terça-feira, 13 de setembro de 2016

"CORRECÇÕES" de Jonathan Franzen



"Correcções" é o segundo romance que leio de Jonathan Franzen, um escritor dos Estados Unidos da atualidade e de elevada notoriedade pública. À semelhança de "Liberdade", o livro que agora li também se serve dos desencontros numa família para mostrar muitos dos problemas contemporâneos da sociedade norteamericana.
O romance conta os principais episódios da vida dos vários membros da família Lambert, desde meados dos século XX até à entrada do presente milénio, com maior pormenor do dia a dia de recente. Um agregado composto por pai, mãe, dois filhos e uma filha, todos com personalidades diferentes, com perspetivas do mundo distintas e com problemas pessoais, éticos e morais díspares, sendo comum a todos, a senilidade e demência do pai que a mãe enfrenta diariamente enquanto sonha reunir todos pelo Natal, enfrentando conflitos geracionais, de avós aos netos, passando pelo afastamento da nora e indo até às inconveniências individuais a tal desiderato.
Novas e velhas tecnologias de comunicação, globalização, consumismo, alcoolismo, depressões psíquicas, neoliberalismo, marketing de aliciamento financeiro, injustiça social, racismo, homossexualidade, assédio laboral, fardo da velhice, desencontros sentimentais e problemas de compreensão do amor familiar de uma forma ou outra são expostos no evoluir destas vidas que optam por formas mais ou menos corretas para os enfrentar, tudo isto numa escrita trabalhada de forma diferente em função do carácter da personagem ou do meio utilizado: reflexão psicológica, diálogo direto, telefone, correio-eletrónico, páginas de internet, SMS, etc. conferindo uma grande diversidade de estilos sempre com uma linguagem fácil, despretensiosa mas bem trabalhada literariamente. 
O romance varia de momentos hilariantes e irónicos, até ternos, depressivos e de angústia, em função das situações, gerando um retrato multifacetado da sociedade norteamericana através das vivências e sentimentos desta família da classe média-alta com as suas alegria, tristezas, receios e esperanças. Uma grande obra que não camufla a fealdade de muitos dramas pessoais e sociais de hoje.

5 comentários:

Pedrita disse...

você já está no segundo livro do autor e eu não li nenhum. preciso me redimir dessa falta. até pq a temática me interessa. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Um livro agridoce, com momentos duro e outros que até despertam ternura, mas vale a pena conhecer este escritor.

nuno martins disse...

Um grande livro, em todos os aspetos, tamanho e qualidade, para mim Franzen é o melhor escritor Norte-Americano da atualidade.
Aconselho a ler também dele "A Zona de Desconforto", uma espécie de autobiografia mas muito divertido.
Abraço

Carlos Faria disse...

Pois já ouvi falar de A zona de desconforto, mas não sabia que era biográfico.

DIARIOS IONAH disse...

Eu li os dois e gostei muito.
Te respondi la no blog na postagem do LIVRO DE TRAVESSEIRO.