terça-feira, 11 de junho de 2019

"Fundação" de Isaac Asimov

Excertos
... meus senhores, a queda de um Império é uma coisa imensa e que não é fácil de combater. Ela é ditada por uma burocracia em ascensão, por uma iniciativa em decréscimo, uma imobilidade de castas, um aprisionamento da curiosidade - uma centena de outros fatores."

"A violência é o último refúgio dos incompetentes."

Este livro foi a minha estreia em leitura de obras de mera ficção científica em mundos fora da Terra, já lera obras distópicas previstas para o futuro, mas a "Fundação" de Isaac Asimov, russo naturalizado norteamericano, é uma estória que se passa no espaço, não localizada no tempo, num período em que o homem já colonizou numerosos planetas na galáxia e mostra a força do conhecimento como garante da civilização, causas do declínio desta e o papel da religião (crença), do comércio/economia (ferramenta de bem-estar) como força agregadora de impérios, bem como a inteligência e a astúcia serem mais mais eficazes na preservação do poder do que a guerra e a violência. 
No enredo o homem povoa toda a galáxia num império, o desenvolvimento da ciência "psico-história" permite determinar com grande precisão o evoluir da sociedade no futuro e o seu autor prevê o declínio irreversível do império a que se seguirá um recuo milenar da civilização. Então para acelerar a recuperação da humanidade força a criação de uma colónia num planeta que assegurará a preservação do saber e da tecnologia e servirá de gérmen ao renascimento galático do Homem, deixando mecanismos para este enfrentar as crises que previu nesta caminhada. 
O livro está narrado em cinco episódios espaçados no tempo que se completam e começam com o papel da psico-história, o início da cidade Terminus, duas grande crises que cujo fundador previu e o último com a substituição da religião pela economia como meio de assegurar o preservação do império.
O romance tem um estilo bastante cinematográfico ou de série televisiva, numa escrita escorreita sem preocupações de cultura literária, mas possui mensagens subliminares fortes que convidam o leitor a pensar, sem o obrigar a análises, se for alguém com apenas interesse lúdico, por isso pode ser em simultâneo uma obra popular e de culto pela sua profundidade e daí classificada uma das melhores no seu género.
Estranhamente o poder na obra radica apenas nos homens, às mulheres está reservado um papel de subserviência caseira. Apenas no último episódio existem mulheres enquadras numa sociedade totalmente machista, onde estes são os políticos, os guerreiros, os investigadores e depositários da sabedoria. Pergunto-me se será apenas uma marca do modo de pensar na década de 1950 ou mentalidade do escritor? Igualmente choca que com tantos avanços científicos algumas necessidades sejam bem típicos do século XX: a energia nuclear, eletrodomésticos, recursos minerais, etc.
O livro lê-se muito bem, tem pontos de elevado suspense e ideias para colocar à discussão para quem estiver atento e não se limita a ser um leitor passivo.

3 comentários:

Pedrita disse...

eu amo ficção científica, mas leio muito pouco. acho que li só uma obra do autor, mas sem muita certeza. bela capa da edição. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Pois obras sobre o futuro sou mais pelas distopias ao estilo de 1984, O admirável mundo novo ou Oryx e Crake de Atwood etc.
Gostei e talvez venha a ler mais. Já nos seriados e filmes vi muita ficção científica.

Pedrita disse...

carlos, realmente essas obras são ótimas. estou com oryx pra ler aqui. mesmo o conto de aia é muito impactante. falei de livro no meu blog.