quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Amada de Vida" de Alice Munro


Acabei de ler a série de 14 contos que integram o livro "Amada Vida" de Alice Munro, a escritora canadiana vencedora do prémio Nobel da literatura em 2013 de quem sou grande admirador.
Foi a primeira vez que li as obras de Alice Munro sem ser na sua língua original e confesso que os sentimentos e prazeres que despertaram em mim nesta versão da editora Relógio d'Água foram semelhantes aos de quando a lia em inglês: sinal de que a tradução, a métrica e o estilo de escrita respeita o original que me encantava.
Os 14 contos correspondem a 10 ficções, seguida de 4 memórias autobiográficas do período da infância/adolescência da autora. Na sua grande maioria os contos são passados em meios essencialmente rurais, tendencialmente conservadores, sobretudo no período pós II Guerra Mundial ou meados dos século XX e onde os protagonistas são pessoas comuns sem nenhuma particularidade para serem tratados como heróis, expondo-se assim os seus simples e humanos anseios, receios, vícios e constrangimentos sociais na sua vida normal, onde pontua o amor, a sobrevivência e a traição; ambientes e situações em que Alice Munro também se reviu na sua juventude.
Alice Munro tem um estilo próprio de mostrar as virtudes e defeitos do cidadão comum sem os julgar globalmente pelas suas boas ou más decisões e é nisto que está a originalidade e a sua grandeza literária. Por norma prefiro as suas histórias mais pessoais, pelo despudor e elegância com que se mostra ao leitor, contudo, nas restantes histórias a autora consegue fazer o retrato global do interior das pessoas desde a infância até à velhice condicionadas pelo seu meio. Embora este não tenha sido o meu livro predilecto desta escritora, foi uma obra que gostei e recomendo para quem a quiser descobrir ou iniciar-se no conto.

3 comentários:

Pedrita disse...

nunca li nada dela. falamos de livros no mesmo dia. linda a capa desse livro. eu infelizmente só leio em português, o resto dependo de tradução. posso até entender por alto o inglês, mas não saber todas as palavras q é o q mais amo em leituras, me faz procurar a obra no meu idioma. beijos, pedrita

Denise disse...

Uma autora que quero muito conhecer.

Boas leituras!

Carlos Faria disse...

São contos de gente comum e de gente oprimida numa sociedade nem sempre tolerantes, mas muito bem estruturados e bem escritos.