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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Dom Casmurro de Machado de Assis


Acabei de ler este clássico da literatura brasileira escrito no início do século XX. 
Apresenta-se  sob a forma de una autobiografia para ser lida por terceiros, com interpelações diretas ao leitor e onde o autor se procura justificar por que se tornou Dom Casmurro, com base na estória da sua paixão de criança, o seu destino traçado para a dedicação sacerdotal e o evoluir desse amor, sobretudo sob a liderança da forte mulher que era Capitu e os incidentes que o futuro lhe reservou.
Uma escrita muito fácil, dividida por numerosos capítulos de pequena dimensão que pretendem cada um descrever um acontecimento ou refletir um assunto.
Um texto direto que mistura ironia, humor, ternura, paixão e ingenuidade em doses que justificam o resultado de se ter tornado num clássico que dá imenso prazer ler.

domingo, 2 de junho de 2013

Milão: as impressões da cidade


Como habitual, terminada uma visita a uma cidade Geocrusoe apresenta as impressões marcantes aí sentidas e Milão não será exceção.
Genericamente os aspetos mais marcantes de Milão serão: o Duomo ou a catedral, o fresco da última ceia de da Vinci, a moda e o comércio de luxo e a importância cultural do alla Scala, sobretudo no domínio da ópera.

Monumentalmente pela sua qualidade estética e impacte arquitetónico, o Duomo destaca-se de toda a cidade, com as suas fachadas de calcário claro, onde se misturam o estilo gótico e neoclássico e se encontram numerosas esculturas e rendilhados de santos, gárgulas e agulhas que conferem um riqueza que merece ser apreciada. 
No resto da cidade  não abundam grandes monumentos de beleza significativa, embora se encontrem alguns imóveis antigos, como a basílica de Santo Ambrósio na sua traça medieval, o castelo Sforza da grande família do poder em Milão durante o renascimento e algumas relíquias do império romano.


Não parecem existir bairros históricos antigos em Milão, provavelmente foram demolidos em planos de urbanização do século XIX onde se construíram largas vias marginadas por imóveis elegantes de estilos barroco e romântico, resistindo alguns arruamentos entre estes eixos viários na sua maioria pintados de cores ocres a castanhos e bem arranjados.


Genericamente Milão é uma cidade mais elegante, cosmopolita e exibicionista de luxo do que monumental ou com grande riqueza patrimonial e onde infelizmente pululam mendigos nas zonas mais imponentes e de exposição das grandes marcas para as pessoas mais ricas do planeta.
Para mim o alla Scala foi sem dúvida o elemento que mais me cativou e me convida a voltar...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Veneza - explorando uma monumental cidade-mar


Hoje uma visita a uma cidade única Veneza, palácios e mais palácios, ruas que são vias de água, romantismo, arte, cultura... não sei como é o impacte de ver uma cidade assim, mais tarde espero relatar e reportar o que terá sido as sensações sentidas neste mundo tão diferente.

domingo, 26 de maio de 2013

Milão - no coração da ópera

Imagem Wikipedia

Retomei o meu périplo pelas grandes óperas do ocidente que cobria nas minhas viagens de férias, desta vez coube aquela que será talvez o coração europeu desta forma de arte, o Teatro alla Scala de Milão.

Imagem Wikipedia

Hoje, na semana em que se comemorou os 200 anos de nascimento do compositor devo devo celebrar a efeméride com a grande récita Die Götterdämmerung (O crepúsculo dos deuses) de Wagner, que fecha o ciclo do Anel dos Nibelungos, uma extensa e magnífica ópera onde todos os temas musicais desta epopeia de deuses, humanos, monstros se reexpõem de uma forma magnífica.

