domingo, 18 de setembro de 2016

"Nora Webster" de Colm Tóibín



"Nora Webster", apesar de ser o romance mais recente Colm Tóibín foi o meu livro de estreia neste escritor atual da Irlanda, o qual já ganhou vários prémios literários e teve uma obra adaptada ao cinema.
Nora Webster narra a luta pela sobrevivência no dia a dia da homónima protagonista após a morte do seu marido, um professor conservador católico, à sombra de quem ela se habituara a viver, ficando então com cerca de 40 anos e 4 filhos, desde a idade do ensino básico até ao universitário, a seu cargo, passando então a enfrentar dificuldades financeiras, necessidade de compreender a psicologia variada dos seus descendentes e com personalidades, gostos e maturidades bem distintas, enquanto se adaptava à nova situação numa pequena cidade da República num período de tensão política com a violência na Irlanda do Norte e reivindicações laborais na parte independente da ilha que se deduz ser nos anos 1960/70.
Colm Tóibín mostra que é possível tornar cativante um romance escrito de uma forma límpida e quase sem floreados estilíticos sobre a vida de uma mulher comum, numa terra provinciana banal, sem ocorrência de grandes acontecimentos sociais e mesmo com tanta simplicidade prende o leitor.
Ao longo de todo o romance vamos conhecendo devagar os pensamentos, as recordações, os receios, os passatempos/fugas da vida de Nora e as suas pequenas decisões diárias desta viúva que são os passos para a sua emancipação forçada, bem como os problemas e a solidariedade da família alargada, dos amigos e da influência católica que permitem que ela não colapse perante os novos desafios que enfrenta.
Talvez o mais original neste romance seja o facto de a protagonista não deixar de ser uma mulher comum que na sua intimidade apenas luta para ultrapassar as suas fragilidades, mas que a sentimos como uma heroína, permitindo elevar a tal categoria uma pessoa comum que poderia ser a nossa vizinha onde parece que nada de especial se destaca mas onde um grande drama se desenrola e se vence. Gostei e recomendo.

5 comentários:

Kelly Oliveira disse...

Não conhecia esse autor, gostei dos comentários. As grandes heroínas de fato são as pessoas comuns...

Carlos Faria disse...

Penso que era capaz de gostar deste livro, até porque mostra o papel pacificador da igreja em cidadão comuns, apesar do problema no norte da Irlanda.

Pedrita disse...

confesso que nunca pensei em ler essa autora. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Não é uma autora, Nora Webster é a protagonista do romance, o escritor é Colm Tóibín

Pedrita disse...

ah, que bacana. obrigada por me lembrar. eu fiquei muito interessada depois de ver o filme.