quarta-feira, 27 de julho de 2016

"A Mulher da Lama" de Joyce Carol Oates


Acabei de ler "A mulher da lama", romance com que me estreei nesta escritora norteamericana frequentemente nomeada para o prémio Nobel da literatura.
A obra narra a vida de uma mulher abandonada pela mãe num lamaçal, resgatada por um deficiente e depois adotada por um casal que são exemplos de bondade cristã, enquanto no seu crescimento ela se mostra muito inteligente, competente e trabalhadora e consegue subir muito alto na vida, momento em que a pressão do lugar, o facto de ser mulher e os problemas de ética que os cargos de topo enfrentam, a levam a grandes dificuldades para conseguir sobreviver num mundo de homens e de interesses financeiros sem valores num período extremado entre o 11 de setembro e o início da segunda invasão do Iraque.
Gostei da escrita, com parágrafo curtos que desenrolam uma sucessão de pensamentos, sensações e descrições sempre expostos pela mente da protagonista e numa vertente muito feminina. Todavia, J C Oates utiliza por vezes uma técnica onde os receios nas situações reais da narração são prolongados por pesadelos, nalguns casos de aparência surrealista, noutros violentos, misturados com as suas questões de consciência e onde nem sempre se distingue no momento o que de facto acontece no terreno do que se passa mente da personagem central da estória, o que me provocou algum mal-estar, retarda o evoluir da trama e diminuiu o prazer que senti no começo do livro.
Apesar destas fugas, que podem ter servido para contornar o modo como a protagonista poderia resolver dados problemas, é um livro interessante sobre a sobrevivência da mulher num papel de líder na sociedade contemporânea e vale, sobretudo, por expor essa luta sentida no feminino.

10 comentários:

Anónimo disse...

Não lhe reconheço grande qualidade.
É apenas a minha opinião e não uma verdade universal.
As nomeações da academia para o prémio só são conhecidas passados 50 anos. Fazem-se "adivinhações" pelo público e casas de apostas, mas nomeações isso não.

Pedrita disse...

eu estou muito curiosa, já tinha ouvido falar. vc não amou tanto, mas penso em ler de qualquer forma. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Pedrita
Sei que ela tem outros livros que já foram premiados literariamente, talvez não tenha sido a melhor obra dela, de qualquer forma espero ter oportunidade para ler outros romances dela.

Anónimo
Pois que sejam adivinhações... mas que é falada frequentemente para tal, tal como Roth e outros, isso é e se são apenas nomeações extra academia, não importa, o que eu queria dizer é que por muitos era considerada uma potencial candidata e não uma mera vendedora de livros se sucesso sem reconhecimento literário... e não fiquei assim tão deslumbrado com ela.

Denise disse...

Olá Carlos,

Joyce Carol Oates é uma escritora que admiro imenso.
Ainda não li o mais recente que aqui fala. Recomendo «A Filha do Coveiro» e depois voltaremos a falar :)
Na minha opinião, uma escritora extraordinária.

Boas leituras!

Carlos Faria disse...

Pois, acredito Denise, mas se pela escrita a considerei boa, pela forma da obra já fiquei com algumas dúvidas, mas não tantas discordância quanto temos ao nível de Hemingway de quem gosto muito.

olhodopombo disse...

Nunca li nada dela. No momento ando lendo antes de dormir, O LIVRO DO TRAVESSEIRO, de uma autora japonesa do Século X. Bem interessante. E de dia leio as obras do egipcio Albert Cossery, esplendido! A próposito lhe respondi no meu blog abrkdbra-coisasdavida....

Carlos Faria disse...

Também foi estreia nela, mas sei que é muito conceituada no seio do mundo literário.
Cossery gosto muito, já li contos e romances dele, uma forma muito original de criticar a sociedade e de dar dignidade aos pobres.

olhodopombo disse...

Carlos Faria, só tenho a lhe agradecer pela indicação do escritor Albert Cossery! Eu estou lendo AMBIÇÃO NO DESERTO, que me parece ainda melhor do que "A cor da Infamia"!

nuno martins disse...

Joyce Carol Oates é daquelas autoras que nunca me chamou a atenção, sem que tem já um trabalho reconhecido e vasto, mas enfim... Talvez um dia

Carlos Faria disse...

Por enquanto não fiquei convencido, mas também não tão desiludido que não lhe pense dar uma segunda oportunidade.