Um vídeo com o final desta excelente ópera cantada por Iréne Theorin a Brünnhilde da representação de hoje e bem diferente do libreto de Wagner, mas ópera é algo dinâmico sempre em evolução... por coincidência Siegfried é um compatriota meu, o canadiano Lance Ryan. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Lisboa - Feira do Livro 2013

Já há mais de uma década que não passava por Lisboa durante a feira do livro, felizmente ontem este interregno foi interrompido e estive presente até no momento da inauguração.
Muitos milhares de livros com descontos, diversidade de temas, alfarrabistas (sebos no Brasil) para relíquias ou obras já esgotadas, presença de autores com sessões de autógrafos, lançamentos de novos títulos, tudo isto no coração verde e de uma beleza paisagística deslumbrante no Parque Eduardo VII em Lisboa cujo tempo parece estar a dar uma grande ajuda com um céu tão azul e temperaturas agradáveis.
As minhas aquisições nesta feira já começaram... aproveite!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Siddhartha de Hermann Hesse

Apesar do nome, trata-se de uma autorreflexão de uma vida paralela e contemporânea de Buda que por sua vez é uma personagem secundária da obra.
Siddhartha, homónimo de Siddhartha Gautama - Buda, vindo de famílias sacerdotais abastadas, vive na angústia da busca da plena sabedoria e do estado de perfeição. Abandona tudo e vai experimentar a via da humildade e do apagamento do Eu e desilude-se. Volta-se então pela vida ascética da contemplação e desilude-se. Passa então à recusa de todas as doutrinas pré-construídas e experimenta a sua própria via, a vida real, o amor e os vícios sociais e novamente encontra a desilusão. Até que por fim encontra o equilíbrio representado por um rio e exposto por um barqueiro que lhe ensina a terceira via da unidade que funde tudo neste mundo e o torna perfeito.
Um livro em estilo de filosofia oriental que tenta ser uma lição de vida e evidenciar a viabilidade de uma pessoa conseguir o equilíbrio e o bem-estar nesta vida que nos desilude quando se busca um objetivo em detrimento da abertura e aceitação do que nos cerca e de regrar tudo isto.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Os livros de devoraram o meu Pai - Afonso Cruz

Vivaldo Bonfim viciado em leitura perde-se no interior de um livro de H G Wells para nunca mais se encontrar no mundo "real" quando o seu filho era ainda criança, até que um dia a este é oferecida a biblioteca do Pai. Estão então criadas as condições para a busca do progenitor na escrita vertiginosa, irónica, subtil, crítica e profundamente introspetiva de Afonso Cruz que mistura a vida "real" do protagonista e os encontros deste com importantes personagens da literatura mundial.
Afinal o mundo real não é muito diferente do ficcionado, até por que crimes e castigos todos somos capazes de cometer, muitos buscam a inocência imaginada no comportamento animal e acalmar as nossas culpas e preocupações.
Um livro que pode parecer juvenil, mas que deixa profundas pistas para reflexão aos mais adultos, de pequena dimensão, permite uma leitura rápida como um aperitivo literário para se conhecer Afonso Cruz.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O som e a fúria de William Faulkner


Entrar n'O Som e a Fúria de William Faulkner é como deixarmo-nos mergulhar num sonho, uma sequência de cenas e diálogos misturados no tempo e no espaço que nos deixa atados num estória que só ao fim de um certo período se começa a tornar clara e a compreender-se a estrutura do texto, a identificar corretamente as personagens e a coerência dos factos.
Todavia, desde o primeiro momento a tensão vivida no seio da família Compson e a ambiência social numa pequena cidade do interior do sul dos Estados Unidos começa a tomar conta do leitor e a despertar interesse pelas personagens que vão emergindo deste puzzle e inacreditavelmente desperta uma paixão por elas, apesar dos seus defeitos e escassas virtudes.
No livro sentimo-nos a vaguear pelas mentes das personagens onde alguns capítulos são exposições na primeira pessoa destas e só no último se retoma uma descrição externa a todos, mas é então o momento de nos sentirmos unimos a todos acontecimentos relatados sempre com uma ternura tensa, onde se mistura rancor, complexos étnicos e ruralidade numa sociedade que evolui de forma complexa abrindo feridas.
Um romance aonde a releitura da obra levará sempre a novas descobertas e reinterpretações da estória e que por isso convida logo a reentrar mal acabamos de sair na última página. Muito interessante o livro, mas não um obra de grande facilidade de leitura.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Money / Dinheiro de Martin Amis


