sábado, 5 de março de 2016

"Murther & Walking Spririts" de Robertson Davies


Um atraso no envio de uma compra de livros levou-me a regressar à minha estante de obras em inglês de autores Canadianos e a optar por um dos escritores mais importantes do Canada da segunda metade do século XX, Robertson Davies, que está entre os que mais admiro e gosto ao nível global, pena estar tão pouco traduzido em Portugal, tendo em conta a sua importância literária reconhecida internacionalmente.
"Murther & Walking Spririts" foge ao estilo mais frequente das obras de Robertson Davies que na generalidade correspondem a romances em ambientes reais que descrevem problemas e tensões concretas de determinados grupos com uma escrita límpida, elegante e fácil, frequentemente cheia de humor e ironia subtil.
O presente romance começa com o assassínio do protagonista por um colega de trabalho, com caráter medíocre, do departamento de cultura de um meio de comunicação social de Toronto, quando este foi surpreendido em flagrante no quarto com a esposa do primeiro. A partir daqui Gilmartin assassinado acompanha com um certo prazer irónico e bom humor a forma como agem os culpados da sua morte e às cenas do seu próprio funeral, sendo depois levado a assistir a um festival de cinema da sua iniciativa, agora sob a orientação do assassino, só que em vez de ver os filmes clássicos históricos exibidos na tela, esta mostra-lhe filmes homónimos onde os protagonistas são seus antepassados desde a independência dos Estados Unidos que se refugiaram no Canada, tanto ingleses fieis ao governo das suas raízes, como descendentes dos holandeses que criaram a colónia que hoje é Nova Iorque, como ainda galeses que mais tarde por dificuldades na sua terra se veem forçados a emigrar para a mesma região do Novo Mundo fiel a Inglaterra.
Assim, este romance desenrola-se numa sequência de histórias independentes de vidas com luta pela sobrevivência numa sociedade difícil que no fim se cruzam em Gilmartin, que apreende não só "lições de vida" a usar na continuação da sua nova "vida", como ainda desemboca no fardo que castigará o seu assassino de uma forma igualmente original.
Robertson Davies, um homem de alta craveira inteletual e cultural, dá-nos nesta obra não só importantes informações sobre as raízes de formação do Canada e de alguns dos povos que estão na origem desta nação multicultural e multirreligiosa, com recurso ao mundo metafísico, sem perder o seu humor habitual e o seu estilo de fácil leitura, um universo literário que infelizmente está vedado a quem apenas lê obras traduzidas em português. Mesmo sem este estar entre os romances meus preferidos deste escritor, gostei e recomendo a quem leia literatura em inglês.

2 comentários:

Pedrita disse...

fiquei curiosa. que chato que os livros atrasaram a chegar. eu estou com uma estante literalmente de livros a ler. não são demais, mas tem vários. é bom pq a crise chegou feia aqui então posso ficar um tempo sem me preocupar o q ler. sem falar na bela estante da vizinha q vario de vez em qd. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

O importante foi que não fiquei a perder em ler este livro da estante dos livros em inglês de autores Canadianos e por lá ainda tenho outros, inclusive de Robertson Davies.