domingo, 11 de setembro de 2016

No aniversário da morte de Antero de Quental


Culpado

Não duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.

Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo à existência hora sombria;
Acaso, à ordem; nem á lei desleixo.

A Natureza é minha mãe ainda...
É minha mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir: se estou desesperado;

Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!


(Ponta Delgada 18 de abril 1842 - 11 de setembro de 1891)

2 comentários:

Pedrita disse...

belíssimo. bela pintura que retrata o poeta. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Talvez o maior poeta, ensaiista e filósofo dos Açores