Uma estória de decadência individual de alguém que veio de um estrato social baixo em Londres que depois como realizador de filmes comerciais vê jorrar dinheiro na sua conta, envereda por uma via autodestrutiva de vícios álcool, sexo, pornografia... dinheiro e embarca na aventura de fazer uma longa-metragem sobre dinheiro em Nova Iorque, outra selva dos seus vícios, onde se cruza com os hábitos decadentes dos bastidores do cinema.
Escrito num tom irónico e com um ritmo vertiginoso, o texto entra por uma linguagem grosseira e com uso intensivo de calão, o que torna a escrita muitas vezes chocante. Compreendi o que devem ter sentido os puristas e moralistas ao verem pela primeira vez "A origem do mundo" de Gustave Courbet!
Curiosamente, uma das personagens do livro é o próprio Martin Amis, na qualidade de escritor e visto pelos olhos do protagonista com toda a sua grosseria e despeito por uma profissão não muito rentável e a quem encomenda um trabalho.
Como romance retrata um estilo de vida doentio, amoral, sem cultura ou referências e onde a maturidade não acompanha os rendimentos. Amis não se coíbe de nos mostrar uma mente oca, perdida que até gostaria que se perceber e de encontrar um norte, o que justifica a linguagem, mas coloca-nos a pergunta sobre onde fica a fronteira da arte quando esta procura descrever mundos marginais e proscritos.
Apesar de tudo, reconheço que o ritmo e a trama mantiveram o meu interesse na obra e até despertaram a compreensão e simpatia pelo protagonista na sua via suicida.
As interrogações levantadas talvez sejam os motivos por que alguns consideram Dinheiro como uma obra importante na literatura contemporânea inglesa e, apesar do choque, não desgostei do romance. mas só recomendo a corajosos não preconceituosos.

sábado, 27 de abril de 2013

"E agora Zé-ninguém?" - Hans Fallada


Mais que um livro sobre a crise económica na Alemanha que levou o País ao nazismo, é uma estória de sobrevivência de um casal vítima da tirania financeira e laboral desse período.
Um livro essencialmente de diálogos simples com pessoas na sua maioria simples, cuja ternura não desaparece nos personagens principais e onde o amor conjugal, maternal e paternal garantem a sobrevivência da dignidade, mesmo numa sociedade nem sempre simpática para com as vítimas da desumanidade em resultado do interesse egoísta dos oportunistas das crises económicas.
A estória de um homem amante de princípios inabaláveis e de uma heroína amada que não baixa os braços num mundo injusto que pode estar a acontecer à nossa porta. Uma obra que por vezes apela à revolta do leitor, sem o deixar de enternecer e de muito fácil leitura.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril - Dia da Liberdade

Liberdade,
Que se alimenta na luta,
Que se oxigena no respeito,
Que tem por cicuta
Pisar do outro o leito.
Renasce na fraternidade

Liberdade,
Apesar de tão amada
e fonte de esperança,
Por vezes aproveitada
No semear da desconfiança.
Renova-se na solidariedade

Liberdade,
Que na luta é ferida
Nunca é uma causa perdida.
Nos anseios de uma criança
Recria-se a esperança
No voltar da Liberdade



terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro - 23 de abril

Como habitualmente neste dia mundial do livro o blogue Geocrusoe expõe os livros mais marcantes desde o anterior dia do livro. Optei por livros que pela sua dimensão, facilidade de leitura e qualidade podem ser lidos por qualquer pessoa sem uma maturidade literária profunda... basta que gostem de ler ludicamente, assim exclui a obra mais densa que foi "Em busca do tempo perdido" com os seus sete volumes, mas não poderia deixar passar tal romance complexo aqui neste dia.

A Boneca de Kokoschka, é a minha recomendação ao nível de romance nacional, houve outros livros nacionais lidos ao longo deste ano que também gostei, mas sem dúvida este merece o prémio da originalidade, mesmo contendo componentes baseadas em factos reais: pequeno, fácil leitura, bom humor, ironia e frases para reflexão juntam-se num pequeno livro a não perder. Prémio europeu pode ser importante, mas mesmo sem o galardão, merecia ser lido.

