Cortes esquemáticos e foto de balões de lava proveniente de (Forjaz, et al., 2000, ver nota 1)

O nome dado pelos cientistas a um tipo de actividade vulcânica baseia-se em modelos de erupções que foram bem estudados, descritos pela primeira vez com grande pormenor e com características específicas.

Assim, tendo sido a primeira descrição científica deste fenómeno vulcânico, vários geólogos portugueses propuseram que se passe a chamar às erupções submarinas, basálticas, relativamente profundas e onde se formem balões de lava como tendo ACTIVIDADE ERUPTIVA DO TIPO SERRETIANO (Serretyan activity).
Bibliografia e origem das fotos

(1) Forjaz, V. H.; Rocha, F. M.; Medeiros, J. M.; Meneses, L. F. & Sousa, C. (2000) "Notícias sobre o Vulcão Oceânico da Serreta, Ilha Terceira dos Açores" Ed. OGVA

(2) http://serreta-creminer.fc.ul.pt/index3ced.html?sectionid=3&menuid=3

8 comentários:

Grifo disse...

Vamos a ver se não acontece como aos Capelinhos... e o nome fica dedicado a outro vulcão...

Pedrita disse...

nossa, não sabia que haviam erupções vulcânicas no mar. beijos, pedrita

ematejoca disse...

Olá Geocruseo!
Vi no Grifo:

- gosto de apreciar arte
- gosto de férias de sol e praia
Estou indesiva entre estas duas.

Nas seguintes estou 100% convencida que são mentiras

- gosto de jogar futebol

- gosto de novelas

Gostaria muito, que o Geocruseo dissesse quais são as minhas mentiras. Eu adoro estes desafios, pois fica-se a saber muito sobre os amigos virtuais. Ou fica-se a saber como eles nos conhecem tão pouco.

HELAU! HELAU! HELAU!

Xinando disse...

Embora me fascine a vulcanologia, ache que poderia haver o tipo Capeliniano, goste do facto de haver o Serretiano, prefiro que não haja nenhum novo nome com a minha terra à mistura (só se for como o Serretiano, a uma distância segura de pessoas e bens).

Os Incansáveis disse...

E o que faz ocorrer esse fenômeno dos balões de lava só nesta região? Pressão interna, profundidade do vulcão, velocidade? Fiquei curiosa e gostei do nome do fenômeno.
Denise

geocrusoe disse...

ao grifo
talvez não ou melhor... espero que não.

à pedrita
claro, até são a maioria e a grande profundidade, mas isso há-de ficar para um outro post mais tarde. As ilhas nasceram de erupções no mar como já expliquei.

à ematejoca
julgo que já ficou esclarecida.

ao xinando
isso quer dizer durante a tua vida, porque mais cedo ou tarde outros irão surgir e se a tua terra, neste caso, for o pico, nada de improvável mesmo.

à denise
foram descritos cientificamente pela primeira vez nesta erupção, embora já tivessem ocorrido relatos de pescadores aqui e noutros locais do planeta que podem referir-se a situações semelhantes.
como disse, uma das principais condicionantes é a profundidade do topo da chaminé (300 - 600 m) que dificulta a formação de uma coluna de eruptiva de material ejectado. alguns dos que conseguem ser projectados deslocam-se para zonas de menor pressão (menos profundas) e então dá-se a expansão dos gases e o aumento do volume dos blocos de lava com uma crosta ainda não totalmente consolidada... depois é um efeito em cadeia: dilata-se, reduz a pressão e baixa a densidade, o que o faz ascender sucessivamente até chegar à superfície. aqui arrefece e por vezes explode e perde os gases pelas fissuras da crosta, aumenta a densidade pela entrada de água nos vazios e a rocha ser mais densa e mergulha sem gases.

Fernando Martins disse...

Caro amigo:

O Blog Geopedrados vai publicar este post, com referência ao autor e Blog.

PS - e em Abril lá estaremos...!

geocrusoe disse...

ao fernando martins
À vontade... espero por essa comitiva com muito prazer, tanto em trabalho oficial, como por disponibilidade pessoal