"Gente Independente" é a minha recomendação na literatura internacional. Um livro mais antigo, mas que me marcou profundamente e apesar de ter uma primeira parte que se pode tornar repetitiva, merece pela importância da mensagem da segunda parte ser lido por todos os portugueses devido à forma como explica as causas de uma crise que afetou a Islândia no início do século XX que em muito dá para compreender a que Portugal atravessa cerca de um século depois.

"Dentro do segredo" de José Luís Peixoto é literatura de viagens, neste caso a um mundo estranhíssimo que é a Coreia do Norte. Um regime inqualificável, a única monarquia comunista do mundo no "reino" mais fechado ao mundo dentro deste planeta, vale a pena ler o relato por quem viveu a experiência de visitar tal país tão recentemente.
Este ano não haverá o melhor livro de literatura canadiana como habitualmente, por entretanto não ter lido nenhum livro do meu País natal.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

22 de abril - Dia da Terra

Nascer da Terra na Lua - foto da NASA extraída daqui

Hoje celebra-se o dia da Terra, a casa da humanidade onde residem mais de 7000 milhões de pessoas, onde das mais ricas às mais pobres praticamente todos querem sempre mais e mais num planeta limitado para uma espécie de desejos ilimitados.
Até quando aguentará o nosso planeta?
Como será o amanhã depois da Terra se tornar incapaz de nos sustentar?
Talvez negro como o céu desta foto.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Memórias de Adriano - Marguerite Yourcenar

Uma biografia ficcionada do imperador romano do século II Adriano, um dos responsáveis por um extenso período de paz e de prosperidade do império após as absurdas loucuras de Calígula e Nero.
A obra foi escrita em estilo epistolar na primeira pessoa e destinada a formar a consciência do futuro imperador Marco Aurélio, de quem este recebeu o direito à sucessão, mesmo sem ser nomeado sucessor direto de Adriano.
O livro mostra um Adriano culto e humanista que procurou o bem do seu povo e tratou de assegurar o futuro do seu império. Nem tudo pode ser visto como ético e moral à luz da atualidade, pode gerar confusões seu amor por Antínoo numa época em que o helenismo se sobrepunha ao cristianismo emergente, mas o objetivo da maioria das decisões mais difíceis deste imperador foi o bem dos cidadãos que governava com especial atenção dos mais fracos.
Justifica Adriano algumas das suas decisões preventivas para riscos futuros "Os nossos fracos esforços para melhorar a condição humana seriam apenas distraidamente continuados pelos nossos sucessores; pelo contrário, o grão de erro e de ruína contido no próprio bem cresceria monstruosamente ao longo dos séculos." Pormenor que espelha bem o que Yourcenar viu neste homem político cuja lucidez e princípios depois tanta falta passaram a fazer na gestão da Europa que desembocou na crise de valores atual.
Um livro que procura ser fiel aos principais acontecimentos daquele período que todos devem ler, sem perder as notas que a escritora faz sobre a forma como chegou a estas importantes memórias.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Montanha do Pico em risco - Notícias - RTP Açores

Montanha do Pico em risco (Som) - Notícias - RTP Açores

Porque em matéria de riscos naturais mais vale a pena prevenir que remediar, espero que comecem a efetuar uma monitorização de eventuais movimentos de massa atempadamente.
Curiosamente, já falara deste assunto aqui no Geocrusoe há já uns anos... não posso precisar se houve agravamentos nos últimos dias, mas já observei sinais que me preocuparam há uns tempos atrás.

Recorde-se que as ruturas e depois os nos movimentos de massa podem acontecer em períodos calmos ou serem acelerados por precipitações intensas e sismos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

"O Tempo Reencontrado" - Marcel Proust

O último volume de "Em busca do tempo perdido" fecha o ciclo da memória do narrador, iniciado nas angústias de criança, passou à frescura do amor juvenil, desencantou-se nos vícios, preconceitos e paixões adultos e desemboca agora no crepúsculo da velhice e reconhecimento do tempo percorrido.
"O tempo reencontrado" é um epílogo do romance das memórias do narrador, a descoberta da importância do tempo numa vida e dos seus efeitos físicos e sociais. É uma dissertação sobre a decisão de passar as recordações a livro e o papel do tempo na vida. É a exposição da técnica e da estratégia para transformar o livro sobre o tempo e a memória numa obra de arte a doar à humanidade, onde o que importa à vida é interpretado por Proust e a memória reinterpretada.
"O tempo reencontrado" dá-nos a essência de todo o romance "Em busca do tempo perdido" e Proust não se furta a explicar como idealizou a sua obra como escritor: "deveria preparar preparar o seu livro com toda a minúcia, reunindo constantemente as suas forças como que numa ofensiva, deveria suportá-lo como um fadiga, aceitá-lo como uma regra, construí-lo como uma igreja, segui-lo como um regime, vencê-lo como um obstáculo, conquistá-lo como uma amizade, sobrealimentá-lo como uma criança, criá-lo como um mundo sem deixar de lado aqueles mistérios que provavelmente só têm explicação em outros mundo e cujo pressentimento é o que mais nos comove na vida e na arte."
O receio da morte antes da conclusão do livro está bem presente em "O tempo reencontrado" e de facto afetou a revisão dos últimos volumes romance, mas "Em busca do tempo perdido" deve ser uma das obras mais significativas da literatura mundial e exige maturidade literária do leitor para a apreciar plenamente.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Concerto da Páscoa - Um magnífico serão musical!

Após uma longa espera para se ouvir novamente no Faial um novo concerto da Horta-Camerata, orquestra que tem marcado positivamente pela qualidade musical ímpar o reportório erudito que se tem interpretado nesta ilha ao longo dos últimos anos, foi com elevada ansiedade que esperei pelo concerto Sinfónico de Páscoa 2013 e confesso que valeu a pena. 
A primeira parte foi inteiramente preenchida pelo Concerto para Piano e Orquestra n.º 8 de Mozart, sendo solista Alexander Kuklin, que atualmente desempenha atividade de professor convidado na ilha Graciosa.
Além da sempre agradável música de Mozart, Alexander Kuklin tocou esta obra clássica respeitando o estilo da época e resistindo a certas tentações frequentes nalguns intérpretes de expressarem com maior intensidade a emoções do período romântico e por vezes mascaram a fluidez do estilo clássico original. Assim, neste concerto foi bom ouvir-se Mozart a respeitar o estilo da época de Mozart na sua forma alegre e contida como este compositor brincava com as teclas e a música.

A segunda parte começou por recuar ao barroco no larguetto da ópera Berenice de Händel, uma linda composição musical, tocada com a sensibilidade adequada e que nos preparou para  o regresso ao período clássico com a sinfonia 43 de Haydn - Mercúrio mas agora anterior a Mozart.
Uma Sinfonia onde os temas são repetidos com subtilezas de modulação e variações que mostram a genialidade do Haydn e preparam o ouvinte ir descobrindo a evolução desta música e a reconhecer as suas principais frases de forma a ficar cativado pelos temas principais dos vários andamentos e sem dúvida que a qualidade posta na interpretação, mesmo com músicos amadores, soube tirar partido máximo das particularidades desta sinfonia. 

Por fim uma palavra para a direção musical de Kurt Spanier que mais uma vez mostrou que sabe descobrir, selecionar e potenciar ao máximo músicos dispersos por estas ilhas e não só, nas sua grande maioria ainda jovens mas com grande talento, e ainda consegue juntá-los e em poucos dias viabilizar concertos de grande qualidade de interpretação.
Uma palavra para os músicos que apesar de terem sido afetados por uma greve de transportes para chegar ao Faial, mesmo assim com o seu saber, talento e empenho foram capazes de chegar a um patamar de qualidade de interpretação e integração na orquestra de forma a conseguir um magnífico serão musical!
Parabéns!